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Estado de Minas convida três especialistas em gastronomia para realizar um teste às cegas de cinco marcas industrializadas e congeladas do mais tradicional quitute mineiro. Desempenho do produto frustra avaliadores, que sentem falta do principal ingrediente

 (LEANDRO COURI/EM/D. A. PRESS<br />
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“Não percebi o queijo. O gosto é muito leve, quase uma essência”. “Não tem aroma nenhum.” “Em alguns, percebo um toque ainda meio artesanal.” Comentários como esses entremearam o teste às cegas de cinco marcas de pão de queijo industrializado e congelado que o Estado de Minas promoveu, na semana passada.

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O chef Américo Piacenza (restaurante Piacenza), o consultor de vinhos Márcio Oliveira e o jornalista Nenel Neto (blog Baixa Gastronomia) avaliaram, segundo os critérios de aparência, aroma, textura e sabor, os pães de queijo das marcas Forno de Minas, Maricota, Pif Paf, Sadia e Sô de Minas. Foram dadas notas de 0 a 10 para cada item.

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Os avaliadores provaram duas amostras de cada marca – uma assada em forno a gás e outra em forno elétrico, ambas segundo as instruções de temperatura e tempo de preparo indicadas nas embalagens dos produtos. As marcas não foram identificadas. As amostras foram servidas com identificação por número. No geral, o desempenho desse símbolo da cultura alimentar mineira não foi dos mais animadores.
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“Em geral, falta sentir gosto de queijo. O melhor é o da mamãe ou o da lanchonete”, resume Neto. Ele gosta que o quitute tenha pontinhos de queijo tostados na superfície (nem todas as amostras apresentaram essa característica) e que seja suculento – seu endereço preferido é a lanchonete Pão de Queijo Mania, no Centro. Aliás, estão nessa região da capital mineira todos os demais lugares favoritos dos jurados: Pão de Queijo da Roça, Dona Diva e Tropical Pão de Queijo.

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“A massa precisa ser aerada, ter aroma de queijo e polvilho. A aparência tem de estimular e deve ser crocante. Tudo isso é fundamental e nem todos tiveram essas características”, afirma Oliveira. Já Piacenza aproveita para apresentar considerações que podem influenciar decisivamente na primeira impressão do produto: “Quando o queijo é ralado, o sabor fica diferente. Assim, muito processado, dá esse ar de linha de montagem”. Ou seja, a aparência lisa e uniforme da casca não funciona como chamariz para todo mundo.
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A reportagem procurou representantes de todas as marcas, para saber como é seu processo de produção. Os entrevistados não foram previamente informados a respeito da realização do teste.
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BONITO Marcos Paulo Neto de Castro, gerente de produção da Sô de Minas, diz que a quantidade de queijo empregada na receita, que corresponde a 20% do peso total, é o grande desafio do processo. “Isso dificulta a operação das máquinas. Fora que queijo é caro, e a gente bota muito. É até bonito ver fazendo, ralando aquele tanto de queijo”, afirma o gerente, de 32 anos.

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A receita da Sô de Minas tem origem familiar, mais precisamente na fórmula da “tia Maria Hermínia”, parente de Neto de Castro natural de Viçosa, mas que hoje vive em Belo Horizonte, onde continua preparando seu pão de queijo. Formado em ciência e tecnologia de laticínios pela Universidade Federal de Viçosa (cidade vizinha à Coimbra), ele informa que a fábrica compra queijo minas padrão (cujo leite é pasteurizado) das marcas Porto Alegre, Dona Beja e Paladar, para fazer o pão de queijo – as duas últimas desenvolveram versão do queijo sob medida para a receita da Sô de Minas, que vende 30 toneladas mensalmente.

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A Forno de Minas esclarece que também é de 20% a medida de queijo na massa do seu pão de queijo. Para atender à demanda de 1.600 toneladas de pão de queijo por mês, a marca possui laticínio para produzir seu próprio queijo minas padrão – em blocos de 20 quilos curados por 90 dias –, elaborado com leite de cerca de 200 fazendas em torno de Conceição do Pará, onde fica a fábrica.

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“Minha mãe, minha sogra, todo mundo faz. O pão de queijo daquela região de João Pinheiro, de onde vem minha família, é igualzinho. É um pão de queijo mais fofinho, que não endurece de um dia para o outro. Nossa receita é de família, a que fizemos toda a vida. É um pão de queijo normal, o difícil é transformar um quilo em uma tonelada”, conta Maria Dalva Couto Mendonça, fundadora e uma das diretoras da Forno de Minas. Essa receita, diz ela, é a mesma usada antes do período em que a empresa pertenceu à multinacional General Mills.

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A Pif Paf não informa a porcentagem de queijo usada em sua receita, mas revela incorporar à massa não apenas queijo minas padrão, mas também parmesão. Atualmente, a fábrica, que fica em Leopoldina, usa exemplares mineiros, mas ocasionalmente compra queijo minas de outros estados, como São Paulo. “Compramos de fornecedores variados, analisando teor de gordura e a palatabilidade, para que o queijo não seja salgado ou ácido demais, por exemplo”, explica Cláudio Faria, gerente de relações institucionais da empresa.

