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Você sabia que réplica de famosa escultura do Louvre encontra-se ‘perdida’ no Centro de BH?

Além dela, outros monumentos históricos passam despercebidos pelos visitantes no Parque Municipal Américo Renné Giannetti

Relíquias quase invisíveis

Conhecido como o “pulmão verde” na capital mineira, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti foi, desde a sua inauguração, lá em 1897, um local de lazer dos belo-horizontinos. Berço da fauna e da flora no Centro de BH, o refúgio de tranquilidade na capital mineira abriga centenas de espécies de árvores, plantas, flores e pássaros. Anualmente, cerca de 500 mil visitantes passam pelo parque. Muitos, familiares que levam os filhos para se divertirem nos brinquedos antigos. Outros tantos, em busca de descanso entre os pés de fícus, jacarandás e flamboyants. Além dos praticantes de esportes que fazem regularmente caminhadas, jogam futebol ou tênis dentro do patrimônio ambiental mais antigo de Belo Horizonte. Mas, para muita gente, um rico acervo artístico-cultural passa despercebido. Monumentos reconhecidos internacional ficam perdidos, quase que invisíveis, em meio ao verde da paisagem. E olha que todos eles estão bem sinalizados, por placas explicativas bilíngues, instaladas pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), gestora do espaço.

Como se chama esta famosa escultura da Atena Niké, a deusa grega da Vitória. A peça original se encontra no Museu do Louvre, em Paris.

Escultura famosa

Sentados em um banco de cimento bem diante da réplica da escultura alada Vitória de Samotrácia, o casal de namorados Luara Oliveira e Rafael Cassiano nem sabiam da importância da réplica da deusa grega Niké bem ao lado deles. Ficaram admirados em saber que a obra original se encontra no Museu do Louvre, em Paris é uma das mais famosas esculturas do museu francês. “Interessante frequentar este parque e conhecer a suas histórias e monumentos. Não sabia da importância da escultura e fico feliz em saber que temos aqui em BH um exemplar tão expressivo culturalmente”, comenta Luara. O namorado Rafael completa: “Frequentei muito aqui na minha infância. Gosto do verde, da tranquilidade e da paz bem no Centrão de Belo Horizonte. A réplica da escultura grega Vitória de Samotrácia, que tem 3,60m de altura, uma tonelada e autenticação do Réunion de Musées Nationaux, instituição francesa que coordena 33 museus franceses foi instalada em 2008, na data de comemoração dos 110 anos do Parque Municipal próximo a entrada da Alameda Ezequiel Dias com a Avenida dos Andradas.

Luara Oliveira
“Não sabia da importância da escultura e fico feliz em saber que temos aqui em BH um exemplar tão expressivo culturalmente”
Luara Oliveira, Estudante

Coreto Belga

Quase todos os dias, estudantes da Escola Estadual Olegário Maciel tem encontro marcado no Parque Municipal. Autodenominados de Tropa do Olegário, a galera costumam frequentar o parque para jogar bola em uma das quadras esportivas. Espalhados pela escadaria do Coreto, o jovens não faziam ideia do patrimônio que os abrigavam do calor desta semana. Lucas Dias, de 18 anos ficou surpreso em saber que a estrutura do local foi importada da Bélgica e instalada no Parque Municipal. “Sempre venho encontrar com os amigos para uma pelada, ouvir música e bater papo. É bacana ver o parque e o movimento das pessoas daqui de cima”. Para receber a estrutura do Coreto em 1922 foi implantada uma praça circular com canteiros geométricos no estilo paisagístico francês, seguindo a tendência paisagística europeia daquela época. No local são realizados shows e serestas.

