Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Noticiário
Café tomado, ligo a tevê e sou informado de que o preço das placas dos automóveis em BH varia de R$ 0 a R$ 120. Você, leitor, já ouviu notícia mais importante

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 30/08/2014 04:00

Sol tímido, manhã de céu azul ainda muito fria depois de vários dias plúmbeos. Seria melhor jornalismo dizer que os dias foram acinzentados. Afinal, acinzentado é do conhecimento geral, mas prefiro plúmbeo, adjetivo que entrou em nosso idioma no ano de 1572: tristonho, pesado, soturno, que tem a cor de chumbo, em latim plumbèus,a,um “de chumbo, feito de chumbo, plúmbeo”.

Dentes escovados, boca bochechada, agasalhado, chego à cozinha e ligo o rádio para ouvir que em Ibirité, Região Metropolitana de Belo Horizonte, o menino Keven, de dois anos, que apareceu morto dentro do sofá da casa de um tio, foi assassinado pela mãe de 19 anos. Em seguida, depoimentos gravados do pai de Keven, do tio de Keven – desligo o rádio, olho pela janela e vejo que o céu voltou a ficar plúmbeo.

Café tomado, ligo a tevê e sou informado de que o preço das placas dos automóveis em BH varia de R$ 0 a R$120. Você, leitor, já ouviu notícia mais importante? Como sobrevivemos, o leitor e o philosopho, sem saber dos preços das placas? Tudo filmado em cores, entrevistados os donos dos veículos depois que compraram as placas. Assunto importantíssimo: o sujeito gasta R$120 numa placa, que deve durar anos, passa pelo posto e bota R$120 de gasolina, que acaba no dia seguinte. 

Termina o noticiário estadual, começa o nacional com a notícia de que em Batatais (SP) as carnes nobres da merenda escolar têm sido desviadas para os churrascos de autoridades municipais. O filé vai para os graúdos em almoços de até 500 convidados e a muxiba entra na merenda escolar. Desligo o televisor com o céu plúmbeo, o país soturno e o philosopho tristonho.

Progresso 

Não deu para entender a irritação de quatro excelentíssimos ministros, em Brasília, diante da notícia de que o país melhorou sua posição no ranking do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano. Ocupamos, agora, o 79º lugar na lista de 179 países. Na penúltima aferição ocupávamos o 80º lugar, sinal de que neste último ano subimos um posto. Nessa toada, em 2033 alcançaremos o IDH de Palau, que ninguém sabe onde fica.

Atualmente, a Noruega lidera o IDH com 0,944. Entre os 10 primeiros países, a Austrália em 2º, a Nova Zelândia em 7º e o Canadá em 8º foram colônias britânicas. Ex-colônia portuguesa, estamos à frente de Angola (149º) e de Moçambique, que ocupa o 178º lugar com IDH 0,383. 

Cinco lugares à frente do Brasil temos o Sri Lanka, que já foi o Ceylão depois de ter sido a Taprobana. Aprendemos no colégio, estudando Camões, que as armas e os varões assinalados, por mares nunca de antes navegados, passaram inda além da Taprobana, tendo partido da ocidental costa lusitana.

Israel está em 19º lugar, IDH 0,888, mesmo bombardeado pelo antissemitismo midiático por se defender dos foguetes do Hamas. Escrevi hamás e o corretor de textos do Windows 7, produzido pelo semita Bill Gates, modificou para Hamas, mas a pronúncia na tevê é oxítona. Chego às 215 palavras sem saber onde fica Palau, culpa da internet fora do ar nas últimas cinco horas. Com ou sem internet, é assustador o antissemitismo de nossa mídia, refletindo a aversão aos semitas, especialmente aos judeus.

Sim, porque semita, adjetivo e substantivo de dois gêneros, é relativo ao grupo étnico e linguístico ao qual se atribui Sem como ancestral, e que compreende os hebreus, os assírios, os aramaicos, os fenícios e os árabes. Eles mesmos, os árabes do Hamas. Os Emirados Árabes Unidos, com IDH 0,827, ocupam o 40º lugar no tal ranking e o Catar o 31º com IDH 0,851, em vésperas de sediar uma Copa da Fifa. O Líbano, com terroristas, explosões, guerras civis, refugiados, vizinho da Síria, tem IDH 0,765, 15 posições à frente de um país grande e bobo. 

Quando falei de Camões fiquei devendo o Velho do Restelo, que assessores maldosos incluem nos discursos de oradores que não têm a menor noção do que leem. O pacientíssimo leitor não pode fazer ideia da complexidade da figura camoniana, como também não fazia o seu philosopho antes de estudar o assunto. Estudo que me deixou rigorosamente na mesma. Há livros inteiros, desde Manuel Correia, em 1613 e Faria e Souza, em 1639, há toda uma biblioteca tentando explicar o Velho do Restelo.

O mundo é uma bola 

30 de agosto é dia bom para eleger papas. Em 257 foi eleito Sisto II e em 1464 foi eleito Paulo II. Em 1836, fundação de Houston, Texas, EUA. Invejosos, os cearenses fundaram Pereiro em 1842. Em 1875 ocorre o Motim das Mulheres em Mossoró (RN), mas há quem diga que foi no dia 4 de setembro. Cerca de 300 mulheres saíram em passeata pelas ruas, fizeram refém o escrivão de paz e rasgaram em praça pública o livro e os papéis que recrutavam seus maridos para o Exército e a Marinha. Armadas com paus e pedras, invadiram repartições públicas e delegacias, provando que naquele tempo as mossoroenses gostavam dos seus maridos.

Ruminanças 

“Uma ópera é quase sempre um amor desastrado entre pessoas gordas” (Guilherme Figueiredo, 1915-1997).


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