Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Valadólare$ again

 

Crise põe valadarenses de novo rumo aos EUA, de onde muitos já tinham voltado

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Governador Valadares e cidades próximas do Vale do Rio Doce ficaram famosas pela fuga de trabalhadores para os EUA. Mas, a partir de 2008, com a crise mundial abalando a economia norte-americana, muitos regressaram. O Brasil resistia à turbulência.

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Hoje, porém, é a economia brasileira que desmorona. E, com a inflação alta arrochando o custo de vida, o desemprego assombrando (só em abril, o país fechou 98 mil vagas) e a disparada do dólar, foi deflagrada nova onda de emigração para a terra do Tio Sam. Foi o que constatou a reportagem do EM na região de Valadares.

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“Muita gente tinha voltado. Agora, estão indo novamente para lá”, atesta Paulo Costa, presidente da Associação dos Parentes e Amigos dos Emigrantes.

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O caso de Geisiany Euriques, de 29 anos, é exemplar. “Retornei a Valadares em 2011. Desde então, não consegui emprego com carteira. Nos Estados Unidos, como babá e na limpeza, tirava R$ 3 mil. Vou tentar o visto para voltar.”

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Sonho americano: o retorno
Moradores de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, que já viveram nos Estados Unidos se organizam para voltar à terra do Tio Sam. Recessão no Brasil e alta do dólar são motivações

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Governador Valadares – Waltency Vieira, de 54 anos, morou cinco anos nos Estados Unidos, onde ganhou a vida na faxina e em salões de beleza. “Houve época que tirei US$ 300 (R$ 900) por dia. No Brasil, como cabeleireiro, faço menos de R$ 100 (US$ 33,3)”, comparou o morador de Governador Valadares, cidade do Vale do Rio Doce conhecida por exportar uma multidão para a terra do Tio Sam desde a década de 1960, quando engenheiros norte-americanos que chegaram à região para a ampliação da estrada de ferro Vitória–Minas despertaram na população o desejo pelo glamour de um país com a economia sólida (leia box).

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Muitos desses migrantes voltaram à terra natal, a partir de 2008, em razão da crise econômica mundial, que enxugou empregos e renda nos Estados Unidos. O Brasil foi um dos últimos países a sentir os efeitos da recessão, porém, nos últimos meses, o Palácio do Planalto não consegue controlar a disparada dos preços de mercadorias e serviços. Tampouco reduzir taxas de juros e frear a cotação de moedas internacionais, como o dólar.
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Para se ter ideia, a moeda americana disparou 53,8% em relação ao real em 12 meses, de R$ 2,21, em 22 de maio de 2014, para R$ 3,04, na mesma data de 2015. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que, na prática, é uma prévia da inflação oficial, subiu 8,24% no acumulado de 12 meses – acima do centro da meta (4,5%) estipulado pelo governo para todo o ano de 2015.
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O avanço do dólar e o aumento do custo de vida no Brasil despertaram o desejo de muitos valadarenses em novamente migrar para o país de Barack Obama. Waltency, o cabeleireiro, é um deles. Desta vez, ele quer levar a mulher e os três filhos: “Se Deus quiser, iremos todos”. O que ele e os conterrâneos desejam é fugir de indicadores fomentados pelo aumento da inflação, como o desemprego. A taxa de desocupados no Brasil foi de 4,9%, em abril de 2014, para 6,4%, em igual mês deste exercício.
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Em sentido oposto, o rendimento médio do brasileiro recuou 2,9% no mesmo intervalo, de R$ 2.208,08 para R$ 2.138,50, o que ajudou na redução do consumo no país. No salão de Waltency, por exemplo, o serviço despencou pela metade. “Diariamente, há mais ou menos um ano, eu atendia de 16 a 20 pessoas. Hoje, em média, apenas oito. Havia três colaboradores no salão. Em razão da queda na demanda, agora trabalho sozinho.”
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O lamento do cabeleireiro ajuda a entender o porquê do retorno da migração de Valadares para a América. “Muita gente que foi para os Estados Unidos retornou à região (com a crise de 2008). Agora, com a alta do dólar, vários estão indo novamente para lá”, conta Paulo Costa, presidente da Associação dos Parentes e Amigos dos Emigrantes (Aspaemig). Ele acrescenta: “A alta do dólar é ruim para o Brasil, mas para Governador Valadares é boa”.

Waltency Vieira chegou a tirar US$ 300 por dia com o trabalho no hemisfério norte e quer repetir o feito
Waltency Vieira chegou a tirar US$ 300 por dia com o trabalho no hemisfério norte e quer repetir o feito

