Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

 

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27 de abril a 3 de maio de 2015

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Democracias – O Iraque de Saddam, o Egito de Mubarak, a Líbia de Muammar Abu Minyar al-Gaddafi, a Pérsia de Mohammad Reza Pahlavi, a Síria, quando tiver a infelicidade de perder o médico Bashar al-Assad, a Guiné Equatorial, se perder o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e muitos outros países, muitíssimos entre os 192 reconhecidos pela ONU, demonstram uma verdade: este negócio de democracia, estado democrático de direito, eleição, voto universal etc. é incompatível com inúmeras regiões do planeta.

“Na prática a teoria é outra” já dizia o jardineiro de Nelson Palma Travassos, verdade aproveitada  como título de um livro de Joelmir Beting. De que adianta o voto universal se, em muitos países, os votos são trocados por comida e muitos eleitores, milhões, são estes que a gente conhece. Aí, os cavalheiros e as damas ficam orgulhosos de pertencer a um estado democrático de direito que tem os recordes mundiais de homicídios por 100 mil habitantes e o recorde internacional de roubalheira por 10 habitantes ou por 200 milhões, tanto faz.

Por falar em número de habitantes, a Guiné Equatorial é uma graça. Nas fontes que consultei e nos textos de gente seriíssima encontrei de 672 mil a 2 milhões e 300 mil. O palácio de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo é bonito. Removam sua excelência, vejam o que vai acontecer nos 28.051 km2 e depois me contem.

E tem mais uma coisa: sem empreitadas e empreiteiras a República da Guiné Equatorial e a República Federativa do Brasil param na véspera. Nossas empreiteiras têm quadros técnicos da melhor supimpitude: engenheiros, arquitetos, projetistas, calculistas, mestres-de-obras, operários & cia. ilimitada. A solução leniente, de lenidade, suave, doce e mansa para a enrascada em que se envolveram é muito simples: novas empresas que aproveitem os quadros técnicos de excelentes profissionais, que não têm culpa em cartório e são indispensáveis para o bem de todos e felicidade geral das nações.


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Memórias – Numa só noite na tevê, Venezuela e Bibi Ferreira me fazem voltar muitos anos no tempo. Fui vizinho de Bibi num edifício do Rio. Abigail Izquierdo Ferreira já era uma celebridade, sem deixar de ser muito educada e simpática quando nos encontrávamos no elevador. Aí é que está: uma pessoa pode ficar célebre sem deixar de ser educada. A Venezuela me lembra uma festa em sua embaixada, no Rio, quando aprendi a usar smoking com mocassins pretos. Sapato de cromo alemão é chique, mas insuportável. Mocassins da velha Motex eram muito confortáveis.

Don Leonardo Altuve Carrillo, o embaixador, era sujeito civilizado, em tudo e por tudo diferente dos bolivarianos que se apossaram daquele país. Recebia seus convidados de mocassins negros, talvez para dar um toque informal de anfitrião, ideia que adotei com entusiasmo a partir de então. Ângela Maria lá estava cantando muitíssimo bem, era bonita e simpática. Ouso dizer que me olhou com algum interesse. E o champanha foi de primeiríssima qualidade.


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Hidrômetros – O Brasil inteiro passou a discutir o hidrômetro, aparelho com que se mede o consumo de água nos imóveis. Parece que o ar em lugar da água aumenta a velocidade do sensor e ferra o dono da casa na hora da conta. Ar e água também aumentariam a velocidade da medição, como ouvi no rádio. A especialista no assunto, professora da UFMG, recomenda que os prédios novos tenham hidrômetros individuais por apartamento, visando a acabar com a injustiça de dividir por todos os condôminos, os econômicos e os gastadores de água, a conta do fim do mês.

Enquanto isso, como tenho parentes católicos, alguns até muito católicos, ando preocupado com o ar que passa pelas cordas vocais do papa Francisco, muito falante para o meu gosto. Uma de suas últimas verbalizações indispôs o México inteiro com o Vaticano ao constatar que teme “a mexicanização da violência na Argentina”. A não ser que esteja concorrendo com a incompetenta, a gerenta mestra em dizer asneiras, o sumo pontífice já passou a sentir o peso da idade e deve começar a gravar as falas para edição por sua assessoria. É claro que todo cidadão lúcido teme a mexicanização de seu país, mas um papa não pode dizer esta verdade. Até os mexicanos lúcidos – e os há – se pudessem cuidariam da desmexicanização dos Estados Unidos Mexicanos, república constitucional federal localizada na América do Norte, 122 milhões de habitantes em 2013 segundo o Banco Mundial, 1.958.202 km2, 52% mestiços, 19% indígenas, 6% brancos, 2% mulatos e 3% “outra raça” (fonte:Latinobarómetro).

O só fato de sabermos que os 2% mulatos não se incluem nos 52% mestiços mostra a complexidade dos problemas de um país que tem 82,7% de católicos romanos e o espanhol ou castelhano como idioma oficial, reconhecendo oficialmente 68 agrupamentos linguísticos indígenas, totalizando 364 variantes reconhecidas como línguas.


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Racismo – Em Londres, uma senhora branca foi impedida de alugar apartamento pelos moradores de um prédio sob o argumento de que ali só residem negros. Em Paris, torcedores do Chelsea impediram cavalheiro negro de embarcar num vagão do metrô informando que são racistas e não viajam com negros, mas torcem pelo time de Ramires, Willian, Drogba, Remy, Cuadrado e outros craques não-brancos. Três torcedores, identificados através dos vídeos transmitidos pela mídia, devem ser multados, podem pegar cadeia e talvez sejam impedidos de assistir aos jogos do seu time para sempre.

Além de crime, racismo tem aspectos biológicos e episódios divertidos. Entre os torcedores do Grêmio que chamaram de macaco o goleiro Aranha, que defendia a Santos, havia um gremista de pele muito mais escura que a do senhor Aranha. O fundamento biológico é o seguinte: experimente espalhar numa planície imensa 15 zebras, 15 girafas, 15 vacas, 15 fêmeas gnus, 15 éguas e mais 15 de outras 50 espécies de animais vegetarianos. Em pouquíssimo tempo os animais espalhados estarão reunidos em grupos das respectivas espécies: os animais procuram os iguais e evitam os diferentes. Excluí os carnívoros, que se alimentam dos outros.

Na espécie humana é relativamente comum a atração sexual pelas criaturas de peles diferentes, que os livros da Medicina Legal de antanho chamavam de “cromo-inversão sexual”. Cromo: grego khrôma,atos ‘cor’.  Fomos colonizados por europeus que adoravam “mandar o bernardo à compras” sempre que viam senhoras e senhoritas de peles escuras, no que obravam muito bem. Na frase, bernardo não é nome próprio: é sinônimo de pirilau em Portugal. É fácil adivinhar o que faz quando vai às compras.

Voltando ao futebol, nada mais divertido do que assistir aos jogos do campeonato francês. O número de atletas de cor é parecido com o dos campeonatos africanos. O campeonato inglês também é rico em melanina e os torcedores do Chelsea, filmados no metrô parisiense, não passam de imbecis trêbados.

FONTE: Jornal da ImprenÇa.
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