Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA CulturaValesca Popozuda, di-lo o noticiário, é hoje uma das expressões máximas do feminismo nacional

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 18/04/2014 04:00

Num país que tem à frente do ministério da Cultura a senhora Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy, é natural que tenhamos admirável explosão da melhor cultura, conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos e costumes que mata de inveja e assombro o mundo civilizado.

Neta do barão Smith de Vasconcellos, que construiu 100 anos atrás um castelo de pedras em Itaipava, RJ, à imagem e semelhança dos castelos medievais, ex-esposa amantíssima do senador Eduardo Matarazzo Suplicy, que se deixa fotografar vestindo calcinha feminina vermelha sobre o terno escuro de senador da República, mãe do Supla, figura única da intelligentsia mundial, ex-senhora apaixonada pelo pilantra argentino, naturalizado francês, Felipe Belisario Wermus, de alcunha Luís Favre, num casamento campestre que movimentou helicópteros presidenciais, seguranças, veículos oficiais e matou de ridículo este país grande e bobo – a ministra da Cultura é a expressão perfeita do que há de melhor no universo cultural brasileiro do século XXI.

Ainda agora em março tivemos, na cidade mineira em que resido, um show da senhora Valesca dos Santos, nascida no Rio de Janeiro, Bairro do Irajá, em outubro de 1978. Hoje considerado bairro de classe média, o Irajá sempre foi e continuará sendo o Irajá. O que mudou foi o conceito de classe média depois de estendido às famílias de quatro pessoas que vivem com mil reais por mês.

Mãe do menino Pablo, a senhora Valesca dos Santos exerceu diversas atividades desde cedo, entre as quais a de frentista, regionalismo brasileiro para os que se ocupam, nos postos de gasolina, do atendimento ao público, tratando especialmente da inserção de combustível nos veículos. Taí, gostei de “inserção de combustível nos veículos” em lugar de “botar gasolina”: é muito mais chique.

Quando fui dono de posto de gasolina à margem da BR-3, atual BR-040, pertinho do castelo construído pelo barão, não raras vezes inseri combustível nos veículos dos clientes. Como era e continuo sendo muito desajeitado, o dono do carro descia para me ajudar na inserção de combustível. E fugia de lá sem aceitar que o frentista lavasse o seu para-brisa. Educadíssimo, o dono do posto de inserção de combustível dava bom dia, comentando alguma coisa sobre o tempo. Sempre ganhei gorjetas que repassava aos frentistas explicando que, se fossem simpáticos, ganhariam muito mais.

Volto à carioca do Irajá, que fez show por aqui, para informar ao caro, preclaro e assustadíssimo leitor que a hoje trintona ex-frentista teve mais de 17 milhões de acessos no YouTube com o seu Beijinho no ombro. Faz tempo que adotou o nome artístico de Valesca Popozuda e se apresenta com 970 ml de silicone nos seios e 1.100 ml do polímero (-R2Si-O-) nas nádegas, sem explicar se os 970 ml são em cada seio e os 1.100 ml em cada nalga.

Valesca Popozuda, di-lo o noticiário, é hoje uma das expressões máximas do feminismo nacional, foi patronesse da turma de graduação em estudos da mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e serve de tema para dissertações de mestrado. A pesquisadora Mariana Gomes Caetano defende as músicas da funkeira como um dos gritos do feminismo. Tati Quebra Barraco e Deise Tigrona formam com a Popozuda uma trinca de mulheres para ganhar espaço neste meio tão masculinizado, explica a pesquisadora. 

Viver
Parece que o salário mínimo brasileiro, no dia em que escrevo, é de R$ 724. Com o dólar a R$ 2,20, são US$ 329. Não respondo pela exatidão do cálculo, porque não sei mexer com a calculadora chinesa que me custou nove reais. Copiei o salário do Google e pergunto ao leitor: numa cidade brasileira, não tendo casa própria, como é possível passar um mês com R$724?

Na roça dá para viver, porque o sujeito tem casa, luz e remédios pagos pelo patrão, galinheiro e horta cuidados nas horas que o trabalhador urbano perde nos trens e ônibus, água de mina e o pomar da sede, que, em muitas roças, é da melhor supimpitude.

Nos meses de 30 dias, R$ 724 representam 24 reais por dia. Dá para viver? Não sei como, mas deve dar. Afinal, o trabalhador urbano conta com transportes fantásticos, escolas públicas maravilhosas, hospitais espetaculares e o soberbo SUS, que sempre facilitam as coisas.

O mundo é uma bola 
18 de abril de 1468: assinado o Tratado dos Touros de Guisando, que põe fim à revolta dos nobres em que Henrique IV, rei de Castela, reconhece a sua meia-irmã Isabel como sucessora. Isabel I de Castela (1451-1504) foi rainha de Castela entre 1474 e 1504, rainha-consorte da Sicília a partir de 1469 e de Aragão desde 1479. Conhecida como Isabel, a Católica, título que lhe foi concedido e ao marido pelo papa Alexandre VI, pela bula Si convenit, em 19 de dezembro de 1496, e que, a partir de então, quase todos os reis de Espanha passaram a utilizar. Isabel I não era nenhuma Gisele Bündchen, mas era bonitinha. Pariu cinco filhos, entre os quais Catarina de Aragão, primeira rainha-consorte (sorte?) de Henrique VIII, rei da Inglaterra, fluente em espanhol, latim, grego, francês e, mais tarde, inglês.

Hoje é o Dia do Espírita, Dia de Monteiro Lobato, Dia Nacional do Livro Infantil e feriado da sexta-feira da Paixão 

Ruminanças
“O eterno feminino atrai-nos” 
(Goethe, 1749-1832).


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