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Bar do Orlando 98 anos

História. Bar de raíz, sem frescura. Santa Tereza. Ahhh e um torremos de barriga na estufa. Porque, né? Todo mundo merece.

É isso que você encontra ao ir até o Bar do Orlando. Atravessando gerações, desde 1919 o bar foi inaugurado como uma loja de artigos de pesca, já que naquela época dava para pecar traíras e lambaris do Rio Arrudas. É fiquei chocada também.

Pois bem, ao que tudo indica são 98 anos do bar e todo ano tem comemoração. Espere cerveja gelada, petiscos maravilhosos e música boa: Bloco dos Pescadores (Samba/Marchinhas) + Romero Bicalho (MPB) + Couro de Boi (Samba de Raiz). É em pé tudo, ok?

Onde é: Rua Alvinópolis, 460 – Santa Tereza. Quando ir: Dia 10 de Dezembro de 12:00 às 21:00 hrs. Quanto custa: Gratuito.

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FONTE: Estado de Minas.


Ônibus Flecha Azul faz última viagem e vira peça de museu

Após rodar 24 mil quilômetros e transportar 2.561 passageiros, coletivo da Cometa é aposentado em grande estilo. Fãs guardam muitas histórias e até tatuagem do ônibus

Motoristas com uniforme de época e banda para receber os últimos passageiros (Viação Cometa/Divulgação)
Motoristas com uniforme de época e banda para receber os últimos passageiros

O último ônibus Flecha Azul concluiu nesta semana a derradeira viagem e agora vai ganhar aposentadoria em lugar de destaque na garagem da empresa. O trecho ida-e-volta entre São Paulo e Campinas foi o escolhido para a última das 65 viagens comemorativas do aniversário da Viação Cometa. O percurso inaugural foi entre São Paulo e Belo Horizonte, em agosto.

O Flecha Azul prefixo 7455, ano 1999, modelo 1976, foi o último fabricado pela Companhia Manufatureira Auxiliar (CMA), empresa criada pela Cometa para produzir os próprios veículos. Após ser vendida ao grupo JCA, os antigos “Dinossauros”, um dos apelidos dos ônibus, foram pouco a pouco sendo retirados da frota. Esse foi totalmente reformado, ganhou ar-condicionado, Wi-Fi e bancos de couro, mas manteve todo o charme e atração de um ônibus clássico, típico de filmes “On The Road” americanos. Os dois motoristas escolhidos para conduzir o Flecha Azul usavam uniforme de época, com direito a quepe e óculos Ray Ban.O veículo foi colocado em atividade normal, com passagens vendidas no mesmo valor de uma viagem em ônibus executivo equivalente. A cada partida, uma miniatura do Flecha Azul foi sorteada entre os passageiros. Para o trecho final, 15 pessoas com acompanhtes foram selecionadas num concurso cultural que recebeu 193 participações. Os “busólogos”, como são conhecidos os fãs de ônibus, e admiradores da empresa paulista contaram uma história de vida envolvendo o Cometa. O grupo ganhou uma passagem ida-e-volta com direito a almoço, além de muita história para contar.

André Accarini possui três tatuagens com relação à Cometa (Viação Cometa/Divulgação)
André Accarini possui três tatuagens com relação à Cometa

Segundo balanço feito da empresa, foram mais de 24.000 km rodados entre 24 de agosto e 23 de outubro, com 2.561 passageiros transportados em destinos nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Foram 19 cidades: São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Poços de Caldas, Caxambu, Rio de Janeiro, Volta Redonda, Curitiba, além dos municípios paulistas de São José do Rio Preto, Franca, Araraquara, Ribeirão Preto, Lorena, Itapetininga, Santos, Sorocaba, Jundiaí, Campinas e Praia Grande.

Um dos condutores do ônibus é Marcos Ernesto, com 11 anos de casa. Ele e Ricieri Antunes foram selecionados entre outros 1.200 motoristas da Cometa. De acordo com Ernesto, uma das viagens mais marcantes foi o primeira até Belo Horizonte. “O Flecha Azul praticamente fechou a rodoviária na capital mineira, com passageiros e busólogos abraçando e beijando a lateral e a frente do ônibus”, revela.