Lucas Dias
“Sempre venho encontrar com os amigos para uma pelada, ouvir música e bater papo”
Lucas Dias, Estudante

Heroína brasileira

Acompanhado do filho David Luiz, de quase três anos, Nivaldo Vieira aproveitava a tarde de folga no Parque Muncipal. O garoto, que ama os brinquedos e sempre que pode visita o local estava maravilhado com o passeio no meio da tarde. Perguntado sobre o busto da Anita Garibaldi, na Ilha dos Amores, na extremidade do lago ele disse desconhecer completamente de quem se tratava. “Venho ao parque desde a minha infância. Frequentei muito na década de 1990. Aqui é um excelente opção para a família. Já vim as esculturas de bronze espalhadas pelo local, mas não sei de quem se trata.” Anita Garibaldi foi uma revolucionária, conhecida por seu envolvimento direto na Revolução Farroupilha ( Guerra dos Farrafos, no Rio Grande do Sul) e no processo de unificação da Itália, junto com o revolucionário e marido, o italiano Giuseppe Garibaldi. Por esse motivo, é conhecida como a “Heroína dos Dois Mundos”

Vênus de Milo de BH

Sobre uma toalha xadrez na grama do parque e bem em frente à Lagoa do Quiosque, os estudantes Marcos Vinícius Bispo e Marcos Barone contemplavam a natureza enquanto jogavam conversa fora na tarde quente em BH. Desconheciam completamente a história da escultura da Deusa das Águas a espiar de longe a conversa dos dois. Localizada sob uma cúpula, a obra em estilo clássico foi esculpida em mármore branco. Sem um dos braços, a obra remete a famosa escultura da Vênus de Milo, exposta atualmente no Museu do Louvre, em Paris. “Sou estudante de arquitetura e estou em BH há poucos meses. É um lugar bem tranquilo, tenho a sensação que estamos em um local afastado da cidade. Nem parece que estamos no Centro. Aqui é um museu natural a céu aberto. Muito bom conhecer estes monumentos”, afirma Marcos Barone

Marcos Barone
“É um lugar bem tranquilo, tenho a sensação que estamos em um local afastado da cidade. Nem parece que estamos no Centro”
Marcos Barone, Estudante de arquitetura

Os fundadores

Escondida entre muitas árvores, atrás do Palácio das Artes e próximo a sede administrativa do Parque Municipal, a Praça dos Fundadores deveria ser parada obrigatória de todos os visitantes. No local existem quatro rostos gigantes dos idealizadores da nova capital mineira. Da esquerda para direita estão as imagens de Augusto de Lima (idealizou), Afonso Pena (oficializou), Bias Fortes (instalou) e Aarão Reis (planejou). Inicialmente instalados em 1963 na Praça Sete, os bustos foram retirados sete anos depois de lá e transferidos para o Parque Municipal, onde foram instalados dentro de um anfiteatro ao ar livre. No dia 13 de dezembro de 1997, um dia após a comemoração dos 100 anos de Belo Horizonte, uma urna, contendo documentos, mensagens e objetos , foi lacrada e enterrada em frente aos bustos, e deverá ser aberta no 200º aniversário da cidade, no ano 2097.

Muita história para contar

Aberto em setembro de 1897, dois meses antes da inauguração de Belo Horizonte, o Parque Municipal foi criado para ser o maior e mais bonito parque urbano da América Latina, inspirado em espaços públicos franceses no período da belle époque. Inicialmente sua área era de 555 mil metros quadrados, hoje, restringe-se a 182 mil metros quadrados onde abrigam uma rica biodiversidade, com diferentes espécies de plantas, nascentes, fauna silvestre e vasta vegetação, que contribui para amenizar o clima da região central e faz do espaço o “pulmão da cidade”. Nivaldo Ferreira Fraga é quase um patrimônio do parque. Há 55 anos ele é o proprietário do Bar e dos barquinhos coloridos na Lagoa dos Barcos. Carismático e bom de prosa, conversa com todos os visitantes. “Já atendi gente de todo o Brasil e do exterior que vieram visitar o Parque Municipal. Sempre gostei de conhecer um pouco das pessoas. Passaram por aqui escritores e artistas como Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Fernando Sabino. O ator Tony Ramos foi outro que conheci na época da gravação da minissérie Hilda Furacão. Além de políticos como Juscelino Kubitschek, na época que era prefeito de BH, sempre passava pelo Parque Municipal a caminho da prefeitura”, relembra.

