Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA Clima

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 20/04/2014 04:00

O clima e os acontecimentos nunca são do jeito que a gente quer. Ainda que eventualmente nos seja possível alterar a marcha dos acontecimentos, somos obrigados a aceitar a tirania do clima. Fala-se em aquecimento global e nas medidas que deveriam ser adotadas não apenas por você e por mim, mas por bilhões de pessoas. Tudo bem: façamos o recomendado e esqueçamos o fato de que as grandes alterações climáticas do planeta, florestas que se transformaram em desertos ou turfeiras, glaciações aqui e ali, continentes que se partiram e afastaram – tudo foi anterior à espécie humana ou, quando menos, uns poucos episódios foram contemporâneos de hominídeos que não tinham como interferir nas mudanças climáticas.

Claro que os veículos e as fábricas interferem na poluição dos ares de Pequim, Paris e São Paulo, mas estou falando do frio do princípio do outono mineiro, que já me fez buscar no armário o primeiro casaco de flanela. Princípio mesmo: quinto dia do outono. Fico furioso quando aquela baiana, linda moça casada com um dos donos da Friboi, fala do “friozinho gostoso” no telejornal noturno. E não perde o sotaque baianês, que deve agradar ao seu próspero marido e senhor.

Gostoso… para ela e muita gente que adora frio, detestável para telespectadores que devem ser respeitados. Dir-se-á que, detestando o frio, um bacharel deve mudar-se para Fortaleza ou para o Senegal. É, bebé? Vai arranjar emprego no estado pertencente aos irmãos Gomes; vai trabalhar num país em que se fala ulof, fulani, serere, diola e francês. Diz a Wikipédia que poucos senegaleses falam francês, informação irrelevante, pois também não falo. Se falasse idiomas, depois do inglês, escolheria o serere ou o ulof para me livrar das críticas das francófilas quando erro ao conjugar o verbo regretter.

Português

 Se quiser falar bonito sobre coisas feias, o leitor pode acusar cada ladrão de improbus administrator, ortoépia “impróbus administrãtor”: em latim soa melhor. Nos raros casos em que você pode recorrer ao adjetivo probo para falar de um administrador, deve dizer probo (ô), como aprendi em 28 de março ouvindo pelo rádio entrevista do ainda governador Antônio Augusto Junho Anastasia, caso raríssimo de administrador probo e alfabetizado. 

Devo admitir que até hoje sempre disse probo (ó). Como é adjetivo pouco usado no Brasil, pronunciei com ó raras vezes. Devo ter aprendido assim; pelo visto e ouvido, aprendi errado. Na mesma semana, uma rede de tevê tentou ressuscitar um crime ocorrido em São Paulo. Atrás de pontos no ibope, as redes fazem os piores papéis.

Uma repórter chegou a afirmar que a senhora assassinada andava preocupada porque “tinha perdido um molho (ô) de chaves”. Realmente, deve ser um problema encontrar o tal molho, considerando que “chef Chaves” abundam no Google como abunda a pita, grande erva rosulada da família das agaváceas: Paula la chef Chaves, chef Felipe Chaves, Manuel chef Chaves – a lista é imensa e cada um deve preparar o seu “caldo em que refoga iguarias ou que as acompanha”.

De repente a repórter leu molho (ó) de chaves, penca de chaves, conjunto de coisas unidas, pensou no molho (ô) de tomate que despejou sobre a pizza comida na véspera (paulista adora pizza) e respingou o tomate no ouvido do telespectador, coitado. O pessoal anda impossível: dia 30 de abril meu provedor de internet manchetou: “O brasileiro Rogério Santos disse que um assessor parlamentar do Reino Unido o pagou para fazer sexo e o pedia drogas”.

O brasileiro Rogério Santos exerce a profissão de garoto de programa e o jornalista que escreveu “o pagou” e “o pediu” deve trabalhar na editoria auxiliar de limpeza do provedor, depois de ter sido educado na Freguesia do Ó, bairro localizado na região noroeste da cidade de São Paulo, que abriga a escola de samba Sociedade Rosas de Ouro, heptacampeã do carnaval paulistano.

O mundo é uma bola 

20 de abril de 1233: o papa Gregório IX edita duas bulas que marcam o início da Inquisição, instituição da Igreja Católica Romana que perseguiu, torturou e matou vários dos seus inimigos ou quem entendesse como inimigos, os hereges.

Gregório IX, nascido Ugolini di Anagni, sobrinho do papa Inocêncio III, estudou direito em Paris e Bolonha. Seu pontificado estendeu-se de 1227 a 1241, quando morreu aos 96 anos. Amigo dileto de Francisco de Assis, organizou a Inquisição Pontifícia com o objetivo de reprimir as heresias promulgando a bula Licet ad capiendos dirigida aos dominicanos, que passaram a liderar o trabalho de investigação, julgamento e condenação ou absolvição dos hereges. Gregório IX tinha cara de anjo e canonizou seu amigo Francisco de Assis dois anos depois de morto.

Consta que Gregório IX foi visitado pelo Anjo Gabriel, que lhe falou de uma praga demoníaca que só poderia ser evitada pela conversão ao cristianismo de toda a costa da África do Norte. Pior do que o Anjo Gabriel, só mesmo o anjo da publicidade da Cemig. Hoje é o Dia do Disco e o Dia do Diplomata.

Ruminanças

 “Um diplomata que se diverte é menos perigoso do que um diplomata que trabalha” (Porto-Riche, 1849-1930).
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