Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Tuvalu

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 15/11/2014 04:00

Fascinam-me os consulados honorários. Nasci para cônsul honorário da Bélgica, que nunca me convidou. E olhem que há motivos: tenho sangue belga, adoro as cervejas fabricadas na Bélgica e os biscoitos da Chocolateria Degryse fabricados na Rua Orenoco, em Belo Horizonte, MG.Na falta de convite, resolvi assumir o consulado honorário de Tuvalu em Juiz de Fora, MG, e projeto ficar muito rico em pouco tempo. Como? É fácil: passo a vender comendas Tuvalu mo te Atua, que é o lema tuvaluano, a 20 mil dólares per capita. Condecoração, pergaminho e solenidade não custam mil dólares, o que me permite embolsar US$ 19 mil limpinhos de cada candidato a comendador/comendadeira Tuvalu mo te Atua. Filas de dobrar quarteirões, dólares livres de impostos, considerando que minha casa será território tuvaluano, portanto inviolável.

Só de imaginar a felicidade dos compradores da comenda fico na maior alegria. Como sabe o leitor, a capital de Tuvalu é Funafuti, nome que em português não soa bem, daí a escolha do lema Tuvalu mo te Atua. 

Fernão 
Com a divulgação da roubalheira na Petrobras, que não foi obra minha nem do leitor, mas dos governos petistas, surgiram os nomes de diversas empreiteiras irrigando os ladrões. Negócio compreensível porque nunca houve, na história deste e de outros países, obra de certo vulto que não tenha sido empreitada. 

Você, que adora viajar, já deve ter sonhado com uma semana em Fernando de Noronha, mas talvez não saiba que já no século XVI Fernão de Loronha (c. 1470-Lisboa, c. 1540) um judeu português convertido ao catolicismo (cristão-novo), empreitou a exploração do pau-brasil para o governo de Portugal.

Pouco depois, empresários portugueses eram flechados, morriam de febres e disenterias tropicais nas Capitanias Hereditárias para entrar na história como bandidos privilegiados. Belo privilégio esse de trocar Lisboa pelas matas infestadas de índios, cobras e pernilongos. Mais tarde, um herói chamado Garcia Rodrigues Pais empreitou com a Coroa a abertura do Caminho Novo ligando o Rio de Janeiro a Barbacena, obra em que investiu toda a sua fortuna.

Os críticos não fazem ideia do que representa uma folha de pagamentos de 20 mil, de 30 mil funcionários, que precisam comer, vestir-se, educar seus filhos, pagar as prestações da casa suburbana. Microempreiteiro, tive pouco mais de 100 empregados de carteira assinada e aprendi o que é bom para a tosse. Encerrada a empresinha, paguei as dívidas e sobrou um Gol GTS 1.8 que comi em cinco meses.

A verdade é uma só: nenhum país pode prescindir das empresas que reúnem excelentes corpos técnicos – engenheiros, arquitetos, administradores et reliqua. Muita gente preliba o gozo de ver grandes empreiteiros presos, como Nelson Motta em artigo para o Globo dia 17 de outubro. Ora, bolas: Nelson Cândido Motta Filho, nascido em 1944, tem idade suficiente para saber que tudo no Brasil termina em águas de bacalhau. 

Choques 
Além dos elétricos muitas vezes fatais, estamos sujeitos a diversos choques. Na rubrica imunologia, anafilaxia é o estado de um ser vivo que, sensibilizado pela introdução de um antígeno em seu organismo, se torna propenso a reagir violentamente a uma nova dose, ainda que mínima, deste mesmo antígeno (reação direta) ou de outros antígenos (reação cruzada), daí o temido choque anafilático. Peço licença, nesta conversa de hoje, para falar do choque social. Tenho sofrido alguns e presumo que o leitor também os tenha conhecido.

Você conhece um cidadão que exerce alta função pública. Almoça com ele algumas vezes, mesa grande de amigos e conhecidos, nota que tem com ele algumas afinidades como o gosto pelas atividades agrícolas. Fica sabendo que ele tem fazendola em Minas. Quando ele é promovido, você participa do almoço festivo e fica feliz, como se também fosse promovido. Passam-se os meses e, bumba!, seu amigo é pilhado praticando malfeitos, que saem nos jornais, você fica triste e chocado. Mundo cão. 

O mundo é uma bola 
15 de novembro de 1889, proclamação da República do Brasil: Rui Barbosa assina o primeiro decreto do governo provisório. Os resultados são vistos até hoje. Admitamos, então, que o 15 de novembro valeu pelos feriados para os que não gostam de trabalhar. Hoje, sábado, já é uma espécie de feriado, portanto aqueles que não gostam de trabalhar têm que esperar pelo feriadão de 2015.

Em 1895, aí sim, tivemos dia importantíssimo na história da civilização ocidental: fundação do Clube de Regatas do Flamengo. Em 1905, inauguração da Avenida Central, atual Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, palco de manifestações que terminam em quebradeira e ladroeira, porque sujeito que rouba computadores e televisores não é vândalo: é ladrão.

Em 1988, no exílio, Yasser Arafat proclama o Estado da Palestina, enquanto alguém polvilhava suas roupas com o elemento químico sintético de número atômico 94, da família dos actinídeos, símbolo Pu, que você conhece como plutônio. Hoje é o Dia do Joalheiro, do Esporte Amador e da Língua Gestual Portuguesa.

Ruminanças 
“Queiramos ou não, estamos envolvidos nos problemas do mundo, e todos os ventos do céu sopram através do nosso país” (Walter Lippmann, 1889-1974).

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