Conheça outros monumentos no Parque Municipal que merecem ser visitados:

Teatro Francisco Nunes

Inaugurado em 1950, o teatro carinhosamente apelidado de Chico Nunes é uma referência cultural em Belo Horizonte. O espaço, palco de variados espetáculos e eventos já consagrados na cidade, como o Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH), Fórum Internacional de Dança (FID), Festival de Arte Negra (FAN), Verão de Arte Contemporânea, Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, entre outros. Após passar por reformas em sua estrutura, foi reinaugurado em maio de 2014, totalmente restaurado e modernizado. Quase que despercebido, o mosaico de pedras portuguesas que apresenta a fauna e flora brasileira e se encontra na lateral do teatro. Vale a pena dar uma conferida.

Cascatinha

Entre tantos lugares bucólicos, lagos, brinquedos e pontes do Parque Municipal a cascatinha próxima a entrada da Alameda Ezequiel Dias é um lugar mágico. O barulho das águas limpas e transparentes é reconfortante. Em 2007, a Fundação de Parques Municipais realizou a transposição das águas da nascente localizada na área da Fundação Hemominas para o parque, e inaugurou, em 9 de julho, a construção da cascatinha que alimenta a Lagoa do Quiosque

História do Atlético Mineiro

Uma placa se destaca bem em frente ao Coreto do Parque Municipal. Para os amantes do Galo, o local é quase sagrado. Foi neste local que em 25 de março de 1908, 22 estudantes se reuniram para formar o Clube Atlético Mineiro. O totem instalado em 2008 fez parte das comemorações do centenário do time mineiro.

Misticismo

No meio do caminho existe uma pirâmide, existe uma pirâmide no meio do caminho. Parafraseando Carlos Drummond de Andrade, o monumento inusitado com os dizeres: AMOR, LUZ e PAZ é visto no Parque Municipal. Trata-se de um presente doado ao parque pela Antiga e Mística Ordem Rosacruz, conhecida pela sigla AMORC. A organização, uma das mais secretas do globo, de natureza mística e filosófica perpetua o conhecimento dos iniciados do antigo Egito. Os assuntos abordados em suas reuniões vão desde conhecimentos científicos de natureza física, às leis que regem o mundo metafísico. O objetivo é promover a evolução da humanidade através do desenvolvimento das potencialidades de cada indivíduo e propiciar uma vida mais harmoniosa para alcançar saúde, felicidade e paz.

Baixe o mapa para a sua próxima visita ao parque

Serviço
Parque Municipal Américo Renné Giannetti
Endereço: Avenida Afonso Pena, 1377 – Centro
Telefone: 31 3277-4161
Site: http://goo.gl/bK5egc
Horário de Funcionamento: 3ª a dom. e feriados das 6h às 18h (com entrada permitida até às 17h45)
Peço dos brinquedos: R$ 3,00

 

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FONTE: Estado de Minas.


‘Inhotim é a oitava maravilha do mundo da arte’, declara portal britânico

O portal de notícias britânico The Huffington Post publicou, nessa terça-feira (15),  uma reportagem na qual elege o Centro de Arte Contemporânea de Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a “oitava maravilha do mundo da arte”.O texto destaca que Belo Horizonte é o berço da arquitetura modernista brasileira, e que Minas Gerais é um estado “famoso por sua agricultura e gastronomia, assim como pelos seus recursos minerais”.“Os líderes (da capital mineira) foram os primeiros a contratar o então arquiteto de 33 anos, Oscar Niemeyer, para criar um conjunto magnífico de estruturas – um cassino, uma casa de baile, um iate clube e uma igreja – em volta da Lagoa da Pampulha”, aponta a reportagem.

