Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Parede

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 17/11/2014 04:00

Eugênio Ferraz seria o melhor administrador público do Brasil se houvesse outros. Como não há, o são-lourenciano Eugênio é único. Revolucionou nossa Imprensa Oficial, que está festejando 122 anos de existência. Impossível dizer tudo que fez e continua fazendo. O salário é modesto, a verba, curta e as realizações, imensas. Restaurante, telhados, sala de cinema, pisos, museu, gráfica, editora, tudo reconstruído e remodelado. A parede das placas dá ideia da inventiva do sul-mineiro, que encontrou o imenso prédio com uma porção de placas indicativas dos nomes das salas ao longo dos anos. Uma delas, Sala Fausto Alvim, me fala ao coração. Tive a honra de ser amigo do doutor Fausto Figueira Soares Alvim, sendo embora muito mais moço que o honrado ex-prefeito do Araxá e ex-diretor do Banco do Estado da Guanabara, entre os muitíssimos cargos que ocupou em sua vida pública.

Pois fique o leitor sabendo que a placa da Sala Fausto Alvim dava para um corredor, depois que a sala original foi dividida em várias outras. Assim, também, com dezenas de outras placas homenageando administradores mineiros, que lá estavam encimando as portas que abriam para cômodos e cubículos construídos no passar dos anos. Uma das placas homenageava mineiro ilustre e abria para um banheiro com lavatório e privada, sem bidê. 

Que fez o diretor-geral da Imprensa Oficial? Mandou retirar todas as placas para afixá-las numa única parede. Assim, os ex-administradores continuam homenageados, sem que as placas mintam sobre o que existe além das portas onde estavam afixadas. 

Barulhos

O Rio de Janeiro acabou descobrindo e condenando a barulheira nos restaurantes. Os frequentadores conversam com os seus parceiros de mesa como se estivessem gritando para um amigo do outro lado da rua, fenômeno que se explica pela falta de educação generalizada e pelo gosto de fazer o tipo cheguei. Na roça, tive esmeril e serra circular elétricos. Cinco serras circulares trabalhando ao mesmo tempo não fazem a metade do barulho de oito desquitadas conversando à mesa de um restaurante. Assuntos variados, enquanto o pensamento é único: descolar novo casamento. Mulheres sérias, inteligentes, cheirosas, bonitas, padecem de masoquismo existencial: sonham com um novo marido. Geralmente para começar a sofrer ao cabo de três meses, porque está para nascer marido que não mereça divórcio litigioso, perdendo os bens e os filhos para a santa.

Danuza Leão passou a almoçar às cinco da tarde para fugir da barulheira dos restaurantes chiques. Melhor dizendo, tentar fugir, porque às cinco da tarde restam mesas com alcoolizados falando ainda mais alto que os barulhentos. Há diversos casos de frequentadores que se dirigem diretamente aos barulhentos, com risco de briga generalizada, ou chamam o gerente. Claro que o gerente não faz nada para não perder a clientela. Em rigor, falar alto só se justifica nos casos em que o falante sofre de problemas de audição e perde a noção do barulho que faz.

A cidade-polo da Zona da Mata de Minas, barulhenta como BH, tem velho e famoso Centro Cultural com relevantíssimos serviços prestados à boa música. Nele trabalhava havia muitos anos um auxiliar de limpeza fascinado pelos músicos, pelos instrumentos, pela orquestra que tocava no prédio faxinado por ele. Tendo confessado seu fascínio ao diretor do Centro Cultural, foi recompensado com o convite para fazer parte da orquestra nas seguintes condições: cordas do violino afrouxadas, fingir tocar e trocar as páginas da partitura sempre que os outros violinistas trocassem. Sapatos, meias, terno, camisa e gravata presenteados pelo diretor do Centro Cultural.

Até que um dia, (esse caso é rigorosamente verdadeiro e conhecido de todos os idosos da tal cidade) entraram no auditório dois maestros muito amigos, um dos quais falava alto porque estava ficando surdo. “Olha lá, aquele violinista não está tocando”, disse o maestro para o colega surdo, que respondeu aos berros: “Faz muito bem. Não sabe, não toca. É melhor do que os outros, que não sabem e tocam”. 

O mundo é uma bola 

17 de novembro de 1558: Elizabeth I, da Inglaterra, torna-se rainha e é a última representante da Dinastia Tudor a ocupar o trono. A Casa de Tudor foi uma dinastia que reinou na Inglaterra entre 1485 e 1603. Em 1717, tem início a construção do Convento de Mafra, a 25 quilômetros de Lisboa, monumental palácio e mosteiro em estilo barroco na vertente alemã. Iniciativa de dom João V, de Portugal, cumprindo promessa caso a rainha Maria Ana de Áustria lhe desse descendência.

A biblioteca de Mafra, estantes estilo rococó e chão de mármore, tem mais que 36 mil livros encadernados em couro, gravações a ouro, rivalizando com a biblioteca da Abadia de Melk, na Áustria. A biblioteca portuguesa abriga morcegos que ajudam a preservar os livros. Saem durante a noite das caixas em que vivem por baixo das estantes: cada um se alimenta de insetos equivalentes à metade do seu peso. Hoje é o Dia da Criatividade e o Dia Nacional de Combate à Tuberculose.

Ruminanças

“Mulher, arma e cavalo de andar, nada de emprestar” (J. Simões Lopes Neto, 1865-1916).

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