Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Palavras, Historiografia, Namoradas e Paraty

Palavras – Norman Gall, diretor em São Paulo do Instituto Braudel de Economia Mundial, publicou artigo na revista Veja com o título “Lutero e Trump”. Nele, aprendi que em 1525 Lutero se casou com a ex-freira Katharina von Bora, de 26 aninhos, com quem teve seis filhos. Enquanto criticava as indulgências, o marreco estava de olho na freirinha.

Edaz em sexo, Lutero fez história com as 95 teses em que denunciava a corrupção na Igreja Católica Romana, pela venda maciça de indulgências aos pecados dos fiéis.

Indulgência é remissão total ou parcial das penas temporais cabíveis para pecados cometidos, que a Igreja concede após terem sido perdoados. Muito mais inteligente é a doação pedida pelos pastores evangélicos, melhor dizendo, “exigidas” por eles para que o doador alcance o paraíso terrestre. Sem essa de pecados, que um crente só peca quando não paga pelo menos o dízimo.

O certo é que freirinhas podem ser muito cobiçáveis. Rapazola, a pedido de uma namorada, fotografei imagens de santos num convento do Rio. Fui assistido por linda freirinha, salvo engano mère Clarice, doce de coco que pouco depois deixou o convento.

Norman Gall conta que um diretor de jornal brasileiro lhe disse que o custo de distribuir pelas cidades as edições impressas, atualmente bastante reduzidas, é maior que a despesa com a equipe da redação, também muito reduzida. E fala do declínio da influência da palavra impressa, que gera um problema civilizacional.
Realmente, nos últimos anos muitos idiotas preconizaram jornalismo escrito com palavras fáceis, que “todos” entendessem, isto é, textos escritos pensando nas pessoas que não leem. O manual de redação da Folha proibia o uso de “assaz”, em nosso idioma desde o século XIII, idiotice assaz idiota. O autor do manual morreria de ódio do edaz, adjetivo de dois gêneros, que me escapou há pouco. Significa glutão, que come muito com avidez, talqualmente Lutero comia Katharina. Os resultados aí estão com o mau caráter de Donald John Trump e o seu tuitar de até 140 caracteres na White House, em Washington, DC.

Historiografia – Tem feito muito sucesso o volume II da História da Gente Brasileira, em que a historiadora Mary Del Priori escreve sobre o Império. Na flor dos seus 64 aninhos, Mary Lucy Murray Del Priori descreve os hábitos nacionais do século 19 e cuida do sexo praticado pelos casais metidos em camisolões, com buraquinhos nos lugares da cobiçada e do bráulio, encimados pela frase “Deus proteja este lar”.

Pelo que ouvi no programa Estúdio i, o livro deve ser muito interessante, a começar pela falta de higiene. Nas cidades, água sempre foi artigo difícil e custou caro. Mary diz que o pessoal só lavava as mãos, os pés e o rosto. No século XX ainda visitei muitas fazendas nas quais “ter água em casa” significava um rego passando pelos fundos do terreiro da sede.

Em rigor, sexo com buraquinho no camisolão não causa espanto. Ainda agora, no século 21, ano da graça de 2017, a cidade de Juiz de Fora, MG, se orgulha de uma igreja evangélica muito badalada que recomenda o sexo através de buraquinhos nos camisolões, de mesmo passo em que proíbe suas fiéis da depilação axilar, genital e locomotora, isto é, nas respectivas pernas.

A historiografia pátria se divide em dois períodos: antes e depois do meu livro Histórias do Brasil de Colombo a Kubitschek, tradução para o português do original latino Historiae Brasiliae a Columbo usque Nonô.

Na primeira edição escrevi Historiae Brasiliae ab Columbus usque Nonô, corrigido por meu avô Mário Brant: “Antes de publicar qualquer coisa em latim fala comigo para não escrever besteiras”.

Sem favor algum foi a obra que estabeleceu os dois períodos, antes e depois, de nossa historiografia, por ter sido o pior livro jamais publicado sobre o assunto. Isto não obstante alcançou quatro edições, pretendia ter humor e foi livro de cabeceira de vários cidadãos brasileiros.

Pormenor curioso: troquei os “direitos autorais”, que as editoras detestam pagar, por 200 exemplares que fui apanhar na imensa gráfica para distribuir por parentes e amigos. Lá chegando, havia diversos gráficos, entre os quais o gerente, me esperando para autografar os exemplares que estavam lendo e curtindo. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e tocar o barco enquanto for possível.

Namoradas – Amor sincero custa caro, daí o espanto que me causam as notícias sobre lindas namoradas de certos cavalheiros caminhados em anos, sem fortuna de família, que vivem dos seus salários. E mais não digo nem pendurado, como vivia repetindo certo governador de São Paulo, ex-delegado de polícia, que conhecia o significado da locução “nem pendurado”.

Paraty – Conspirações à parte, pousar no aeroporto de Paraty com tempo ruim é tentativa de suicídio. Tanto assim que o piloto do King Air do Grupo Emiliano, Osmar Rodrigues, querido e respeitado por seus colegas pilotos do Campo de Marte, em São Paulo, dava aulas sobre a técnica de aterrissar em Paraty. Repito: ensinava aos colegas como pousar no aeródromo estreito, curto, sem rádio, sem torre, cercado de casas e montanhas.

O acidente que vitimou todos os passageiros do King Air suscita, provoca, sugere outras considerações que me abstenho de citar. Não nasci ontem, nem anteontem: annosa vulpes non capitur laqueo, já dizia Cícero ao charreteiro de sua biga, quando perguntado por que não cuidava de certos assuntos no Senado Romano. Se falasse português, a figura máxima da latinidade clássica diria: macaco velho não mete a mão em cumbuca.