VEJA FOTOS DO FLECHA AZUL!

O veículo tem motor de seis cilindros em linha com injeçaõ direta de diesel e 360 cavalos de potência. “O bom de dirigir especificamente este ônibus é poder sentir a ‘pegada’ da troca de marchas e sintonia somente pelo ronco do motor”, conta orgulhoso o condutor.

Ar-condicionado, bancos de couro e Wi-Fi para os viajantes  (Viação Cometa/Divulgação)
Ar-condicionado, bancos de couro e Wi-Fi para os viajantes

O jornalista André Accarini, 43 anos, de São Paulo, foi um dos passageiros da última viagem do Flecha Azul. “Desde que me conheço por gente, já gostava dos onibus da Cometa. E o que me mais me marcou foi o patrimônio humano: os motoristas e funcionários sempre foram muito atenciosos”, conta. A paixão é tanta, que André possui três tatuagens com símbolos da empresa: um enorme cometa Halley no braço direito, o logotipo antigo no outro braço e um “estrelão”, outra marca clássica da Cometa.

Além do trecho final, André ainda viajou entre São Paulo e Araraquara (SP) e Campinas a Santos, relembrando bons tempos de infância e adolescência. “Eu acho interessante ver a reação das pessoas nas estradas. Ao viajar no lado esquerdo, é possível notar os carros passando com pessoas fotografando o ônibus”, diz. O jornalista, que não se define como “busólogo”, mas fã da empresa, filmou trechos da viagens e publicou na internet. Um dos vídeos já passou de duas mil visualizações. “Você fica maravilhado ao andar. Gosto muito do ronco do motor, dos bancos, da suspensão”, conta.

Desde os 8 anos de idade que o engenheiro Francisco Araújo admira ônibus clássicos (Arquivo Pessoal)
Desde os 8 anos de idade que o engenheiro Francisco Araújo admira ônibus clássicos

Outro passageiro que reviveu lembranças a bordo da última viagem do Flecha Azul é o engenheiro eletricista Francisco Carlos de Araújo, 58 anos, de São Paulo. Devido compromissos de trabalho, por quase trinta anos viajou pelo estado, quase sempre em ônibus da empresa. Mas a relação com os coletivos vem ainda de mais tempo e valeu uma das histórias escolhidas.

CLIQUE E VEJA FOTOS DA ÚLTIMA VIAGEM DO FLECHA AZUL! 

Aos oito anos, no então pacato bairro de Vila Guilherme, Francisco teve os primeiros contatos com os ônibus. Devido obras para construção da marginal, o trânsito foi desviado para a rua da família, num trajeto em que os ônibus iam da garagem da empresa até a antiga rodoviária de São Paulo, na Estação da Luz. Na época a Cometa operava o GM Coach PD-4104, importado dos Estados Unidos e apelidado de “Morubixaba”.

Vestido com uniforme da companhia, Rubens de Farias exibe ônibus tatuado (Viação Cometa/Divulgação)
Vestido com uniforme da companhia, Rubens de Farias exibe ônibus tatuado

“Posso dizer que foi uma das minhas felicidades da infância. Os ônibus passavam por ali, causavam um certo congestionamento e faziam um ronco forte do motor. Durante os quase dois anos do desvio, sempre pedia meu pai para andar naquele ônibus”, relembra. Mais tarde, quando teve um filho, a situação se repetiu e foi a vez de Francisco levar o rebento para um passeio de onibus.

VEJA FOTOS DO FLECHA AZUL EM BELO HORIZONTE!

O engenheiro fez uma viagem ida-e-volta de São Paulo a São José do Rio Preto a bordo do último Flecha Azul, ainda sem saber se seria um dos escolhidos para o passeio final. Além de ter sido selecionado, ainda ganhou a última miniatura do ônibus rumo a Campinas. “O mundo está hipertecnológico, mas perdeu muito do romantismo daquela época. Os motoristas tinham uniformes completos, com quepe. Existiam todos aqueles códigos entre os condutores nas estradas, com acenos e piscadas de faróis e setas. Com a pressa do dia-a-dia ninguém percebe mais a máquina, pensa apenas na chegada e partida. Existem ônibus modernos e confortáveis, como o Marcopolo G7. Ele é bonito, mas ninguém o admira”, analisa.

Destino do Flecha Azul

Após cumprir a jornada de 65 viagens e 24 mil quilômetros, o Flecha Azul 7455 será guardado no acervo histórico da Cometa, na capital paulista,  que conta inclusive com veículos mais antigos. Ainda não há informações para outras viagens, mas o modelo será exibido entre 9 e 10 de novembro na exposição Viver, Ver e Rever (VVR) de veículos antigos, no Memorial da América Latina, em São Paulo. A empresa não tem planos de comercializar as miniaturas que foram sorteadas nas viagens.

“É muito gratificante ver o reconhecimento e a afeição de nossos clientes, as publicações nas redes sociais, o entusiasmo a cada post na Fan Page. Nos aproximamos muito de nossos clientes com essa campanha, e este é um canal que pretendemos manter ativo”, afirma Carlos Otávio Antunes, presidente da Cometa e do grupo JCA.

Busólogos e admiradores da marca na última viagem (Viação Cometa/Divulgação)
Busólogos e admiradores da marca na última viagem

Veja mais:

https://universobh.wordpress.com/2013/08/24/cometa-flecha-azul-de-volta/

https://universobh.wordpress.com/2013/08/26/cometa-flecha-azul-faz-sucesso/

FONTE: Estado de Minas.


Viagem em ônibus clássico reúne admiradores de coletivos em BH

Ônibus modelo 1976 é restaurado para 65 viagens pelo Brasil. Emoção de passageiros e busólogos marca primeiro trecho entre São Paulo e Belo Horizonte

Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul

Na Rodoviária de Belo Horizonte, um grupo com quase 30 pessoas aguardava ansiosamente a chegada de uma estrela. Ao apontar na área de desembarque, muitas fotos, correria e ovação. A recepção, digna de novas contratações do futebol, não era para algum músico ou esportista: o motivo é a chegada do clássico ônibus Flecha Azul, recém-reformado na capital mineira, que mobilizou dezenas de “busólogos”, fãs desses veículos.

O ônibus CMA prefixo 7455 modelo 1976/ano 1999, foi totalmente restaurado pela Viação Cometa para realizar 65 derradeiras viagens pelo Sudeste e Sul do Brasil. Na primeira etapa, entre São Paulo e Belo Horizonte, o coletivo teve um atraso de 1h45. Mas nada de problemas mecânicos ou engarrafamentos: cada uma das três paradas levou pelo menos o dobro do tempo, devido ao assédio para fotos do veículo.

Anderson viajou caracterizado de motorista da Cometa, com direito à quepe (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Anderson viajou caracterizado de motorista da Cometa, com direito à quepe

A grande maioria dos passageiros rumo a capital mineira foi composta de fãs de ônibus. “Apenas uns três ou cinco não sabiam e levaram um susto ao chegar no terminal. Mas mesmo assim elogiaram, ao saber que o ônibus tinha ar-condicionado e rede WiFi”, revelou um dos viajantes.

Um dos passageiros chamou atenção por viajar com uniforme retrô idêntico ao do motorista: camisa azul com gravata, pin com o cometa Halley, jaqueta original da empresa dos anos 70 no estilo aviador, óculos escuros e o charmoso quepe. Anderson Torquatro, de 30 anos, possui uma empresa de ônibus e já foi motorista da Cometa. Morador de Contagem, foi até São Paulo apenas para voltar na primeira viagem do Flecha Azul e foi recebido pela mulher Ana Maria e os filhos Vinícius, de nove anos, e Marcos, com quatro.

Fábio Henrique de Paula Flaviano ganhou uma miniatura do ônibus (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Fábio Henrique de Paula Flaviano ganhou uma miniatura do ônibus

“Não dá para explicar. É muito emocionante. Eu relembro a época da infância e juventude. Vivia na garagem da empresa e todos me conheciam. Aprendi bastante e nossa família vive em função do ramo do ônibus”, revela ao mostrar uma foto com uma réplica de 1,20m do “Dinossauro”, um dos apelidos do CMA. Anderson vai fazer outras duas viagens no Flecha Azul. Para 12 de outubro já comprou passagem para todos os quatro da família passearem no ônibus.

