Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Imagem

24 a 30 de agosto de 2015

Imagem

Celebridade – A compra do HSBC transformou o sociólogo Luiz Carlos Trabuco Cappi numa celebridade ainda maior que Gisele Bündchen, Chitãozinho & Xororó, Tarcísio Magalhães Sobrinho, que você conhece como Tarcísio Meira, e Adriane Galisteu juntos. Numa única semana, o mariliense de sobrenome original, 61 anos, foi entrevistado pelos maiores jornais do país ocupando uma ou duas páginas inteiras, sem prejuízo das demoradas entrevistas nas televisões.

Trabuco, no Houaiss, foi máquina de guerra com que se lançavam grandes pedras para abalar e destruir muralhas e torres, e hoje pode ser espingarda de um só cano, curto e de boca larga, bacamarte, revólver grande, cavalo de mau aspecto, mas firme e bom para trabalhar, como também pode ser grande charuto. E cappi, em italiano, significa lacetes, plural de pequenos laços, mas tem diversos outros significados.

Ao contrário do cavalo de mau aspecto, Trabuco é bem-apessoado. Conheci-o em São Paulo no almoço de aniversário de amigo comum, quando ele ainda era presidente da Bradesco Seguros, e constatei que é banqueiro original. Por quê? Ora, porque chora e declama poesias.

Cinquenta por cento dos convidados, terminado o almoço, estávamos num porre descomunal, antológico, de fazer história, quando acendi um trabuco, grande charuto, e fui fumar na sacada do salão de refeições para não incomodar a linda mulher de um imbecil, que era ministro da Educação.

Trabuco Cappi, sem charuto (quem fumava trabucos era o Márcio Cypriano, então presidente do Bradesco) associou-se a mim na sacada e começou a declamar chorando feito bezerro desmamado. A bem da verdade, diga-se que não falava de amor e se dirigia ao belo jardim interno do condomínio de luxo, onde morava nosso amigo.

Velho banqueiro, que conheci no Rio, certa feita me disse: “Eduardo, banqueiro tem olho de vidro”. Anotei a lição do profissional da agiotagem oficializada. Sim, porque conheci dezenas de onzenários, que agiotavam sem autorização do Estado, como também conheci dezenas de banqueiros de olhos de vidro, molas propulsoras do desenvolvimento nacional.

Declamar em prantos nunca foi característica de uns e outros, daí a originalidade do episódio Trabuco Cappi.


Imagem

Deficiência – Oligospermia e oligofrenia, sabemos todos os que consultamos dicionários, são a secreção insuficiente de esperma e a deficiência do desenvolvimento mental, congênita ou adquirida em idade precoce, que abrange toda a personalidade, comprometendo sobretudo o comportamento intelectual. Oligopólio é a situação de mercado em que poucas empresas detêm o controle da maior parcela do mercado. E o negócio vai por aí graças ao elemento de composição olig(o)- antepositivo,  do grego olígos,ê,on ‘pouco (em pequeno número ou em quantidade insuficiente)’; ocorre já em vocábulos formados no próprio grego, como oligocarpo (oligókarpos), oligarquia (oligarkhía), oligorrhizo (oligórrizos), oligossarco (oligósarkos) e oligospermo (oligóspermos), já em vários eruditismos do século XIX em diante, entre os quais: oligacanto, oligandra, oligante, oligantera, oligantero, oliganto, oligarrena, oligocéfalo, oligodendrócito, oligodendróglia, oligodinâmico, oligoelemento, oligoemia, oligoêmico, oligofagia, oligófago, oligofarmácia, oligófilo, oligofrenia, oligofrênico, oligomeria, oligoméride, oligômero, oligonucleotídeo, oligossacárido, oligostêmone, oligótrico, oligotrofia, oligozoospermia, oliguresia, oliguria, oligúrico.

Houaiss não anotou o quadro oligoinformático que tanto me aflige, deficiência para lidar com a ciência que se dedica ao tratamento da informação mediante o uso de computadores e demais dispositivos de processamento de dados.

