Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

 

TIRO E QUEDA
Efeito Arquibaldo II

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 23/10/2014 04:00

Falávamos na edição de ontem da maluquice que toma conta das arquibancadas onde ficam os arquibaldos nos jogos de futebol, quando começam a gritar e xingar só porque os outros estão xingando. Três semanas depois que uma gaúcha de 23 anos, torcedora do Grêmio, foi identificada e processada por ter chamado de macaco o goleiro Aranha, do Santos, o time paulista voltou a jogar no estádio gremista e o xingatório partiu da esmagadora maioria dos torcedores do Grêmio. Cada vez que o quíper pegava a bola os torcedores apupavam, dessa vez recomendando ao senhor Aranha que assumisse a condição de pederasta passivo, recomendação muito parecida com a das arquibancadas do Maracanã dirigidas a uma senhora feia, incompetente e gorda, que vocês conhecem muito bem. No caso dela, evidentemente, não haveria pederastia, porque aconselhada a interagir com homens.

Nesta nova investida do Efeito Arquibaldo gremista sobre o arqueiro do Santos lembrei-me de que no meu livro O Papagaio Cibernético, publicado na década de 80 quando começou no Brasil a febre informática, um dos personagens, mamífero primata da família Atelidae, o Ateles paniscus, seria politicamente incorreto ou racista, se o livro fosse publicado hoje. Isso porque o Ateles paniscus atende vulgarmente pelos nomes de quatá (coatá) ou macaco-aranha-preto.

Quase desprovido de polegares, é mamífero estimável e se caracteriza pela cauda descomunal, que funciona com a força dos outros membros, bem como pela proteção dos filhotes do bando em situações de perigo, quando as mães coatás não estão por perto. Nessas ocasiões, os filhotes se agarram ao macho mais próximo, que os protege até acabar a situação de risco.

Talvez percebendo a impossibilidade de proibir o Efeito Arquibaldo nos estádios, o futebol brasileiro parece ter descoberto a pólvora: jogos sem assistência. Sempre que as tevês nos mostram os jogos da Série B, de onde saem quatro clubes para disputar a Série A no ano seguinte, o que vemos são partidas de bom ou mau futebol com arquibancadas vazias. Mesmo nos jogos da Série A vemos arquibancadas às moscas. Inexistindo arquibaldos acabam os xingatórios, que ficam restritos aos atletas quando se dirigem aos juízes, agora chamados árbitros, e aos telespectadores para dizer que a CBF é uma vergonha, no que têm carradas de razão.

Vintaneiro
As jornalistas Florença Mazza, Anna Luiza Santiago, Clara Passi e Rafaela Santos ajudam Patrícia Kogut a fazer a coluna de crítica televisiva no Globo, função complicada considerando que Patrícia é casada com Ali Kamel, diretor geral de jornalismo e esportes da Rede Globo. Se Patrícia e suas colegas criticam o muito que há para criticar nas outras redes, pode parecer implicância de profissionais ligadas à Globo.

Criticando a rede pertencente ao grupo controlador do jornal devem provocar arestas empresariais e familiares. Dia desses, deram Nota 0 para a frase do Faustão no Domingão de 21 de setembro: “Vocês nasceram com o funk dentro de vocês, como se fosse o funk um supositório. Vocês dançam com o útero, bicho”. E concluíram com a seguinte observação: “Melhor seria ele evitar a poesia”.

Philosophemos. O senhor Fausto Silva tem para a televisão brasileira a importância de um Maomé para os muçulmanos e de um Osman I para o Império Otomano, além do salário mensal de R$ 5 milhões: sua poesia sobre o supositório do funk ligado ao útero deve estar num plano superior à melhor poesia feita no Brasil, daí o fato de não ter sido entendida pelas jovens jornalistas.

O fazer poético de alto nível dispensa pormenores anatômicos e faz que o supositório funk, transposto o trecho hemorroidário, alcance ao útero. Portanto, não é passível de crítica jornalística, sobrepaira o entendimento das pessoas normais e serve para explicar o sucesso vintaneiro do senhor Fausto Silva. É isso aí: vintaneiro, “que ou aquele que tem 20 anos”.

O mundo é uma bola
23 de outubro de 4004 a.C., dia em que a Terra começou a ser criada segundo o irlandês James Ussher. Nascido em Dublin no dia 4 de janeiro de 1581, Ussher, arcebispo de Armagh, foi a óbito no dia 21 de março de 1656. Teve, portanto, 75 anos para dizer besteiras amplamente aceitas naquele tempo e ainda hoje. Baseado na Bíblia e noutras fontes, concluiu que o mundo foi criado 4004 anos antes de Cristo. E continuou solto, como sói (verbo soer) acontecer até hoje com um monte de imbecis. Em 425, Valentiniano III ascende ao trono romano do Ocidente. Até aí, tudo bem. Acontece que Flavius Placidus Valentinianus nasceu em Ravena, perto de Roma, em 419. Tinha, portanto, seis anos de idade. Reinou de 425 a 455. Permaneceu na dependência de Teodósio II, imperador do Oriente. Em seu reinado perdeu a Bretanha. Foi assassinado aos 36 anos por dois soldados da sua Guarda Pretoriana.Em 1943 foi publicado pela primeira vez, na revista O Cruzeiro, o quadrinho O Amigo da Onça. Em 1940 nasceu Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Hoje é o Dia da Aviação e do Aviador.Ruminanças – “Os homens se dividem em duas espécies: os que têm medo de avião e os que fingem que não têm” (Fernando Sabino, 1925-2004).

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