Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

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20 a 26 de julho de 2015

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Ass water – O mineiro Lucas Mendes, 71, recebeu a paulista Maitê Proença, 57, em seu Manhattan Connection, edição de 5 de julho passado. Atriz, apresentadora, escritora, Maitê está passando em Nova York uma temporada sabática, repensando sua vida e seus valores, fazendo um curso para roteirista televisiva.

Até aí, tudo bem: muitos elogios recíprocos, Maitê ainda é muito bonita e o programa caminhava para o fim quando o editor-chefe, nascido na Rua Padre Rolim, em Belo Horizonte, presenteou a convidada com um pote plástico, leve, que cabe na bolsa, chamado ass water, de grande sucesso nos Estados Unidos.

Vejo no Collins inglês-português que water é água e ass é jumento, burro, imbecil ou cu. Considerando que o editor-chefe é suficientemente educado para não chamar de jumenta, burra ou imbecil sua convidada, o presente dado no ar, em cores, diante de milhões de telespectadores, é uma espécie de bidê portátil: ass water ou “água para cu”.

Ufa!, que os norte-americanos levaram séculos para descobrir o óbvio: só a água evita a dilatação das veias varicosas do ânus e da parte inferior do reto, “florescimento” que atende pelo nome de hemorroidas ou almorreimas. Em latim tardio haemorrheuma, ‘fluxo de sangue’, é mais chique. Tanto assim que existe, próxima de Belo Horizonte, a Ponte das Almorreimas, por cima de um riacho em que os antigos lavavam suas partes baixas.

Em 1950, um tio meu foi a Nova York operar-se das almorreimas com famoso cirurgião, que lhe disse: “Se os Estados Unidos tivessem bidês eu mudava de profissão”.

Transcorridos 65 anos, os americanos conheceram o bidê através do japonês marca TOTO e dos portáteis ass water de vários fabricantes. O TOTO original (cerca de 800 dólares), instalado acima da borda do vaso de louça, esquenta as nádegas, esguicha, sopra, seca, toca Vivaldi, Mozart, Jobim, faz o utente conhecer a felicidade terráquea livre de almorreimas.

Utente é como se diz em Portugal: que ou aquele que usa, se serve de algo. Latim utens,éntis, particípio presente do velho latim útor,èris,úsus sum,úti ‘usar de, servir-se de’. Muito mais chique do que usuário, que lembra usurário, agiota, onzenário.

Três semanas depois de ganhar o presente de Lucas Mendes, em longo e-mail ao colunista Ancelmo Gois, transcrito na edição de 10 de julho do Globo, Maitê explicou sua temporada nova-iorquina.

Entre outras coisas igualmente graves, informou: “É um ‘reset’, preciso ficar incógnita para me limpar e me preencher com algo novo”. Pronto: o presente foi explicado.


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Calma… – Na demorada matéria feita sobre os brasileiros que compram produtos contrabandeados, edição das 18h do GloboNews no dia 25 de maio, os telespectadores tiveram a impressão de que a compra de um rádio de pilhas contrabandeado pode ser comparada ao assalto à Petrobras, que o crime está no DNA de todos os brasileiros, que o comprador de um radinho paraguaio não pode criticar Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, e seus sócios na ladroeira que vai por aí.

Calma, que o negócio não é bem assim. Há crimes e crimes, há contravenções e um programa de tevê não deve misturar alhos com bugalhos.

Tenho aqui o Código Penal de 1940 considerado velho, ultrapassado (sic). A Bíblia anda em torno de dois mil anos e está atualíssima, tanto assim que muita gente vive dela e nela diz acreditar. Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas hebreus mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus, registros que teriam resultado em três grandes conjuntos de livros finalizados durante o Concílio de Jamnia, ocorrido por volta de 95 d.C.

Já o Novo Testamento, nome dado aos livros que compõem a segunda parte da Bíblia, foi escrito depois da morte de Jesus. É um conjunto de 27 livros e o primeiro deles deve ter sido escrito no ano 42 d.C. É o que leio na Wikipédia e transcrevo porque nunca li a Bíblia, ocupado que sempre andei, desde menino, estudando gados e pastagens. Comprei a Bíblia, tentei ler e não me falou à alma.

No Código Penal ultrapassado (sic) você constata o seguinte: Art. 121. Matar alguém: Pena – reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos. Se o homicídio é qualificado a pena de reclusão é de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.

Só aí, no crime de matar alguém, temos pena cinco vezes maior que a outra, prova provada de que comprar um rádio contrabandeado não é crime que se compare a roubar a Petrobras. Fiquei furioso com a matéria do GloboNews dando a entender que a compra de produtos contrabandeados é crime como os outros de que temos notícia. Se as penas são diferentes é porque há diferença entre os “crimes” cometidos por mim e por você, caro e preclaro leitor de Marcia Lobo, quando comparados com os 56 mil homicídios/ano anotados nesta República de merda, que já foi um país grande e bobo.


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Fatos – Lester Brown, 81 anos, livros publicados em 42 línguas, 577 edições, único ambientalista preocupado com a explosão demográfica, informa: são 216 mil crianças nascidas por dia. Repito: a cada 24 horas, duzentas e dezesseis mil novas bocas para alimentar neste planeta.

Até que enfim encontrei um craque para fazer coro comigo sobre a maior das poluições, a humana. Ambientalistas histéricos vivem citando uma série de problemas gravíssimos – lixo, poluição dos rios e mares, esgotos sem tratamento, desmatamento, poluição atmosférica, garrafas pet, sacolinhas plásticas, aquecimento global, pesticidas – falam de tudo menos da mais grave das poluições: excesso de gente.

Lester Brown é otimista quando ao problema energético pelas vias eólicas e solares. Diz que no próximo decênio o planeta avançará 50 anos nos terrenos solar e eólico, apesar do poderoso lobby da indústria do petróleo. 


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Validade – O assunto era o prazo de validade impresso nos alimentos, quando informei ao público presente, até porque seria impossível informar aos que não estavam na sala, que o meu prazo de validade venceu em 2005. De lá para cá produzi alguma coisa, mas o prazo continua vencido.

Abro um jornal, ligo a tevê e me pergunto: isto pode? Sexo oral sempre existiu; bestialismo, bestialidade, zooerastia – prática sexual com animais – outrossim. Daí a um programa de tevê, exibido às 9h30min da manhã do dia 9 de junho, canal GNT, reprise da Semana do Jô, apresentar um cavalheiro contando o sexo oral de seu casamento de seis anos com uma argentina e do próprio Jô repetindo a piada, que endereçou à mãe do entrevistado, vai uma distância que o meu prazo de validade não consegue percorrer nem entender. Humor e chulice não são inconhos. E o adjetivo inconho, que anda por aí desde 1858, significa fruto que nasce pegado a outro, coisas muito ligadas entre si.

No Jô, a plateia riu e aplaudiu – mas o fenômeno plateia, que leva pessoas a sair de casa para participar do Programa do Jô ou do Domingão do Faustão, onde atende pelo nome de galera – é coisa que nem Freud explicaria.

Que leva um grupo de pessoas, de diversas regiões desta República bostada, a viajar centenas de quilômetros para fazer parte da galera do Faustão? Sei que muita gente gosta de aparecer na tevê, mas na galera poucos são reconhecíveis: há um grupo imenso aplaudindo e pouquíssimos são identificáveis. Por falar em Domingão, noite dessas perdi 20 minutos assistindo ao Fantástico. Está conseguindo piorar. Parecia impossível, mas está.

Fiquei livre das entrevistas do Jô, repetidas aos domingos pelo GNT, depois que o gordo entrevistou a incompetenta em Brasília. Parei com ele. Nunca mais.


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Educação – Às voltas com a falta de dinheiro e de professores, o secretário de Educação do glorioso estado do Rio Grande do Norte, mal classificado no ranking nacional, resolveu adotar o ensino a distância. Ideia brilhante: um só professor pode dar aulas a milhares de alunos. Fiquei tão entusiasmado com a notícia, que resolvi acender o segundo charuto matinal: jovens potiguares, em suas casas, estudando matemática, física, química e outras complicações. A população total do RN, em 2014, orçava pelos 3,4 milhões de pessoas em 167 municípios. Na Wikipédia, o capítulo sobre educação no RN é imenso e complicadíssimo, servindo apenas para bagunçar o fulcro deste belo suelto: ensino on-line.

