Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Tiro e Queda
O leitor já reparou numa galinha? É o bicho mais estúpido que Noé trouxe na arca. Só é divertido quando pintinho

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 27/09/2014 04:00

Madrugadas 

Vizinho de um sítio urbano que tem galinhas, coelhos, patos e jacus, além de lagos cheios de peixes, ando estudando os hábitos da bicharada. Já lhes contei que encontrei um jacu pousado na janela do escritório por volta das 8 horas. Pensei que fosse jacutinga, mas me disseram que há muitos jacus nas matas aqui da região. E o sítio, a 20 metros da avenida principal da cidade, tem um arremedo de mata. Durante a noite, silêncio total. No inverno, a partir das quatro da matina, as aves começam a fazer barulho. Não muito, mas dá para ouvir o primeiro cacarejar junto com o cocoricar.

Não sei se é impressão, mas as vozes das aves só voltam a ser audíveis às cinco da matina, acalmando outra vez até as seis, quando há o despertar geral pelos padrões de agosto, que devem ser diferentes nos outros meses. Pouco depois das seis e meia silêncio geral até a madrugada seguinte. Na terça-feira, primeiro dia da primavera, o cacarejar começou às 2h45min. Da avenida principal só muito raramente se ouve o barulho de uma ambulância, uma rádio-patrulha e das motos de mil cilindradas, cujos proprietários se comprazem naquelas aceleradas para homenagear suas mães, vivamente lembradas pelos moradores dos apartamentos de frente.
Nelson Palma Travassos (1903-1984), jornalista, escritor, editor e fazendeiro morava em São Paulo numa chácara urbana. Não se ajeitou com as vacas, muito grandes para o terreno: produziam leite em excesso para o consumo da família e insuficiente para vender no comércio. Pensou explorar a avicultura, mas escreveu no prefácio de seu delicioso livro O porco, esse desconhecido: “Havia a galinha. Mas o leitor já reparou numa galinha? É o bicho mais estúpido que Noé trouxe na arca. Só é divertido quando pintinho. Cresceu, vira coisa sem jeito: é ave mas não voa, canta horrivelmente a mesma ária e, de um convencimento tolo, só canta quando bota, como se isso fosse coisa do outro mundo”. Acabou optando pelo porco, desenvolveu um sistema de compra da lavagem dos restaurantes e criou suínos durante anos, antes de publicar o livro admirável, um dos muitos que escreveu e hoje estão esquecidos. 

Criminologia 

A professora particular Carolyn Keeling, de 63 aninhos, é das mulheres mais feias que você possa imaginar. E olhe que para o eleitor brasileiro está ficando fácil ver na tevê feiúras assustadoras. Segundo o Daily Mail, durante dois anos seguidos a professora abusou sexualmente de um aluno de 13 anos, durante as aulas na casa do guri no estado de Virginia, EUA.
O crime teria sido cometido entre 1993 e 1996, quando a professora tinha 40 e poucos aninhos, mas já devia ser um bicho, motivo pelo qual seu relacionamento sexual, pouco importando a idade do parceiro, caracterizava crime hediondo.
A mestra foi contratada pela família do adolescente, depois que ele foi expulso da escola por “mal” comportamento, diz a notícia do provedor Terra, que confunde mau com mal na forma do moderno costume. Carolyn tinha cópia da chave da casa do aluno e liberdade para entrar a qualquer hora. Os investigadores descobriram que já nas primeiras aulas, sozinha com o menino, ela serviu vinho ao aluno e sem calcinha tomou sol com ele na varanda. Mais tarde, tocou-lhe as partes cobiçadas e transou com ele, sem prejuízo dos baseados que puxaram juntos.
Cabe a pergunta: depois de 21 anos o crime não prescreveu? Como será a legislação do estado de Virgínia? A brasileira é do nosso conhecimento: soltaram o cavalheiro apelidado Cadu, que matou em março de 2010, em Osasco, SP, o cartunista Glauco Vilas Boas e o filho Raoni Vilas Boas. Foi solto dois anos depois de internado numa clínica psiquiátrica. Em liberdade para continuar o tratamento na casa dos pais, Cadu voltou a matar e roubar, dessa vez em Goiânia. 

O mundo é uma bola 

27 de setembro de 489: Odoacro ataca Teodorico na Batalha de Verona e perde outra vez. Que se pode esperar de um sujeito chamado Odoacro? Flávio Odoacro (434-493), rei da tribo germânica dos hérulos, nasceu perto do Rio Danúbio numa área que hoje faz parte da Alemanha. Ao depor o imperado Rômulo Augusto em 476, pôs fim ao Império Romano do Ocidente e se tornou o primeiro dos reis bárbaros de Roma. Era filho de Edeco, príncipe da corte de Átila, rei dos Hunos.
Quando um grupo bárbaro visitou São Severino, então monge da Panônia, para ser abençoado, o monge notou Odoacro, jovem alto e malvestido, prevendo que ele teria futuro grandioso. Em 469, o rapaz se pôs a serviço dos romanos como chefe de um exército mercenário germânico da estirpe hérula, tornando-se o líder dos contingentes bárbaros rebeldes. Vou parando por aqui antes de falar do príncipe Edeco, que não interessa ao leitor do Estado de Minas.
Agora, sim, temos notícia importante: em 1066, Guilherme e seu exército partiram da foz do Rio Somme dando início à conquista normanda da Inglaterra. Com ele, Guilherme, foram alguns dos meus avós. Hoje é o Dia do Cantor, da Doação de Órgãos e do Turismo com os respectivos turismólogos.

Ruminanças 

“A falta de turismo é a ruína mais antiga dos países jovens” (Sofocleto, 1926-2004).


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: