Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA Jurinhos

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 26/05/2014 04:00

Desde os 18 anos pago juros, maiores ou menores, exceto nos raríssimos períodos em que andei com o burro amarrado à sombra. Neste 2014, ninguém precisa de um vestibular de economia para perceber que a inflação está de volta, inflação genuense, considerando que o ministro Guido Mantega nasceu em Gênova, Itália, no ano de 1949, e o adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros genuense (genovês) é usado em estatística, sabe-se lá por quê.

Nada mais fácil, aqui ou em Gênova, do que manter a inflação dentro das metas: basta deslocar as metas. É tempo de o genuense deslocar a meta que já foi ultrapassada.

Difícil, mesmo, é pagar os juros. Aos 18 anos, ganhando razoavelmente, meti-me a criador de galinhas. Aí… já viu, né? Foi a primeira das muitas burrices que fiz na vida e continuo fazendo, porque sou persistente. No fundo, no fundo, tem sido divertido.

No tempo da inflação estratosférica, havia um agiota mineiro que cobrava juros da inflação do mês, mais 2%. Até aí, tudo bem: 8% + 2% = 10%. Divertido, no cálculo do onzenário, era o limite de 17% ao mês, coisa que nenhum Nobel de economia saberia explicar. Consultei o agiota, que defendeu seu admirável raciocínio: “Mais que 17% ninguém consegue pagar”.

Cunhados 
Festejando em Lisboa os 40 anos da Revolução dos Cravos, o correspondente da GloboNews na Inglaterra meteu o pau no salazarismo, que não conheceu porque não era nascido, para além de omitir a situação da governança portuguesa antes do professor António de Oliveira Salazar e a situação da Europa naquele tempo: Hitler e Mussolini quase vizinhos, Josef Vissarionovitch Stalin, nascido Iossif Vissarionovitch Djugashvili (1878-1953), a exatos 4.565 quilômetros de Lisboa, enquanto Belo Horizonte dista 3.498 de Rio Branco, no Acre, di-lo o Google.

A descoberta mais divertida do correspondente, que se queixava em Lisboa do custo de vida em Londres, foi a de que durante o salazarismo as pessoas falavam baixo nos restaurantes e havia cunhados denunciando cunhados. Homessa! Falar baixo em restaurante é prova de educação. Cunhado detestar cunhado tem sido, desde sempre, a coisa mais natural do mundo. Digna de nota seria a notícia de que os maridos portugueses, durante o salazarismo, detestavam as cunhadinhas. Está para nascer o sistema de governo em que os homens sérios não cobicem as cunhadinhas solteiras, casadas ou viúvas. Tenho dito.

Economias 
A pauta do Estúdio.i, comandado pela doce Maria Beltrão, era a economia necessária para driblar a inflação que se vê por aí. Providências divertidíssimas, como olhar as prateleiras mais baixas do supermercado, onde ficam os produtos mais baratos. Gente que compra pipoca antes de entrar no cinema ou leva a pipoca de casa. Pechinchar para obter um descontinho, pesquisar vários mercados para ver quais são os que estão vendendo mais barato.

Essa última providência implica perda de tempo – e tempo é dinheiro. Portanto, pressupõe falta de que fazeres. Em princípio, quanto mais caro, melhor o produto: papel-toalha, guardanapo de papel, papel higiênico, sorvete, charuto. Dia desses, aprecei charutos numa importadora que cobra sete vezes mais do que costumo pagar. Agradeci e desliguei o telefone: sou educadíssimo.

No supermercado menos ruim aqui da região, encontrei 170g de corações de alcachofra a R$ 18, marca muito boa, e 200g de marca pior a R$ 11,80. Adoro salada de coração de alcachofra. Comprei logo 10 vidros a R$ 11,80 e me senti o sujeito mais econômico do planeta. Chegando ao caixa, descobri que os óculos e a vista não são os mesmos: onde li R$ 11,80, o preço era R$ 17,80. Ainda assim, economizei 20 centavos por vidro e ganhei 30 gramas de peso neto, que em espanhol não é o peso de neto, filho de filho ou de filha em relação ao avô, mas “el que resta del peso bruto, deduzida la tara”. Tenho comido minhas saladinhas de coeur d’artichaut, mas desconfio de que o produto mais caro é melhor.

O mundo é uma bola
26 de maio de 1538: Genebra expulsa João Calvino. Fez muito bem: ninguém aguenta o calvinismo, conjunto de ideias e doutrinas do Jehan Calvin (1509-1564), teólogo e reformador cristão considerado um dos grandes nomes da reforma protestante.

Em 1644, tropas portuguesas derrotam as espanholas na Batalha de Montijo. Os lusos perderam 900 homens e a espanholada cerca de 3 mil. Pensei que hoje fosse feriado em Portugal, mas é o Dia Nacional do Bombeiro.

Em 1897, Abraham “Bram” Stoker (1847-1912) publica Drácula, sua maior obra literária. Irlandês, Bram Stoker casou-se com Florence Balcombe, que fora pretendida por Oscar Wilde e se livrou de boa. Como intelectual, Wilde era muito superior a Stoker, mas desmunhecou quando se apaixonou por um menino lourinho.

Hoje é o Dia do Revendedor Lotérico e o aniversário da cidade de Maricá, RJ, administrada pelo prefeito petista Washington Quaquá.

Ruminanças
“Fracasso é chegar aos 34 anos sem casa em Angra adquirida do apresentador Luciano Hulk, sem imóvel nova-iorquino que pertenceu ao publicitário Nizan Guanaes, sem jato Legacy de 13 lugares avaliado em 25 milhões de dólares” (R. Manso Neto).
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