Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

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27 de julho a 02 de agosto de 2015

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Inglesismos
Puristas sofrem, coitados, e adoecem com a mania brasileira de tudo inglesar. A onda food truck está perdendo a força, li nos jornais. Fez um sucesso danado aquela comedoria servida nos caminhões.
No Rio, uma jovem inventou a food bike e vende guloseimas pedalando sua bicicleta pintada de rosa. O velho angu à baiana, que vendia à beça numa carroça na Praça 15, também no Rio, há 50 anos, hoje seria food waggon. E os milhares de vendedores de amendoim torrado, no Brasil inteiro, que trabalham de a pé, inventaram o food foot. Impende notar que “de a pé” não é coisa de roceiro como o autor destas bem traçadas: tem o abono do padre Vieira, que escrevia direitinho.

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Nomes
Acordo de leniência é tentativa de limpar um tiquinho da barra de grandes empresas envolvidas em malfeitos. Delação premiada atenua as penas dos malfeitores. Ação detergente talvez sirva para detergir uma parcela da imundície escrita por três conhecidos jornalistas, um dos quais esportivo, vendidos ao PT.

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Política
Que é política? No Brasil a resposta é malcriada. Se você perguntar a um brasileiro lúcido, decente, que trabalhe e pague impostos regularmente, ele vai responder que política é a reunião de um bando de ladrões, de pessoas que só pensam em roubar e não têm o menor interesse pelo país.
Mas o negócio não era assim. Houve tempo em que a maioria dos políticos pensava no bem e no futuro do Brasil. Havia ladrões, é certo, casos que se tornaram folclóricos como o daquele deputado federal sergipano, novo, solteiro, bem-apessoado, que resolveu se candidatar ao governo de Sergipe ali por volta de 1928, lá se vão quase 100 anos. 

Interpelado por Gilberto Amado e um colega, que lhe faziam ver que no Rio de Janeiro, capital federal, ele poderia ser muito mais útil ao seu estado arranjando verbas, enquanto namorava moças bonitas, circulava em automóvel novo, tinha ótimo apartamento no tempo em que Sergipe demorava do Rio seis ou sete dias a bordo de um navio – o deputado escandiu as sílabas para confessar: “Eu quero rou-bar!”.


História sempre contada por Gilberto e seu colega. Um sergipano me contou que foi ao enterro do coestaduano no Rio, década de 70. Não era amigo do defunto, mas se conheciam de vista e tinham nascido no mesmo estado. Pois muito bem: não havia ninguém no velório do ex-deputado.
 

Seu caixão foi transportado pelos coveiros do São João Batista.

Política com pê maiúsculo é coisa séria. Desde sempre, contudo, as opiniões nem sempre foram favoráveis. Voltaire, que morreu em 1788, disse que “a política tem a sua fonte antes na perversidade do que na grandeza do espírito humano”. E disse mais: “Encontrou-se, em boa política, o segredo de mandar matar de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os demais”. Não tem sido isso que vem sendo feito no apoio governamental ao MST, que nunca teve trabalhadores rurais e não sabe o que fazer com a terra doada?

Michelet (1798-1874) era um otimista puro de intenções, a exemplo aqui do autor destas bem traçadas: “Qual é a primeira parte da política? A educação. A segunda? A educação. E a terceira? A educação”. Há um país, que o leitor conhece muito, em que a educação, os hospitais, as estradas, os aeroportos, o transporte público, tudo, mas tudo mesmo, destrambelhou no governo da incompetenta.

Napoleão III (1808-1873) pensou bem: “Em política, convém curar os males, nunca vingá-los”. Prudhon (1809-1865) sonhava grande: “A política é a ciência da liberdade”. Bismarck (1815-1898) constatou: “A política não é uma ciência exata, como imaginam muitos dos senhores
professores, mas uma arte”. Infelizmente praticada por maus artistas, aduzo.

Paul Valéry (1875-1941) matou a charada: “Toda política baseia-se na indiferença dos interessados, sem a qual não há política possível”.
Penitencio-me da indiferença que me fez pensar durante muitos anos: o negócio não é comigo. Mas era, como também é com os leitores bem-intencionados, que trabalham, pagam impostos, respeitam as leis.
Não digo que sejamos maioria, porque há milhões de eleitores votando pelo bolsa-família, mas poderíamos eleger bancadas decentes, que mudassem as coisas neste país grande e bobo.

