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Mineira de 81 anos realiza sonho e ingressa em universidade federal

Aposentada passou pelo Enem e faz Filosofia na UFU em Uberlândia.
‘Foi a melhor coisa que aconteceu, ela está mais feliz e realizada’, diz filha.

Aurora Faculdade UFU Uberlândia (Foto: Márcia Cristina/Arquivo Pessoal)
Sorriso de Aurora é sinônimo de sonho realizado

Vencer preconceitos, superar limites e acreditar que sonhos podem ser adiados, mas não descartados. Foi assim que a aposentada Aurora Ferreira de Melo Breves conseguiu chegar à universidade aos 81 anos para estudar o que sempre quis: Filosofia.

A mineira participou do Enem e com a nota obtida conseguiu ingressar na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Hoje, ela está no 2º período do curso.

O caminho enfrentado por Aurora demandou dedicação. Ela sempre quis estudar, mas devido às dificuldades financeiras teve que optar por trabalhar, a fim de conseguir sustentar e oferecer uma vida melhor aos três filhos. “Eu morava em Ituiutaba e há 48 anos mudei para Uberlândia em busca de melhores condições. Aqui eu virei costureira e tive o prazer de ver todos os meus filhos estudarem e se formarem na Federal. Minha filha até se tornou juíza. Na época achei que meu sonho havia sido realizado por eles”, disse.

O tempo passou e quando a família achava que era hora de Aurora descansar e aproveitar a vida, ela se matriculou para fazer o ensino fundamental, aos 75 anos.

É claro que tem preconceito e que muitos me criticam pela minha escolha, mas isso faz parte da vida.
Aurora Ferreira, estudante da UFU

“Eu sempre li muito, cerca de um livro por semana, e me adaptei rápido a todo o processo. Resolvi voltar a estudar depois que vi uma placa colada de frente a uma instituição de ensino dizendo: ‘Venha estudar com a gente, não importa sua idade’. E eu, fui”, explicou.

Depois do fundamental, ela focou no Ensino Médio. “Foram mais dois anos estudando e quando terminei a sensação era de felicidade, de realização”, afirmou.

Mesmo com o diploma nas mãos, a vontade de Aurora era continuar estudando. Ela contou que na época chegou a procurar uma faculdade particular, pois estava disposta a investir as economias no sonho de cursar Filosofia, mas por causa da idade ela não foi aceita. “A atendente me disse que era para eu viajar, dançar, descansar, pois a época de estudar já havia passado para mim”, relembrou.

Ufu (Foto: Divulgação)
Aurora está no 2º período de Filosofia da UFU

O “não” que Aurora levou não foi suficiente para fazê-la desistir. No ano passado, aproveitou que os netos fariam o Enem e também se inscreveu. Dois dos filhos até tentaram convencê-la a não fazer a prova, mas foi em vão. “Eu queria saber o que era o Enem e fui lá descobrir. Não lembro a minha nota, mas sei que fui a primeira a entregar a prova no dia. Resolvi todas as questões com uma hora e meia. O tema da redação me agradou e acredito que essa nota me ajudou muito na hora da seleção”, disse.

Para a mineira, só não estuda quem não quer. “No meu primeiro dia de aula senti que havia realizado um sonho que por muito tempo ficou guardado. Todo mundo me olhava e me achava diferente. É claro que tem preconceito e que muitos me criticam pela minha escolha, mas isso faz parte da vida. Tudo que eu consegui foi com muita alegria e esse mérito é meu, independentemente de questionamentos”, ressaltou.

Aurora acrescentou que está indo bem na faculdade e que já virou uma apaixonada pela filosofia de Aristóteles. “Eu estou entusiasmada com essa nova fase. Meu intuito agora é tirar os medos e anseios das pessoas, pois isso atrapalha o retorno aos estudos. Na minha sala, por exemplo, havia uma mulher de 47 anos que passou, mas não estava indo à faculdade por se achar velha demais para aquele ambiente. Quando soube da minha história, retornou”, lembrou.

Ela concluiu dizendo que mesmo com 81 anos, viúva e universitária, ainda está aprendendo a viver. “Eu ainda não sei de nada”, garantiu.

Apoiadora

Aurora Ferreira Enem Uberlândia (Foto: Márcia Cristina/Arquivo Pessoal)
Aurora espalha felicidade e realização por onde passa

A filha de Aurora, Márcia Cristina de Melo Breves, é uma das grandes apoiadoras da mãe. “Eu acompanhei por toda a minha vida a vontade dela estudar. Ela tentava fazer o supletivo, mas nunca ia para frente porque tinha que trabalhar e as provas, na época, só eram feitas em Belo Horizonte. Como não tínhamos condições, ela não fazia. Foi recentemente que conseguiu voltar a estudar”, disse.

Foi Márcia que inscreveu a mãe no Enem e depois no Sisu. “Eu acho que todo mundo tem o direito de buscar o estudo. No começo, meus irmãos falavam que ela não iria conseguir. Hoje já pensam que foi a melhor coisa que aconteceu, pois ela está mais feliz e realizada”, comentou.

FONTE: G1.


 

Uma mulher que foi atropelada fora da faixa de pedestres no Centro de Belo Horizonte não terá direito a indenização por danos materiais e morais. A 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou o recurso da aposentada. O desembargador Rogério Medeiros, que julgou a ação, afirmou, na decisão, que “não há como imputar qualquer culpa ao condutor do veículo, eis que, de acordo com a prova testemunhal produzida, o acidente ocorreu em razão de a vítima ter feito a travessia da rua fora da faixa de pedestre”.

faixa

O acidente aconteceu em 10 de junho de 2005, na Avenida Augusto de Lima, entre as ruas Espírito Santo e Rio de Janeiro. A aposentada E.B.D, que tinha 71 anos quando o fato ocorreu, atravessava a avenida quando foi atingida pelo veículo conduzido pelo advogado A.P.G.
A mulher decidiu entrar com uma ação em janeiro de 2007, requerendo danos morais, além de materiais, para cobrir gastos com medicamentos. Também pediu lucros cessantes pelo período em que ficou impossibilitada de exercer a atividade de vendedora autônoma de roupas. Segundo a vítima, o motorista dirigia em velocidade incompatível com a via.
O juiz Richard Fernando da Silva, da 22ª Vara Cível de Belo Horizonte, decidiu pela improcedência da ação em outubro de 2012. Segundo o magistrado, ficou comprovado no processo que a aposentada atravessou a avenida fora da faixa de pedestre, tendo o atropelamento ocorrido por culpa exclusiva da vítima.
Inconformada, a aposentada recorreu ao Tribunal de Justiça, mas também não obteve êxito. O desembargador Rogério Medeiros negou o recurso e alegou que não há qualquer prova nos autos de que o condutor do veículo trafegava em alta velocidade. Os desembargadores Estevão Lucchesi e Valdez Leite Machado concordaram com o relator.

FONTE: aQui.



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