Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
O bonde
Bela tese de doutoramento na área psi seria analisar o perfil dos remetentes de e-mails a partir do material que enviam

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 23/03/2014 04:00

Em menino fartei-me de perder o bonde, que em Portugal se chama eléctrico, veículo movido a eletricidade, que se desloca sobre trilhos, usado para o transporte de passageiros nas zonas urbanas e suburbanas. Nosso bonde vem do inglês bond, “título negociável”, da Electric Bond and Share Co., empresa que explorava os transportes urbanos de diversas cidades brasileiras no princípio do século passado.

Em vez de correr para pegar o bonde andando, sempre foi mais prudente esperar a passagem do próximo veículo. Ainda hoje existem bondes circulando numa porção de cidades civilizadas, mas o Brasil, mais realista que o rei, tratou de substituir aqueles veículos por outros meios de transportes que inexistem ou funcionam mal aqui e ali, eventualmente acolá. Em São Paulo, no ano da Copa das Copas, o maior divertimento do paulistano tem sido queimar ônibus por qualquer motivo e até sem motivo algum.

Esse nariz de cera serve para contar ao leitor de Tiro & Queda, que um revisor implicante anda trocando para Tiro e Queda, quando o nome da coluna sempre foi com ampersand (&) como pode atestar o nosso diretor de Redação. Esse nariz de cera, dizia o philosopho, foi para explicar que perdi o bonde cultural de um jornal que assino há 40 anos. Hoje, o seu Segundo Caderno não me interessa a mínima, passo batido, salvo por dois ou três cronistas do ramo. Ainda que não pareça, cronista do ramo está ficando difícil. E a parte cultural, o resto do caderno tornou-se indigesto para o meu entendimento.

Também perdi o bonde informático. Ouço dizerem maravilhas de aplicativos, celulares, programas de computador e muito mal consigo usar o teclado e os dicionários eletrônicos. Dá para sobreviver sem o iPhone 5 e sem o aplicativo que localiza táxis vazios nas proximidades. Seria melhor com eles, mas vou tocando assim mesmo.

Remetentes
Bela tese de doutoramento na área psi seria analisar o perfil dos remetentes de e-mails a partir do material que enviam. Sou um dos destinatários de dois grandes remetentes diários: um alto magistrado aposentado e um respeitado funcionário da administração pública mineira.

A dois ambos devem receber milhares de imensos e-mails/dia e selecionam centenas que encaminham aos seus amigos, entre os quais tenho a honra de estar incluído. O alto funcionário envia tudo em Cco:, motivo pelo qual não fico sabendo os nomes e o número de destinatários. Já o magistrado envia em Cc. com a lista e os endereços eletrônicos dos seus amigos. Os dois, magistrado e alto funcionário, têm como característica o encaminhamento de e-mails imensos, de 6 MB para cima, passando não raro dos 20 MB, que demoram um tempão para baixar e um tempão para encaminhar.

Vejamos agora a tese de doutoramento na área psi. O alto funcionário mineiro, que não é petista, envia 20% dos seus e-mails falando mal, isto é, repassando ataques ao ministro Joaquim Barbosa e 80% da mais absoluta e inacreditável lubricidade humana, animal e de zoofilia erótica ou zooerastia, que envolve humanos e animais. Conseguiu até repassar demorado vídeo de um garanhão mantendo relações sexuais com um burro macho, mas não muito.

O magistrado especializou-se no encaminhamento de e-mails culturais, lindíssimos, imensos, destes que a gente repassa antes de ver e guarda cópia para assistir na íntegra, se e quando houver tempo: museus célebres, Alemanha, pueblos da Espanha, pintores e palácios famosos, todos lindíssimos, seriíssimos e demoradíssimos.

A análise fica por conta dos doutorandos na área psi, mas posso adiantar que a antipatia do mineiro por seu coestaduano Joaquim Benedito Barbosa Gomes (Paracatu, 7 de outubro de 1954) não é racismo, considerando que o alto funcionário estadual é conhecido por seu envolvimento com uma infinidade de afro-brasileiras, sem prejuízo das estripulias que apronta com as ítalo-brasileiras de sua própria etnia. Mais não digo nem avento. Vou ficando por aqui no maior entusiasmo com esse “avento”, primeira do singular do indicativo presente do verbo aventar.

O mundo é uma bola 

23 de março de 625: segunda Batalha de Uhud pela conquista de Meca pelas forças muçulmanas comandadas por Maomé. Em 752, Estêvão é eleito papa. Morre três dias depois, antes de ser ordenado bispo, motivo pelo qual não é considerado um papa legitimado. Na Wikipédia a confusão é completa, porque informa de Estêvão II eleito dia 26 de março de 752 foi papa até 24 de abril de 757, sucedido por Paulo I, e não nos fala do Estêvão, que esticou as canelas três dias depois de eleito.

Em 1553, Duarte da Costa é nomeado governador-geral do Brasil. Tinha um filho chamado Álvaro, que se desentendeu com o bispo Pero Fernandes Sardinha, com as consequências que estudamos nos livros de História do Brasil. Resumindo, Duarte da Costa, como governador, não chegou aos pés de seu sucessor Mem de Sá.

Em 1857, bela notícia para os que detestamos escadas: instalado em Nova York o primeiro elevador de Elisha Graves Otis.

Ruminanças 
“Elevador é o veículo inventado para maximizar os gases estrepitosos e fedorentos” (R. Manso Neto).

 
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