Felicidade também para o jovem vigilante Fábio Henrique de Paula Flaviano de 21 anos. A exemplo de Anderson, foi quinta-feira para São Paulo apenas para viajar no CMA. “Nunca tinha andado no ônibus e foi sensacional; suspensão macia e confortável. A recepçaõ foi ótima”, diz. Viajante da poltrona 31, Fábio foi o sortudo que ganhou uma miniatura do ônibus, logo no começo da viagem. Haverá um sorteio entre os passageiros em cada uma das 65 viagens.

Ernesto posa orgulhoso ao volante do ônibus: motorista treinado para contar história do veículo (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Ernesto posa orgulhoso ao volante do ônibus: motorista treinado para contar história do veículo

Motorista superstar

Apenas dois condutores foram selecionados para dirigir o último Flecha Azul. Eles receberam treinamento para contar a história do ônibus e da empresa e atender dúvidas dos passageiros. Marcos Paixão Ernesto, de 37 anos, conduziu a viagem inaugural. Com quase 20 anos de estrada e 11 de casa, afirma que prefere o velho modelo aos outros da companhia. “Ele tem mais estabilidade e é bem seguro. Faço uma curva e os passageiros nem sentem muito”, elogia.

Ernesto revela ficou ansioso com a primeira viagem: “dá um frio na barriga e não via a hora da viagem chegar. Fizemos uma boa viagem, motor, freios e suspensão estão 0 km. Temos mesmo que celebrar esse ônibus que atrai tanta gente”, conta. Com uniforme antigo, o motorista chamou atenção e posou para fotos com vários passageiros e funcionários da rodoviária. “Já estamos acostumados; vivemos isso desde o início da reforma do carro”.

Admiradores seguiram o carro até a garagem da empresa, em Contagem (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Admiradores seguiram o carro até a garagem da empresa, em Contagem

Um funcionário da companhia fez questão de viajar no primeiro trecho das últimas 65 rotas. O coordenador de operações Fabiano Cândido de Souza, de 60 anos, relembrou o começo da carreira na empresa, 35 anos atrás. “É uma viagem no tempo. Esse ônibus tem tantos fãs, que temos mesmo que preservar essa história”, diz.


Recepção calorosa

O engenheiro civil Bernardo Elian, de 32 anos, estava com passagem comprada para a segunda viagem do Flecha Azul, de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Mas mesmo com a diversão garantida, não se conteve e foi com o pai, o representante comercial Renato Passos, de 59, ver a chegada do ônibus no dia anterior na Rodoviária. “Sou busólogo e acompanhei a reforma do ônibus pelas redes sociais. Estava esperando por essa oportunidade ha´um ano. O Flecha Azul ficou maravilhoso”, elogia.

A paixão por ônibus é tamanha, que pai e filho não resistiram e acompanharam de carro o ônibus da Rodoviária de Belo Horizonte até a garagem da empresa, na Cidade Industrial, em Contagem, mesmo com os reclames da esposa de Bernardo. Lá, mais fotos e conversa com funcionários. “Isso me fez voltar 28 anos no tempo. Nossa diversão nos domingos era pegar o ônibus de manhã até o Rio de Janeiro, passar algumas horas lá e voltar no ônibus as 17h. Não estávamos interessados na cidade; a viagem era o mais importante”, relembra Renato. Fã da empresa desde pequeno e sempre presente na garagem, o engenheiro chegou até a ganhar uma tarjeta da Cometa, como se fosse funcionário. O amuleto é guardado com carinho em foto no celular.

 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)

Quem também não se conteve e foi receber o coletivo foi o enfermeiro Samuel Pena, de 40 anos. O busólogo era um dos mais emocionados e a toda hora perguntava se já era hora do ônibus chegar à capital, mesmo com passagem garantida para a próxima viagem. Isso faz parte da minha vida. Antes mesmo de criarem clubes de fãs de ônibus, sempre acompanhei notícias das empresas e dos veículos”, diz. Samuel conta que quando os antigos ônibus estavam em operação, sempre conversa com outros passageiros que reclamavam do veículo. “Pedia para eles perceberem o diferencial de poder viajar num ônibus repleto de história”, afirma.
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Até mesmo funcionários de empresas concorrentes foram conhecer a novidade. Auxiliares e motoristas de outras companhias tiraram fotos e perguntaram ao condutor do Flecha Azul detalhes do veículo. Carregadores, funcionários da Rodoviária gravavam vídeos no celular de recordação.

 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)

Pelo menos vinte pessoas seguiram da Rodoviária até a garagem da Cometa. Um animado grupo de jovens na faixa dos vinte e poucos não cansava de tirar fotos e observar cada detalhe do veículo. Ao final da breve viagem, cada um apertou a mão do motorista em agradecimento. “A volta do ônibus foi uma excelente notícia. Todas as outras empresas deveriam fazer isso e preservar a história dos veículos”, recomenda o contador Leandro Melo, de 26 anos.

Interessados em viajar no ônibus podem comprar passagem no hotsite dos 65 anos da empresa.

 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Preço da passagem é o mesmo de uma viagem em ônibus executivo (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Preço da passagem é o mesmo de uma viagem em ônibus executivo
 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul (Thiago Ventura/EM/D.A Press)

Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul

FONTE: Estado de Minas.


Ônibus clássico Flecha Azul é reformado para viagens pelo Brasil

Viação Cometa ressuscita coletivo para comemorar 65 anos. Miniaturas do veículo serão sorteadas entre os passageiros. Viagem inaugural será neste sábado, rumo a Belo Horizonte

Pintura dos 70 está de volta para viagens no Sudeste e Sul do país (Viação Cometa/Divulgação)
Pintura dos 70 está de volta para viagens no Sudeste e Sul do país

Um  grupo de passageiros que vai desembarcar na tarde deste sábado na Rodoviária de Belo Horizonte  terá a sensação de ter feito uma viagem de volta aos anos 70 no trecho entre São Paulo e a capital mineira. Funcionários do terminal e outros motoristas também terão uma surpresa ao ver um clássico ônibus Flecha Azul, com pintura de época e condutor de quepe, manobrar nas plataformas do local.

Trata-se de um legítimo CMA prefixo 7455, que foi totalmente reformado e  vai fazer viagens comerciais pelo Sudeste e Sul do Brasil para comemorar os 65 anos da Viação Cometa. Além de Belo Horizonte, que recebeu a viagem inaugural,  o coletivo percorrerá em Minas trajetos para  Juiz de Fora, Caxambu e Poços de Caldas. Serão 65 derradeiras viagens passando por outros destinos como Rio de Janeiro, Curitiba e cidades do interior paulista. O valor das viagens é o mesmo cobrado nos ônibus da frota em atividade. As passagens podem ser compradas no hotsite da Cometa.

O Flecha Azul é modelo 1976, mas ano 1999, sendo a última unidade produzida pela Companhia Manufatureira Auxiliar (CMA), fábrica criada pela Cometa para produzir os próprios veículos. Os antigos ônibus CMA Flecha Azul foram aposentados em 2008. Todo o projeto para ressuscitar o coletivo levou  um ano, sendo três meses destinados à reforma completa, feita na garagem da própria empresa.

Ônibus ganhou ar-condicionado e bancos em couro sintético vermelho (Viação Cometa/Divulgação)
Ônibus ganhou ar-condicionado e bancos em couro sintético vermelho

Ao final de cada viagem, uma miniatura do ônibus será sorteada entre os passageiros. Motorista e cobrador foram treinados para tirar dúvidas dos viajantes e usam uniforme retrô, que inclui até óculos Ray-Ban. Um concurso cultural vai premiar ainda outros admiradores com uma passagem e um almoço. Basta contar uma história envolvendo o ônibus na fanpage da empresa. Cerca de 50 já foram enviadas. As melhores ganham o prêmio.

“Mais simbólico que fazer uma festa ou evento é restaurar um ônibus que marcou a história da empresa. É uma oportunidade de convidar nossos clientes e entusiastas a comemorar conosco, viajando nesse ônibus”, afirma Anuar Helayel, diretor-executivo da Viação Cometa. Antes de pegar estrada, o veículo foi exposto no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo.

Câmbio manual de seis velocidades e direção hidráulica  (Viação Cometa/Divulgação)
Câmbio manual de seis velocidades e direção hidráulica

O ônibus recebeu melhorias para as 65 viagens:  ar-condicionado e teve as janelas coladas. O interior e cabine do motorista foram totalmente reconstruídos e os bancos dos passageiros receberam couro sintético vermelho.  O painel de instrumentos também foi recuperado.

A lataria recebeu a pintura clássica da Cometa dos anos 70, com faixas azul e amarela e parte inferior com o alumínio exposto.  No topo do coletivo, a logo antiga da empresa, bem como o conforto oferecido na época, “Suspensão a ar”.  Na traseira, o histórico desenho do cometa Halley, iluminado por lâmpadas de LED. “Diferente do original, a pintura do modelo é metálica e ainda recebeu um polimento especial que deixou o alumínio com efeito de cromado”, explica Anuar. O valor do investimento não foi revelado.

Motor Scania tem seis cilindros em série e 360 cv de potência (Viação Cometa/Divulgação)
Motor Scania tem seis cilindros em série e 360 cv de potência

Motor, suspensão e caixa de marchas também foram reformados. O propulsor ganhou acabamento cromado, mas manteve as configurações originais da última série dos CMA. “O trabalho foi quase todo feito na nossa oficina; apenas o estofamento e polimento ficou a cargo de uma empresa especializada. Queríamos fazer algo que realmente marcasse. Quem viajar se sentirá num ônibus zero quilômetro, mas com ambiente e atendimento de época”, ressalta o executivo.

Estilo Americano

O Flecha Azul possui chassi Scania K-113 CLB 360 e motor DSC133b01. Trata-se de um seis cilindros em linha com potência de 360 cavalos e injeção direta de diesel, capaz de chegar até os 125 km/h. O consumo é de aproximadamente 3 km/l, mas com autonomia de até 1200 km, graças ao tanque com capacidade para 470 litros de combustível.

Restauração do ônibus durou três meses. Veículo ganhou ar-condicionado (Viação Cometa/Divulgação)
Restauração do ônibus durou três meses. Veículo ganhou ar-condicionado

O ônibus tem câmbio manual G777, de seis marchas e direção hidráulica. O para-choque é de fibra de vidro O comprimento é de 13,2 metros por 3,62 de altura. O peso do Flecha Azul é 11 toneladas.

A lataria do veículo é em duralumínio, uma solução para deixá-lo mais leve, poupando motor e freios, mas mantendo a resistência. O Flecha Azul segue o design dos ônibus americanos dos anos 60 e 70, com a depressão entre a cabine do motorista e a fila de bancos de passageiros. O estilo marcou época e caiu na memória afetiva dos amantes dos ônibus

 (Viação Cometa/Divulgação)

Após as viagens, o último Flecha Azul será aposentado e passará para o acervo da empresa. “Estamos muito certos do sucesso da campanha, pois recebemos muitos elogios nas redes sociais e em grupos de busólogos. Na apresentação que fizemos no Terminal do Tietê, em São Paulo, distribuímos mais de dez mil panfletos e o ônibus foi fotografado por muita gente”, comemora Anuar.

A Cometa surgiu em 1948 em São Paulo. Nos anos 50 e 60 ficou conhecida por utilizar ônibus americanos da General Motors. Com as dificuldades de importação  na década de 70, optou por construir os próprios ônibus, mantendo o mesmo estilo. Mais de dois mil Flecha Azul foram fabricados. Em 2002 a empresa foi vendida para o Grupo JCA, que controla outras empresas de transporte na região Sudeste.

Motoristas do Flecha Azul vão usar uniformes retrô, com o tradicional quepe (Viação Cometa/Divulgação)
Motoristas do Flecha Azul vão usar uniformes retrô, com o tradicional quepe
Desenho antigo do Cometa Halley ficou na memória (Viação Cometa/Divulgação)

Desenho antigo do Cometa Halley ficou na memória

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FONTE: Estado de Minas



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