Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Depressão

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 26/10/2014 04:00

Sempre que escrevo “o brasileiro” não me refiro a todos os patrícios e patrícias, mas só a 95% deles sem a chatura da explicação que os locutores nos davam quando falavam das pesquisas eleitorais. Isto posto, devemos todos convir que o brasileiro (95%) entende de uma porção de assuntos e tem solução para quase tudo: futebol, trânsito, clima, depressão…

Ninguém se acanha de falar sobre depressão, já porque passou pelo problema, já porque conhece gente deprimida. É do conhecimento universal que cavalheiros e damas ilustres vivenciaram o “cão negro” da depressão, expressão popularizada por ninguém menos que Winston Churchill. O distúrbio psíquico que se exprime por períodos duráveis e recorrentes de disforia, concomitantemente com problemas reais ou imaginários ou com experiências momentâneas de sofrimento, podendo ser acompanhado de perturbações do pensamento, da ação e de um grande número de sintomas psiquiátricos, não deve ser confundido com a tristeza. Tristes ficamos com a derrota do nosso time de futebol, mais tristes ainda quando nosso time cai para a Segunda Divisão e muito mais tristes com a perda de pessoas queridas. Tristezas são normais e louváveis; depressão é outro departamento.

Contudo, no Brasil de 2014 há outro sentimento justificado, que se confunde com a depressão. É a constatação do estado a que chegou este país: crescimento zero, violência nunca vista, roubalheira inacreditável, falência múltipla dos órgãos do governo com reflexos imediatos em todos os seus cidadãos, índice de Gini, IDH – tudo! Muito doente, no caso, é o brasileiro que não fica triste, ressalvados aqueles que roubaram adoidado e têm passaportes europeus “pensando nos filhos”, como disse a galega casada com o carismático. 

Hotelaria 
Depois de 10 meses de reformas e expansão, foi reaberto em Paris o Plaza Athénée, hotel que o jornalista Lauro Diniz, mineiro de Paraopeba, chama carinhosamente de Plazá, pronúncia correta ensinada por sua Danielle. Depois de passar dois dias hospedado na Pensão da Bá, em Conceição do Mato Dentro, jurei nunca mais opinar sobre hotéis e hotelaria, mas me dizem que o hotel parisiense é merveilleux, tem o Dior Institut, um spa da Dior, e dois restaurantes Ducasse, um deles horrível, com seus bancos redondos espelhados, decoração que faria feio até em Nova Iguaçu (RJ).
Os funcionários são treinados para agradar aos hóspedes e os preços são compatíveis com os petistas e os diretores da Petrobras. O Plazá pertence ao filho de Al-Marhum Kebawah Duli Yang Maha Mulia Maulana Paduka Seri Begawan Sultan Haji Omar Ali Saifuddien Saadul Khairi Waddien Ibni Al-Sultan Muhammad Marhum Jamalur Alam II, isto é, pertence ao sultão Haji Hassanal Bolkiah Mu’izzaddin Waddaulah ibni Al-Marhum Sultan Haji Omar Ali Saifuddien Sa’adul Khairi Waddien, nascido em 1946, educado na Royal Military Academy Sandhurst (RMAS), da Inglaterra, e apita no Brunei, país asiático de 5.765 quilômetros quadrados e 400 mil habitantes, no qual se fala malaio e há gás e petróleo para dar e vender. Seu palácio tem mil quartos e a coleção de automóveis mais de mil veículos padrão Mercedes pra cima. A renda per capita é de US$ 51 mil, a 5ª do mundo, e o IDH 0,852, muito alto, o 30º do planeta.

O sultanato do Brunei, que data do século 14, tem o seu lado brasileiro. Em 1998, o príncipe Jefri Bolkiah, irmão caçula do sultão, foi afastado das empresas estatais por má administração e corrupção com a falência da estatal Amedeo Development Corporation, prejuízos de US$ 15 bilhões e 23 mil desempregados. O sultão, um dos homens mais ricos do mundo, viu sua fortuna cair de US$ 40 bilhões para US$ 10 bilhões, mas ainda lhe resta uma côdea de pão e um pouco de manteiga para lhe barrar por cima. Processou o irmãozinho, que desde 2004 vive no exílio. 

O mundo é uma bola
26 de outubro de 1769: alvará português proíbe as devassas sobre os concubinatos, no que faz muito bem. A união livre entre um homem e uma mulher não casados foi feita para ser vivida, não devassada. Em 1905, reconhecimento da independência da Noruega pela Suécia. 

Em 1909, nascia Afonso Eduardo Reidy, brilhante arquiteto brasileiro, padrão Niemeyer e Gustavo Penna. Em 1916, nasceu François Mitterrand, ex-presidente francês. Sua viúva adorava Belo Horizonte e Itabirito, onde tinha bons amigos. Dizem que era mais esquerdista que o marido, cavalheiro que, por sua vez, teve uma filha fora do casamento, talvez inspirado no alvará português de 1769, que proibia as devassas sobre os concubinatos.

Em 1919, nasceu Mohammad Reza Pahlavi, último xá do Irã: tinha o aplomb que falta aos aiatolás sanguinários. Em 1942, nasceu Milton Nascimento, grande compositor e cantor brasileiro. Sempre achei que o Bituca fosse mineiro, mas vejo na Wikipédia que ele nasceu no Rio.

Em 1947, nasceu Hillary Clinton, mulher de Bill, ex-primeira-dama dos EUA e mãe de Chelsea, que é vegana e vem de lhe dar uma neta. Hoje é o Dia do Trabalhador da Construção Civil.

Ruminanças 
“Os que vencem, seja lá de que modo, nunca disso se envergonham” (Maquiavel, 1469-1527).


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