Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Tiro e queda
Alfim e ao cabo, somos animais bípedes supostamente racionais, mas tenho minhas dúvidas

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 15/05/2014 04:00

Sangue e filosofia

Cavalheiro que não fez o vestibular para medicina quando descobriu que sofre de hematofobia ou hemofobia (não confundir com homofobia) – aversão ao sangue ou medo mórbido de sangue –, como este philosopho, que já trabalhava como fotógrafo de fatias de cérebros na melhor clínica de neurocirurgia do Brasil, deveria ser o último a escrever sobre o líquido vermelho, viscoso, que circula nas artérias e veias bombeado pelo coração, transportando gases, nutrientes e elementos necessários à defesa do organismo.
Contudo, o texto de Bruna Sensêve, publicado na página 22 de nossa edição de 15 de abril, me obriga a palpitar sobre o assunto para dizer ao assustadíssimo leitor que a auto-hemoterapia, isto é, a retirada do sangue da veia para aplicar no músculo do próprio paciente, se o paciente é bovino funciona à maravilha. 
Faltam-me competência e conhecimentos para opinar sobre a auto-hemoterapia humana, defendida por uns, criticadas pelos outros, mas se o paciente é vacum o tratamento da verrugose funciona. Vacas e touros verrugosos – infestados de verrugas, quadros assustadores – quando submetidos à auto-hemoterapia ficam bons em pouquíssimo tempo. Na minha roça ficaram, como também noutras roças de que tive notícias.
O Calminex veterinário, que continua existindo e foi usado desde sempre pelos humanos, evoluiu para o Calminex humano, mais suave que o veterinário porque nosso couro é menos resistente do que os dos animais. Alfim e ao cabo, somos animais bípedes supostamente racionais, mas tenho minhas dúvidas. Aquela cena de dois bandidos, de madrugada, tentando assaltar uma lotérica blindada, agredindo um funcionário de 28 anos aos socos e pontapés, rapaz que não tinha as chaves da porta blindada e lá estava limpando os banheiros, cena que terminou com um tiro que o matou, jamais foi vista entre as demais espécies de mamíferos, que devem somar 4.700. É o que sempre digo quando um humano fica ofendido por ser chamado de macaco. Os macacos, sim, é que deveriam ficar ofendidíssimos.

Propaganda e marketing 
A operadora de forno e fogão voltou exultante do gigantesco supermercado próximo daqui, empresa multinacional que anda uma porcaria, onde comprou para sua neta três ovos de Páscoa e ganhou um. Aquele velho truque do compre três e leve um, que encanta e ilude milhões de consumidores. A neta é menina batizada com um nome inventado, que ninguém entende ou sabe escrever, modismo que tomou conta deste país grande e bobo.
Sou fascinado pela área de propaganda e marketing. Na próxima encarnação quero ser publicitário. Ouso prever algum sucesso na profissão, pois já tive alguns estalos que dei de presente aos interessados. Da lista consta “Brasas English Course, of course”, que sugeri ao muito saudoso amigo George Zinovets, vizinho de fazenda no RJ, foi adotado na propaganda do seu curso e hoje tenho visto copiado por uma infinidade de cursos de inglês. O curioso na história é que não falo o idioma dos Pitts e dos Chaucers, mas acertei na mosca. Of course quer dizer naturalmente, inquestionavelmente, e english course é curso de inglês. Também dei aos prefeitos dos municípios onde morei, quando mantinha com eles relações cordiais, alguns slogans que foram aproveitados e copiados noutros municípios.
Ainda sobre o palpitante assunto, acabo de ver com calma a propaganda do azeite Gallo, frascos de 500ml. Em letras de bom tamanho você pode ler: Azeite de Oliva Extra Virgem. Embaixo, em caixa-alta e letras maiores: TIPO EXTRAVIRGEM.
Como é possível explicar que um produto “extra virgem” seja, no mesmo frasco, “tipo extravirgem”? É das empulhações mais espantosas que tenho visto em matéria de propaganda. Empulhação vem do verbo empulhar, que significa escarnecer, mofar, troçar, ridicularizar. Resumindo: uma pulhice veiculada em páginas inteiras, o tipo da safadeza, canalhice ou pilantragem, e o Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, se faz de morto. 

O mundo é uma bola 
15 de maio de 1536: Anne Boleyn é considerada culpada de adultério, traição e incesto pelo parlamento inglês. Foi a segunda mulher de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I. Seu casamento com o rei foi polêmico e resultou na criação da Igreja Anglicana.
Educada na França e dama de companhia da rainha Cláudia, mulher de Francisco I, voltou para a Inglaterra em 1522 com 21 aninhos, talvez menos. Dois anos depois apaixonou-se por Henrique VIII e resistiu ao rei, que a desejava por amante como havia sido Mary Boleyn, sua irmã. Henrique VIII tentou anular seu casamento com Catarina de Aragão para se casar com Anne, mas o papa Clemente VII não concordou com o divórcio, iniciando-se a ruptura religiosa de que resultaria o anglicanismo.
O casamento do rei com Anne realizou-se dia 25 de janeiro de 1533. Rainha de 1533 a 1536, foi executada dia 17 de maio de 1536. Curioso, procurei a acusação de incesto. Consta que o relacionamento sexual teria sido com seu irmão George Boleyn, mas todo o processo relatado pelos historiadores é muito confuso e envolve intrigas de políticos famosos. Ambientes palacianos sempre foram nojentos. Hoje é o Dia do Assistente Social. 

Ruminanças
 “Há pessoas inteligentes que, à força de se deixarem adular, acabam estúpidas” (Carlos Lacerda, 1914-1977).

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