Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

tiro e queda
Pelo visto e ouvido, liberou geral. O palavrão tomou conta dos programas televisivos das senhoras

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 22/01/2014 04:00

Comer

Há pessoas que só pensam em comer, sempre que possível nos melhores restaurantes. Comer é muito gostoso e uma comidinha caprichada tem hora e vez, mas a obsessão de certos gourmets me parece um grande exagero. Lucien Farnoux-Reynaud, citado num dos livros sobre vinhos do excelente Sérgio de Paula Santos, disse: “Dado que o homem é o único animal que bebe sem ter sede, convém que o faça com discernimento”. Frase que não se aplica aos gourmets, porque não acredito que alguém coma sem ter fome. A esquisitice dos foodies, gourmets em inglês, se manifesta quando falam ou escrevem sobre as delícias que comeram, geralmente iguarias que ninguém conhece nem de ouvir falar. Você, caro, preclaro e ousado leitor, já comeu vitela com molejas, aquelas glândulas que ficam juntas à traqueia? Elas mesmas, molejas ou timos, pequenas glândulas situadas no tórax, em frente à traqueia, cuja função é produzir linfócitos T, de importância na resposta imunitária do organismo, e que involuem a partir da puberdade, quando suas funções passam a ser desenvolvidas por outras estruturas. Como pode alguém passar dos 18 anos sem ter comido molejas no “Daniel” de Nova York? No mesmo restaurante você deve comer caranguejos peekytoe com abacate e azeitonas, além de abalone, um molusco, com escarola e croquetinho de arroz. Lá mesmo, em Nova York, você não pode deixar de ir ao “Jean Georges”, comandado pelo chef Jean-Georges Vongerichten, que serve uma sopa fria de pimentões com framboesas, além de granola de pecan e outras castanhas caramelizadas com foie gras, antes do consomê de frango com alcachofras e especiarias, mas tem um detalhe: é frango criado como ave de caça, o que lhe dá um sabor de respeito.
Limites
Pelo visto e ouvido, liberou geral. O palavrão tomou conta dos programas televisivos das senhoras – palavrões cabeludos – e no Jô, às nove da noite, o sexo oral detalhado tornou-se verbal durante entrevista de 15 minutos com um espiroqueta, cronista de um grande jornal, filho de espiroqueta que também é muito citado e dito amigo de sujeitos conhecidos. Sexo oral descrito com todos os efes e erres de chulice durante 15 minutos. Entrevista selecionada para retransmissão às nove da noite. Pelo andar da carruagem, só falta aentrevistar uma jovem noiva que se relacione sexualmente com o seu cão pastor – alemão ou belga, tanto faz. Entrevista durante o relacionamento amoroso no estúdio da tevê. Não invento. Já lhes contei o caso da moça que chegou de táxi engatada ao seu cão pastor, para ser desengatada pelos médicos da Santa Casa. Foi há mais de 20 anos, mas continua acontecendo por aí. Famoso homem de televisão vivia dizendo que o veículo não foi feito para ensinar, mas para divertir. Não consigo entender a restrição ao ensino via tevê, não digo dos cursos a distância, mas o ensinamento na programação normal. Quanto ao divertimento, nada contra, mas cabe a pergunta: sexo oral pormenorizado é divertimento televisivo? Se for, que virá depois dele?
O leitor que me conhece há muito tempo, não só por meio da imprensa escrita, como também dos programas radiofônicos e televisionados, sabe que nunca fui santo. Santo Eduardo, o Confessor (c. 1004-1066) foi o penúltimo rei saxão da Inglaterra (1032-1066) e era filho de Ethelred II e da senhora Ema da Normandia, duas vezes rainha consorte da Inglaterra por meio de seus casamentos com Ethelred II, de 1002 a 1016, e Canuto, o Grande, de 1017 a 1035. Parece que teve dois filhos com Ethelred II e um com Canuto, chamado Canuto II, que foi preterido pelo irmão bastardo Haroldo I. Mesmo não sendo santo como o xará, horrorizam-me os rumos tomados pela televisão brasileira. Não é pudicícia, é lógica, é bom senso. Já vi o que pode acontecer quando um cavalo toma o freio nos dentes. Nossa tevê tomou.

O mundo é uma bola
22 de janeiro: em 1462, descoberta a Ilha de São Vicente em Cabo Verde; em 1502, descoberta a Ilha de São Vicente no Brasil; em 1532, fundação da Vila de São Vicente, a primeira do Brasil. Algo me diz que hoje é o Dia de São Vicente. Em 1506 o papa Júlio II criou da Guarda Suíça do Vaticano. Em 1808, chegada ao Brasil da família real portuguesa, transmigrada com a ocupação de Portugal pelas tropas napoleônicas. A Wikipédia fala em “fuga”, palavra forte; prefiro transmigração. Em 1957, Israel se retira da Península de Sinai. Em 2006, Evo Morales assume a Presidência da Bolívia e Cavaco Silva é eleito presidente da República de Portugal. Aníbal Antônio Cavaco Silva, um dos raros portugueses que não é Manuel. Nasceu em Boliqueime, Loulé, dia 15 de julho de 1939. Boliqueime é uma freguesia do concelho de Loulé e fica lá em baixo no mapa de Portugal, sinal de que deve ser algarvia. Em 1788 nasceu George Gordon Byron, sexto barão Byron, conhecido como Lord Byron, poeta inglês que disse: “O galo é o clarim das madrugadas”, frase absolutamente idiota. Confirmada minha suspeita: hoje é o Dia de São Vicente de Saragoça.

Ruminanças
“Rapazes que vivem obcecados por suas mães, quando não se aviadam se casam com mulheres mamudas” (R. Manso Neto).


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