Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Tiro e queda
Dele se dizia que nunca dormiu desacompanhado e achava muito importante, antes de mais nada, dar prazer à parceira

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 20/10/2014 04:00

Línguas

Capitão Sir Richard Francis Burton, KCMG, FRGS (1821-1890). Recomendo ao leitor que tome nota desse nome e procure ler sua biografia escrita por Edward Rice, se você quiser saber da vida de uma das mais extraordinárias figuras do século 19, escritor, tradutor, linguista, geógrafo, poeta, antropólogo, orientalista, erudito, espadachim, explorador, agente secreto e diplomata britânico.
Burton falava 29 idiomas e 50 dialetos, mas falava bem, tanto assim que traduziu Os Lusíadas para o inglês, viajou a pé à cidade de Meca, peregrinação mortalmente proibida aos não muçulmanos, e visitou Harar, capital da Somália, de onde nenhum homem branco havia saído com vida. Traduziu As Mil e Uma Noites e o Kama Sutra. Melhor que isso: percorreu Minas Gerais a cavalo e nos deixou dois livros notáveis sobre suas andanças mineiras. Ao morrer, em Trieste, trabalhava simultaneamente em 12 livros utilizando 12 mesas diferentes, com as tintas, os papéis, as canetas e os dicionários respectivos. Dele se dizia que nunca dormiu desacompanhado e achava muito importante, antes de mais nada, dar prazer à parceira.
Casou-se aos 40 com Isabel, namorada de infância, e com ela viveu até morrer. Foi cônsul inglês em Santos, SP, muitos anos antes de Pelé, Robinho e Neymar Jr. Resta explicar por que Burton pintou em Tiro e Queda neste 2014. Seguinte: escrevi sobre a fundação da Academia Mexicana de Línguas e disse que nenhum leitor se interessaria pela instituição datada de 1835. O México é hoje o maior país de língua espanhola, com seus 118 milhões de habitantes, e tem uma porção de idiomas locais. Recebi amável e-mail de um leitor explicando que naquele país são faladas diversas línguas. Lembrei-me da biografia de Richard F. Burton e fui ao Google para descobrir que há 1.697.000 mexicanos (meio Uruguai!) falando náhuatl, 1.695.000 (meio Uruguai!) falando maia, 596 mil fluentes em otopame e 531 mil em zapoteca. E o negócio vai por aí.
Se o leitor, mineiro de Belo Horizonte, fala totonaca, vai encontrar no México 272.500 fluentes em totonaca para conversar sobre pão de queijo, aguardente de cana e comida di buteco. E vai descobrir que só existem 300 falantes em algonquina, a terça parte dos moradores em Serra da Saudade, MG. Tendo sorte, vai provar com os mexicanos cerca de 237 insetos comestíveis. Deve ser uma delícia o papo em náhuatl mastigando insetos torradinhos. Boa viagem!

O mundo é uma bola
20 de outubro de 1097: os cavaleiros da Primeira Cruzada chegam à cidade de Antioquia, na Síria. Em 1349, o papa Clemente VI proíbe a flagelação, prática de atos punitivos, mortificantes ou de sacrifício que pode ter origem em escolha voluntária ou não. Em alguns países muçulmanos, a flagelação pode ser usada como castigo por violação da sharia, pelo consumo de álcool e, prestem atenção os meus amigos belo-horizontinos, pelo sexo fora do casamento. No sado-masoquismo, também existe a flagelação, mas por motivos eróticos ou sexuais.
Em 1798, fundação da Vila de Paracatu do Príncipe, atual Paracatu, em Minas Gerais, Brasil, região conhecida pelos europeus desde 1586, terra natal de Joaquim Benedito Barbosa Gomes, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, que fez renascer nos brasileiros dignos a esperança de que esta choldra possa tomar jeito. Em 1926, foi registrada a passagem de um dos piores furacões da história de Cuba. Em 1570, morreu João de Barros, o Tito Lívio português, geralmente considerado o primeiro grande historiador de Portugal. Em 1991, Ayrton Senna vence em Suzuka, no Japão, o seu terceiro campeonato mundial de Fórmula 1.
Hoje é o Dia do Poeta, do Arquivista, o Dia Mundial do Controlador de Tráfego Aéreo, da Osteoporose e da Estatística.
Ruminanças
“O estilo é apenas a ordem e o movimento que colocamos em nossas ideias” (Buffon, 1707-1788).


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