Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
New Journalism
Colunas especializadas, que só devem ser lidas pelo autor e por sua genetriz, a que gera, a que produz o ser, a mãe

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 20/06/2014 04:00

Leio no dicionário do doutor Bill Gates: New Journalism U.S. subjective journalism: a style of journalism originating in the United States in the 1960s that emphasizes the subjective impressions of the reporter and uses techniques typically found in fiction writing.

Na Wikipédia, a definição é mais completa: “O New Journalism é um gênero jornalístico surgido na imprensa dos Estados Unidos, na década de 60, que tem como principais expoentes Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote. Classificado como romance de não ficção, sua principal característica é misturar a narrativa jornalística com a literária. Uma das publicações que popularizaram o novo estilo foi a revista The New Yorker. Em 1956, o escritor americano Truman Capote publicou o perfil do ator Marlon Brando, intitulado ‘O duque em seus domínios’, que é citado como o primeiro texto do gênero”.

Tenho visto surgirem nos jornais brasileiros diversos tipos de New Journalism, tais como o secreto e o paliteiro. No secreto, o jornalista dá a notícia omitindo os nomes dos envolvidos no fato, devendo atingir a perfeição no dia em que omitir a data e o local. Que interesse podem ter os compradores de um jornal de saber que um homem de 43 anos, na rua tal do bairro tal, Zona Leste de Belo Horizonte, foi preso como suspeito de homicídio no Centro da cidade? Nota que omite o nome do “suspeito”, o nome da vítima, o número da casa do “suspeito”, o dia do crime e o dia da prisão.

Se mora na rua tal do bairro da Zona Leste, o leitor passa a desconfiar de todos os vizinhos de 30 a 55 anos, considerando que é meio difícil identificar o focinho de um criminoso de 43 aninhos. E fica ainda mais assustado porque a notícia não diz se o suspeito já foi solto, o que costuma ocorrer horas depois da prisão.

Já o novo jornalismo paliteiro faz nascer, quase todos os dias, novas colunas num mesmo jornal. É tanta coluna, que o jornal parece um paliteiro. Colunas especializadas, que só devem ser lidas pelo autor e por sua genetriz, a que gera, a que produz o ser, a mãe.

O jornalista Lauro Diniz, mineiro de Paraopeba, inventou a classificação “texto de mãe” para os artigos imensos de duas mil, de três mil palavras, que andaram pipocando nos jornais de BH no final do século e do milênio passados. Tinham o tamanho dos ensaios de Vargas Llosa, com uma diferença: a rapaziada não tinha o texto, a cultura e o talento de um Vargas Llosa.

As colunas do jornalismo paliteiro são curtas, cerca de 200 palavras sem o menor interesse para 99,8% dos compradores dos jornais, mas fazem a felicidade das mães. Já é alguma coisa. 

Economias
Do tanto que bate recordes negativos, o Sistema Cantareira vai acabar transformado em poço artesiano. O país inteiro já aprendeu que o Sistema Cantareira abastece de água 9 milhões de paulistanos, cerca de 5% dos brasileiros. Com a necessidade de economizar água em São Paulo e energia elétrica no país inteiro, na iminência de um apagão, os apresentadores dos programas de tevê vivem dando conselhos que certamente não adotam em suas casas. 

Primeiro: não deixar o carregador de celular espetado na tomada. Espetado, consome energia. Minha tomada fica próxima do assoalho. Sai dessa, caro e preclaro leitor. Segundo conselho: fechar a torneira enquanto escova os dentes. Tenho fechado e me sinto um criminoso quando não fecho; aliás, duplamente criminoso, porque a água passa por aquecedor elétrico de 220v. Terceiro conselho: levar um balde para o boxe e recolher a água enquanto o maldito chuveiro elétrico não aquece. Aí, complicou. No boxe, ou cabem o balde ou o philosopho. E tem mais: considerando que o chuveiro não aquece como deve, a solução talvez seja botar o balde, recolher a água fria e morna, e deixar o banho para as calendas gregas. Os tuaregues passam anos sem banhos. 

O mundo é uma bola
20 de junho de 451: Batalha dos Campos Catalaúnicos entre o Império Romano do Ocidente, os visigodos e os alanos, sob o comando de Flávio Aécio e de Teodorico I, contra os hunos comandados por Átila, o Huno. Em 2014, no Brasil, teremos a Batalha Eleitoral entre Aécio, de um lado, e as forças petistas comandadas pela presidenta (sic), ajudada ou não por Eduardo, que não é dos Campos Catalaúnicos, mas dos Campos Pernambucanos.

Em 1632, criação da provincia inglesa de Maryland, sob o comando de Cecilus Calvert, conhecido como Lord Baltimore. Em 1789, deputados do Terceiro Estado realizam o Juramento do Jogo da Péla, em francês Serment du jeu de paume, em que decidiram permanecer reunidos até dotar a França de uma constituição. Foi um dos eventos primordiais da Revolução Francesa. Hoje é o Dia do Vigilante e o Dia Nacional do Revendedor.

Ruminanças 
“…achamos que o trabalho dos sacerdotes é nefasto, ainda que executado pelos homens mais dignos e mais caridosos. Que me entendam bem: não pretendo que tudo o que fazem seja ruim porque são sacerdotes; mas que o que fazem de bom na qualidade de sacerdotes é ruim” (Gide, 1869-1951).

 
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