Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

Néctar?

Néctar? – Uma cervejaria polonesa chamada “A Ordem de Yoni”, que significa vagina em sânscrito, vem de lançar uma cerveja feita a partir do “ácido láctico vaginal de modelos”.

A cervejaria descreve em seu site as características da bebida: “Imagine a mulher dos seus sonhos, seu objeto de desejo. Agora você pode experimentar como ela saboreia, sentir seu cheiro e ouvir sua voz”.

Na tradução para o português devem ter comido mosca no trecho “como ela saboreia”, pois quem saboreia é o consumidor. A cerveja é cara pelos padrões locais (R$ 24) e preta, dando razão ao personagem do Eça: “Em a gente se acostumando, a preta é uma grande mulher”.

Néctar, como vocês devem estar lembrados, na Grécia antiga era a bebida dos deuses do Olimpo, que, segundo a lenda, eternizava a vida. Em sentido figurado significa qualquer bebida deliciosa, encantamento, consolo, refrigério, sensação de deslumbramento.

Preta, loura, avermelhada ou miscigenada fará sucesso a cerveja que, sem propaganda específica, tenha o sabor do ácido láctico vaginal não necessariamente de modelos, que são muito magras e podem, por isso, influenciar no sabor do abençoado ácido.

Com ou sem ácido láctico vaginal, cadinho racial dá samba. Eduardo Giannetti, pensador respeitado, diz que a grande fortuna do Brasil é a mistura de índios, pretos e brancos, também chamada miscigenação.

Faz tempo que estudo o assunto nas pecuárias de corte e leiteira. Em inglês é three cross, cruzamento de três raças, mas depende de um negócio chamado “combinabilidade”. Nem sempre as raças melhores neste ou naquele quesito combinam bem.

Vou parando por aqui. O assunto é seriíssimo para ser tratado por um idoso ignorante. Se escrevesse um livro autobiográfico, o título seria: Asno com CPF.

Climáticas

Climáticas – Apesar da chuvarada de segunda-feira, Belo Horizonte conta com um dos melhores climas do planeta. O bairro da Serra é cinco graus mais frio que o centrão. Morei nos dois e sinto funda saudade do clima do centro daquela cidade, educadíssimo o ano inteiro.

O assunto vem à balha diante da onda de calor enfrentada pelos europeus e atribuída ao “aquecimento global” que inviabilizará a vida na Terra, dizem os pessimistas.

Calor igual ou menor que aquele de Cuiabá, capital do Mato Grosso. Lá estive muitas vezes e sei que o negócio não é de brincadeira, apesar dos ambientes refrigerados. Se você esquece uma esferográfica Bic no painel do automóvel estacionado ao sol cuiabano, descobre que a caneta fica enroscada em poucos minutos. Ainda bem que, hoje, é produto barato. Caixas com 50 unidades estão anunciadas nos jornais por R$ 25. E calculadoras “científicas” cheias de botões por R$ 29,50. Adoro anúncios de papelarias.

Em Cuiabá, apesar dos imóveis e automóveis refrigerados, você luta contra o calor o dia inteiro e só começa a melhorar sua “sensação térmica” a partir das sete da noite, quando toma a segunda ou terceira caipivodca de praxe.

Volto ao clima de Belo Horizonte para constatar um fenômeno inexplicável: pessoas inteligentes e bem-sucedidas que preferem morar num condomínio situado a meia hora da cidade, não raras vezes uma hora dos seus locais de trabalho. Condomínio cujo clima deve ser muito parecido com o do círculo polar ártico.

Jornalistas famosos, médicos vitoriosos, empresários ricos, todos tiritando de frio durante meses e meses, lareiras acesas, roupas cheirando a mofo – felicíssimos com a escolha feita.

Eufemismo

Eufemismo – Eufemismo é palavra, locução ou acepção mais agradável, de que se lança mão para suavizar ou minimizar o peso conotador de outra palavra, locução ou acepção menos agradável, mais grosseira ou mesmo tabuística.

Pensando nisso, por volta de 1970 os eufemistas inventaram o substantivo masculino andropausa – conjunto de alterações fisiológicas que marcam a diminuição natural e progressiva da atividade sexual do homem – para evitar o verbo brochar, regionalismo brasileiro que significa perder temporária ou definitivamente a capacidade de ter uma ereção. Brochadinhas eventuais “fazem parte”. Duro, mesmo, é quando fica mole per omnia saecula saeculorum…

Impende notar que Houaiss e Aurélio não se entendem sobre o desagradável assunto, considerando que o Aurélio abona broxa com xis. E agora os cientistas vêm de constatar o óbvio: a andropausa conduz a quadros depressivos. Queriam o quê? Alegria brochante? Festança do broxa?

Assunto que nos remete a um economista que hoje dirige grande clube paulista, foi professor do ITA, deve beirar os 70, de família judaica, cidadão feio pra dedéu, que diz: “Eu tive casamentos satisfatórios com mulheres maravilhosas, tenho filhas lindas, netos incríveis, ganhei dinheiro”.

Pois muito bem: os fados me permitiram acompanhar em Belo Horizonte um seminário promovido por publicação em que trabalhei. Palestrantes: Delfim Neto, Villas-Bôas Corrêa e o citado economista.

Delfim pediu 20 mil reais (doados a um instituto liberal) e passagem São Paulo-BH-Brasília no mesmo dia, sem pernoite em BH. Villas-Bôas Corrêa pediu sete mil reais, passagens Rio-BH-Rio para ele e a mulher sem reserva de hotel, pois ficaria em casa de parentes, e o economista pediu 11 mil reais, quatro passagens SP-BH-SP e a reserva de uma suíte de hotel para quatro pessoas…

Aí é que vem o melhor da festa. O economista trouxe três jovens companheiras, dormiu com elas numa suíte do BH-Othon Palace, fez a palestra e voltou com a trinca para São Paulo. Tem todo o direito de ficar deprimido quando pensar na inevitabilidade de sua andropausa.

Taqueospariu

Taqueospariu – É interjeição, locução, palavra, lexema, sintagma, que diabo é o taqueospariu que resmungo lendo os jornais? Aliás, por que continuo assinando jornais impressos? Talvez porque tenha trabalhado neles durante muitos e muitos anos, mas hoje as assinaturas não se justificam.

Onde andam os cronistas? Ok, há um Werneck, um Ignácio de Loyola e mais dois ou três pelejando num universo em que as credenciais são a cor, a barriga, a fama, o homossexualismo, as gracinhas dos netos ou aquela cabeleira afro que ofende a estética. Não é possível que alguém “goste” daquelas jubas à Marcelo do Real Madrid, e do rastafarismo capilar de mechas enroladas às quais se aplica banha ou cera.

Quantas vezes por mês os rastafarianos lavam as mechas de banha ou cera? Como é possível viver com aquele treco na cabeça ou com uma pessoa que cultiva aquele treco?

No jornais, cadernos inteiros fazendo a louvação da veadagem, do lesbianismo, das criaturas que recorrem à preposição latina trans “além de, para lá de”, o que suscita o assunto sexo.

A onda de frio dos primeiros dias de agosto deixou meu nariz gelado e me lembrou de um livro que li sobre os esquimós. Não os atuais, que vivem em casas aquecidas, mas os de antanho que habitavam iglus e se abstinham dos banhos e do sexo durante meses. Os esquimós cultivavam algo relacionado com o esfregar de narizes, que já não me lembro, mas dizia respeito à amizade ou à importância dos cheiros nos relacionamentos.

Na fazenda do Adelino, em São Brás do Suaçuí, MG, o relacionamento amoroso do Califa era um espetáculo assistido por todos os moradores da fazenda e gente que vinha de fora, quando avisada.

Garanhão mangalarga, o Califa já saía da cocheira sabendo o que iria fazer, cheirava amorosa e demoradamente cada um dos pés da parceira, efetuava a cobertura e se deixava ficar durante minutos sobre a fêmea, pescoço caído, como se estivesse dormindo.

Parecia sorrir e desmentia o ditado latino “Omnium animal post coitum triste”, que aceita a retificação “Triste est omne animal posto coitum, praeter mulierem et gallum” – depois do coito, todo animal é triste, salvo a mulher e o galo.

Fake

Fake – Esta conversa de Fato ou Fake, verdade ou mentira, esbarra na constatação de que a verdade – coisa, fato ou evento real – não está a salvo das divergências. Parece una, singular, indivisível, mas a verdade bíblica, por exemplo, provém de pontos de vista bem diferentes da noção ocidental, que remonta principalmente à terminologia grega.

Para os gregos a verdade é a concordância entre o pensamento e a realidade, a própria realidade enquanto se revela ao espírito.

Temos aspiração tipicamente grega à clareza, à compreensão teórica e intelectual.

A concepção bíblica da verdade, porém, é existencial; corresponde a um desejo prático de conhecimento para a vida. Na própria Bíblia a noção evoluiu: no judaísmo e no NT o termo verdade é cada vez mais relacionado com a lei, a revelação, a palavra de Deus.

Não raras vezes, pelo final das tardes, zapeio o televisor LG de 47 polegadas à procura de um canal que transmita algo palatável. E o que vejo é uma sucessão assustadora de pastores tomando os cobres dos crentes com “suas” verdades, que nem mesmo são as bíblicas.

Deve ser uma espécie de verdade-tunga, no sentido de ato ou efeito de tungar; furto, roubo, que não deve ser confundida com o artista Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, falecido em junho de 2016, o primeiro artista contemporâneo do mundo a ter uma obra no Louvre.

Nunca vi uma obra do finado Tunga que fosse do meu agrado, mas devo ter gosto “diferente” dos críticos de arte. Acho horríveis as obras do Gaudí (1852-1926) em Barcelona, mas tenho amigos distintos que adoram o arquiteto catalão. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e deixar como está para ver como é que fica.

Sociedade

Sociedade – Coluna social do Estadão, 3 de agosto: foto de Lucília Diniz e Luiz Trabuco na sessão especial para convidados de “O Fantasma da Ópera”.

Lucília, 62 anos, três ex-maridos, filhos e netos, é empresária, escritora, apresentadora, socialite e youtuber especializada em temas de saúde e bem-estar. Trabuco, 66 anos, preside o Conselho de Administração do Bradesco.

Pela foto estão de cacho. Ela ainda palatável, ele sem cabelos brancos, devem estar aprontando, no que obram muitíssimo bem.

Da família (ou famiglia?) Diniz, Grupo Pão de Açúcar, Lucília sempre foi deslumbrada. Ainda me lembro do vídeo feito em uma de suas fazendas durante o almoço ao ar livre com o marido plantonista, sujeito gordo, cara de bobo. Espetáculo constrangedor.

Conheci Luiz Carlos Trabuco Cappi há muitos anos, quando ele presidia a arapuca Bradesco Seguros, no almoço paulistano de um amigo comum, lobista, que operava na administração daquele banco. Lá estavam o Márcio Cypriano, então presidente do Bradesco, dois ministros de Estado e mais um monte de gente com champanha a rodo, uísques do primeiro time, charutos de Havana.

Claro que tomei um porre antológico, que me levou à varanda baixa, quase ao rés do gramado interno de um condomínio de alto luxo. Lá encontrei Luiz Carlos Trabuco Cappi, num porre maior que o meu, declamando poesias e chorando feito bezerro desmamado.

Banqueiro chorando ao declamar texto poético é cena incomum ao sul e ao norte do Equador. Desejo ab imo pectore, o que significa dizer “sinceramente”, que Luiz ame Lucília sem porres e prantos, alegremente, como idosos ajuizados.

Aproveitando a notícia que vi ontem na tevê, tão importante que merece caixa-alta: O BRASIL JÁ TEM 60 MILHÕES DE GAMERS. Com 60 milhões de gamers, o Brasil está dispensado de ter rodovias, segurança, ferrovias, hospitais, escolas, honestidade e competência na administração pública.

Fake

Fake – Esta conversa de Fato ou Fake, verdade ou mentira, esbarra na constatação de que a verdade – coisa, fato ou evento real – não está a salvo das divergências. Parece una, singular, indivisível, mas a verdade bíblica, por exemplo, provém de pontos de vista bem diferentes da noção ocidental, que remonta principalmente à terminologia grega.

Para os gregos a verdade é a concordância entre o pensamento e a realidade, a própria realidade enquanto se revela ao espírito.

Temos aspiração tipicamente grega à clareza, à compreensão teórica e intelectual.

A concepção bíblica da verdade, porém, é existencial; corresponde a um desejo prático de conhecimento para a vida. Na própria Bíblia a noção evoluiu: no judaísmo e no NT o termo verdade é cada vez mais relacionado com a lei, a revelação, a palavra de Deus.

Não raras vezes, pelo final das tardes, zapeio o televisor LG de 47 polegadas à procura de um canal que transmita algo palatável. E o que vejo é uma sucessão assustadora de pastores tomando os cobres dos crentes com “suas” verdades, que nem mesmo são as bíblicas.

Deve ser uma espécie de verdade-tunga, no sentido de ato ou efeito de tungar; furto, roubo, que não deve ser confundida com o artista Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, falecido em junho de 2016, o primeiro artista contemporâneo do mundo a ter uma obra no Louvre.

Nunca vi uma obra do finado Tunga que fosse do meu agrado, mas devo ter gosto “diferente” dos críticos de arte. Acho horríveis as obras do Gaudí (1852-1926) em Barcelona, mas tenho amigos distintos que adoram o arquiteto catalão. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e deixar como está para ver como é que fica.

Eleitorado

Eleitorado – A GloboNews parece convencida ou tenta convencer seus assinantes de que as entrevistas que vem promovendo possam interferir no resultado das eleições de outubro. Pré-candidatos e candidatos à presidência da República, a partir das dez e meia da noite, são entrevistados durante duas horas pelos comentaristas políticos daquele canal.

Quantos eleitores têm tevê paga? Deles, quantos podem ficar acordados até depois de meia-noite assistindo (e analisando…) às entrevistas? Por via de consequência, como dizia meu saudoso confrade Aureliano Chaves, o resultado eleitoral da série de entrevistas deve ser próximo de zero.

Democracia também começa por demo, substantivo masculino (datação 1210) “espírito maligno, demônio, diabo”. Demo (datação 1899) “conjunto de indivíduos vivendo coletivamente; povo, população”, quando existe apresenta resultados pouco animadores. Que se pode esperar da democracia no Zimbábue? Nossos analistas televisivos, anunciando as recentes eleições por lá, se esqueceram de dizer que o Zimbábue, quando se chamava Rodésia do Sul como colônia inglesa, foi “o celeiro da África”.

Você, caro e preclaro leitor, acredita no eleitorado brasileiro? Não somos zimbabuenses, mas elegemos Dilma Vana Rousseff. E o Congresso que aí está, Câmara e Senado. E o prefeito de Japeri, RJ. E vamos eleger a corja que vem por aí a partir de outubro, igual ou pior que a atual.

Prolação

Prolação – Economista articulado, presidente do Insper, pintou no programa Em Ponto, da GloboNews, pronunciando subzídio e subzidiado. Desde que o mundo é mundo a ortoépia é “sí”, mas muita gente insiste no “zí” para desespero de um telespectador que está morrendo de frio depois do café da manhã.

Ortoépia é o estudo tradicional e normativo que determina os caracteres fônicos, considerados cultos e relevantes, e a boa pronúncia.

Tenho pretensões ortoépicas, ou, quando menos, o hábito de ficar irritado com as pessoas que não adotam as “minhas” pronúncias. E olhem que muitas delas raramente são observadas. Pronuncio acervo com “é”, ortoépia desprezada por 99% dos jornalistas televisivos e pelo Houaiss, que defende “ê”.

Saudoso amigo e confrade, o professor Almir de Oliveira, dono de imensa biblioteca lida e anotada, também pronunciava “acérvo”, prolação aceita pelo Aurélio. Pois é: prolação é “ato ou efeito de pronunciar”.

Houaiss aceita “é” e “ê” para obsoleto; Aurélio e o autor destas bem traçadas só aceitamos obsoleto com “é” aberto.

E o Dia dos Avós passou por aqui em brancas nuvens, prova de inteligência dos meus netos. Avô paupérrimo é chatíssimo: tem todos os defeitos avoengos sem a contrapartida dos mimos dos avós abonados.

Dia dos Pais, das Mães, das Sogras, dos Avós, dos Namorados, a exploração comercial tem uma capacidade infinita de inventar datas para desovar seus produtos. Durante séculos pelejei para encontrar lugar nos restaurantes no Dia dos Namorados. Sem falar dos presentinhos de praxe.

Bizu

Bizu – De todos os significados de bizu, regionalismo brasileiro que anda por aí nos últimos 50 anos, nenhum se aplica a Ivete Sangalo e Gisele Bündchen. As duas têm um bizu diferente,  difícil de explicar. Não são as mais novas nem as mais bonitas das senhoras que circulam pelo planeta, mas seu bizu encanta, comove, entusiasma os homens sérios aqui e alhures.

Seria o “conjunto”, o andar, o sorriso, os bons e os maus modos? Não sei. Gisele tem 38 anos, Ivete anda pelos 46. Qual é a explicação para o imenso bizu das duas?

Inexplicável é também a falta de curiosidade de todas as pessoas que foram de automóvel do Rio para a Flip 18 em Paraty. Passaram batidas por Mangaratiba, onde fica a casa fluminense do jogador Neymar Jr. Conheço o condomínio. Já passei um feriadão na casa de um amigo, anos antes da compra de Neymar, quando tinha casa por lá o então governador Sérgio Cabral Filho. Da casa em que me hospedei podia ver os PMs que vigiavam a casa de sua excelência, hoje residente em Bangu no presídio de segurança máxima.

O condomínio tem um encanto explicável pela boniteza da região. Neymar Jr, além do ótimo futebol, e da fortuna que já faturou no esporte, deve ter algo que fascina a bela atriz Bruna Marquezine, nascida Bruna Reis Maia em Duque de Caxias, RJ, que completa 23 aninhos no próximo dia 4 de agosto. Seriam as tatuagens?

O fenômeno tatoo tomou conta do planeta. Duvido que alguém possa explicar. Se bem que o craque Cristiano Ronaldo, quando perguntado por que não se tatuou, tenha respondido: “Você já viu Ferrari com adesivos?”.

Aí é que está: Ferrari dispensa adesivagem. E Duque de Caxias, RJ, sempre foi uma região que só vendo para acreditar. Antecipou, há 30 anos, o Rio atual. Que fazer? Se você souber, me conte, por favor.

Ciclismo

Ciclismo – Adoro assistir pela tevê ao Tour de France, menos pelo ciclismo, que não me interessa, e apesar dos narradores da ESPN, que são ciclistas tementes a Deus, sem tísicos em suas famílias, insuportáveis diante dos microfones.

Gosto das etapas do Tour de France pelas paisagens espetaculares, pela diversidade arquitetônica, pelo que há de história naquelas construções acasteladas, muitas em ruínas, representando as terras conquistadas e defendidas ao longo de centenas, de milhares de anos.

Telhas de barro, por exemplo, inexistem em centenas de vilas de muitas regiões em que as casas são cobertas com um negócio cinzento (seria ardósia?). Na região de Pau (pronúncia “pô”), Departamento dos Pirineus Atlânticos, quase fronteira com a Espanha, reencontro os telhados de barro e me lembro das abelhinhas, telhas francesas fabricadas em Marselha, que comprei nas demolições do Rio para telhar diversas construções nas roças em que morei.

Hectares e mais hectares exibindo seus fardos de feno espalhados pelos campos, raríssimas vacas à vista, o que me faz supor que permaneçam estabuladas durante o dia, ou dia e noite. Videiras e muitíssimas outras plantações que não consigo identificar. Vilas de pouquíssimas casas, todas com suas igrejas, vilas maiores, construções características, igrejas a montões, cidades modernizadas, painéis solares nenhuns. Propaganda do Carrefour em todos os caminhos e anúncios da comuna de Vittel ou sua água mineral epônima.

Epônimo: “diz-se de, ou aquele ou aquilo que dá o seu nome a qualquer coisa ou pessoa”. Portanto, as minerais Caxambu, Cambuquira, Lambari e outras são epônimas das cidades mineiras.

A transmissão em directo e em cores das diversas etapas da Volta da França custa uma fortuna, envolve uma porção de helicópteros e as imagens são remetidas para um avião que fica a não sei quantos mil metros retransmitindo para os satélites.

Você pode comprar bicicleta igual (ou parecida…) à dos ciclistas. Cada uma custa cerca de R$ 80 mil. Deve ser um programão sair por aí pedalando sua bike de 80 milhas nos asfaltos das nossas estradas entremeio aos milhões de barbeiros que nelas dirigem, sem falar dos bêbados, dos cheirados, dos arrebitados e dos malucos.

Tristeza

Tristeza – Paty Bumbum e Josué Christiano Gomes da Silva dividiram o noticiário das ultimas horas, ela injetando silicone industrial nas bundas de sua clientela, ele cobiçado para vice-presidente de vários candidatos à presidência desta República grande e boba.

Paty, que não é médica, anda às voltas com a polícia. Chama-se Patrícia Silvia dos Santos, tem 47 anos e “trabalhava” em Curicica, Jacarepaguá, Rio ou Zona Oeste do Rio, como gosta de explicar o jornalismo idiota.

A pena cominada para o exercício ilegal da Medicina é ridícula, como ridículas e criminosas eram as postagens de Paty nas redes sociais.

Josué Christiano, bilionário, está sendo transformado pela mídia em Josué Alencar, para associar sua figura à do pai José Alencar Gomes da Silva, que prestou ao Brasil o desserviço de avalizar, com a história do seu sucesso empresarial, a candidatura Lula da Silva.

Filho tido em casa do industrial podia ser Christiano, com ou sem “h”, que significa “cristão”. Filha tida fora de casa, como Rosemary de Morais, não merecia o reconhecimento do finado empresário, que se recusou a fornecer o material para o exame de DNA.

Acabo de perder meia hora consultando o Google sobre PMMA, que não é a Polícia Militar do Maranhão, mas um dos produtos usados para preenchimento dos glúteos. Encontrei sites de propaganda de médicos especializados em preenchimento de bundas femininas e masculinas com diversos produtos, começando pela gordura do próprio paciente retirada por lipoaspiração sempre que o lipoaspirado não morre da lipo, o que costuma acontecer.

Regionalismo brasileiro, o verbo desbundar tem diversas acepções como “causar impacto, deslumbramento a (alguém), por suas qualidades excepcionais, seu mérito etc.”, “ficar deslumbrado, extasiado diante de algo que se considera extraordinário” e várias outras.

Temos, agora, o preenchimento do bumbum para desbunde da sociedade e a notícia da existência de água salgada em Marte. Acabo de aprender no dicionário que curieterapia é radioterapia feita a princípio com rádio ou radônio, e que hoje utiliza radiações de outras fontes. De repente, Márcia Tiburi  tem cura.

Google

Google – Humberto Werneck comentou a locução “a três e um ferro” usada na Diamantina dos meus avós maternos para comentar a bebedeira de alguém. Os diamantinenses tinham coisas originais em matéria de alcoóis. Conheci muitos que só tomavam cerveja sem passar pela geladeira, providência que deve ser ótima ao norte da Noruega e na Sibéria, mas não tem cabimento no frio educado de Diamantina.

Li a crônica do Humberto pouco depois das sete da matina de terça-feira, 24 de julho, e fui ao Google para ver se trazia “a três e um ferro” nos textos de outros autores. Pois muito bem: a crônica do Humberto já estava no Google.

Como funciona o processo de captação dos textos? Parece que o Google existe no mundo inteiro. É um fenômeno que me intriga e encuca. A empresa foi fundada ainda outro dia, em 1998, tem 20 anos e é o fenômeno assombroso que se vê.

Tão assombroso quanto o noticiário televisivo de quarta-feira, 25 de julho de 2018. Os senhores editores das nossas tevês capricham no obituário e servem ao telespectador uma sopa de mortos e desaparecidos que vai dos incêndios florestais na Grécia e noutras regiões da Europa chegando ao círculo polar ártico (!!!), de cambulhada com as mortes no Laos e na Nicarágua, noves fora muitas outras no resto do planeta.

Por especial gentileza dos editores, os telejornais de quarta-feira cedo não falaram das chacinas de Manaus, Porto Alegre e outras cidades brasileiras, mas enriqueceram a relação de moças e senhoras mortas em procedimentos estéticos, com os nomes, endereços, idades, profissões.

Se as moças e as senhoras soubessem como os peitinhos pequenos e as bundinhas educadas são do aprazimento de homens seriíssimos, os tais procedimentos estéticos seriam reduzidos a zero.

E a cereja do bolo de quarta-feira foi a notícia de que o Doutor Bumbum trabalhou no Palácio do Planalto durante um dos governos petistas. Se estiver solto, será brilhante secretário de Saúde da administração Márcia Tiburi no governo do Rio de Janeiro. Afinal, a “filósofa” Tiburi é autoridade no buraco central do bumbum.

Fatos

Fatos – No Capítulo III de “Os Sertões”, Euclides da Cunha escreveu: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral”.

Lembrei-me do livro, que reli três ou quatro vezes, diante da Guerra dos Canudinhos deflagrada pelos mestiços neurastênicos do Estado do Rio, agora que foi proibido por lá o uso de canudinhos plásticos. Comerciantes se queixam de que os canudinhos de papel custam, por pacote de não sei quantas unidades, R$ 250,00, contra cinco reais dos canudinhos de plástico.

E tem mais uma coisa: na lista do blog de ontem, que falava dos produtos que estão inviabilizando o planeta, esqueci-me de listar os absorventes descartáveis usados durante o mênstruo e as fraldas descartáveis usadas pelas crianças.

Não faço à inteligência do caro e preclaro leitor a descortesia de informar que mênstruo, substantivo masculino em nosso idioma desde o século XIV, é bom latim menstrùum,i, mais usado no plural menstrùa,órum ‘mênstruos; menstruação’.

Como substitutos dos absorventes descartáveis a televisão (sempre ela…) sugere dispositivos laváveis de um aparelho que parece plástico, ou silicone, para ser introduzido na cobiçada durante os mênstruos. O dispositivo tem uma parte destacável que fica cheia de sangue, é lavada e volta ao conjunto.

Se já existisse quando o imbecil do príncipe Charles disse que gostaria de ser o tampax de Camilla Parker Bowles, então casada com Andrew Parker Bowles, o príncipe precisaria aprender o nome do aparelho siliconado.

Silicone, di-lo Houaiss, é a designação genérica de polímeros (-R2Si-O-) com grande estabilidade térmica e química, usado como lubrificante, fluido hidráulico, antiespumante, adesivo, e também em cosmética, cirurgia plástica etc.

Como ninguém sabe o que é um polímero, recorro à mesma fonte para esclarecer que é macromolécula formada pela união de substâncias simples, chamadas monômeros.

