Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Água de pedra

Escusado é dizer que o philosopho, naquele tempo, só bebia cerveja e raros copos de águas minerais. Bons tempos.

Eduardo Almeida Reis
Publicação: 27/03/2014 04:00

Está para nascer o cronista que não se queixe do papel em branco, da falta de assunto, com a honrosa exceção deste que lhes fala. Na dependência da perfuratriz, é fácil tirar água de pedra. Em último caso você fala das rochas basálticas, das metamórficas, das águas ainda potáveis, das minerais engarrafadas e sai pela tangente, desde que entregue sua crônica na hora certa do dia certo. No meu caso, dia certo é todo dia, folgando às terças-feiras.

Águas minerais engarrafas, por exemplo. Dia desses conversei com uma jovem senhora muito inteligente, que andou lecionando num país africano a US$ 450 por aula. Passou um mês e trouxe de volta bom dinheiro. Pormenor aquático: a água no banheiro do condomínio em que se hospedou era tão ruim, tão suja e suspeita, que a professora tomava banho com a mineral francesa Evian, relativamente barata por lá. Nem se diga que é um exagero ou mentira, porque já vi numa fazenda do norte mineiro a jovem mulher do fazendeiro lavando os cabelos com três pets de litro e meio de água mineral. Explicação: a água da fazenda era tão calcária que o sabão e o xampu não faziam espuma. Escusado é dizer que o philosopho, naquele tempo, só bebia cerveja e raros copos de águas minerais. Bons tempos.

Acabo de inteirar 219 palavras e hoje me sentei diante do computador sem os papeluchos com as anotações sobre os assuntos que pretendia abordar. É sábado, Dia Internacional da Mulher. Ontem, fartei-me de ouvir asneiras de jornalistas que tenho em boa conta. Queixavam-se dos elogios que ouvem nas ruas e tomam como insultos. Piraram. Elogio é elogio e não transforma a mulher em objeto sexual, não é machismo, preconceito, nada disso. Seria ofensivo se dirigido a certas ministras, verdadeiros breves contra a luxúria. Breve como termo eclesiástico: carta ou escrito papal que encerra comunicação de alguma decisão. É mais chique dizer rescrito papal.

Considerar ofensa um elogio tipo “gostosa” ou “me dá o endereço do seu cachorrinho” – é burrice: é carinhoso e faz parte de nossa cultura, que muda com o passar do tempo. Ainda não fiz 100 anos e já vi, com estes belos olhos azuis, o escândalo provocado no centro da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente numa calçada da Avenida Rio Branco, quando uma jovem foi à cidade usando calças compridas normais, sem exageros, apertos ou traseiros arrebitados. Em Copacabana, sair de calças compridas já era comportamento normal, mas no centro da cidade foi um escândalo: pode? Pôde…

Solução
De vez em quando a ONU, Organização da Nações Unidas, tenta acertar na mosca. Na página 18 de nossa edição de 9 de março, li a notícia de que a ONU projeta a descriminalização do consumo de drogas. Presumo que também descriminalize a produção e a comercialização, porque é meio difícil separar as coisas.

Foi assim com o álcool, que também é droga, nos Estados Unidos. A Lei Seca não funcionou, Roosevelt acabou com ela, acho que em 1933, e o país começou a recolher impostos sobre a produção e comercialização dos alcoóis em suas mais diversas formas e embalagens.

Como é possível descriminalizar o consumo pessoal se o consumidor compra a droga do traficante, que, por sua vez, trafica a droga de plantações presumivelmente ilegais ou produzida em laboratórios clandestinos? Liberando tudo – plantio, comercialização e consumo – não creio que a situação possa piorar e os governos, através dos impostos, teriam recursos para construir escolas, pagar salários honestos aos professores, construir, equipar e operar hospitais, conservar estradas – essas coisas básicas em qualquer país que se pretenda civilizado.

O mundo é uma bola
27 de março de 196 a.C. – Ptolemeu V Epifânio ascende ao trono do Egito. Você fica no maior entusiasmo com essa informação importantíssima e vai procurar, na mesma Wikipédia, quem foi Ptolemeu, para descobrir que foi rei do Egito ptolemaico de 205 a.C. a 181 a.C., era filho do seu antecessor Ptolemeu IV Filopator e da rainha Arsínioe III, sendo, portanto, neto de Ptolemeu III Evérgeta I com Berenice II.

As confusões egípcias se arrastam até hoje com o julgamento de um sujeito que ainda se considera presidente e a provável eleição de um general, porque certos países só funcionam quando presididos por generais, ainda quando prefeitos idiotas, heróis com atraso de meio século, resolvam tirar das paredes os retratos dos generais presidentes.

Em 1309 o papa Clemente V excomunga Veneza e toda a sua população. Até hoje Veneza e toda a sua população se lixam para a excomunhão de Clemente V, nascido Bertrand de Gouth, que pontificou de 1305 a 1314, quando esticou as canelas papais.

Em 1513, Juan Ponce de León, explorador espanhol, avista pela primeira vez a América do Norte pensando que a Flórida fosse uma ilha. Em 1625, Carlos I ascende ao trono de Inglaterra, Escócia e Irlanda até ser executado em 1649. Isso mesmo: foi decapitado.

Hoje é o Dia do Circo, do Artista Circense e o aniversário da Xuxa.

Ruminanças
“Circo. Lugar onde se permite a cavalos, pôneis e elefantes verem homens, mulheres e crianças bancarem idiotas” (Ambroise Bierce, 1842-1914).


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