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DINHEIRO DE FORA 
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Quem mora na maior cidade do Vale do Rio Doce entende bem a ênfase do presidente da entidade. Afinal, a remessa de dólar é uma das principais engrenagens da economia do município. Edna Maria dos Santos, de 43, e o marido, Antônio Dias, de 36, que o digam. Eles conseguiram montar uma loja especializada em moda americana com o recurso enviado por uma irmã.
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“Somos 10 filhos vivos, dos quais cinco moram na América. Uma irmã investiu uma grana na montagem da loja. Eu e meu marido entramos na sociedade com a mão de obra”, conta Edna dos Santos. O nome do estabelecimento faz uma criativa alusão à relação entre Valadares e os Estados Unidos: USA & Use.
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A loja do casal fica no Bairro Santa Rita, na entrada de Valadares, onde também mora Geisiany Euriques, de 29. Ela passou sete anos na terra do Tio Sam, onde limpou casas e cuidou de crianças. “Meus pais também foram e juntamos um bom dinheiro.” A família hoje tem quatro imóveis. Geisiany é uma das moradoras que planejam voltar à América: “Retornei a Valadares em 2011. Desde então, não consegui emprego com carteira assinada. Nos Estados Unidos, como babá e na limpeza, tirava R$ 3 mil. No Brasil, coloquei currículo em tudo quanto é canto e nada. Vou tentar o visto este ano”.
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O mesmo fará a auxiliar administrativa Fernanda Miliano Ribeiro, de 24, e o marido, Leandro Ribeiro Neto, de 29. Ele morou em Boston de 2004 a 2009, quando voltou ao Vale do Rio Doce e construiu quatro casas com o dinheiro que juntou como lavador de carro e de vasilhas. Também foi pintor. Desde o retorno, porém, não conseguiu emprego com boa remuneração. Daí a decisão dele em aproveitar a alta do dólar e convencer a esposa a se mudar para a América.
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O casal vai tentar o visto nos próximos meses e, se tudo der certo, parte tão logo ela finalize a faculdade de administração, no segundo semestre. “O salário meu e o do meu marido somam R$ 2 mil mensais. Devemos conseguir nos EUA em torno de R$ 9 mil por mês. Temos familiares lá há quase uma década”, conta Fernanda, acrescentando que o dinheiro que eles conseguirem deve ser investido em imóveis na terra natal.

Edna dos Santos e Antônio Dias abriram a USA & Use com o recurso que veio de fora: motivação familiar
Edna dos Santos e Antônio Dias abriram a USA & Use com o recurso que veio de fora: motivação familiar

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De Tijolo Em Tijolo 
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Aliás, as remessas de dólares sustentam a construção civil na cidade. José Elias da Costa, um mestre de obras de 55 anos, construiu cinco casas geminadas em Valadares neste ano dessa forma. “São de pessoas que moram nos Estados Unidos e levantam residências para alugar. Quero fazer o mesmo”, deseja Elias, que morou na terra do Tio Sam por três anos. “Planejo voltar, porque o dólar está em alta. Vou tentar o visto nos próximos dias.”
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A remessa da moeda americana é tão importante para a economia da cidade que há tempos resultou na criação de uma palavra curiosa, pronunciada no plural: valadólares. Ela traduz a realidade dos valadarenses que enviam ou recebem o dinheiro suado ganho nos EUA.
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A ORIGEM DA FAMA

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Um grupo de norte-americanos chegou a Valadares, na década de 1940, para a expansão da estrada de ferro Vitória-Minas. Foi uma época de grande desenvolvimento na região e moradores associaram os bons resultados da economia local à presença dos estrangeiros. A ida de valadarenses à terra do Tio Sam começou duas décadas depois. Os primeiros que foram, retornavam com boa quantia de dólares ou ficavam por lá e enviavam grandes cifras aos familiares. Na década de 1980, enquanto jovens de cidades pequenas migravam para as capitais brasileiras, os de Valadares rumavam para os Estados Unidos. Nascia, assim, os valadólares.

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FONTE: Estado de Minas.


Libertadores começa bem para mineiros

No sorteio dos grupos para 2014, em que o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, ganhou troféu em homenagem ao título deste ano, nem o Galo nem o Cruzeiro tiveram adversários considerados difíceis destinados às suas chaves na 1ª fase.

Sem medo do bicho-papão

Sorteio na sede da Conmebol define grupos da primeira fase e afasta dos times mineiros adversários de maior tradição. Galo pode voltar ao México e Cruzeiro escapa de argentinos

Atual campeão, o Atlético vai encabeçar o Grupo 4, com paraguaios, venezuelanos e adversário a ser definido (Norberto Duarte/AFP)
Atual campeão, o Atlético vai encabeçar o Grupo 4, com paraguaios, venezuelanos e adversário a ser definido

Muitas homenagens e discursos arrastados no início e sorteio rápido e um tanto quanto confuso no fim. Assim foi a cerimônia que definiu os grupos da Copa Libertadores de 2014, que entra para a história como a primeira a reunir Atlético e Cruzeiro. Os tradicionais rivais foram cabeças de chaves e vão pegar adversários teoricamente mais fáceis no início da caminhada.

O Galo terá pela frente o Nacional-PAR, Zamora-VEN e o vencedor do confronto entre Monarcas Morelia-MEX e Independiente Santa Fé-COL. O time colombiano, por sinal, se apresenta como o mais complicado, uma vez que foi semifinalista do torneio deste ano, no qual foi eliminado pelo Olimpia-PAR, que perdeu a final para o alvinegro, no Mineirão.

