Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Na semana passada, andando pelo Mercado Central, vi em um dos açougues algo que me lembrou os tempos de juventude, morando com minha avó: uma embalagem plástica, tipo dessas de sorvete (redonda), com os dizeres “carne de lata” e explicando que a iguaria também pode ser chamada “carne na lata”. A carne era pernil.

Perguntei o preço, R$ 26,00. Olhei o peso, 800 gramas. Ora, pensei, se fossem 800 gramas de carne já estava caro. Calculei (por baixo) que uns 30% desses 800 gramas seria gordura, ou seja, pouco mais de meio quilo. Meio quilo de pernil por R$ 26,00?

“Vô não, quero não, posso não…”

Mas… Fiquei com ‘desejo’ e resolvi fazer. Compartilho com vocês.

Antes, um tiquinho de história.

Como alguns outros pratos que são muito apreciados hoje, a carne de lata nasceu da necessidade, da oportunidade ou da praticidade, ou, ainda, da única alternativa então existente. Como outros exemplos temos o churrasco, a feijoada, o arroz de carreteiro, o feijão de tropeiro, as especiarias, etc. Mas isto é outro assunto.

A carne de lata, especificamente, surgiu da necessidade de se conservar a carne, principalmente a de porco, quando não havia eletricidade nem geladeira. Ou, quando existiam, não eram acessíveis a todas as pessoas. Então, o que fazer quando se matava um porco ou dois? Certo, dividia-se com vizinhos, com parentes, com quem ajudava na criação, etc.

Mas mesmo assim era muita carne para guardar e, fatalmente, estragar neste país tropical. A sapiência dos antigos trouxe a solução: guarde a carne do porco… No próprio porco. A extensão “na lata” era porque o recipiente mais usual para isto era… Lata. Qualquer lata (limpa, evidente). Mas pode ser feita em qualquer vasilhame.

Carne de lata é isto: temperar e fritar a carne, depois guardá-la envolta na gordura do pobre suíno e, quando desejar, é só aquecer. Claro que hoje, como acontece com o churrasco, a feijoada, etc., o que nos leva a fazer e consumir a carne de lata não é mais a necessidade de conservação, mas o inigualável sabor e o deleite da degustação. Dá trabalho, e, para melhor apreciar o sabor deve ser feita, no mínimo, um dia antes, de preferência, uma semana.

Pode ser feita com pernil, costelinha, lombo, frango e cortes para cozidos de boi (acém, músculo, chã de fora, etc – neste caso, cozinhar bem).

No meu caso de hoje, usei pernil e frango juntos.

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INGREDIENTES

01 kg de pernil em cubos

0,5 kg de frango à passarinho

01 kg de banha de porco

Sal, pimenta do reino, vinagre e orégano a gosto.

MODO DE FAZER

Tempere as carnes e deixe descansar (no mínimo por 01 hora).

Depois frite-as em fogo baixo (isto é importante) por, no mínimo, 01 hora. Pode usar uma colher da gordura de porco para isto.

O objetivo é fazer com que toda a água das carnes evapore, restando somente a gordura. É demorado mesmo, e tem que mexer de tempos em tempos. No meu caso, demorou hora e meia até toda a água sumir.

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2013-08-30 17.51.24Bem, fritas as carnes e evaporada a água, restando só aquelas e gordura, pronto, a maior parte do trabalho está feita. Transfira agora as carnes para a lata (vasilha) em que ficarão armazenadas, derreta o restante da banha e coloque por cima. (ATENÇÃO, é derreter, não é esquentar demais nem ferver, é aquecer somente o bastante para liquefazer).

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Depois de esfriar (totalmente) fechar o recipiente. É importante que o recipiente só seja fechado após tudo esfriar, do contrário serão formadas gotículas na tampa, que fatalmente cairão na gordura. É muito importante não haver água na gordura, porque isto interfere tanto no sabor quando na conservação.

Depois de fechado o recipiente, aguarde no mínimo 24 horas para fazer o prato, de preferência, uma semana. Fica bótimo.

Aí é só ‘pescar’ os pedaços na gordura e colocar em panela ou frigideira quente para derreter a gordura e dar a última fritada. A gordura que derrete pode ser retornada ao recipiente, com o cuidado de só fechá-lo após estiver frio (para não dar gotículas na tampa). Cuidado também para não pescar os pedaços com garfo ou colher molhados, pelo mesmo motivo.

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Aqui foi servido com polenta, arroz, feijão e salada, e uma Brahma que estava até estalando… 😀

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SALUT!

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4 Comentário(s)

  1. ezequiel

    9 de novembro de 2014 às 15:12

    eu fritei a carne e enlatei só não consigo fechar a lata. preciso saber se tem uma maneira facil para fechar a lata.

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  2. RODRIGO DUARTE

    3 de maio de 2015 às 20:58

    tem uma carne na lata da XAVENTE por 29,90.900gr.se voce fosse vender essa que voce preparou,venderia por quanto?10,99?acho que voce esqueceu de acrescentar ,os impostos,mao de obra,gas.tempero…….. to errado? e o lucro de quem vende?

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