Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Tiro e queda
Há palavras dicionarizadas desde sempre que a gente nunca leu, nunca ouviu e ignora o significado%u201D

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 30/01/2014 04:00

Étonnant! Espantoso!

Esqui na neve me lembra episódio ocorrido em Courchevel, nos Alpes franceses, com o industrial brasileiro Fernando Alencar Pinto. Cearense dinâmico, foi durante anos o maior distribuidor da GM no Brasil, fabricou os circuladores de ar Bomclima e criou gado holandês numa fazenda em Pindamonhangaba (SP), onde o conheci. Bebeu durante mais de 50 anos um litro de uísque/dia, aos golinhos, sem gelo, o dia inteiro. Naquele tempo havia muito uísque falsificado e as importações eram proibidas, ou quase. Sabendo de uma importação, Fernando comprava um litro e mandava examinar no Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo. Confirmada a autenticidade escocesa do produto, comprava logo 20 ou 30 caixas daquela remessa. Contou-nos essa história numa noite em que dormimos em sua fazenda paulista. Viajava conosco um casal bom de copo, ela adorável dona de casa, mãe de três filhos; seu marido genial artista plástico, pintor e humorista com PH maiúsculos. Ainda me lembro de que o artista renovava a dose de seu imenso copo – daqueles “copos de uísque” de antanho, coisa de 1/3 de litro – e ficou tão encantado com a notícia do Adolfo Lutz que seu Black&White transbordou o copo, sem deixar espaço para uma pedrinha de gelo. Maduro e rico, o industrial resolveu esquiar em Courchevel. Comprou os melhores esquis que encontrou à venda numa loja de Paris e se mandou para os Alpes. Lá chegando, hospedou-se no melhor hotel e foi para o bar em busca do uisquinho regulamentar. Dois dias depois matriculou-se no curso de esquiadores principiantes, para espanto de meia França: “Étonnant! O senhor chegou aqui com os melhores e mais profissionais esquis à venda. Passou dois dias no bar, coisa de profissional, para se acostumar com a altitude. E agora se matricula num curso de quem nunca esquiou na vida”.

Indicações
O só fato de ser escolhido e indicado para ministro de tribunais superiores por determinados governantes acoima o indicado, inda que aprovado por um Senado em que o presidente avoa para transplantar cabelos no Recife. Acoima, minha gente: verbo acoimar no sentido de condenar. Critiquei determinado ministro, logo que foi nomeado, pelas besteiras que andou falando. Em sua defesa recebi e-mail de um amigo, primo e confrade, ex-presidente da mesma corte, dizendo que o criticado é um sujeito formidável. Não é. Anda metendo os pés pelas mãos, confundindo-se, desdizendo-se, defendendo ideias estapafúrdias, sinal de que talvez esteja ficando maluco da cabeça. Há precedentes: Nietzsche, que era Nietzsche, ficou inteiramente maluco aos 44 anos, doido de pedra ou de hospício, como se diz em Diamantina. Há que tomar cuidado com o tal ministro. Além da toga, é conveniente que a alta corte de Justiça mantenha sempre à mão uma peça de tecido resistente ou de lona, semelhante a uma camisa, com que se envolvem e amarram firmemente, com cordões, os braços e a parte superior do corpo, impedindo movimentos violentos, especialmente de loucos em acesso de fúria, vulgo camisa de força.

A propósito do sesso
Há palavras dicionarizadas desde sempre que a gente nunca leu, nunca ouviu e ignora o significado. Um exemplo: sesso, ortoépia ê, que entrou em nosso idioma c1537-1583, veio do latim e todos temos, philosopho e leitores. Significa par de nádegas, traseiro. Deu-se que levantei o meu sesso da cadeira para pegar na estante o Dicionário Latino-Português, de F. R. dos Santos Saraiva, volume de 1.297 páginas conhecido como Saraiva, porque estava escrevendo sobre os imperadores romanos Vespasiano e Tito, pai e filho, em que havia um conselho do pai sobre o lugar onde a pessoa prefere assentar o seu clunis: numa privada, num banco escolar ou num estádio. Aí descobri que Plínio escreveu residere in clunes, posição que tem relação estreita com Vespasiano, não o imperador, mas o Vespasiano da Grande BH, porque significa assentar-se de cócoras e o mineiro adora ficar de cócoras. Puro de sentimentos e intenções, evitei os sinônimos de residere in clunes, que não cabem numa coluna voltada para as altas cousas do espírito. E agora peço licença para tirar o sesso da cadeira e devolver o Saraiva à estante. Pela atenção, muitíssimo obrigado.

O mundo é uma bola
30 de janeiro de 1592: eleição do papa Clemente VIII, nascido Ippolito Aldobrandini. Foi o responsável pela introdução do café na Europa, bebida até então considerada muçulmana. Em 1649 o rei da Inglaterra, Carlos I, foi executado. Ontem ou anteontem, se estou lembrado, falei da morte de Edward II pela introdução de um chifre oco em seu fiofó, através do qual passou um ferro em brasa. Edward era bissexual, tinha namorados, mas Carlos I foi capturado, julgado e condenado por não admitir a monarquia constitucional. Foi sucedido por seu filho Carlos II. Em 1933, o presidente Paul von Hindenburg nomeia Adolf Hitler chanceler da Alemanha. Em 1938, emancipação política do município de Governador Valadares (MG), onde nasceria Eike Fuhrken Batista. Hoje é o Dia do Portuário, da Saudade e da Não Violência.

Ruminanças
“O perigoso é um pouco de conhecimento” (Alexander Pope, 1688-1744).

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