Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Mutismo seletivo
O país é pouco sério até quando atribui essa verdade ao general Charles André Joseph Marie de Gaulle

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 15/09/2014 04:00

 

Não bastassem o pibinho, a violência e outros muitos problemas, este país se vê às voltas com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM, um manual para profissionais da área da saúde mental, que lista deferentes categorias de transtornos mentais de acordo com a American Psychiatric Association (APA).

Ex-diretor de estatal ameaçava: “Se eu falar não tem eleição”, mas acabou abrindo o bico. Outro ex-dirigente daquela empresa diz: “Se eu falar muita gente vai para a cadeia”. Deputado envolvido em escândalo de corrupção é outro que não pode falar sob pena de revolver a podridão em que chafurdam os seus ex-correligionários. No mutismo seletivo (DSM-IV) os doentes são capazes de falar e compreender a linguagem, mas não o fazem em certas situações sociais, quando é o que se espera deles. Apesar do nome, não se trata de eleger ou selecionar o mutismo, mas sim de se sentir incapaz de falar mesmo querendo.

Frequentemente, o mutismo está associado a um elevado nível de ansiedade, que, nos casos de predisposição genética, está associada com a maior atividade da amígdala cerebelosa. Em política, o mutismo está associado com a maior atividade do bolso e das contas bancárias nos paraísos fiscais, além da certeza de que tudo vai terminar em águas de bacalhau. Alfim e ao cabo, o país é pouco sério até quando atribui essa verdade ao general Charles André Joseph Marie de Gaulle (1890-1970). A constatação foi dita ao jornalista Luiz Edgar de Andrade, então correspondente do Jornal do Brasil em Paris, pelo embaixador brasileiro na França, o diplomata Carlos Alves de Souza. 

De Gaulle se queixou ao embaixador de que, dos quatro navios de guerra que a França teria enviado em 1962 para garantir em águas brasileiras a pesca da lagosta por barcos franceses, na chamada Guerra da Lagosta, um tinha sido afundado durante a 2ª Guerra Mundial, outro navegava na Ásia, o terceiro passava por reformas num dique francês e o quarto nunca existiu. 

Comentando a conversa com o correspondente do JB, o embaixador disse: “Edgar, le Brésil n’est pas un pays sérieux”. O jornalista mandou o despacho para o jornal e a frase acabou atribuída ao general de Gaulle. 

Fotos antigas
Ilustre delegado mineiro quis ter a gentileza de me mandar diversas fotos do Rio antigo com a seguinte observação: “Estas, nem eu nem você nunca tínhamos visto”. Não creio que tenha feito por mal: temos boas relações de amizade. Contudo, lamento informar que, com exceção de três fotos do século 19 e uma tirada no ano de 1928, conheci a Cidade Maravilhosa no tempo de todas as outras fotos. Em muitas delas talvez estivesse passando pelos locais fotografados, de terno e gravata, carregando imensa pasta de couro cheia de papéis dos meus empregadores, que eram dois. 

Já se disse que a gente envelhece nos outros. Tão grave quanto é envelhecer nas fotos datadas e nos chamados carros de época. Dia desses, nosso caderno Vrum publicou foto de um Cadillac “de época” igual ao carro em que viajei do Rio para Lambari. Cadillac utilizado por um médico homeopata amigo de nossa família. Na viagem, o doutor defendeu sua especialidade dizendo que “todo remédio é um agressor”. 

Realmente, por essa óptica a homeopatia não agride nosso organismo, se bem que ilustres alopatas digam que a homeopatia não faz o menor efeito. Agora, temos o argumento do philosopho: não agredindo, deixam que os organismos se curem sozinhos, como aconteceu durante milhares de anos. Ou será que alguém acredita na medicina egípcia do tempo dos faraós? A evolução da medicina nos últimos 30 ou 40 anos chega a ser inacreditável, mas há uma constante nela e em todas as medicinas anteriores. Constante desagradável, porque indiscutível: as pessoas continuam morrendo. Em média mais velhas que as de gerações anteriores, mas ninguém escapa.

O mundo é uma bola
15 de setembro de 1590: o cardeal Giambattista Castagna é eleito papa com o nome Urbano VII. Em 1644, o cardeal Giambattista Pamphilli é eleito papa com o nome Inocêncio X. Pelo visto, o dia 15 de setembro é favorável aos cardeais Giambattistas. Em 1821, Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Honduras se declaram independentes da Espanha.

Em 1928, o cientista Alexander Fleming anuncia a descoberta da penicilina. Em 1944, a Força Expedicionária Brasileira (FEB), comandada pelo marechal Mascarenhas de Morais, parte para a Itália. Sobre a FEB é importante ler As duas faces da glória, de William Waack, nascido William José Waack, em São Paulo, no ano de 1952, um dos mais lúcidos e brilhantes profissionais do jornalismo brasileiro. Em 2008, é declarada a falência do banco norte-americano Lehman Brothers, ápice da crise financeira de 2008-2009, que se arrasta até hoje.

Em 1857, nasceu William Howard Taft, que foi presidente dos Estados Unidos e adorava ensopados de opossum, em português, gambá. Hoje é o Dia do Yom Kippur, uma das datas mais importantes do judaísmo.

Ruminanças 

“Viajar como Robinson, não como cliente da Agência Abreu” 
(Guilherme Figueiredo, 1915-1994).

 

 
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