Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Agressão

Essas oscilações dão sabor às nossas existências. Num dia, tevê de tubo e churrasco de laje; meses depois, casa com piscina e tevê de tela plana

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 20/03/2014 04:00

Um livro escrito pelo jornalista, sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli tem tudo para ser ótimo. O paulistano escreve bem e pensa, coisa rara neste país grande e bobo. Mandei comprar A vida louca dos revolucionários e tive o desprazer de constatar que a Texto Editores Ltda. (Uma editora do Grupo LeYa) agrediu o leitor com uma edição estapafúrdia, capa horrível, páginas em papel claro, cinzento ou negro – imbecilidade editorial que agride a lógica, o bom senso e o leitor.

Trata-se de uma tentativa idiota de reinventar a roda. Parece que os veículos dotados de rodas datam da metade do quarto milênio a.C. e surgiram quase simultaneamente na Mesopotâmia, no Nordeste do Cáucaso e na Europa Central. Diz a Wikipédia que a pergunta sobre a cultura que inventou a roda continua sob debate.

Nos veículos dotados de rodas, objetos circulares que se movem ao redor de um eixo ou de seu centro, você pode alterar o diâmetro, trocar o material de contato com o solo, alargar ou estreitar a banda de rodagem – pode fazer um monte de coisas menos reinventar a roda.

Foi justamente o que os gênios do Grupo LeYa tentaram fazer misturando cores de páginas, com uma capa embaralhada, de difícil “leYtura”, colorida, feia, um negócio pavoroso e ilegível. Comprei porque não sabia do resultado da agressão: mandei a secretária à livraria do Centro da cidade. Não dá para ler: é o suprassumo da imbecilidade em matéria de diagramação.

Votações 
Continua repercutindo na mídia o resultado de votação no Senado sobre a maioridade penal. Faz tempo que o Senado se desmoralizou como instituição.

No que diz respeito à maioridade penal, transcrevo os números que recebi de ilustrado jurisconsulto com a pergunta: “Será que estamos certos?”. Na América do Sul a maioridade penal é a seguinte: Argentina, 16 anos; Brasil, Colômbia e Peru, 18 anos. Na Europa vemos: Alemanha, 14 anos, Itália, 14 anos, Polônia 13 anos. Reino Unido: Escócia, 8 anos, Inglaterra e País de Gales, 10 anos.

Na Escandinávia – Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia – 15 anos. Rússia, 14 anos. Ucrânia, 10 anos.

Nos Estados Unidos, a maioridade penal varia conforme as legislações estaduais. Somente 13 estados fixaram idades mínimas legais, que variam dos 6 aos 12 anos. Na Ásia e na Oceania, Bangladesh, 7 anos, China, 14 anos, Coreia do Sul, 12 anos, Filipinas, 9 anos, Índia, 7 anos, Indonésia, 8 anos, Japão, 14 anos, Myanmar, 7 anos, Nepal, 10 anos, Paquistão, 7 anos, Tailândia, 7 anos, Uzbequistão, 13 anos, e Vietnã ,14 anos. De repente, Brasil, Colômbia e Peru estão certos quando insistem nos 18 anos e o resto do mundo está errado.

Morar bem
Vem aí a nova série televisiva do programa Casa Brasileira. Gosto muito de ver as casas filmadas, como também adoro as fotos das matérias sobre a Casa Mineira, aqui do Estado de Minas. Com todo o respeito pelos rueiros e pelos botequineiros, faz tempo que sou caseiro e acho muito importante morar bem. Já morei muito bem no MS, quando tive sete empregadas só para cuidar de mim. Casa imensa e sete funcionárias, um filé-mignon/dia, considerando que a peça extraída da ponta do lombo da vaca não é carne muito apreciada na fronteira com o Paraguai. No resto do Brasil tenho morado bem ou mal, uma vez muito mal, em apê de quarto e sala emprestado, prédio sem porteiro e sem elevador.

Paciência: a gente aguenta. O importante é não desanimar e continuar trabalhando honestamente, que a situação melhora. Essas oscilações dão sabor às nossas existências. Num dia, tevê de tubo e churrasco de laje; meses depois, casa com piscina e tevê de tela plana.

Houaiss diz que botequineiro é proprietário, responsável ou servente de botequim. E o sujeito que vive nos botequins: será pinguço?

O mundo é uma bola 

20 de março de 1591: terminada a construção em pedra, é liberada ao tráfego a Ponte de Rialto, em Veneza. Em 1310, a ponte de madeira foi queimada parcialmente. Em 1444, caiu com o peso da multidão que assistia a um desfile naval. Reconstruída, voltou a cair em 1524. A ideia da reconstrução em pedra havia sido proposta de 1503. Em 1551, as autoridades venezianas pediam propostas para renovar a Ponte de Rialto. Diversos arquitetos famosos, como Michelangelo, Jacopo Sansovino, Andrea Palladio e Jacopo Vignola apresentaram projetos clássicos, com diferentes arcos, tidos como inadequados para a obra. A ponte de pedra, que existe até hoje, foi construída entre 1588 e 1591. Seu arco único foi desenhado por Antônio da Ponte (Veneza, 1512-1595).

Hoje é o Dia Internacional da Felicidade.

Ruminanças 

“Cá entre nós, que ninguém nos ouça: a vuvuzela sul-africana é uma imbecilidade e a caxirola baiana, do doutor Carlinhos Brown, não lhe fica atrás” (R. Manso Neto).


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