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Sampa
Êh São Paulo… êh São Paulo… São Paulo da Garoa… São Paulo terra boa! Se não era assim, a letra era bem parecida.
Musiquinha cantada pelos paulistanos em Lindoia, no século e no
milênio passados.
 

Hoje, São Paulo tem 16 mil moradores de rua, 350 mil bolivianos, um
pastor boliviano operando quatro poderosas rádios-piratas, que
interferem nas comunicações aéreas, invasões, engarrafamentos
quilométricos, cracolândia-em-chefe, enchentes assustadoras,
subcracolândias itinerantes, água racionada nas torneiras, favelas,
máfia chinesa, trabalho escravo, rios poluídos e uma porção de
candidatos à prefeitura. A violência é tanta, que os moradores de rua,
em busca de proteção, estão de mudança para a famosa e movimentada Avenida Paulista. E os 350 mil bolivianos, hein? Ainda que se espalhem pela grande São Paulo é boliviano à beça e à bessa.
 
Que levaria uma pessoa a desejar o cargo de prefeito de São Paulo?
Vontade de servir? Esperança de melhorar as coisas? Noção de que
certos trabalhos, ainda que impossíveis, devem ser feitos? Vaidade?
Masoquismo? Desejo de roubar?


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Camelódromos
Substantivo de dois gêneros, camelô pintou no pedaço em 1917 significando “comerciante de artigos diversos, geralmente miudezas e bugigangas, que se instala provisoriamente em ruas ou calçadas, muitas vezes sem permissão legal, e costuma anunciar em voz alta sua mercadoria” di-lo Houaiss. Por via de consequência, camelódromo passou a ser o “local, geralmente escolhido por autoridade municipal, em que camelôs têm licença para exercer a sua atividade” di-lo Aurélio.Dia desses, enquanto a fiscalização carioca andava às voltas com
imenso camelódromo no centro do Rio, onde apreendeu toneladas de
produtos contrabandeados, dois brasileiros da família Camelo da Costa foram notícia nos jornais e nas tevês. Edvardo Camelo da Costa, com larga ficha criminal, ex-presidiário, matou um pobre coitado para roubar sua mochila numa estação do metrô.

As câmeras de segurança da estação filmaram o crime e o bandido foi
denunciado à polícia por seu irmão, Edivaldo Camelo da Costa, casado, dois filhos, coronel reformado da PM, ficha exemplar.
Não fosse o irmão, Edvardo seria identificado por outras pessoas ou
pela polícia, pois sua imagem é nítida nos vídeos divulgados. Isso não
impediu que a população e a família Camelo da Costa ficassem divididas sobre a denúncia do coronel: deve alguém denunciar um irmão criminoso?
 
Que pensa do fato o leitor de Marcia Lobo? Edvardo teria confessado ao pai que não tinha jeito, que nasceu para bandido, enquanto Edinaldo fez carreira irretocável na PM. Irmãos podem ser muito diferentes. Até mesmo entre os cavalos de corridas, que não falam e não cometem crimes, o craque pode ser irmão do matungo. Gêmeos univitelinos, profissionais do mesmo ofício, temos Chico e Paulo Caruso. No mercado de trabalho, Chico vale 100 vezes mais.

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ECA
O Estatuto da Criança e do Adolescente faz jus ao nome ECA, que significa coisa suja, porcaria. Basta ver os nomes dos que assinaram a Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990: Fernando Collor, Bernardo Cabral, Carlos Chiarelli, Antônio Magri e Margarida Salomão.

Ficou faltando a ministra Zélia, que andava empenhada na leitura dos bilhetinhos amorosos, infantis, imbecilóides, do Bernardo Cabral, ministro da Justiça, com fama de sedutor, apelidado boto-tucuxi. É o boto-cinza, Sotalia fluviatilis, ou assoprador, que deve ser comedor de fêmeas da família dos delfinídeos.
Vinte anos depois, Zélia contou à colunista Mônica Bergamo que foi
vítima de sexual harassment, como se diz em Inglaterra: “A pessoa em
questão não tem nada a ver comigo. Zero! Não teve hábitos, educação, cultura parecidos com os meus. É como se me apaixonasse hoje por um cara qualquer que estivesse passando aí na rua”.

