Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Tiro e queda
Antes de ser previsão do tempo, isto que as tevês fazem é perda de tempo

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 24/08/2014 04:00

Regentes

Perguntado numa entrevista sobre a função do maestro, Zubin Mehta (nascido em Bombaim, atual Mumbai, 1936) disse que sua função é fazer que os músicos toquem nas horas certas, pois numa orquestra sinfônica o instrumentista, sentado numa das extremidades, não sabe o que os do lado de lá estão tocando. Casado com Nancy Kovack desde 1969, pai de Zarina Mehta e Mervon Mehta, contou que sua mulher aplicava o dinheiro do casal na compra de casas na Califórnia. No dia em que foi entrevistado era dono de 48 casas alugadas e confessou não saber onde iriam parar com tantos imóveis. Fio que o estouro da bolha imobiliária norte-americana tenha poupado a família Mehta.
Lembrei-me da entrevista ontem à noite depois de ver na tevê cinco previsões diferentes para o tempo que faria hoje. Nos anos todos em que morei na roça, fiquei viciado nas previsões do tempo. Na roça fluminense, 11 quilômetros de indecorosa estrada de terra para chegar ao asfalto num carro sem “extração” nas quatro rodas, você precisava sair da fazenda antes da chegada do caminhão do leite. 
Bom de barro, como sempre fui, conseguia chegar ao asfalto ao preço de algumas reladas nos barrancos, enquanto os motoristas comuns ficavam pelo caminho. Das chuvas dependíamos, também e muito, para melhorar os pastos e as aguadas. Onde a necessidade de um maestro nas previsões televisivas? Ora, para fazer que as moças do tempo falem a mesma língua.
Nas previsões de ontem não vi duas iguais. Escrevo às 9h30min, céu azul, sol de fora, manhã espetacular posto que muito fria. Ontem, três das moças previam chuvas aqui para a Manchester Mineira. E uma outra, anteontem, dizia que hoje começaria a esquentar. Antes de ser previsão do tempo, isto que as tevês fazem é perda de tempo e uma das redes conseguiu contratar bela moça que pronuncia reconcavo, assim mesmo, inventando o recôncavo paroxítono: vocábulo cuja sílaba tônica é a penúltima. 

Maldade 
No propósito evidente de indispor o Sul-Sudeste com os nossos irmãos do resto do Brasil, circula na internet uma tabela com a lista dos estados desta República assaz tropical. De um lado, quanto o estado paga ao governo federal; de outro lado, quanto recebe do governo federal, isto é, de todos nós. Os estados mais caros são o Maranhão e a Bahia, o primeiro com um déficit anual de R$ 7.944.982.545,40, o segundo custando ao Brasil R$ 7.445.718.892,72. Seguem-se na lista dos deficitários: Pará, Ceará, Paraíba, Piauí, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Tocantins, Sergipe, Acre, Amapá, Rondônia, Mato Grosso, Roraima, Mato Grosso do Sul e Goiás, este último baratinho: custa ao Brasil R$ 176.621.016,75 por ano.
A lista dos superavitários começa com uma surpresa: muito criticado por ter recebido uma arena da Copa das Copas, o estado do Amazonas rende ao Brasil R$ 2.364.724.703,91 por ano. Com a renda de quatro Amazonas você paga o custo do Maranhão e ainda sobra algum. Depois vêm o Espírito Santo, superavitário em R$ 4.414.208.188,10, Santa Catarina com R$ 8.240.544.325,40, Minas Gerais com R$ 9.479.251.565,45, Paraná com R$ 12.466.616.542,08, Rio Grande do Sul com R$ 12.779.811.535,90 e São Paulo com R$ 181.414.113.886,10. Ficou faltando minha terra, o estado não muito grande do Rio de Janeiro, que, modéstia às favas, rende ao Brasil R$ 85.959.238.712,76 por ano.
O Maranhão tem 4.548.044 eleitores, a Bahia, 10.140.157, o Rio de Janeiro, 12.040.166. A partir desses números compete ao leitor, munido de uma calculadora, somar os maranhenses com os baianos para chegar à conclusão que quiser, porque tiro o meu time de campo. Não endosso maldades como esta da tabela que circula na internet. 

O mundo é uma bola 
24 de agosto de 410: Roma é saqueada por Alarico I, rei visigodo nascido em 375 na Ilha de Peuce, delta do Danúbio. Foi o primeiro líder germânico a tomar a cidade de Roma, realizando o famoso saque, resultado de suas negociações com o Império Romano na tentativa de obter um posto no exército imperial. No século anterior era comum que o Império Romano recrutasse bárbaros para servir nas tropas auxiliares sob as ordens de generais romanos. Alarico liderou um grupo de soldados e serviu sob o comando do imperador Teodósio I, até que o imperador morreu em 395. Não tendo obtido o posto desejado, Alarico rebelou-se e promoveu três cercos a Roma, o último dos quais terminou com o saque nos dias 25, 26 e 27 de agosto de 410.
Em 1399, foi celebrado o casamento do herdeiro do trono português D. Pedro, o Justiceiro, com Constança Manuel, que trazia como aia Inês de Castro, “a mísera e mesquinha, que depois de morta foi rainha”, como nos contou Luiz Vaz de Camões. Pedro I de Portugal (1320-1367), também conhecido como o Cruel e o Cru, foi de ferocidade extrema. O resto só estudando com calma, que já escrevi sobre Inês de Castro um ror de vezes.

Ruminanças 
“O mais típico dos pensadores chineses foi Confúcio, e o mais típico dos pensadores ingleses foi o Dr. Johnson, ambos filósofos do senso comum” (Lyn Yutang, 1895-1976).

 

 
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