Inhotim2

No museu de arte contemporânea de Brumadinho, o repórter Simon Watson ressalta as obras de Valeska Soares e sua interpretação da Casa de Baile da Pampulha, a instalação-telescópio de Olafur Eliasson, e as mais de 1.200 variedades de palmeiras no espaço.

Aberto ao público em 2006, recorda a publicação, pelo empresário Bernardo Paz, o Inhotim é um jardim botânico que tem “quatro vezes o tamanho do Central Park, de Nova York”, e cujo paisagismo é assinado pelo artista Roberto Burle Marx, contendo duas dúzias de pavilhões de arte.

Inhotim

Clique aqui para ler a reportagem completa (em Inglês).

 

FONTE: Itatiaia e Agência Minas.



Faleceu neste domingo, 28/4, aos 83 anos, em Ribeirão Preto/SP, o ex-ministro da Justiça Saulo Ramos. O jurista, advogado, escritor e poeta nasceu em Brodowski, interior de SP, no dia 8 de junho de 1929.

José Saulo Pereira Ramos foi consultor-Geral da República e ministro da Justiça durante o Governo Sarney. Anteriormente, ocupou a equipe do presidente Jânio Quadros. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras, Saulo Ramos lançou em 2007 o livro de memórias “O Código da Vida”, no qual a partir de um polêmico caso judicial, conta sua trajetória de vida e fatos que marcaram a história do país. Saulo foi fundador da Academia Santista de Letras.

Em 2010, foi homenageado com o título de Doutor honoris causa pela FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas. Na ocasião, Márcio Thomaz Bastos discorreu sobre sua amizade, respeito e admiração ao jurista que, em sua opinião, fez “da advocacia uma arte e não uma ciência”. Também presente na homenagem, o ministro Marco Aurélio falou sobre a extraordinária capacidade intelectual de Saulo Ramos, que “não se limitou a testemunhar a história, mas ajudou a escrevê-la, participando ativamente da vida política da nação, em prol de resultados que assegurassem o desenvolvimento social“. Durante a solenidade, Ramos leu o texto “Meu Credo”, redigido especialmente para a data:

“Meu Credo

Para Edevaldo Alves da Silva e, portanto, para o Complexo Educacional FMU

Creio no ensino todo poderoso, criador de um céu na terra; e num ideal de educação, um só glorioso, nosso senhor na paz que nos livra da guerra, o qual foi concebido pelo amor dos professores nas escolas e universidades, nasceu da virgem alma dos estudantes sedentos de saber e liberdades, padeceu no desprezo de poderosos Pilatos sob o julgo das sombras; crucificado, morto e sepultados pelos que desdenham diplomas; desceu ao vil inferno dos analfabetos, mas, para um dia, ressurgir dos mortos, subir aos céus dos cursos completos e estar sentado ao lado da sabedoria universal, iluminando a todos nós, mortos ou vivos. Creio no saber e na instrução, na prevalência do bem sobre o mal, na libertação dos escravos e dos cativos pela santa madre cultura, na comunhão da humanidade e em sua remissão pelos estudos e pelos livros. Eis tudo o que creio. E creio também na vida eterna da ciência e do direito. Amém.

Em 17 de maio de 2010

Saulo Ramos”

Em 2011, Saulo Ramos também foi homenageado por sua dedicação à advocacia pública. Ele é considerado o grande idealizador da advocacia pública no Brasil. 

Seu corpo está sendo velado na Câmara Municipal de Brodowski (Avenida Champagnat, 60 – Tel. (16) 3664-8500). O enterro será amanhã, 29, às 14h.

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FONTE: Migalhas.


Conjunto arquitetônico da Pampulha faz 70 anos no dia 16, e PBH apressa as obras de revitalização de toda a área para obter da Unesco título de Patrimônio da Humanidade
Igreja de São Francisco, símbolo maior do conjunto projetado por Oscar Niemeyer, encomendado por JK (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Igreja de São Francisco, símbolo maior do conjunto projetado por Oscar Niemeyer, encomendado por JK

No entardecer de 1940, logo depois de eleito prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (1902–1976 ao olhar para a represa da Pampulha, obra iniciada em 1936, na gestão de Otacílio Negrão de Lima (1897–1960), para dar à cidade uma área de lazer, tomou uma da mais felizes e bem-sucedidas decisões de sua vida: ampliar o espelho d’água e construir no entorno um conjunto arquitetônico e paisagístico sem similar. No mesmo ano, conheceu e se uniu a Oscar Niemeyer (1907–2012), que se tornaria uma das figuras mais expressivas da arquitetura moderna no país. Encomendou o projeto arquitetônico e, com grande pompa, JK convidou o então presidente da República, Getúlio Vargas (1882–1954), para a inauguração de sua marcante idealização, em 16 de maio de 1943, dia em que BH parou.

O conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), completa 70 anos no próximo dia 16. JK não imaginava que uma obra tão suntuosa pudesse cair no esquecimento. E, por incrível que pareça, quase caiu no ostracismo. A Igreja de São Francisco de Assis, ou Igrejinha da Pampulha, o Museu de Arte (antigo Cassino) da Pampulha, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube, decorados por obras de geniais artistas plásticos, sofreram desgaste e depois de muito esforço e cobranças foram restaurados.

Os cinco jardins do paisagista Burle Marx (1909–1994) estão sendo agora retocados, mais ainda há muito a ser feito, como a despoluição da represa, para que o conjunto, que inclui ainda o Mineirão, o Mineirinho, o Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego, o Jardim Zoológico e outras edificações, obtenha da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o título de Patrimônio da Humanidade, requerido em 1996.

Para inaugurar o conjunto que o arquiteto e paisagista Ricardo Lana classifica como “o mais incisivo do realismo brasileiro”, e outras obras de modernização, JK chamou o povo um evento à altura da sua obra grandiosa. Convidado, o presidente Getúlio Vargas desembarcou cedo no aeroporto da Pampulha. Antes, foi a Lagoa Santa participar da solenidade de abertura de uma fábrica de aviões. De volta, foi levado à Praça Vaz de Melo (onde está hoje o desengonçado Complexo da Lagoinha), ponto de partida festa. Às 15h30, o presidente cortou a fita simbólica para abrir a tráfego a Avenida Pampulha (hoje Antônio Carlos).

Ao lado do prefeito e do então governador Benedito Valadares (1892–1973), o presidente seguiu em cortejo pela nova avenida até a Pampulha. Ao chegar à lagoa, cerca de 20 mil pessoas o aguardavam na orla. BH tinha cerca de 212 mil moradores, e pelo menos 20% da população participou da festa.

SONHO Em seguida, Getúlio saiu para um passeio na represa, em lancha pilotada pelo próprio Juscelino, o que seria impossível hoje pela deprimente condição da água. Quem conheceu o diamantinense JK, que governaria o país de 1956 a 1961, sabia que ele não perderia uma oportunidade como aquela. “O passeio foi no momento em que o pôr do sol dava grande beleza à paisagem”, floreou um jornalista da época.

BH ganhava a obra, sonho de JK, que Oscar Niemeyer classificou como o despertar de sua carreira, a referência para o projeto de Brasília, também iniciativa de Juscelino, inaugurada em 1960. “A Pampulha foi o começo de minha vida de arquiteto”, escreveu ele no livro As curvas do tempo. O professor da Escola de Arquitetura da UFMG Flávio Carsalade considera o conjunto da Pampulha a “maioridade da arquitetura brasileira. Enquanto o mundo ainda valorizava o ângulo reto, ela explode em curvas”. O traçado, segundo ele, teria origem nos contornos da mulher brasileira e das montanhas, sendo um dos exemplos mais sensíveis dessa marca registrada a Casa do Baile. Que o sonho de JK e transformado em realidade por mestres da arquitetura e do paisagismo nunca mais sofra descaso, como desejou JK.

Recebido pelo prefeito Juscelino Kubitschek, presidente Getúlio Vargas desembarca na Pampulha para participar da inauguração das obras

Esforço de JK e talento de Niemeyer

Para obter da Unesco o título de Patrimônio da Humanidade para a Pampulha, a prefeitura tem muito o que fazer. As exigências são muitas. Devem ser cumpridas e os resultados apresentados ao Iphan. Para tanto, o Executivo municipal criou duas comissões, a de trabalho e a de notáveis, esta para as ações de bastidores no organismo internacional. A missão mais espinhosa é a da comissão de trabalho. Entre suas atribuições estão a coordenação e o acompanhamento dos serviços de restauração do conjunto.

O paisagista e arquiteto Ricardo Lana está feliz com a restauração dos jardins de Burle Marx. “As obras de Niemeyer começam a ser valorizadas pelos jardins.” Mas lamenta a degradação da água da Pampulha, como mostrou o EM na edição de terça-feira (páginas 17 e 18 do caderno Gerais). Os indicadores de poluição são os mais negativos da história dos 70 anos da represa. Entende que é importante a harmonia entre monumentos e paisagem. Só ficou feliz quando soube que a prefeitura está determinada a investir não só na recuperação do espelho d’água.

A Fundação Municipal de Cultura, por meio de seu assessor de imprensa, Ricardo Mendicino, informa que bastaria o tratamento do espelho d’água para o reconhecimento da Unesco, “mas a prefeitura vai investir mesmo é na despoluição da lagoa e das nascentes”. Entende a administração municipal que se não houver uma ação decisiva nos leitos dos córregos que abastecem a represa, como o Ressaca e o Sarandi, o trabalho será inócuo. “Já há até orçamento liberado”, afirma Mendicino.

A prefeitura esperava obter no ano que vem o título reivindicado desde 1996, mas de acordo com o assessor o prazo é curto para cumprir o cronograma. Por isso, o sonho fica adiado para 2015. Até a sinalização para pedestres e recuperação das calçadas de pedras portuguesas estão previstas no calendário de obras municipais, o que anima Ricardo Lana. “Hoje, nem os trajetos entre um monumento e outro são sinalizados.” Lana espera ver o conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha em harmonia e digno do seu idealizador e do gênio que o projetou e em harmonia. Se tombado como Patrimônio da Humanidade, seria o reconhecimento do esforço de JK e da explosão do talento de Niemeyer.

LINHA DO TEMPO
– 1936: O então prefeito Otacílio Negrão de Lima dá início à construção da barragem da Pampulha, para dar à cidade uma área de lazer, obra ampliada por JK no início dos anos 1940
– 1940: JK, eleito prefeito de Belo Horizonte, conhece Oscar Niemeyer, ao qual encomenda um projeto arquitetônico para a orla da Lagoa da Pampulha
– 1943: Com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas do então governador Benedito Valadares, JK inaugura o complexo de lazer e turismo
– 1946: O então presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, proíbe os jogos de azar no Brasil, e o Cassino da Pampulha é fechado. Prédio foi reaberto em 1957 como Museu de Arte
– 1959: A Arquidiocese de BH finalmente consagra a Igrejinha da Pampulha, depois da recusa em 1943, porque discordava das linhas curvas de Niemeyer
– 1996: O município reivindica da Unesco o título de Patrimônio da Humanidade para o conjunto da Pampulha, que só será concedido depois das restaurações
– 2002: A Casa do Baile, fechada em 1946 e depois usada com outros fins pelo município, é transformada em centro destinado ao urbanismo, arquitetura e design.

FONTE: Estado de Minas.


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