Conhecido jornalista, até hoje nas folhas, gosta de contar do dia em
que foi convidado pela ministra para jantar em São Paulo no
apartamento dela. “Oba, vou comer uma ministra” pensou o jornalista,
compositor, escritor, roteirista, produtor musical e letrista.
Pelas cinco da tarde, perfumado, meteu-se num avião da ponte aérea
Rio-São Paulo, pegou um táxi, chegou ao apê de Zélia, mesa posta,
vinho, jantar à luz de velas. Jantaram. O jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical e letrista, que nunca foi de mandar para o bispo, já pensava na cama com a ministra, quando ela disse: “Espera um pouco, que eu quero te mostrar uma coisa”.

Uma coisa? Só pode ser ministra pelada pensou o jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical e letrista, enquanto sua excelência foi ao quarto, pegou um violão, voltou à sala, sentou-se num banquinho e começou a cantar. Queria ouvir a opinião do convidado sobre seu plano de se transformar em cantora quando deixasse o ministério. 


O ECA é mais absurdo que a tese do sexual harassment do assoprador. Como é possível que o brasileiro de 16 anos possa votar para escolher presidente, governador, deputados, senadores e seja inimputável quando comete um crime? É o tipo do negócio que só poderia ser assinado por Fernando Collor, Bernardo Cabral, Carlos Chiarelli, Antônio Magri e Margarida Salomão. Ficou faltando a vítima do boto-tucuxi. Pobre país.


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Busca e apreensão
Por mais que me esforce, não consigo entender
estes mandados de busca e apreensão expedidos um mês, seis meses, um ano depois de iniciada uma operação como a Lava-Jato. Será que o corrupto é um imbecil completo? Parece claro, como também deve ser lógico e evidente, que nenhum dos envolvidos na ladroeira guarde computadores e documentos em casa ou no escritório. Desde a primeira hora tudo estará muito bem escondido num endereço improvável, que só o corrupto e pessoas muito chegadas sabem onde fica.

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Terror
Especialistas se reuniram para tentar entender por que o
brasileiro não se interessa pelos filmes de terror. Se me consultassem teriam a resposta detalhada. O brasileiro não precisa deixar sua casa para assistir nos cinemas aos filmes de terror, quando tem nas tevês,
nas rádios, nos jornais e nas calçadas uma porção de quadros aterrorizantes.
O país beira os 56.000 homicídios/ano, número parecido com as mortes anuais nos acidentes do trânsito. Tem estupros a montões, pedofilia galopante, desemprego assustador, corrupção inimaginável e não há brasileiro ou estrangeiro que explique como pôde uma senhora, que presidiu o conselho de administração da Petrobras durante anos, dizer que não sabia da ladroeira que destruiu a petrolífera. Em matéria de filmes de terror bastam aos brasileiros os telejornais com as universidades federais em greve por falta de verbas, o INSS em greve, os hospitais públicos em pandarecos, o magistério em condições miseráveis, a inflação ascendente, o PIB negativo, as estradas intransitáveis, a presidente transformada em Rainha da Sucata que ela mesma sucateou.

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Fazer amor
Velho amigo e brilhante confrade vivia elogiando determinado gramático. Comprei o livro do encomiado e constatei que criticava as locuções fazer amor e fazer sexo, dizendo que amor não se “faz” e sexo, no sentido de cópula, concúbito, união carnal, coito não é “feito”. Embora muitas vezes seja um feito, diz aqui o degas: feito = “ato de heroísmo, façanha”. Pausa para elogiar o encomiado que pintou no pedaço.

Houaiss abona fazer sexo no sentido de ter relações sexuais, copular, e o fato é que impliquei com o gramático elogiado pelo confrade e
nunca mais abri seu livro, que nem sei onde está.
Se o encomiado não tivesse falecido, gostaria de lhe perguntar qual seria o substituto para fazer amor e fazer sexo: ficou, trepou, transou, fodeu? Este último tabuísmo teria sido usado por uma senhora que vocês conhecem, na véspera de embarcar para os Estados Unidos em viagem oficial, numa reunião do ministério que preside, dirigindo-se ao ministro da Justiça: “Você me fodeu”. Notícia publicada com todos os efes e erres por duas respeitadas jornalistas, que têm fontes no Palácio do Planalto.

