Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Revista A Granja
Tradicional e atual aos 69 anos de vida.
Reportagens e artigos técnicos de extrema relevância para o produtor e para o profissional do campo.

A IMPORTÂNCIA DO JARDIM

Mulher, eleição e eucalipto é o título de um livrinho de crônicas publicado pela Centaurus, que edita A Granja, no século e no milênio passados. Nele, pretendi provar a indispensabilidade dos três itens numa fazenda brasileira: mulher que goste de roça, para acompanhar o marido em sua luta; eleição, que é quando os políticos se lembram de fingir que melhoram as estradinhas rurais; eucalipto, porque serve para tudo numa propriedade rural, a começar pela lenha das lareiras nas regiões frias.

Hoje, admito que me esqueci de outro item indispensável: o jardim. Sempre tive jardins que impediam o mato de entrar nas casas. Meu saudoso padrinho Samuel da Costa Marques, em sua fazenda pantaneira, mesmo sem nadar em ouro, nunca descurou do gramado de 10 mil metros quadrados, pelo mesmíssimo argumento: se a gente facilitar, o mato entra na casa. Junto com ele, no Pantanal, entram queixadas, caititus, onças, cobras e os demais bichos que abundam por lá.

Ninguém é obrigado a acreditar, mas sou craque na iluminação de jardins rurais. Deve ser um dom, que aprimorei iluminando, sempre de graça, diversos jardins de sítios e fazendas pertencentes a amigos. Meus refletores deixavam os jardins bonitos e iluminados, desanimando os mosquitos e demais bichos voadores, que têm a mania de invadir nossas casas atraídos pelas luzes.

Esse dom para iluminação só se revelou na primeira fazenda em que tivemos luz elétrica, por volta de 1975. Amigos que nos visitavam ficavam encantados: o jardim iluminado e a casa aberta, portas e janelas, sem mosquitos, mariposas e outros avoantes dividindo o espaço com os moradores e os visitantes.

No princípio, houve probleminha de ordem técnica: os refletores se acendiam durante o dia, em horários incertos, sem que ligássemos o interruptor central. Consultei o eletricista, que tinha outras 63 profissões (no duro, mesmo: o excelente patrício dizia ter 64 profissões), e seu Barroso foi admirável: “É o legítimo teorema: ninguém entende”.

Acho que se referia ao último Teorema de Pierre de Fermat, morto em 1655, que só foi explicado em 1994 pelo inglês Andrew Wiles, porque os outros teoremas eram proposições que podiam ser demonstradas por meio de processos lógicos. Mas o Barroso tantas fez que acabou corrigindo a mania dos refletores de se acenderem sem autorização do fazendeiro.

.Lembrei-me do Teorema do Barroso na ocupação da Favela da Rocinha, de que o mundo teve notícia em novembro de 2011. Já no episódio da prisão do traficante Nem, escondido na mala de um carro conduzido por três advogados, houve confusão inexplicável. Depois, entrevistaram um cavalheiro que tem o 3º ano do curso superior de Matemática, está preso há dois anos e teria sido o “contador” e organizador do tráfico na favela.

A prisão do contador numa praia foi possível porque sua mulher vivia publicando fotos do casal da internet, a mesma esposa amantíssima que, hoje, tem uma loja na Rocinha e continua no Twitter, no Facebook, tem site e o escambau.

Um dos advogados se diz jornalista e preside “associação de imprensa” não reconhecida pela ABI, mas também é figurão, junto com seu ilustre pai, de uma associação que existe e reúne peritos criminais. Não bastasse isso, pintou no pedaço um policial civil com tornozeleira eletrônica, daquelas que controlam a localização do sujeito, que nada tinha para fazer por lá. Resumindo, temos o Teorema do Barroso: ninguém entende.

O que absolutamente não exclui a importância dos jardins nas fazendas, que hoje contam com energia elétrica e outras modernidades impensáveis no meu tempo de produtor de leite: computadores, GPS, antenas parabólicas, TV por satélites, telefones celulares, smartphones e o mais que o leitor possa imaginar.

Acho que já lhes contei, mas não custa repetir que dia desses, numa fazenda da Zona da Mata de Minas, minha filha pegou seu iPad2 e localizou a foto colorida do meu terraço, com piscininha e churrasqueira, na capital do estado. Não me perguntem como, mas localizou e vi na tela a piscininha que ainda não usei e, pelo visto, não vou usar nunca. Tem feito um frio dos diabos por aqui. Só pode ser influência do aquecimento global, um aquecimento que esfria pelos motivos que só os ambientalistas sabem explicar. Se possível, ambientalistas orgânicos, que hoje tudo deve ser orgânico.

Tem feito um frio dos diabos por aqui. Só pode ser influência do aquecimento global, que esfria pelos motivos que só os ambientalistas sabem explicar. Se possível, ambientalistas orgânicos, que hoje tudo deve ser orgânico

Vou parando por aqui, porque continuo partidário dos agrotóxicos. E lembro ao leitor que todas as pessoas que hoje passam dos 80, chegam aos 90 e se aproximam dos 100 foram criadas com agrotóxicos.

REVISTA A GRANJA. 761.

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