Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Conversas
Mesmo quando formam um grupo tipo Mercosul ou União Europeia, a Argentina é amiga do Brasil, a França é amiga da Alemanha?

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 16/03/2014 04:00

Domingo de carnaval, visita de jovem senhora inteligentíssima, judia que adora carne de porco, professora que ministra cursos em Angola. Alunos angolanos engravatados. Por lá, os professores são deuses. Hora/aula a US$ 450, quantia que um ph.D. por Harvard ou Berkeley talvez não receba no Brasil.

República de Angola, capital Luanda, lema Virtus Unita Fortior (A unidade faz a força). Língua oficial: português. Área: 1.246.700 km², população estimada: 20.900.000. Em 1970, tinha 5.646.166 habitantes, sinal de que os angolanos têm feito amor. Presidente: José Eduardo dos Santos. IDH 0,508 (148º) baixo. Nascido em 1942, o engenheiro José Eduardo dos Santos preside o país desde setembro de 1979, portanto, nos últimos 34 anos.

A partir desses dados, a conversa evoluiu para os problemas do relacionamento amoroso, assunto que já foi do meu particular interesse. Tratamos de palavras e frases que anulam a libido. Exemplos: “de maneiras que”, “menas”, “bom descanso e bom trabalho”. Tive namorada que dizia essas e outras barbaridades. Em contrapartida, lavava-se com Phebo, odor de rosas, e gritava “mata-me de prazer!”, colocação pronominal muito do meu aprazimento.

Se a libido é desejo, qual seria o seu antônimo? Procurei desejo e o Houaiss me mandou ver a sinonímia de desprendimento, onde encontrei abnegação, altruísmo, desambição, desapegamento, desapego, desinteresse, despego, despretensão, generosidade, isenção, modéstia, renúncia, renunciação, renunciamento.

Digamos, então, que libido seja atração, hipótese em que as tais palavras provocariam repulsão. E assim termino este papo confuso. As notícias angolanas são mais que preocupantes. Cabe a pergunta: no mundo atual existe região que não seja preocupante?. E jeito é tocar a vida desculpando a locução “de maneiras que”, sobretudo quando neutralizada pelo Phebo e pelo “mata-me de prazer!”, com direito ao ponto de exclamação. O resto se arranja.

Países amigos 

Acho muita graça nos governantes e nos governos que têm chiliques e afetam ficar furiosos quando sabem que foram ou continuam sendo espionados por países amigos. Que é país amigo? O Brasil petista ou janguista é ou foi amigo dos Estados Unidos? Mesmo quando formam um grupo tipo Mercosul ou União Europeia, a Argentina é amiga do Brasil, a França é amiga da Alemanha?

Durante a Guerra de Canudos, o coronel Moreira César já tinha fama de “corta-cabeças”, depois de ter mandado degolar mais de 100 prisioneiros na Guerra do Contestado. Convocado para liderar a terceira expedição contra Canudos, foi morto durante um assalto ao povoado de Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, que ficou maluco depois de ser corneado por um policial, andou sumido e reapareceu “abordoado ao clássico bastão em que se apoia o passo tardo do peregrino”. Brasileiros não podem ver malucos, que não fiquem siderados e votem neles para presidir a república.

O segundo homem de Moreira César, coronel Tamarindo, era oficial pacífico, em fim de carreira, já pensando no soldo de aposentado. Morto o comandante da terceira expedição, os soldados foram atrás das ordens do coronel Tamarindo, que recorreu ao ditado: “É tempo de murici, cada um cuide de si”. Largou sua arma e saiu correndo: parece que foi morto pelos tiros de um conselheirista.

Murici, sabe o leitor, é designação comum às plantas da família das malpighiáceas, especialmente algumas árvores de arbustos do gênero Byrsonima, de frutos comestíveis. Nativas de regiões tropicais e subtropicais, especialmente da América do Sul, cultivadas pelos frutos comestíveis, madeiras e propriedades alucinógenas (!), as malpighiáceas não devem existir na Europa e na América do Norte, o que não impede que todos os países vivam em tempo de murici, cada um cuidando de si.

Vou mais longe: a maioria das estripulias feitas pelos seus amigos, que você não pode contar na imprensa escrita, chega ao seu conhecimento através de amigos comuns. Portanto, é perfeitamente compreensível que os países amigos, amigos-ursos ou inimigos se espionem sem parar.

O mundo é uma bola

16 de março de 597 a.C. – os babilônios capturam Jerusalém e substituem Jeconias por Sedecias como rei. Sedecias, Zedequias ou Matanias foi o 20º e último rei de Judá. Deposto, foi levado para o exílio. Era o terceiro filho de Josias com Hamutal. Quando foi constituído em rei vassalo, o rei babilônio Nabucodonosor mudou-lhe o nome de Matanias para Zedequias. Durante os 11 anos de seu reinado, Zedequias “fazia o que era mau aos olhos de Jeová”. E dizer que cheguei aos 16 dias do mês de março de 2014 sem ter ouvido falar de Sedecias, Matanias e Zedequias.

Em 1190, os cruzados iniciam o massacre dos judeus em York. Em 1521, Fernão de Magalhães alcança as Filipinas, onde, se não me falha a memória, morreu flechado. Em 1792, o rei Gustavo III da Suécia é baleado para morrer no dia 29 de março.

Filho do rei Adolfo Frederico da Suécia e de Luísa Ulrica da Prússia, Gustavo III fundou o Museu Real, hoje Museu Nacional de Belas-Artes da Suécia, em Estocolmo. Foi igualmente o fundador da Academia Sueca. Morreu do tiro que levou durante um grande baile de máscaras. Seu reinado foi marcado pelo despotismo esclarecido. A ópera Un ballo in maschera, de Verdi, baseou-se no assassinato do rei.

Ruminanças 

“Quem se esconde bem, vive bem” (Ovídio, 43 a.C.-17 d.C.).

 

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