Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Fantástico!
Já não é o caso de perguntar onde vamos parar, mas de constatar, perplexos, o ponto a que chegamos

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 19/03/2014 04:00

Criatura muito da minha afeição pediu-me cópias de textos sobre pombo, pombos, columbiformes ou columbofilia escritos aqui pelo degas. Tenho dois arquivos, tudotiro e tudocorreio, reunindo textos publicados no Estado de Minas e no Correio Braziliense desde agosto do ano passado. O arquivo do Estado de Minas está com 395.722 palavras em sete meses. É pouco para localizar as aves columbiformes que avoam por aí e por aqui.Contudo, sob o título aide-mémoire tenho arquivos individuais reunindo textos publicados nos anos inteiros, 2007, 2008 etc. Abrir um de cada vez, dia após dia, levaria séculos e o pedido columbídeo era urgente. Num gesto ousado, que não combina com a minha prudência informática, abri o ano de 2011, cliquei “selecionar tudo” já não me lembro adonde e os mais de 300 textos de 2011 azularam no monitor, localizei “pombos” e o computador, o sistema, o Word 7 ou lá o nome que tenha o equipamento achou um texto bem interessante sobre aves columbiformes.

É fantástico! É um espanto! A partir de agora, se conseguir repetir a façanha, estou feito. E tem mais uma coisa: surgiu aplicativo para celular que custa um dólar e noventa para fazer o seguinte: você lê um texto qualquer de jornal, livro, revista – e o aplicativo escreve aquilo que você está lendo. Depois, você aperta um botão no celular e o texto aparece no Word.

Pode? Tem cabimento uma coisa dessas? Meu velho Nokia não tem condições de baixar o tal aplicativo pagando US$ 1,90, mas posso pedir a um amigo que me traga dos Estados Unidos celular mais moderno. Custa uma tuta e meia, tento aprender a mexer com o aplicativo e boto no Word, lendo, tudo que me interessa, em vez de trazer a revista, a página do jornal, o livro para transcrever os textos no teclado do computador.

Já não é o caso de perguntar onde vamos parar, mas de constatar, perplexos, o ponto a que chegamos.

Millôr

Valeu perder hora e meia de sono, segunda-feira de carnaval, para curtir a reprise de uma entrevista do Millôr no Roda Viva em 1989. Uma das raríssimas vezes em que o genial brasileiro apareceu na tevê. Dizem que fez alguns poucos programas de meia horinha em Belo Horizonte, nos primórdios da televisão brasileira, e outros tantos numa emissora do Rio. Desde então, sempre que convidado para entrevistas cobrava 10 mil dólares. Argumentava que era profissional. Assim, se o profissional de tevê ganha para trabalhar, considerava justo que o profissional do jornalismo impresso, do livro, do teatro, da tradução, ganhasse para ser entrevistado.

Falou, ainda, de suas relações de distância dos patrões e disse que, depois de vários anos escrevendo para a revista Veja, recebeu telefonema de Roberto Civita comentando o fato de ainda não o conhecer pessoalmente, de mesmo passo em que o convidava para jantar.

Falou mal de muita gente (ou teria falado a verdade?), com ênfase para Sarney, então presidente da República. Não poupou o saudoso Barão de Itararé, que considerava um idiota.

Augusto Nunes, que comandava o Roda Viva em 1989, como voltou a comandar há pouco tempo, ainda não tinha cabelos brancos. É jornalista brilhante, texto admirável, ideias de excepcional lucidez. Mais de uma vez amigos em comum, como José Nêummane Pinto, recomendaram ao excelente Augusto que me contratasse como cronista. Ele nunca aceitou as recomendações. Nem por isso tenho raiva do diretor de diversas redações. Até pelo contrário, formo na lista dos seus admiradores.

É muito de desejar que a TV Cultura de São Paulo passe a reprisar em horários decentes (durante o dia) as entrevistas que fez no Roda Viva com pessoas inteligentes. Millôres não abundam como abunda a pita, grande erva rosulada da família das agaváceas, mas os arquivos daquela emissora devem ter várias entrevistas dignas de reprise, sobretudo e principalmente nestes dias repletos de cabeças-duras.

O mundo é uma bola

19 de março de 1279: como é do desconhecimento geral, a vitória mongol na Batalha de Yamen terminou com a Dinastia Sung na China.

Em 1687, o explorador francês René Robert Cavelier de La Salle, à procura da foz do Rio Mississipi, foi assassinado pelos homens de sua equipe. Penso que os assassinos obraram muitíssimo bem. Que interesse tinha a França na descoberta da foz do Rio Mississipi? Em março, naquela região, pode fazer um frio dos diabos e o maluco do explorador à procura de uma foz, em francês embouchure.

Em 1812, promulgada a Constituição de Cádis (La Pepa), que teria sido o primeiro documento constitucional da Península Ibérica e um dos primeiros do mundo.

Em 1823, ao cabo de oito meses, termina o primeiro império do México. Mexicanos não convivem cordialmente com imperadores, salvo nos impérios das drogas e das fortunas. Há dois ou três mexicanos entre os homens mais ricos do mundo.

Hoje é o Dia do Diplomata, do Carpinteiro e do Marceneiro.

Ruminanças

“Falta de dinheiro é uma dor sem par” (Rabelais, 1494-1553).

 
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: