Sapateiro Sérgio diz que o número de profissionais está reduzindo nos últimos anos
Sapateiro Sérgio diz que o número de profissionais está reduzindo nos últimos anos
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O ofício, normalmente, é passado de pai para filho e iniciado ainda na juventude. Uma tradição que resiste ao tempo e ao avanço acelerado da tecnologia e que dá um ar todo especial à capital mineira em pleno século 21. Barbeiros, alfaiates, marceneiros e diversas outras profissões raras atualmente atraem os clientes que buscam exclusividade, atendimento personalizado e recuperar objetos dos quais não desejam se desfazer.
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A procura por uma roupa que seja única é o que motiva advogados, juízes e executivos a procurar um alfaiate, como César Araújo, de 56 anos. Ele descobriu o gosto pela profissão em 1974, quando trabalhou como office-boy nas antigas lojas Franelli. Desde então, construiu uma trajetória de sucesso e, há dez anos, tem a própria alfaiataria no edifício Maleta, no Centro de BH.
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César reconhece que o ofício vem perdendo profissionais, principalmente pela falta de interesse dos mais jovens. “Requer muitos anos para aprender, tem que começar de menino”.
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Passar alguns minutos relaxando em uma cadeira de barbearia e participando de uma boa prosa é hábito de poucos atualmente. Ter a barba feita ficou mais rápido e prático em casa, com os aparelhos elétricos, e cortar o cabelo virou coisa de salão de beleza.
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Mas se o cliente não abre mão de um serviço caprichado, Samuel Gonçalves, de 66 anos, está lá para bem recebê-lo. Ele aprendeu o ofício com o pai, em 1958, quando ainda morava em Curvelo. A mudança para a capital abriu as portas para a profissão e ele está no mesmo ponto, na rua do Ouro, há 53 anos.
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Consertos
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A qualidade dos sapatos melhorou muito, nem por isso Sérgio Gomes perdeu a clientela. Aos 46 anos, 40 deles trabalhando como sapateiro, ele diz que tem fregueses fiéis.
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Ainda no ramo dos consertos, a tradição é fortíssima na família de Marco Antônio Ranieri. Há mais de cem anos eles se dedicam ao trabalho com bolas.
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A herança do avô João Ranieri começou com uma fábrica, porém tiveram que migrar para o conserto porque o negócio se tornou inviável com a concorrência das grandes indústrias.
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Marco Antônio aprendeu a consertar bolas desde menino, porém, com a redução da demanda pelo serviço, passou a trabalhar com outros produtos, como boia, piscina e pula-pula. “Os objetos estão se tornando cada vez mais descartáveis”, lamenta.
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Há 35 anos atendendo a clientela da região Noroeste de BH, o comerciante Richard Subotim repara televisores analógicos ou de tubo. Ele diz que o número de clientes vem diminuindo.  “Lembro que na Copa do Mundo de 1994 eu cheguei a consertar, em uma semana, 50 tubos de imagens. Neste último Mundial não tive nenhum aparelho”, compara.
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