Barack H. Obama, Avanias, Chateação, Oculam e Maduro

Barack H. Obama – Tenho bons amigos que detestam Obama e nunca foram racistas, muito antes pelo contrário, aliás. Entre os cientistas políticos entrevistados pelas tevês não é difícil encontrar a turma antiobama, se bem que a ciência política seja profissão das mais difíceis de explicar. Houaiss diz que é ciência social cujo objeto principal é a descrição e a análise das instituições e processos políticos, especialmente governamentais. Sinônimos: politicologia, politologia. Politologia implica a existência de politólogos. Alguém pode confiar num sujeito que se apresente como politólogo?

Nunca fui racista, salvo quando vejo um indígena, um mestiço, um eslavo, um crioulo com opiniões diferentes das minhas. Namorei um sem conto de brasileiras muito mais escuras que o mulato Obama. Uma delas, artista de cinema, era conhecida como Sophia Loren em negativo.

Era de ver-se o espanto das senhoras e senhoritas no hall da antiga TV-Tupi, nas noites em que fui apanhá-la nos estúdios da Urca. E os comentários: “Que tristeza!”. Engravatado, o galã de olhos azuis e 1,88m, deixando a Tupi com a Sophia Loren afro-brasileira, que também orçava pelo metro e oitenta.
Na Medicina Legal que estudei o quadro era considerado cromoinversão sexual. Cromo, do grego khrôma,atos ‘cor’. Hoje daria fotos coloridas em todos os jornais.

Avanias – Nascido em Kasimpasa no ano de 1954, casado com Emine desde 1978, pai de Sümeyye, Necmettin Billal, Ahmet Burak e Esra Erdogan, Recep Tayyip Erdogan preside a Turquia desde agosto de 2014 caprichando nas avanias, que, sabe o leitor ou deveria saber, são vexames ou humilhações que os turcos impunham e impõem aos estrangeiros, especialmente aos cristãos. Por extensão de sentido, avania é ultraje em público, que humilha e desonra.

Encontrei avania quando pocurava outra palavra no dicionário. Lembrei-me das muitas Vânias que conheci pessoalmente ou através de fotos e leituras em priscas eras. Vânia Pinto, eleita Miss Brasil em 1939, foi a primeira modelo profissional brasileira. Fica a registro, que os portugueses preferem registo, de registar. Não é nada, não é nada, vai ver que não é nada mesmo, mas me diverte.

Chateação – Nada pior para o bom médico do que tratar de leitores da revista Time. Explico: o bom médico estuda, se forma, faz residência, pós-graduação e continua estudando pelo resto da vida. No Rio da década de 60 havia um clínico que cobrava, por consulta, o dobro do preço dos melhores médicos. E dizia que assim, trabalhando menos, tinha mais tempo para estudar.

Até hoje o bom médico, por mais que tenha estudado e continue estudando não tem condições de acompanhar tudo que é noticiado pela revista. Time noticia avanços médicos em centros de pesquisas no mundo inteiro, não raras vezes assuntos que demandam horas e horas de estudo mesmo para profissionais competentes e atualizados.

Vai daí que o bom médico, indagado pelo leitor de Time, é atropelado em cada consulta. Baixinho, brilhante, mal-humorado, o professor José Júlio Velho da Silva, catedrático de Clínica Médica das melhores universidades cariocas, desquitado de uma filha de Irineu Marinho, portanto ex-cunhado do doutor Roberto, quando interrogado por clientes leitores de Time, reagia: “Eu não estou aqui para ensinar Medicina”.

Oculam – Ainda que muito rápidos por força da crise hídrica, os banhos diários ensejam alto philosophar, como por exemplo: o desejo de escrever memórias sobre as maluquices que vi (e fiz) por aí. Título: Mundo oculam, em que oculam é maluco ao contrário. Oculam já é uma forma de maluquice. Cabe a pergunta: existe algo normal sobre a face da Terra?

Aí você termina o banho vai ao Google para descobrir a existência do sobrenome Oculam e aprender que Henry T. Oculam casou-se com Asuncion R. Honculada no Texas, em 1989, com 28 anos. Tem Oculam de montão no Google e o mundo é oculam, a começar pelo Google: como entender seu funcionamento?
Um nome, um assunto, um endereço – você consulta e aparece uma infinidade de respostas num átimo, o que significa dizer num abrir e fechar de olhos. Quem recolhe todo aquele material para botar no Google? Qual é o critério? Emprega muita gente?

Maduro – Nicolás Maduro Moros tem seguidores entusiasmados. Hitler, Stálin, Mussolini, Mao, Ceausesco, Pol Pot, Fidel e tantos outros, milhares deles, tiveram admiradores, defensores e simpatizantes desde que se tem notícia histórica da vida humana neste planeta.

Difícil de entender é que o mesmíssimo planeta, até 2017, não tenha encontrado meios de impedir que esses líderes continuem ocupando os seus postos sempre que se evidenciar um quadro de desequilíbrio mental, caso atual de Nicolás Maduro Moros, 57º presidente da Venezuela, 54 anos, 1.90m, ex-maquinista do metrô de Caracas.

É claro, como também é lógico e evidente, que Nicolás Maduro Moros faz um quadro de maluquice que afunda o seu país e preocupa as nações vizinhas. Desorientação mental, ditos por não ditos, mania de perseguição, o ex-maquinista não resiste a cinco minutos de avaliação psiquiátrica e continua presidindo um país de 30 milhões de habitantes e 916 mil km2 de área.

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FONTE: philosopho.com.br



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