Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Arte fotográfica
Logo de saída, o fotógrafo da NatGeo impressionou o fazendeiro tirando 72 fotos, dois filmes inteiros, de um besouro

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 25/09/2014 04:00

No Rio de antigamente, o dentista Chaffic Jabor, tio deste menino Arnaldo, foi meu professor de arte fotográfica. Pois é: tive professores de canto lírico e arte fotográfica. Deixei o canto por minha tessitura de baixo-cantante, que só tem papéis ridículos em todas as óperas. Quanto à arte fotográfica, aprendi alguma coisa no campo técnico – produtos químicos, revelações, ampliações, tive laboratório doméstico – mas me faltava a arte. Em séculos, devo ter conseguido três ou quatro fotos decentes. Releva notar que havia o problema do preço dos filmes.

Certa feita, um fotógrafo da National Geographic baixou de teco-teco na fazenda pantaneira de amigo meu querendo fotografar um bull selvagem, um daqueles chamados touros-orelhas pelo fato de não ter nas orelhas as marcas da fazenda em que são criados. Quando a gente reúne o gado para castrar, vacinar, selecionar, o orelha foge para o mato.

Logo de saída, o fotógrafo NatGeo impressionou o fazendeiro tirando 72 fotos, dois filmes inteiros, de um besouro. Com flash, dois flashes, rebatedores, guarda-sol, diversas lentes, filtros variados. Entardecia. Meu amigo sentou o fotógrafo, com as pernas para fora, na traseira de sua picape e saiu em busca de algo impossível: encontrar um touro-orelha. Por coincidência, logo na primeira invernada do Pantanal transitável, teve a sorte de encontrar o wild bull, que honrou sua selvageria investindo contra a picape Willys. Resultado: lá se foi o equipment da NatGeo e o fotógrafo só escapou porque recolheu as pernas. Dois peões, que os acompanhavam a cavalo, distraíram o touro enquanto o profissional resgatava seu equipamento empoeirado.

Com a fotografia digital, o preço do filme deixou de ser problema, daí o número espantoso de belas fotos que recebo pela internet. Surpresa tive com um novo dispositivo que permite botar 500 fotos, 1 mil fotos num e-mail de 20 KB. Se o e-mail é de 20 MP demora um tempão para baixar; em 20 KB baixa num átimo e a gente leva horas vendo mil fotografias em cores. No caso em tela, casamento realizado num castelo da Borgonha, França. Amanhã termino a história, falou?

Gases

Com evidente desconforto olfativo para William Bonner e Patrícia Poeta, corre na internet a cena em que um candidato à Presidência da República, pastor de alevantadas qualidades pastorais, solta um traque ao ser entrevistado durante o Jornal Nacional. Patrícia vira o lindo rosto, Bonner coça o nariz e o candidato solta o sorriso de homem traquejado em difíceis misteres, o primeiro dos quais é convencer suas ovelhas da obrigação de pagar o dízimo garantidor do Reino dos Céus.

Atire a primeira pedra aquele que nunca emitiu ventosidades com estrépito, não digo no Jornal Nacional, mas no dia a dia em que as soltamos involuntariamente. Lembro-me de uma, de terno e gravata, remando no Lago Guanabara, de Lambari (MG). As fontes das águas virtuosas lambarienses são naturalmente gasosas e o então jovem philosopho trazia d’olho uma veranista. Engravatado para o jantar, convidei-a para passear de barco ao cair da tarde, assumi os remos e a conduzi com uma amiga e outro veranista para a Ilha dos Amores. Em defesa do meu traque, seja dito que foi demorado, ribombante, fenomenal na quietação das águas do lago. Negócio de tal magnitude, que todos caímos na gargalhada. Mas é a tal história: nunca me candidatei a presidente deste país grande e bobo, nem fui fotografado, trêbado, no exercício da presidência, com as calças encharcadas pela incontinência urinária.

Em favor de sua excelência, diga-se que muitos idiotas o consideram carismático, que na rubrica sociologia significa autoridade, fascinação irresistível exercida sobre um grupo de pessoas, supostamente proveniente de poderes sobrenaturais. Pois é: o Brasil conseguiu desmoralizar o carisma. 

O mundo é uma bola 

25 de setembro de 233: Alexandre Severo é derrotado pelos persas durante a reconquista de uma província romana na Mesopotâmia. Marcus Aurelius Severus Alexandrus (208-235) foi o último dos imperadores da Dinastia dos Severos. Hoje, todos os conflitos naquela região têm como desculpa o petróleo, mas no ano 233 o petróleo não valia absolutamente nada e o pessoal já se matava no maior entusiasmo.

Em 1066: Batalha de Stamford Bridge, que nos deixa, a mim e ao leitor, rigorosamente na mesma. Vamos à Wikipédia: batalha que ocorreu próxima da vila de Stamford Bridge, a leste de Yorkshire, Inglaterra, entre o Exército inglês comandado pelo rei anglo-saxão Haroldo II Godwinson e a força invasora norueguesa liderada por Haroldo Manto Cinzendo e o irmão do rei inglês, Tostig Godwinson. Manto Cinzendo, Tostig e milhares de soldados noruegueses foram mortos. Menos de três semanas depois, Haroldo II Godwinson seria derrotado e morto pelos invasores normandos na Batalha de Hastings. Acho que foi nessa batalha que os meus antepassados normandos entraram na Inglaterra.

Em 1349, Inglaterra e França assinam um tratado de desarmamento, um dos muitos que continuam assinando até hoje, porque esses tratados só funcionam quando há interesses dos “tratantes”. 

Ruminanças

“Se já nem se pode trapacear com os amigos, não vale mais a pena jogar cartas” (Marcel Pagnol, 1895-1974).

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