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A Maricota, por sua vez, emprega exclusivamente parmesão no seu pão de queijo, ingrediente que representa 14,5% do volume total da massa. A assessoria de imprensa da Sadia não atendeu o pedido de entrevista do Estado de Minas.

O chef Américo Piacenza (à esq.), o consultor de vinhos Márcio Oliveira<br />
(ao fundo) e o jornalista Nenel Neto durante a realização do teste<br />
às cegas de cinco marcas de pão de queijo (LEANDRO COURI/EM/D. A. PRESS<br />
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O chef Américo Piacenza (à esq.), o consultor de vinhos Márcio Oliveira (ao fundo) e o jornalista Nenel Neto durante a realização do teste às cegas de cinco marcas de pão de queijo

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Como ficou a avaliação
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A marca de pão de queijo industrializado mais bem avaliada pelos especialistas convidados pelo Estado de Minas para o teste às cegas é a Sô de Minas, que obteve nota 92,5 pontos (em 120). A fábrica da Sô de Minas, que comercializa 30 toneladas do produto por mês, fica em Coimbra, na Zona da Mata. O segundo lugar (nota 89,5) foi para a gigante Sadia. A Pif Paf (nota 84) ocupa o terceiro lugar, enquanto a quarta e penúltima colocação ficou com a marca mais tradicional no mercado mineiro, Forno de Minas (nota 73). O quinto colocado, com nota 62,5, foi o pão de queijo Maricota. Confira no quadro abaixo o desempenho de cada marca.
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Marcas avaliadas, jurados e notas:
Américo Piacenza
Forno de Minas – Aparência 7 / Aroma 5,5 / Textura 7 / Sabor 6 – TOTAL – 25,5 – “Cresceu bem, mas o queijo parece mais processado”
Maricota – Aparência 3,5 / Aroma 4 / Textura 3,5 / Sabor 4 – TOTAL – 15 – “O queijo é muito processado e a textura é mais emborrachada”
Pif Paf – Aparência 5,5 / Aroma 5,5 / Textura 5 / Sabor 5,5 – TOTAL – 21,5 – “Desenvolveu menos e o queijo parece mais curado”
Sadia – Aparência 7,5 / Aroma 5 / Textura 6,5 / Sabor 6,5 – TOTAL – 25,5 – “Aparência boa e casca mais crocante, mas sem muito aroma”
Sô de Minas – Aparência 8,5 / Aroma 6,5 / Textura 8 / Sabor 8 – TOTAL – 31 – “Desenvolveu bem, o sabor de queijo é mais equilibrado. O melhor da degustação”
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Márcio Oliveira
Forno de Minas – Aparência 7 / Aroma 7 / Textura 8 / Sabor 8 – TOTAL – 30 – “Sabor leve de queijo, com predomínio do polvilho doce”
Maricota – Aparência 8 / Aroma 8 / Textura 9 / Sabor 9 – TOTAL – 34 – “Aspecto menor, menos corado e sabor leve de queijo e farinha”
Pif Paf – Aparência 9 / Aroma 10 / Textura 10 / Sabor 9 – TOTAL – 38 – “Provoca pouca salivação, seca a boca. Massa de textura leve”
Sadia – Aparência 10 / Aroma 9 / Textura 10 / Sabor 10 – TOTAL – 39 – “Aroma de polvilho e de tostado não dá ideia de queijo. Massa com textura crocante”
Sô de Minas – Aparência 10 / Aroma 10 / Textura 10 / Sabor 9,5 – TOTAL – 39,5 – “Sabor equilibrado de polvilho e queijo. Boa crocância e um pouco salgado”
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Nenel Neto
Forno de Minas – Aparência 4,5 / Aroma 3,5 / Textura 5 / Sabor 4,5 – TOTAL – 17,5 – “Faltou suculência”
Maricota – Aparência 4,5 / Aroma 2 / Textura 3 / Sabor 4 – TOTAL – 13,5 – “Não tem aroma nenhum e não senti gosto de queijo”
Pif Paf – Aparência 6 / Aroma 7 / Textura 5 / Sabor 6,5 – TOTAL – 24,5 – “Senti o queijo no gosto, mas ele chega a incomodar no final”
Sadia – Aparência 8,5 / Aroma 5 / Textura 5,5 / Sabor 6 – TOTAL – 25 – “Aparência bonita, mas queria sentir mais gosto de queijo”
Sô de Minas – Aparência 8 / Aroma 3 / Textura 5 / Sabor 6 – TOTAL – 22 – “Pontinho bonitos na massa. Se tivesse mais gosto de queijo, talvez fosse o melhor”
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Pontuação total das marcas:
Forno de Minas – 73
Maricota – 62,5
Pif Paf – 84
Sadia – 89,5
Sô de Minas – 92,5

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FONTE: Estado de Minas.