Ainda ontem perdi um texto de 341 palavras sobre o presidente do Bradesco, de porre, chorando e declamando poesias, algo inimaginável na história universal dos estabelecimentos de crédito. Apertei uma tecla indevida e o texto sumiu do arquivo Rascunhos, onde capricho nestas bem traçadas.

Furioso é pouco para falar do meu estado. De vez em quando clico salvar nas coisas que vou escrevendo. Ainda assim o texto sumiu. Inconformado, continuei fuçando e o texto reapareceu não sei como. O fato é que reapareceu em condições de ser enviado para Marcia Lobo como acabo de fazer numa alegria que não tem mais tamanho.


Imagem

Trabalho – Pelo fato de o verbo trabalhar vir do latim tripalìum ‘instrumento de tortura’, muita gente leva a etimologia a sério, entope as estradas nos feriadões e louva as férias de 30 dias, esquecida de que trabalhar naquilo de que se gosta é das melhores coisas da vida. Só perde para o sexo com a pessoa amada ou com a mulher dos outros, sempre da melhor supimpitude.

Temos novidades no terreno laboral, como li num texto de Soraya Silveira Simões, professora da UFRJ e coordenadora do Observatório da Prostituição/Le Metro/IFCS-UFRJ: “Trabalho sexual não é crime”.

Trabalho sexual… homessa! Gigolôs, salvo engano, trabalham com o sexo na gigolotagem; caftens outrossim. Devem ser as molas propulsoras das economias de diversos países e de alguns muitos estados brasileiros.

Diz a coordenadora do Observatório da Prostituição/Le Metro/ que a proposta da Anistia Internacional em favor da descriminalização plena do trabalho sexual, às vésperas da Reunião Internacional do Conselho, está provocando uma série de reações e mobilizações em todo o mundo. E relaciona diversas associações de trabalhadoras e trabalhadores sexuais favoráveis ao documento, bem como centenas de organizações governamentais e não-governamentais voltadas para a promoção dos direitos humanos e da saúde.

Quer dizer: o leitor está preocupado com as crises política, hídrica, elétrica e econômica do Brasil, enquanto a Anistia Internacional quer descriminalizar a gigolotagem e a cafetinagem. Todas as vozes listadas se articulam na arena internacional a partir de uma lógica do reconhecimento dos principais agentes interessados nessa política – ou seja, pessoas adultas que compram serviços sexuais consensualmente – e o negócio vai por aí numa bagunça fácil de adivinhar.

Diz a coordenadora que a prostituição no Brasil é permitida aos maiores de 18 anos, mas os problemas causados pela criminalização das relações de trabalho nesse universo laboral colocam milhares de homens e mulheres à margem dos direitos garantidos a todo e qualquer trabalhador e expostos aos maiores arbítrios cometidos por agentes públicos e privados.

Por isso, conclui dona Soraya, defender a postura corajosa da Anistia Internacional em um cenário que parece começar a espetacularizar a vida de pessoas da ‘vida real’ torna-se urgente.

Ufa!, que cheguei até aqui perplexo com o espetaculoso texto sem entender absolutamente nada, salvo a nobreza e os elevados propósitos dos serviços laborais mantidos naquele mansão de Brasília – aquela do caseiro Francenildo – quando Palocci foi ministro do governo Lula da Silva.


Imagem

Disforia – Estado caracterizado por ansiedade, depressão e inquietude, do grego dysphoría ‘sofrimento intolerável, agitação extrema’, o substantivo feminino disforia, rubrica psicopatologia, entrou na moda midiática sempre que alguém trata da problemática sexual. Domingo desses, descobri no televisor o canal E! no qual perdi boa hora de sono assistindo a uma entrevista de Bruce Genner, três casamentos com mulheres, seis filhos, ex-campeão olímpico de decatlon, conjunto de dez provas de atletismo que tem por objetivo conhecer o decatleta, o atleta mais completo.

É prova mista em dez etapas realizadas em dois dias, cinco de cada vez, respectivamente: corrida de 100 m, salto em distância, lançamento de peso, salto em altura, corrida de 400 m, corrida de 110 m com barreiras, lançamento de disco, salto em altura com vara, lançamento de dardo e corrida de 1.500 m.

Pois muito bem: ao inteirar 65 anos, Bruce passou a chamar-se Caitlyn Jenner e fez por merecer do Google a seguinte descrição: “Caitlyn Jenner é uma atriz, modelo, socialite e ex-atleta e medalhista olímpica transexual norte-americana”.

Altura: 1,88m empatando com o autor destas bem traçadas, mas as semelhanças param por aí. Há cerca de 30 anos, Bruce tomou hormônios femininos durante cinco anos, antes de se casar com Kris Jenner de 1991 até 2015. Teve com ela dois filhos. Diz que gosta de transar com mulheres e é virgem de relacionamentos com homens, o que levou a entrevistadora a perguntar: “Você é lésbica?”.

Este foi somente um caso, dos mais famosos, de sexualidades estranhas. Hoje, sempre que os jornais publicam fotos de duas mulheres com a legenda “as amigas Fulana e Beltrana” o leitor fica sem saber se as duas formam um casal. O mesmo acontece quando os fotografados são dois homens.

Por seu admirável preparo físico, Bruce/Caitlyn deve continuar indo ao leito com regularidade. No princípio de agosto disse que “continua gostando de garotas”. Resta saber se vai mudar de opinião, assunto que não me diz respeito, mas que é estranho, é.

Os gregos tinham anômalos,os,on, significando desigual, maldisposto, desequilibrado, mal-arranjado, que resultou em nosso adjetivo anômalo. Em matéria de anomalia, a sexualidade de Bruce/Caitlyn vale por uma dúzia de decatlons olímpicos.


Imagem

Traficantes – Quem tem Fu tem medo, pensavam os moradores do Rio depois que o senhor Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira, condenado a mais de 80 cadeia, foi solto para visitar a família pelo Dia das Mães, ou pelo Dia dos Pais, ou pela Páscoa, ou pelo Natal, e não voltou para a penitenciária de segurança máxima (sic).

Junto com ele havia fugido Cláudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira, seu primo, condenado a mais de 50 anos de cadeia, solto por um juiz que é obrigado a observar leis idiotas votadas por legisladores idiotas num país riquíssimo em idiotias.

Fu, Claudinho e mais quatro bandidos foram presos em agosto numa casa modestíssima, em que dormiam no chão sobre trapos, fortemente armados, eles que eram considerados “os traficantes mais importantes do Rio”, rivais de um certo Playboy, que havia sido morto num confronto com a polícia dois dias antes.

Presume-se, ou pelo menos presumo, que o sujeito não trafique maconha, crack, cocaína, heroína pelo prazer de agradar aos drogados. Trafica e corre riscos para ganhar dinheiro. Cabem as perguntas: ganhar dinheiro para dormir naquela casa, no chão e na companhia de outros bandidos? Para viver fugindo da polícia? E o nosso belo ministro Mello, do Supremo, fala que a ressocialização dos presos não tem funcionado, sem explicar como seria possível ressocializar quem nunca foi socializado.

Traficantes colombianos e mexicanos vivem ou viviam como príncipes: mansões, mulheres bonitas, empregados domésticos, guardas, aviões, helicópteros, subornos. Traficante mineiro no Rio vive miseravelmente, prova de que além de bandido é burro. Aliás, o senhor Fu da Mineira tem o focinho torto fazendo justiça à interjeição fu, que exprime enfado, desprezo, nojo por alguém ou algo.


