Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Copa das Copas

Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro

Eduardo Almeida Reis
Publicação: 29/03/2014 04:00

Falta pouco para a Copa 2014. Dia desses, o Flamengo, maior torcida do Brasil, jogou para 360 pagantes. Os estádios de Manaus, Cuiabá e Natal estão prontos ou quase. Ano passado, o campeonato de Mato Grosso teve média inferior a mil pessoas por partida, mas a Arena Pantanal, em Cuiabá, tem lugar para 43 mil espectadores. Recife tem um novo estádio e todos os grandes clubes pernambucanos já têm os seus. A arena manauara tem 47.000 lugares e no último campeonato estadual, somando os 80 jogos, o público foi de 37.971 pessoas, média de 474 por partida.

São dados de um e-mail que recebi há meses com a carta de Vespasiano a seu filho Tito, datada de Roma em 22 de junho de 79. Vamos lá: “Tito, meu filho, estou morrendo. Logo serei pó e tu, Imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões.

De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. Alguns senadores o criticarão, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro. Será imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma per omnia saecula saeculorum e sempre que o olharem, dirão: ‘Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou’.

Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão. Moralistas e loucos dirão que o mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Até um cego vê isso. Portanto, deves construir esse estádio em Roma. Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: ‘Ad captandum vulgus, panem et circensis’. Espero por ti ao lado de Júpiter”.

É isso aí: para seduzir o povo, pão e circo. Vespasiano morreu no dia seguinte. Tito não inaugurou o Coliseu com um jogo da Copa, mas com 100 dias de festas. Tanto o pai como o filho foram deificados pelo Senado romano.

Vejo agora no Google que a carta de Vespasiano foi publicada na Folha dia 22 de outubro de 2011 por José Roberto Torero, nascido em Santos, SP, dia 9 de outubro de 1963, escritor, cineasta, roteirista, jornalista e colunista de esportes.
Chuvas
Realmente, as chuvas do início de 2014 impressionam pela maluquice. Enquanto o Rio Madeira bate recordes e submerge a cidade de Porto Velho – dá para imaginar o prejuízo dos donos daquelas imensas lojas, com água quase pelo teto, e o sofrimento das famílias desabrigadas –, no Sudeste a seca não tem sido de brincadeira. Desde 1930 São Paulo não conhecia seca igual.

Na Zona da Mata mineira, minas confiáveis, que só raramente paravam de minar em setembro, secaram no princípio de março. E isso com as nascentes preservadas. Quanto ao Acre, que sempre foi o Acre, neste início de ano Rio Branco tem assistido ao repique do rio que corta a capital: transbordou, baixou e voltou a transbordar um mês depois.
Entrevistas
Depois do besteirol cuspido numa entrevista pela senhora Camille Paglia, a revista Veja entrevistou cavalheiro que diz coisa com coisa. Assunto: arte. Vargas Llosa já denunciou em livro a empulhação artística que vai por aí. Dia desses, li em algum lugar sobre o entusiasmo do público de uma bienal diante de um extintor de incêndio fixado na parede, entre outras instalações “geniais” nas paredes, nos salões, nos tetos. “Um extintor!”, exclamavam os bocós extasiados. Quando acaba, descobriram que o extintor estivera desde sempre naquela parede cumprindo a missão dos extintores: apagar eventuais incêndios.

Ralph Camargo, paulista de 70 anos, mora no Rio, sinal de que é cavalheiro de bom gosto. Comandou quatro galerias entre 1960 e 1990, que venderam obras de artistas fundamentais. O título da entrevista que deu ao repórter Álvaro Leme diz tudo: “Mediocridade virou genialidade”. O mercado de arte anda tão animado que, hoje, “qualquer bobagem vende”.
O mundo é uma bola
29 de março de 1549: chegada dos primeiros jesuítas ao Brasil e fundação de Salvador, BA. Em 1638 os suecos chegam à América do Norte para estabelecer em Delaware o primeiro assentamento permanente chamado Nova Suécia. No mesmo 29 de março, mas em 1792, o rei Gustavo III da Suécia morre depois de ter sido baleado nas costas treze dias antes, em Estocolmo, num baile de máscaras. Em 1867 a rainha Vitória assina os Atos da América do Norte Britânica, que criam, em 1º de julho, o Domínio do Canadá.
Ruminanças
“A pena fere mais que a espada” (Confúcio, 551-479 a.C.).


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