Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA ContratosBrasileiros submetidos a condições parecidas com as da escravidão nunca souberam o significado de análogo

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 29/06/2014 04:00

Não sei onde anda a escritora Patrícia Secco, especializada na modificação do português de Machado de Assis, que ainda não fechou contrato com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para simplificar os termos do trabalho dos ilustres fiscais empenhados na descoberta de brasileiros submetidos a condições análogas às da escravidão. Trocar “análogas” por “parecidas” vale contrato de R$ 2 milhões.

Cá entre nós, que ninguém nos ouça: brasileiros submetidos a condições parecidas com as da escravidão nunca souberam o significado de análogo, em nosso idioma desde 1695, do latim analògus,a,um ‘proporcionado, simétrico, análogo, semelhante’.

Escravo no Brasil foi associado à cor da pele, mas a palavra nos chegou através do latim medieval slavus, sclavus, do grego bizantino sklábos, sklabénós ‘eslavo’, mais tarde ‘escravo, cativo’. E o eslavo é branco. Fazendeiro durante séculos, conheci os senhores fiscais do antigo Ministério do Trabalho, hoje do Trabalho e Emprego, como se fosse admissível, no mundo civilizado, emprego sem trabalho, mas no Brasil é. E são centenas de milhares de patrícios apaniguados, outra palavrinha difícil, aqueles que são favoritos, protegidos, afilhados, seguidores de um partido que não preciso dizer qual é.

Ainda bem que os operosos fiscais do MTE não pintaram aqui no pedaço doméstico para descobrir servidora em condições análogas. Motivo: cor da pele. A do patrão é branquíssima, ao passo que a da comadre é pardacenta. No item jornada de trabalho, que vai das 9h às 16h nos dias de expediente espichado, não creio que a analogia se caracterize. Enquanto ao mais, a gente vai vivendo e se divertindo com as palhaçadas inventadas pelo país grande e bobo. 

Credulidade 

Crédulo pra dedéu, acredito em tudo que vejo e ouço na TV, ainda quando a informação me pareça estranha. Acreditei, por exemplo, na notícia de que também nos Estados Unidos as igrejas têm isenção de impostos. Pensei que fosse coisa de Quinto Mundo, mas parece que existe nos quatro primeiros. Cabe a pergunta: por que, diabo, os ateus trabalhamos e pagamos impostos, enquanto as igrejas têm isenção?

Afinal, em quatro ou cinco dias, pagando cerca de R$ 500, todo brasileiro pode montar uma igreja. Dois repórteres da Folha registraram a sua em poucos dias e gastaram exatos R$ 418. Aí, você tem uma igreja registrada, aluga um galpão e começa a faturar livre de impostos.

Levando jeito, inventa uma toalhinha benta com o seu suor, dízimos em cobrança bancária, desencapetamento total, acusa de irreligião umbandistas e candombeiros (veja Candomblé VIP no Google) e a sua igreja fica rica, riquíssima, bilionária. Você pode morar num palácio com torneiras de ouro, como existe um em Belo Horizonte, mas o dinheiro, o palácio, as torneiras são da igreja. 

Já me hospedei nas casas de amigos muito ricos, sei que podem ser bonitas e confortáveis, mas bom mesmo é o cantinho da gente com os nossos pertences, ainda que modestos. Como resolver o problema da transferência do dinheiro da igreja para o seu bolsinho de pastor?

É a coisa mais fácil do mundo. Você compra em seu nome uma rádio, várias rádios, uma retransmissora de tevê. Já sabe onde tirar o dinheiro: dos dízimos. Portanto, a rádio é sua, pastor Fulano de Tal, com CPF, tudo bonitinho. A partir daí, a igreja passa a alugar horários na sua emissora a preços estratosféricos. Você, pessoa física, paga os impostos e fica bilionário. Há exemplos e são muitos. 

O mundo é uma bola 

29 de junho de 1613: um incêndio destrói o Globe Theatre, em Londres, onde Shakespeare encenava suas peças. Noite dessas, na TV, um especialista em Shakespeare contou coisas interessantíssimas sobre o teatro londrino e o gênio britânico. No Globe Theatre, os espectadores levavam laranjas para cortar ao meio e botar sobre os respectivos narizes. Função: abafar o cheio de urina e fezes que havia no teatro, onde as pessoas faziam suas necessidades. Não havia banheiros: tudo era feito no piso da plateia. Shakespeare tinha dois textos para a mesma peça. Um popular para entendimento da patuleia, outro rebuscado que representava nos palácios para a nobreza e a família real. 

Em 1845, com a chegada dos colonos alemães, fundação da Imperial Colônia de Petrópolis. Mês passado, subi de automóvel a velha Serra de Petrópolis pela milésima vez. A vegetação continua muito bonita, mas a pista, com aquela sucessão de curvas, é insuportável. Hoje é mão única, mas ainda peguei o tempo da mão dupla.

Em 1951, Joseph Ratzinger (futuro Bento XVI) é ordenado padre. Em 1995, a explosão de um shopping em Seul, capital da Coreia do Sul, mata 502 pessoas. Em 1996, no Morro da Igreja, município de Urubici (SC), registrada a temperatura de -17,8 graus, a mais baixa do Brasil. 

Ruminanças 

“Antes de se casar, procure saber se o seu amor é biodegradável, ecológico, taxa zero, pode ser pré-pago e tem dotz, a sua segunda moeda” (R. Manso Neto).
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