Imagem

Revisão – É sabido que o autor é o pior revisor dos seus textos. Lembrando-se da frase que escreveu, lê as primeiras palavras e “entende” o resto, deixando passar cada erro que vou te contar. Algo lhe diz que há alguma coisa esquisita na frase, coisa que ele só vai descobrir se deixar para rever o texto dias depois. Num dos meus livros deixei passar “por cada escravo”, porcada que me dói até hoje porque tenho bom ouvido. Não escrevo “parece ser” de jeito e maneira, parequema que parece ser o preferido de nove entre dez escribas.

Antes dos computadores, os textos de Guimarães Rosa nos chegavam ao Globo em laudas datilografadas. O Itamaraty era próximo do jornal e o genial cordisburguense mandava um boy levar seu escrito. Linotipado, impresso e conferido, o texto voltava ao Rosa para ser aprovado.

No mesmo dia ou na manhã seguinte recebíamos a prova inteiramente modificada pelo autor. Nova passagem pelo linotipista, outra prova impressa e conferida, o boy de volta ao Itamaraty para aprovação do autor. Resultado: prova de volta ao jornal toda mexida pelo filho de Florduardo Pinto Rosa, nome admirável. Não bastasse o Florduardo havia um Pinto Rosa em adimplência, em condições de adimplir, de executar o que as senhoras sérias esperam dos pintos de qualquer cor, sem olvidar os róseos.

As idas e voltas dos boys de ônibus, sem motocicletas, durariam semanas ou meses, se um dos irmãos do doutor Roberto não dissesse: “Publica assim mesmo”. Dia seguinte tínhamos o texto do João publicado no jornal.

João… Foi assim que o conheci, já embaixador, na fazenda de amigos comuns onde passávamos um feriadão, muita gente hospedada na sede, o embaixador hospedado numa casa de colono caiada e varrida, água encanada, à beira da Rio-Bahia, a um quilômetro da sede.

Contado, ninguém acredita: um gênio caminhando pela estrada para passar o dia e tomar as refeições na sede da fazenda. Naquele trecho a estrada já era asfaltada, pavimentação que terminava pouco adiante em Além Paraíba, MG.

O embaixador viajou escoteiro. Era namorador. Não digo que fosse garanhão insaciável, mas arrastava o charme rosiano para senhoras sozinhas, inclusivamente para a desquitada de um embaixador seu colega.

Ninguém me contou. Adolescente, passei o feriadão na tal fazenda. A embaixatriz desquitada era da pá-virada. Algum tempo depois encantou-se com os meus 19 aninhos: tempus fugit. Pois é, o tempo voa.


Imagem

Eleições – Antes de embarcar com entusiasmo na candidatura da senhora Hillary Diane Rodham Clinton, penso que o eleitor norte-americano deve estudar os governos exercidos nas Américas pelas senhoras Maria Eva Duarte de Perón, Maria Estela Martínez, conhecida como Isabelita Perón, Verónica Michelle Bachelet Jeria, Cristina Elisabet Fernández de Kirchner e Dilma Vana Rousseff.

Imagem

Cobertura – Não me lembro de ter visto nem lido na mídia, noticiando as manifestações dos dias 16 e 20 de agosto, um só comentário sobre os seguintes fatos. Nas manifestações do dia 16, 98% dos manifestantes compareceram por vontade própria. Só os técnicos dos carros de som e os fabricantes de bonecos infláveis receberam por seu trabalho.

Nas manifestações pró-ladroeira petista, todos foram uniformizados, transportados, alimentados e pagos pelos gatunos empoleirados em Brasília. Portanto, com o nosso dinheiro. E tem mais uma coisa: as manifestações do dia 16 levaram vinte ou trinta vezes mais gente às ruas do país inteiro. Os vídeos e as fotos não mentem.


Imagem



Ruminanças – “Edinho Silva, Édison Lobão, Marcola, Humberto Costa, José Guimarães, José Dirceu, Fernandinho Beira-Mar, Lula da Silva, Fu da Mineira, Fernando Collor – ganha um doce quem escolher o pior” (R. Manso Neto).

 

 

FONTE: Jornal da ImprenÇa.



%d blogueiros gostam disto: