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Carolina, 16 anos, UFMG, não pode; Victor, 14 anos, UFS, pode…

Estudante de 14 anos faz pré-matrícula para cursar medicina

José Victor Conseguiu na Justiça o direito de fazer prova de proficiência. 
Ele teve média final de 751,16 pontos no Enem e 960 na redação.

José Victor posa com aprovados em medicina  (Foto: Reprodução/TV Sergipe)José Victor posa com aprovados em medicina

O estudante de Itabaiana José Victor Menezes Teles, de apenas 14 anos, fez a sua pré-matricula para o curso de medicina na Universidade Federal de Sergipe (UFS), na  manhã deste sábado (31), para ocupar a vaga conquistada após ser aprovado pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A seguna etapa da matrícula consiste na apresentação do candidato para a sua efetivação, o que será realizado na primeira semana de aula prevista para o dia 30 de março.

José Victor recebe trote e entra na brincadeira  (Foto: Reprodução/TV Sergipe)José Victor recebe trote e entra na brincadeira

Na ocasião, ele foi recebido por outros alunos e entrou no clima de festa dos estudantes. “Nunca estive tão feliz na minha vida. Agora eu estou esperando a formatura. Eu sempre sonhei com isso aqui. Agora estou realizado”, disse Victor após fazer a primeira etapa da matrícula.

Sobre o fato de ter se tornado uma espécie de celebredidade após a exposião na mídia ele resume: “É tudo muito novo. Mas daqui a pouco me esquecem e volto a minha rotina normal. Até lá vou recebendo o carinho das pessoas que nem me conhecem e isso é bacana”.

Ele estava cursando o primeiro ano do ensino médio e não poderia cursar a faculdade – o Enem só dá certificação a alunos com mais de 18 anos. Porém, ele conseguiu na Justiça o direito de fazer uma prova de proficiência aplicada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) na quarta-feira (28), foi aprovado e recebeu o certificado de conclusão do ensino médio para poder fazer a matrícula na universidade.

O estudante cursava o primeiro ano do ensino médio na Escola Estadual Murilo Braga. Ele teve média final de 751,16 pontos no Enem e fez 960 pontos na prova de redação. Com o resultado, José Victor conquistou uma das 100 vagas para o curso de medicina da UFS – e ficou em 7º no grupo inscrito, de escolas públicas.

Preparação
José Victor fez o Enem no fim do ano passado e decidiu entrar na Justiça para ter o direito de usar o resultado para ingressar na universidade. O garoto diz que sempre quis ser médico e sabia que, para isso, teria que se esforçar.

Ele estudou assuntos que ainda não viu na escola para fazer o Enem, que tem conteúdos de todo o ensino médio. José Victor conta que passava uma média de 3 horas por dia resolvendo questões de provas anteriores do Enem.

“Passei o ano passado estudando para o Enem, além do conteúdo dado em sala de aula. Sem dúvida a técnica para estudar e armazenar o conhecimento foram decisivas para o meu desempenho. É preciso saber organizar o tempo e também se preparar para saber como será a prova no dia”, afirma.

Registro da pré-matrícula na UFS (Foto: Reprodução/TV Sergipe)Registro da pré-matrícula na UFS

A disciplina e o interesse pelo conhecimento surgiu em casa com o incentivo dos pais, que são professores da rede estadual de português e inglês. Eles ajudaram José Victor a se organizar.

“Procurei vídeo-aulas na internet, livros complementares e fui a algumas aulas do curso pré-vestibular da Secretaria de Estado da Educação (Seed) por fora, mesmo sem estar matriculado, como aluno assistente”, diz. Também no ano passado, o estudante foi medalhista na Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas (Obemep).

 Aluna de 16 anos passa em 4º lugar na UFMG mas é impedida pela Justiça

Carolina Amorim Fernandes ainda não concluiu o Ensino Médio.
TJMG e TRF negaram liminar porque ela não tem 18 anos.

A estudante Carolina Amorim Fernandes, de 16 anos, passou em Direito na UFMG mas não conseguiu se matricular porque não concluiu o ensino médio (Foto: Carolina Amorim/Arquivo Pessoal)
A estudante Carolina Fernandes, 16, passou em Direito na UFMG mas não conseguiu se matricular 

Carolina Amorim Fernandes passou o ano de 2014 estudando, em média, cinco horas por dia. Seu sonho era passar em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela tirou nota 940 na prova de Redação do Enem e conseguiu 802,38 pontos no total, sendo aprovado em 4º lugar no curso. O problema: ela tem apenas 16 anos e não concluiu o Ensino Médio.

Ela postou o resultado em uma rede social e chegou a escrever: “Estado civil: morrendo de chorar de emoção. Agora é entrar na justiça e rezar pra um juiz muito bonzinho me deixar ir pra faculdade”. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF) negaram o pedido de liminar que permitiria a matrícula de Carolina.

Na tentativa de convencer o judiciário, a estudante se emancipou no ano passado, alcançando a maioridade civil. Porém, para os órgãos, isso não foi suficiente para que ela conseguisse a vaga.

Segundo a decisão do desembargador Luis Carlos Gambogi, do TJMG, mesmo preenchendo os requisitos relativos à pontuação, a estudante não tem 18 anos de idade, o que é exigido pelo Enem para que o candidato obtenha certficado de conclusão do Ensino Médio.

“Eu não considero isso justo porque houve vários outros casos semelhantes ao meu que foram aceitos pela Justiça. Eu não acredito que uma pessoa que não esteja preparada para entrar na faculdade tenha capacidade para passar em quarto lugar”, defendeu Carolina.

A estudante decidiu entrar na faculdade aos 16 anos porque havia conseguido boas notas no Enem quando cursava o 1º ano do Ensino Médio. “Eu fiz a prova pra ver como era. Me saí muito bem. Pensei, ‘se eu me preparar bem, tenho chance de antecipar a minha vida em um ano'”, disse.

Um outro recurso, também impetrado no TRF, mas desta vez em Brasília, ainda não foi julgado. “A gente espera que o juiz analise o pedido o mais rápido possível porque o período de matrícula da primeira chamada já acabou. Agora é torcer para que a Justiça determine que a UFMG abra uma vaga pra ela”, explica Patrícia Amorim, mãe de Carolina. “A gente vê a filha da gente se preparando tanto que é muito injusto ela não conseguir alcançar o sonho dela”, completa.

FONTE: G1.



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