Já o time celeste, que retorna à competição continental depois de dois anos, tem ainda vantagem de ter de viajar menos: pegará Defensor Sporting-URU, o segundo representante peruano, que será Real Garcilaso ou Universitário, e o vencedor na disputa entre o terceiro representante chileno 3 e o Guarani-PAR.

Entre os brasileiros, a situação mais complicada parece ser a do Grêmio, que está no Grupo 6. Além do Newell’s Old Boys, semifinalista este ano, e Atlético Nacional, de Medellín (Colômbia), campeão de 1989, terá que encarar o vencedor do confronto entre Nacional-URU e Oriente Petrolero-BOL.

Muito da posição confortável dos brasileiros foi o fato de o sorteio ser dirigido. Além disso, a partir deste ano, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decidiu que nenhum dos cabeças de chave poderia enfrentar times de seu país se eles estivessem como mandantes dos jogos de volta da Pré-Libertadores.

Homenagem Antes das definições, porém, foi necessário assistir a quase duas horas de discursos, homenagens e também apresentações musicais, como do cantor argentino Axel. Tentando dar pompa ao sorteio do principal torneio entre clubes das Américas, a Conmebol gastou a paciência dos presentes e também dos telespectadores, que tiveram de esperar cerca de duas horas antes de as bolinhas com os nomes dos times começarem a serem abertas.

Um dos poucos pontos interessantes da cerimônia foi a homenagem ao Atlético. O presidente Alexandre Kalil recebeu réplica da Taça da Libertadores, que ficará em posse do clube pela conquista de 2013.

Antes do início oficial, ele anunciou que salários e 13º dos jogadores foram colocados em dia. Por outro lado, surgiu a notícia de que o técnico Cuca poderia deixar o clube depois do Mundial de Clubes, no Marrocos, seduzido por proposta milionário de um clube chinês.

LIBERTADORES’2014

GRUPO 1

Vélez Sarsfield-ARG

Bolívia 2

Peru 1 (Real Garcilaso-PER ou Universitario-PER)

G1

GRUPO 2

Unión Española-CHI

Argentina 3

Independiente José Terán-EQU

G2

GRUPO 3

Cerro Porteño-PAR

O’Higgins-CHI

Deportivo Cali-COL

G4

GRUPO 4

Atlético

Nacional-PAR

Zamora-VEN

G5

GRUPO 5

Cruzeiro

Defensor Sporting-URU

Peru 2 (Real Garcilaso-PER ou Universitario-PER)

G3

GRUPO 6

Newell’s Old Boys-ARG

Grêmio

Atlético Nacional-COL

G6

GRUPO 7

Bolívar-BOL

Flamengo

Emelec-EQU

León-MEX

GRUPO 8

Peñarol-URU

Arsenal-ARG

Deportivo Anzoátegui-VEN

Santos Laguna-MEX

FASE PRELIMINAR

Sporting Cristal-PER x Atlético-PR (G1)

Deportivo Quito-EQU x Botafogo (G2)

Chile 3 x Guarani-PAR (G3)

Caracas-VEN x Argentina 5 (G4)

Monarcas Morelia-MEX x Independiente Santa Fé-COL (G5)

Oriente Petrolero-BOL x Nacional-URU (G6

FONTE: Estado de Minas.


Galo forte vencedor

Libertadores

Tinha de ser sofrido. Com muitas doses de drama e mais de duas horas de emoção, o Atlético conquistou nas primeiras horas de hoje o maior título da sua história: o da Copa Libertadores de 2013, ao vencer o Olimpia por 4 a 3 nos pênaltis, depois de devolver no tempo regulamentar o placar de 2 a 0 da derrota em Assunção e de 0 a 0 na prorrogação. Os gols do alívio só saíram no segundo tempo, com Jô (artilheiro da competição) a 1min e Leonardo Silva aos 42min. Nos pênaltis, o Galo converteu suas quatro cobranças, enquanto Victor defendeu a primeira dos paraguaios e viu a quarta carimbar o alto da trave. Fim da longa espera e início de uma madrugada que Belo Horizonte e inúmeras cidades mineiras não esquecerão tão cedo.
“Campeão da América!” Preso na garganta havia mais de 40 anos, o grito atleticano enfim tomou conta do Mineirão: quase 60 mil pessoas testemunharam a conquista inédita da Libertadores. Mas não seria uma façanha do Galo se não fosse dramática, sofrida, de testar corações e nervos. No início e no fim do segundo tempo, os gols de Jô e Leonardo Silva fizeram a massa delirar, mas a vitória por 2 a 0 no Olimpia não era o suficiente. O Galo precisava de mais: sem gols na prorrogação, teve que decidir nos pênaltis. E quando São Victor, com as asas de pássaro da célebre oração de Roberto Drummond, defendeu a primeira cobrança, estava aberto o caminho do desafogo, que calou os paraguaios e incendiou BH. Agora, o time de Cuca segue rumo ao Mundial Interclubes, em dezembro, no Marrocos, em busca do título de melhor do planeta. Enquanto isso, o torcedor festeja a realização do sonho. Sim, atleticano, você pode gritar. O seu grito não é apenas uma comemoração: é um grito de libertação.
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FONTE: Estado de Minas.


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