E aproveito a oportunosa ensancha para explicar por que vivo citando o Houaiss, quando fui amigo do Aurélio, que abona em seu dicionário diversos verbetes com exemplos de livros meus. A edição do Aurélio pela Positivo Informática, de Curitiba, transformou os compradores do léxico em criminosos que devem apresentar, de tantos em tantos meses, provas de que realmente guardaram o disquete que compraram. Fico furioso cada vez que preciso provar, introduzindo o disquete no computador, que realmente comprei o dicionário.

Canudinhos

Canudinhos – O jornalista André Trigueiro, autor de diversos livros, professor de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, tem boa voz, boa dicção, bom português, edita e apresenta o programa “Cidades e Soluções” na GloboNews, que se caracteriza por demonstrar, à luz da melhor ciência, que as cidades, os rios e os mares não têm solução.

O cotonete, haste de plástico cujas extremidades são recobertas de algodão, empregadas especialmente para fins higiênicos, seriam piores para o futuro do planeta que todas as guerras havidas até hoje. E o canudinho plástico muito pior que a “mãe de todas as guerras” anunciada pelos aiatolás do Irã para acabar com o Dr. Trump e as modelos que mantiveram com ele relações sexuais, quando Melania estava grávida.

Bons tempos, aqueles, em que os canudinhos não eram de plástico e vinham envolvidos, um a um, em papel fino. Clóvis Beviláqua (1859-1944), autor do projeto do Código Civil brasileiro em 1901, que só foi promulgado em 1916 e vigorou até janeiro de 2003, foi visto no Rio tentando tomar uma laranjada no tempo dos canudinhos envolvidos em papel.

Como não retirou o canudinho do respectivo invólucro, a laranjada não era sorvida e alguém comentou: “Olha lá! Um gênio para escrever Código Civil, uma besta para tomar laranjada de canudinho”.

 

Brasil

Brasil – Semana passada, o substantivo mais usado neste país grande e bobo foi “procedimento”, que entrou em nosso idioma no século XIV. Numa única semana deve ter sido mais usado que em todos os séculos que andou por aí, de “proceder + -mento”.

Além das várias acepções dicionarizadas, procedimento passou a significar “matar pela bunda de outrem”. O Doutor Bumbum informa que já fez nove mil procedimentos, mas se esqueceu de pagar o condomínio do belo apartamento em que mora, dívida que andaria pelos 400 mil reais.

Onde? Na zona oeste do Rio, a conhecida Barra da Tijuca. A imbecilidade narrativa de nossas tevês deu para dividir todas as cidades brasileiras em leste/oeste/norte/sul, como se isso esclarecesse alguma coisa.

Se o telespectador conhece a cidade, basta informar o nome da rua ou do bairro. Se não conhece, os pontos cardeais não adiantam absolutamente nada.

A biografia do Doutor Bumbum é extraordinária. Começou seu curso de Medicina em Vassouras na Universidade Severino Sombra, muito melhor que a Universidade de Oxford. Concluiu o curso na Unig, Universidade de Nova Iguaçu, que dá de mil na  Harvard University. Teria feito três cursos de pós-graduação em escolas que ninguém conhece e tinha 65.000 seguidores nas redes sociais.

Tudo isso depois de ter sido acusado pela polícia de matar o namorado de sua mãe, mas o MP não viu provas do tiro que teria sido disparado por ele na cabeça do namorado e arquivou o caso.

Portanto, mais que um homem de Harvard, o Doutor Bumbum é um Homem de Nova Iguaçu, joia da Baixada Fluminense que já teve como prefeito o senador Lindbergh Farias.

Nos 190 países reconhecidos pela ONU, só no Brasil o senador Farias e o Doutor Bumbum estariam soltos. O “médico” foi preso e o senador continua brilhando no Senado, onde, por sinal, ratifica a escolha dos ministros do Supremo.

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FONTE: philosopho.



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