Depondo na CPI da Petrobras, o ministro José Eduardo Cardozo desmentiu a notícia afirmando que não perpetrou o “feito” desmoralizante para todo e qualquer macho da espécie.

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Um livro – O título imenso depõe contra a obra, mas o livro é muito interessante para os que conhecemos pessoalmente o biografado e o
tempo em que viveu, sem olvidar o fato de termos, entre os personagens citados, muita gente conhecida, vários amigos e uns poucos amigos-irmãos.


TODO AQUELE IMENSO MAR DE LIBERDADE – A dura vida do jornalista Carlos Castello Branco. Pergunto: é título que se dê a uma biografia de 557 páginas em letrinhas miúdas? O autor, jornalista Carlos Marchi, não esconde seu encanto pela esquerda e vai mais longe: “…enquanto Juscelino Kubitschek, símbolo da democracia brasileira, tinha uma inexplicável afeição pessoal por António de Oliveira Salazar, o sanguinário ditador que submeteu Portugal às trevas durante 38 anos”.
Ditador sanguinário? Se Juscelino tinha afeição pessoal por Salazar era porque, inteligente e informado, sabia que o estadista nascido em Santa Comba Dão no ano de 1889 conduziu os destinos de Portugal num dos períodos mais complicados da história da Europa, de paredes-meias com o nazismo, o fascismo, a guerra-civil espanhola, a expansão soviética – e sempre foi cidadão incorruptível, pessoalmente modesto e inatacável. Um dos seus sucessores, o socialista José Sócrates, está na cadeia por furto talqualmente alguns muitos petistas que roubaram a Petrobras.

A vida de Castelinho, nascido no Piauí, filho de um desembargador pobre e honesto, teve episódios duros como a perda de um filho em acidente de automóvel, mas foi um sucesso pelo brilho de sua pena e do seu trabalho, pelos muitos amigos que fez e uns poucos inimigos.


Deles, disse Vieira: “Mofino e miserável aquele que não os teve. Ter inimigos parece um gênero de desgraça, mas não os ter é indício certo de outra muito maior…” Sêneca caprichou: “Miserum te judico quia non fuiste miser: transiisti sine adversario vitam”, algo assim como “eu te julgo por infeliz e desgraçado, porque nunca o foste: passaste a vida sem inimigos”. E Temístocles, em seus primeiros anos, andava muito triste. Perguntado pela causa, quando era amado e estimado por toda a Grécia, respondeu: “Por isso mesmo; sinal é o ver-me amado por todos que ainda não tenho feito ação honrada que me granjeasse inimigos”.
O livro de Marchi é interessantíssimo: li-o em um dia, começando às quatro e meia da tarde para acabar na noite seguinte, sem prejuízo de minhas outras atividades. E o calhamaço, repito, tem 557 páginas.


Anotei alguns errinhos, como aquele em que o biógrafo diz que Maneco Brito foi advogado do Banco do Brasil “até se casar com Leda”, filha da condessa Pereira Carneiro, dona do Jornal do Brasil.

Maneco nunca deixou de ser advogado do BB, com a seguinte característica: diretor do JB depois de se casar com Leda, nunca mais apareceu no BB. Tinha uma advogada que apanhava os processos no serviço jurídico do banco, fazia o trabalho, ele assinava e pronto: não precisava frequentar o BB.
 

Quanto à condessa, nas três vezes em que lhe fui apresentado, disse:
“Neste eu preciso dar um beijo”. E me beijou. Explicação: em solteira,
Maurina Dunshee de Abranches (1899-1983) namorou parente meu. Ganhei três beijos, digamos, afetuosos; ficou faltando o convite para
cronicar no Jornal do Brasil.


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Ruminanças “Nasceu João, neto de João Vaccari Neto. É o João Vaccari Tetraneto. Pobre criança” (R.Manso Neto).

FONTE: Jornal da ImprenÇa.
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2 Comentário(s)

  1. Suely B Leal

    2 de agosto de 2015 às 11:57

    Coitado do neto já nasceu predestinado…

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  2. Suely B Leal

    2 de agosto de 2015 às 12:02

    Parabéns Eduardo,soprando velinhas no dia 9/8/15…

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