Aceso o segundo charuto, descobri que a educação on-line não seria feita com os alunos em suas casas, mas nas escolas públicas em que estão matriculados. Notícia alvissareira: todas têm internet. Notícia infausta: são raríssimas as escolas que têm computadores e não há verba para comprá-los. Conclusão: sem computadores, educação a distância é meio difícil.


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Amor & Sexo – O último Dia nos Namorados ensejou uma série de textos e depoimentos sobre o amor confundido com a atração sexual, que liga pessoas de diversos sexos, eventualmente homem com mulher heterossexuais. O psiquiatra Pamplona da Costa publicou, faz tempo, o livro Os Onze Sexos. Recentemente, alguém contou 72 e a maluquice foi publicada por aí. Tentei localizá-la no Google e fui parar no Jardim Zoológico de Barcelona, mas Marcia Lobo, que é craque em internet, saberá onde encontrar o texto.

Importa-nos o homem e a mulher que se atraem e fazem sexo. Minha tese, de resto indiscutível, é a seguinte: amor e sexo não têm relação direta. Todo homem normal ama suas irmãs, sua mãe, suas filhas sem que pense transar com elas. O mesmo se aplica às mulheres normais, que amam seus irmãos, seus filhos, seus pais, sem que lhes passe pelas cabeças transar com eles.

Amor e sexo podem, sim, coexistir em muitos casos, assim como as furiosas atrações sexuais existem sem que haja amor. O assunto é de uma complexidade que desborda os limites deste belo suelto. O importante é que o leitor tenha entendido, porque a comadre acaba de me avisar que o almoço está pronto, poupando-me do esforço de estender o assunto para confirmar o óbvio.


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Notícia – Seguro é pauta recorrente e cerimoniosa. Recorrente, porque seguro no Brasil sempre foi vigarice organizada; cerimoniosa, porque as seguradoras pertencem a poderosos grupos de anunciantes nos jornais e nas tevês. Os donos desses veículos sabem que esmurrar ponta de faca é suicídio empresarial, o que tem permitido a sucessão de crimes das seguradoras ao longo das décadas.

Houve tempo, lá se vão muitos anos, em que a propaganda de uma delas prometia: “A Nictheroy não discute, paga”. Realmente, não discutia, pagava e a Nictheroy faliu. As outras, que aí estão cada vez mais poderosas e desonestas, discutem, não pagam ou só pagam um pouquinho do que deveriam pagar, mesmo assim depois de um tempão discutindo na Justiça. Seus administradores distinguem-se do pessoal do Comando Vermelho e do PCC por trabalhar de terno e gravata.

Agora é que vem a notícia que não pode ser contada nos jornais e tevês, mas cabe neste espaço imaculado da internet: Joaquim Levy, PhD em Economia pela Escola de Chicago, presidia a Bradesco Seguros quando foi chamado para ministro da Fazenda. Levou com ele dois ou três auxiliares de confiança, entre os quais Tarcísio Godoy, mineiro de Campo Belo.  É mole?


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Jumentos – Dia 10 de julho dois jumentos invadiram as dependências do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, CE, fato que repercutiu nas redes sociais e o provedor Terra mostrou o vídeo em que os mamíferos perissodátilos, Equus asinus, circulavam pelas instalações aeroportuárias.

Não consegui entender o auê provocado pelo episódio jumental num estado em que fazem sucesso no palácio do governo tantos jumentos, dois deles irmãos de pai e mãe, bem como num país em que a presidência e a maioria do seu ministério não se distingue dos perissodátilos semelhantes ao cavalo, mas geralmente de menor tamanho e orelhas mais longas.

Originalmente de distribuição africana, são hoje encontrados em todo o planeta como animais usados para trabalhos diversos, salvo no Brasil onde atuam na administração pública.

FONTE: Jornal da ImprenÇa.


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