 

Bairro Castelo, em BH, é hoje muito valorizado e conta com grandes empreendimentos
Bairro na Região da Pampulha foi construído com o loteamento de duas principais fazendas da capital

 (Marcos Vieira/EM/D.A Press)

 

Considerado um “adolescente” em relação aos bairros tradicionais de Belo Horizonte, o Castelo foi construído devido à união de duas grandes fazendas, na década de 1970: a Fazenda Serra, que pertencia à família do coronel Francisco Menezes Filho, e a Fazenda São José, do casal Alípio Ferreira de Mello e Ursulina de Andrade Mello. À época, os herdeiros Menezes receberam uma proposta da Construtora Cinova, primeira loteadora de Belo Horizonte, e resolveram vender suas terras para que os lotes fossem construídos. 
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De acordo com o empresário Lúcio Souza Assunção, antigo diretor da Cinova, foi feito todo o processo de expansão urbana do bairro, com água, luz e saneamento básico. “Foram feitos aproximadamente 1,3 mil lotes. No começo, demorou um pouco, mas, como tínhamos experiência com loteamento, por termos urbanizado o Cidade Nova, tudo ocorreu como planejamos”, destaca. Assunção explica ainda que as ruas do bairro permaneceram da mesma forma que eram antes.
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Foram acrescentadas apenas algumas avenidas de grande importância, como a Tancredo Neves, que dá continuação à Pedro II. “O que modificou muito foi o uso dos lotes. No início, eram construídas apenas casas, depois começaram a erguer os prédios e edifícios, e, posteriormente, os conjuntos de prédios começaram a tomar conta da região.”
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Localizado na Região da Pampulha, o Castelo é apontado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundação Ipead/UFMG) como um bairro de alto padrão. A classificação foi feita pelo fato de a renda média mensal dos domicílios ser igual ou maior a 8,5 salários mínimos e menor do que 14,5 salários mínimos.
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Por ser um bairro residencial, existem vários comércios no Castelo que abastecem os moradores da região, como padarias, farmácias, restaurantes, lojas, escolas e posto de gasolina. Os residentes que preferem utilizar o ônibus como transporte público contam com várias linhas para se deslocar do bairro para as principais regiões da cidade. 
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Bairro da Região da Pampulha tem imóveis de alto padrão e comércio diversificado, além do Parque Ursulina de Andrade Mello (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Bairro da Região da Pampulha tem imóveis de alto padrão e comércio diversificado, além do Parque Ursulina de Andrade Mello
.O diretor da Prolar Netimóveis, Vinícius Araújo, afirma que o Castelo está bastante valorizado, por ser tranquilo e estar próximo de um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha. “Antigamente, quem vinha para o bairro eram aqueles que compravam seus primeiros imóveis. Normalmente, casais que estavam construindo uma família ou, até mesmo, solteiros que começaram a se virar sozinhos. Esse perfil de moradores era devido aos baixos custos. Hoje, temos condomínios de alto luxo e classe média. Quem está aqui não deseja sair de forma alguma”, explica o gestor da imobiliária, que tem sede no Castelo. 
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Ainda segundo Araújo, os preços por metro quadrado na região variam. Se for um padrão médio, com até duas vagas de garagem, varia entre R$ 6 mil e R$ 7 mil o metro quadrado (m²). Caso seja um estabelecimento mais luxuoso, o valor aumenta entre R$ 7,5 mil e R$ 8 mil o m². Já os lotes podem ser encontrados por R$ 5 mil o m².
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TRANQUILIDADE 
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Como o bairro não tem muitas opções de atrações noturnas, é conhecido pela tranquilidade e segurança. No local, moradores contam com o sistema de prevenção contra a criminalidade criado pela 9ª Companhia Especial do 34º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Para se divertir, os moradores precisam se deslocar para os bairros próximos. “Bem perto do Castelo tem a Avenida Fleming, conhecida por ser uma via gastronômica da região. Mesmo sendo no Bairro Ouro Preto, lá é o ponto de encontro para quem quer se divertir durante a noite”, destaca. 
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 (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
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O bairro conta ainda com o Parque Municipal Ursulina de Andrade Mello. Implantado em 1996 e com 307 mil metros quadrados, ele é uma das maiores áreas de vegetação remanescentes de floresta tropical de Belo Horizonte. O bosque foi criado por meio do processo de divisão da Fazenda São José, propriedade de Alípio Ferreira de Mello e Ursulina de Andrade Mello, que determinou a criação de um parque no local.

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» Curiosidade: Por que o nome Castelo, segundo Lúcio Souza Assunção, antigo diretor da Cinova
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“O bairro foi urbanizado no período do regime militar no Brasil. Como os donos da Fazenda da Serra, que tinha muita influência na cidade – com atividades voltadas para a pecuária extensiva de gado leiteiro, a extração de madeira e a agricultura de subsistência – eram favoráveis à ditadura, colocaram o nome de Castelo Branco, ex-presidente militar. Porém, como não sabíamos se ia ser ou não positivo colocar esse nome, nós, da Cinova, preferimos deixar apenas Castelo. À época, consegui ainda com a Prefeitura de Belo Horizonte colocar as ruas do bairro com nomes de castelos. A maioria deles é portuguesa, já que o Brasil não conta com esse tipo de construção.”
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FONTE: Estado de Minas.



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