Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Justiça condena jovens que reclamaram de bar em rede social a indenizar dono do estabelecimento

Jovens foram condenados a pagar R$ 20 mil de indenização e fazer retratação pública em seus perfis no Facebook. Confusão aconteceu em dezembro de 2015, em Sorocaba (SP).


O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou seis jovens a pagarem indenização de R$ 20 mil ao dono de um bar de Sorocaba (SP) que foi alvo de reclamações na internet. Além do valor, os jovens também foram condenados a fazer uma retratação pública em seus perfis no Facebook. Ainda cabe recurso.

A decisão é do juiz Pedro Luiz Alves de Carvalho, da 5ª Vara Cível da Comarca de Sorocaba (SP), sobre um episódio que teria ocorrido em dezembro de 2015.

Segundo os relatos que foram postados na internet, os jovens estavam na área para fumantes do bar quando foram ofendidos por outro frequentador do estabelecimento.

Ainda conforme os jovens, o grupo solicitou que o dono do bar se posicionasse para conter as agressões verbais, mas ele teria dito que a confusão era do lado de fora e que o grupo já havia pago a conta e, por isso, não tinha porque intervir.

Indignados com o fato, os jovens postaram reclamações públicas contra o estabelecimento, tanto em seus perfis, como em págionas com recomendações sobre lugares que não devem ser frequentados em Sorocaba.

Nas postagens, que foram compartilhadas, os jovens usaram expressões como Expressões como “lixo de bar”, “bar escroto”, “não colem em um dos lugares mais bosta de Sorocaba”, “bar de merda”, “recanto da juventude tucana misógina”, “galerinha dona desse bar de bosta”, entre outras.

Depois das postagens, o dono do bar entrou com pedido de indenização por danos morais e imateriais na Justiça.

O juiz entendeu como abuso de liberdade de expressão e, no final de 2017, determinou a exclusão das publicações da rede social, além de indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil.

Entretanto, o proprietário pediu que os jovens fizessem uma retratação pública, que foi determinada pelo juiz. O advogado que defende o dono do comércio, Luis Felipe Uffermann Cristovon, explicou ao G1 que a indenização deve ser paga pelos seis jovens responsáveis pelas publicações.

Uffermann afirma ainda que a condenação é solidária, deve ser paga pelo grupo e o não cumprimento da sentença pode gerar bloqueio de bens e em contas de bancos.

Segundo o advogado, “houve abuso de direito quando os jovens agrediram a honra e a reputação do bar e de seu dono”.

A retratação, conforme explicou o advogado, deve ser feita imediatamente a partir da decisão judicial. “Envolve que eles publiquem nos mesmos espaços e nos mesmos moldes que eles reconhecem o equívoco, que foi excesso e não liberdade de expressão”, afirma.

Até a publicação desta reportagem a retratação não havia sido feita. O G1entrou em contato com a advogada de um dos jovens, mas ela não quis se manifestar sobre o caso.

Justiça condena jovens a indenizar bar por agressões morais em rede social (Foto: Reprodução/Facebook)Justiça condena jovens a indenizar bar por agressões morais em rede social (Foto: Reprodução/Facebook)

Justiça condena jovens a indenizar bar por agressões morais em rede social

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FONTE: G1.


Bar do Orlando 98 anos

História. Bar de raíz, sem frescura. Santa Tereza. Ahhh e um torremos de barriga na estufa. Porque, né? Todo mundo merece.

É isso que você encontra ao ir até o Bar do Orlando. Atravessando gerações, desde 1919 o bar foi inaugurado como uma loja de artigos de pesca, já que naquela época dava para pecar traíras e lambaris do Rio Arrudas. É fiquei chocada também.

Pois bem, ao que tudo indica são 98 anos do bar e todo ano tem comemoração. Espere cerveja gelada, petiscos maravilhosos e música boa: Bloco dos Pescadores (Samba/Marchinhas) + Romero Bicalho (MPB) + Couro de Boi (Samba de Raiz). É em pé tudo, ok?

Onde é: Rua Alvinópolis, 460 – Santa Tereza. Quando ir: Dia 10 de Dezembro de 12:00 às 21:00 hrs. Quanto custa: Gratuito.

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FONTE: Estado de Minas.


Dono de bar em Viçosa abre bar 5 minutos após fechar para burlar lei

Famoso por tratar os clientes mal, Capelão, dono de um bar em Viçosa/MG, encontrou uma forma inusitada de burlar uma lei local.

Frequentadores do bar relataram na internet que ele fechou o bar às 02h, como previa a lei.

O que a fiscalização não contava era que 5 minutos depois ele abriria o bar, alegando que havia uma hora para fechar, mas nenhuma para abrir.

O texto de um internauta diz o seguinte:

“Os vereadores da cidade de Viçosa criaram um toque de recolher na cidade, determinando que todos os bares encerrassem suas atividades às 2h da manhã. O que nosso herói fez? Mandou todos os clientes para fora, pois tinha que fechar o bar, era lei. Fechou o bar e, cinco minutos depois, reabriu. Quando o policial chegou, intimando-o a fechar, mostrou-lhe a lei: “A lei tá aqui na minha mão. Olha só. Tem hora pra fechar o bar, mas não tem hora pra abrir. Meu bar abre 2h05. Sinto muito”

Como podemos ver, nem todo herói usa capa.


Homem vende cachaça à base de cobra, escorpião e aranha na Bahia

Djalma das Cobras, como é conhecido, mantém negócio há quase 30 anos.
Bar do comerciante fica no município de Serrinha, no nordeste da Bahia.

Djalma das Cobras mantém o bar há cerca de 30 anos (Foto: Raimundo Mascarenhas / Calila Noticias)Djalma das Cobras mantém o bar há cerca de 30 anos

Inspirado no avô, Djalma Carneiro Batista, de 44 anos, abriu um bar no Mercado Municipal de Serrinha, a 200 quilômetros de Salvador, no nordeste da Bahia. Tradicionais nos botequins, as cervejas e espetos de churrasco integram o cardápio do espaço, mas estão longe de serem os itens mais procurados. Em garrafas de vidro ou de plástico, cachaças mantidas com cobras, aranhas e escorpiões são os aperitivos que mais fazem sucesso.

Djalma vende chaçada com aranha imersa (Foto: Raimundo Mascarenhas / Calila Noticias)Djalma vende chaçada com aranha imersa

“Tem gente que diz que bebe e fica curado de doenças. Tem gente que diz que é afrodisíaco. Só sei que o povo gosta”, detalha ‘Djalma das Cobras’, como é conhecido entre moradores e clientes. O comerciante tem variedade. Além de serpentes como salamanta, coral, corre-campo, malha de traíra, jiboia e pipó, também mantém mergulhados na cachaça aranha caranguejeira, escorpião, teiú e calango verde.

Djalma conta que a maioria dos animais foi herdada do avô, que também embebia os bichos em cachaça e vendia para os clientes. “Esses animais eu usei mais do meu avô. Ele tinha uma budega no bairro do Bomba e eu trouxe [os frascos com os] animais para cá. A maioria tem uns 55 anos. Outros devem ter uns 35”, estima.

O avô de Djalma morreu pouco após a abertura do bar do neto, há quase 30 anos. Os animais caçados por ele, entretanto, ainda dão sabor às bebidas daqueles que apreciam cachaça no município. “Costumam dar um gosto de peixe”, detalha sobre a mistura do álcool com os bichos. “Até hoje, nunca ninguém reclamou ou se sentiu mal. Isso eu garanto”, completa.

Tem gente que diz que bebe e fica curado de doenças. Tem gente que diz que é afrodisíaco. Só sei que o povo gosta.
Djalma Carneiro Batista

O médico e toxicologista Daniel Rebouças, diretor do Centro Antiveneno da Bahia (Ciave), informa que as pessoas que consomem bebidas à base dos animais citados não correm risco de envenenamento. Entretanto, podem ser acometidos de infecção gastrointestinal. “O álcool neutraliza [o veneno], mas o animal pode estar apodrecido e transmitir alguma contaminação”, detalha.

Em caso de contaminação, Rebouças detalha que a pessoa que ingere a bebida pode sentir dor abdominal, diarréia, mal estar e febre. “O efeito pode ser maléfico”, garante. Além dos riscos, o toxicologista afirma que esse tipo venda é ilegal. “Não é permitida essa comercialização no país e isso deve ser fiscalizado pela Vigilância Sanitária”, afirma.

Casado e pai de quatro filhos, ‘Djalma das Cobras’ diz que é chamado de doido pela esposa. Entretanto, diz que tem amor pelo comércio que mantém há quase três décadas. “Meu filho até me ajuda. É o seguinte: quem bebe fica impressionado. Enquanto estiver dando certo, vou continuar [com o negócio]”, promete.

FONTE: G1.


JUVENTUDE INTERROMPIDA »Festa, baderna e assassinato

Rapaz de 22 anos é morto a tiro por causa de esbarrão em calourada perto da PUC Minas. Vizinhos e a própria universidade criticam os excessos nos eventos no entorno do câmpus

Marcada pela violência que vitimou Daniel Vianna (detalhe), festa provocou sujeira e confusão, que 
a comunidade denuncia como frequentes  (edésio ferreira/EM/D.a press)

A festa festa para calouros da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) se transformou em baderna e terminou com um assassinato, além de brigas e acidente com motorista alcoolizado, entre a noite de sexta-feira e madrugada de ontem. Os estudantes que organizaram o encontro fecharam a Avenida 31 de Março, diante da unidade do Bairro Coração Eucarístico, na Região Noroeste de BH, em evento que contou com farto consumo de bebidas alcoólicas e gerou muito lixo.

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Por volta da 1h30 de ontem, em meio à festa, o estudante Daniel Adolpho de Melo Vianna, de 22 anos, do último período de direito da Faculdade Pitágoras, se desentendeu com o soldador Pedro Henrique Costa Lourenço, de 29. Segundo testemunhas, Pedro Henrique tinha um revólver na cintura e atirou no rosto de Daniel, que morreu na hora. Amigos do universitário morto entraram em luta com o atirador e o imobilizaram. Horas antes, um calouro de 19 anos, do curso de ciências contábeis da PUC, que havia saído da festa, bateu em pelo menos cinco carros estacionados. .

A polícia fez o teste do bafômetro e constatou que o rapaz apresentava mais de três vezes o teor alcoólico limite para crime de trânsito.

“Amor da minha vida, meu filho tão amado e querido. Você agora está com Deus, onde um dia iremos nos encontrar. Meu coração está partido, despedaçado. Mas você foi um anjo que Deus me emprestou, para poder ser sua mãe por 22 anos. Não sei como vou viver com sua ausência aqui na Terra, mas jamais te esquecerei. Te amo, te amo, te amo e assim para sempre será.” Wânia Lúcia Melo Vianna, mãe de Daniel Adolpho de Melo Vianna, em depoimento postado em rede social
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O rapaz assassinado durante a festa deixou de viajar com a família da mãe para passar o Dia dos Pais em Belo Horizonte, com o pai. Tio materno de Daniel, o comerciante Sérgio Luiz Perpétuo de Melo, de 54, disse que a família está devastada. “Estávamos em Carandaí (137 quilômetros de BH), no meu sítio. Por volta das 4h30, nos deram a notícia. Voltamos na hora. A mãe dele ainda não acredita. A irmã, de 17, está muito abalada. Ninguém entendeu como alguém pode destruir uma família de uma forma tão estúpida”, desabafou.
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Segundo o comerciante, Daniel era um rapaz de família e muito reservado. “Tinha começado um escritório de advocacia com amigos e todo dinheiro que ganhava usava para comprar algo para casa. Ele era o sonho da minha irmã, que teve de lutar muito em tratamentos para engravidar dele. A ficha dela ainda não caiu”, conta. O pai, em estado de choque, não falou sobre o episódio. O corpo do rapaz deve ser sepultado hoje, às 10h, no Cemitério do Bonfim, na capital.
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De acordo com uma engenheira ambiental de 26 anos, que participava da festa e pediu para não ser identificada, o homem apontado como assassino chegou ao evento com um grupo que se destacava por um aspecto que ela classificou como “típico de marginais”. “Esse pessoal esquisito mal chegou e a confusão começou, em frente ao banheiro feminino. Escutei um tiro e fiquei apavorada. Fui embora imediatamente. Antes, estava tudo pacífico, com as pessoas dançando e conversando numa boa. Foi só esse pessoal chegar que ocorreu essa tragédia”, conta..

Pelo relato feito à Polícia Civil por seis testemunhas, que são amigas da vítima, Daniel e outro colega estavam de passagem pelo interior do bar, quando o estudante de direito esbarrou na perna de Pedro Henrique e pisou no seu pé, por descuido. O soldador, segundo essa versão, teria se irritado e gritado com Daniel, que abriu os braços, esboçando não ter entendido o que se passava.

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Nesse momento, o homem teria sacado um revólver da cintura e atirado no rosto da vítima, que morreu na hora. “Pedro correu por 10 metros e os amigos da vítima entraram em luta corporal com ele. Um deles é lutador de jiu-jítsu e conseguiu imobilizar o agressor, que ainda tentou atirar nele, mas a arma caiu”, contou o delegado Sidney Aleluia, da Central de Flagrantes. A Polícia Militar chegou ao local e prendeu o homem, mas a arma desapareceu. “Acredito que algum colega do acusado tenha escondido o armamento”, disse o delegado.

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EUFÓRICO Na delegacia, Sérgio Luiz, tio do rapaz morto, contou que o soldador não demonstrou arrependimento e seus pais chegaram a zombar da família da vítima. “Minha irmã estava desesperada e os pais daquele monstro ficaram falando que logo ele estaria solto. Se fosse meu filho, iria chegar de joelhos e pedir perdão por ele ter tirado a vida do filho de outra pessoa”, criticou. De acordo com o delegado Sidney Aleluia, o acusado aparentava estar muito eufórico e poderia ter feito uso de alguma substância entorpecente.

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Pedro Henrique não quis falar sobre o episódio e disse aos policiais militares que não foi ele quem atirou. O advogado Fábio Piló, contratado pela família do acusado para acompanhar a lavratura do flagrante, disse que ainda não havia conversado com o cliente sobre o caso. O delegado disse que indiciaria o homem por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e com emprego de arma de fogo, além de tentativa de homicídio contra um dos amigos do rapaz e disparo de arma de fogo em via pública. As penas, somadas, em caso de condenação, podem chegar a 54 anos de reclusão e multa.

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Horas antes do assassinato, ainda pintado de azul, como é tradição na recepção dos calouros, um estudante de 19 saiu da mesma calourada dirigindo seu automóvel Gol, mas perdeu o controle e bateu em pelo menos cinco carros estacionados na Alameda Guajará, a menos de um quarteirão da PUC. Policiais do 34º Batalhão da PM detiveram o motorista, que concordou em soprar o bafômetro. A quantidade de álcool medida no ar expelido pelos pulmões foi de 1,19 miligrama por litro de ar, sendo que o limite para que se configure crime de trânsito é de 0,34 miligrama. O caso foi encerrado na delegacia do Detran e o veículo, levado pela mãe do calouro.

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Vizinhança pede fim do transtorno

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Moradores do entorno do bar onde ocorreu o homicídio reclamam que os transtornos relacionados a barulho, sujeira e brigas começaram desde a abertura do estabelecimento, há pouco mais de dois anos. E que, inclusive, procuraram o Ministério Público no fim do ano passado, para relatar os problemas, mas não tiveram retorno. De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Bairro Coração Eucarístico, Walter Freitas, festas marcadas em redes sociais chegaram a reunir cerca de 5 mil pessoas nas imediações.

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“Nas calouradas, vêm alunos da PUC, mas também muita gente de fora, porque os encontros são divulgados na internet. Vira uma verdadeira balbúrdia”, afirma o morador, ressaltando que, ontem, o bar estava aberto. “Estão funcionando, como se nada tivesse ocorrido”, criticou. Os transtornos na região são criticados pela própria PUC, que destacou em nota nada ter a ver com o evento que terminou em morte.

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O líder comunitário conta que, com tanta gente, o trânsito fica complicado e ônibus das linhas que atendem ao bairro ficam travados entre veículos, muitas vezes estacionados de forma irregular. “Vira um caos generalizado. Os frequentadores ligam o som dos carros e fazem muito barulho madrugada adentro. Atrapalham a passagem de pedestres e de quem chega de carro em casa”, lembrou. Segundo Walter, a associação vai voltar a procurar o MP, desta vez para pedir que o funcionamento dos bares ocorra somente até as 23h, além de reforço de policiamento.

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Em nota, a PUC Minas informou que o evento não era uma calourada da universidade. E, ainda, que o estabelecimento onde ocorreu o confronto é frequentado por um grande número de pessoas, entre elas, alunos, e que os eventos provocam, muitas vezes, transtornos para o trânsito e riscos para a segurança de toda a comunidade. “Com os moradores da região e a Polícia Militar, a universidade tem mantido um permanente diálogo sobre o problema, entendendo que há prejuízos claros à tranquilidade e à qualidade de vida dos vizinhos do estabelecimento. Além disso, por meio de seus professores, gestores acadêmicos e funcionários, a universidade procura desestimular a ida de seus alunos àquele local, em função, exatamente, das aglomerações que ali eventualmente se dão”, diz trecho da nota.

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A instituição lamentou o ocorrido, que, de acordo com a nota, “expressa, de modo grave, a banalização da violência em nossa sociedade”. “A PUC Minas reitera sua determinação em continuar buscando uma solução para o fim dos mencionados transtornos, que resulte de um amplo diálogo, envolvendo toda a comunidade”, conclui o texto

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FONTE: Estado de Minas.


E vira ponto turístico

O dono de um bar, suposta vítima da intolerância religiosa, lucra com a fama repentina

 

Bar-do-Araújo

Odimar e Emerson, de Brasília, fizeram questão de conhecer o novo endereço.”Só se fala nele”

“Foi tanta oração, foi tanto clamor, mas o Araújo fechou.” Chega assim ao ápice uma canção sertaneja de Maurício William em homenagem a um bar que supostamente funcionava entre dois templos neopentecostais em Palmas, no Tocantins. A notícia do fechamento do boteco, tudo indicava pela pressão de pastores e fiéis, espalhou-se como rastilho de pólvora pelas redes sociais e estimulou debates fervorosos entre evangélicos e laicos. Para muitos, mais uma prova do avanço do obscurantismo religioso. Uma foto do estabelecimento espremido entre as duas igrejas viralizou na internet, quase sempre seguida por frases de apoio: “Resiste, Araújo”.

Pois Araújo, ao contrário do que chora William em sua balada, resistiu. Não no mesmo lugar, mas no mesmo bairro, o Jardim Aureny III, periferia da capital do Tocantins. Quando encontrei o proprietário, o agente de saúde Joaquim de Araújo, ele cuidava dos últimos detalhes para a reinauguração oficial na noite da quarta-feira 17. Um pintor se esmerava nos retoques finais do logotipo do “Novo Bar do Araújo”.  “Funcionamos aqui desde janeiro, mas vou reinaugurar, aproveitar o fato de o bar ter virado ponto turístico”, informa.

Bar-do-Araújo
Logo se espalhou o boato de que o bar havia fechado por pressão dos evangélicos, mas ela só mudou de ponto

Não se trata de autopromoção. Enquanto varria a calçada, acomodava uma das 18 mesas ou negociava propaganda exclusiva com uma marca de cerveja, seu Araújo respondia aos cumprimentos dos passantes. “Araújo do WhatsApp!”, gritavam ao passar de moto ou carro. Na noite anterior, um casal do Amazonas apareceu para conhecê-lo. Depois de uma selfie, a dupla tirou o rótulo de uma garrafa e pediu um autógrafo. “Disseram que iam levar para um parente em Manaus.”

Uma moto com outro casal estaciona. Emerson Lopes e Odimar Rosa são de Brasília, mas não tiveram dificuldade em encontrar o boteco. “Digitamos ‘Bar do Araújo’ no Waze. Não teve erro”, explica o casal, que passou duas horas no boteco. Mais uma selfie, o destino de sempre, outra postagem na rede alimentada por amigos no WhatsApp. “Passamos em todos os pontos turísticos, mas deixamos o Araújo para fechar com chave de ouro”, diverte-se Lopes. “Só se fala nele.”

É a primeira vez que a fama sorri para seu Araújo. O primeiro bar ele montou em 2006, após cair de uma moto e ser obrigado a colocar oito pinos e levar 30 pontos no tornozelo esquerdo. O acidente o impediu de fazer bico de pedreiro para complementar a renda de agente de saúde. “Desde 2003, ganho um salário mínimo para trabalhar das 8 da manhã ao meio-dia pulverizando ruas contra a dengue. Não é suficiente.”

Joaquim de Araújo
Araújo em seu novo bar
Depois de pensar nas opções, chegou à conclusão: a saída seria abrir um boteco. O primeiro bar, perto do atual endereço, fechou após o proprietário vender o imóvel. Seu Araújo testou outro endereço antes de se instalar no agora famoso ponto entre a Igreja Deus É Amor e um minimercado, o verdadeiro responsável por sua expulsão do local. “O mercadinho vendia garrafa mais barata, meu faturamento caiu 80% e tive de ir embora.”

O Bar do Araújo funcionou no ponto ao lado do templo entre julho e dezembro do ano passado e, no fundo, o proprietário não tem do que reclamar dos antigos vizinhos. O pastor, diz, até usava a geladeira do boteco para guardar os refrigerantes servidos em dias de festa na igreja. Confusão, só uma vez. “Eles reclamaram, mas disse que não diminuiria o som porque meus clientes queriam ouvir música. E as orações eram mais altas.”

Os memes na internet baseiam-se, portanto, em uma informação inverídica. O Bar do Araújo nunca funcionou entre os dois templos. Responsável pela expulsão do comerciante, o minimercado foi vítima do mesmo fenômeno e acabou obrigado a ceder o espaço para uma filial da Igreja Universal do Reino de Deus. Quando a foto famosa foi feita, restava no local apenas o letreiro do boteco.

Apesar do mal-entendido, entre os evangélicos o assunto virou tabu. Na Universal, o pastor negou-se a comentar a história. Quem falou foi uma fiel, Maria da Silva Rodrigues. “A Igreja Universal tem muita unção. Quando estávamos para mudar, Deus trabalhou e tirou esse homem daqui.” O pregador da Deus É Amor também se negou a falar. Segundo ele, “o assunto virou piada”.

Quem primeiro postou a foto no Facebook foi o consultor Lucas Belinelle, em 11 de maio. “Publiquei com o intuito de crítica. Como se perguntasse qual dos três comércios faturava mais”, explica. Belinelle percebeu o efeito da postagem quando uma vizinha lhe perguntou sobre a foto. “Ela falou que uma tia em Goiânia e parentes em São Paulo estavam comentando.”

Em Palmas desde 1993, oriundo de Ananás, a 500 quilômetros da capital, Araújo se diz surpreso com a fama repentina. Soube da repercussão da foto por intermédio de um dos três filhos. De repente, começou o assédio. Ele agiu rápido: abriu uma conta no “zap zap” (sic) e uma “página oficial no Facebook”. E se diverte com as ironias da vida (ou seriam os desígnios divinos?). “Saí daquele endereço porque dava prejuízo, mas nada disso estaria acontecendo sem que eu estivesse passado por lá. Foi ruim, mas foi bom.”

FONTE: Carta Capital.


Bares se impõem pela qualidade dos petiscos e atraem clientela de toda BH

Exemplos no Barreiro, Esplanada, Graça, Jardim Guanabara, Padre Eustáquio vão além das fronteiras e fazem clientes de outras regiões atravessarem a cidade em busca do petisco ideal

O Bar do Zezé, no Barreiro, que começou como mercearia e hoje serve clássicos da gastronomia de boteco. O proprietário José Batista Martins conta que a casa costuma receber até estrangeiros que vêm à cidade a trabalho (FOTOS: MARCOS VIEIRA/EM/D. A. PRESS)

O Bar do Zezé, no Barreiro, que começou como mercearia e hoje serve clássicos da gastronomia de boteco. O proprietário José Batista Martins conta que a casa costuma receber até estrangeiros que vêm à cidade a trabalho

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Boa parte dos bares e restaurantes mais conhecidos de Belo Horizonte está na Região Centro-Sul. Tomando a Praça Sete como ponto de partida, o que levaria alguém a cruzar a cidade por 15 quilômetros para beber cerveja e comer algo? Graças a sua boa reputação (e petiscos bem bolados), o Bar do Zezé, no Barreiro, consegue mobilizar fregueses para isso. Outras casas, espalhadas por bairros nos quatro cantos da capital mineira, também conseguem se impor para muito além de alguns quarteirões.

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O caso de José Batista Martins, o Zezé, é mesmo marcante. Seu bar foi inaugurado em 2004, substituindo, pouco a pouco, a mercearia que abriu no mesmo imóvel, em 1980. Eram quatro mesas, um fogão de duas bocas e um pequeno balcão. “Quando os supermercados chegaram ao bairro e ficou difícil (manter a mercearia), tive de dar um jeito. O negócio foi dando certo, fui campeão do Comida di Buteco quando participei pela primeira vez, ampliei a loja e, hoje, virou um botecão”, lembra ele. Atualmente, são quarenta mesas.

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Até hoje, o Zezé mantém no cardápio os mesmos pratos do dia, como a rabada com batata (R$ 27,50, para duas pessoas), às sextas, e a feijoada completa, aos sábados (R$ 48, para três pessoas). Na seção fixa, há itens como o bolinho de milho com bacalhau (R$ 27,50, 12 unidades) e a carne de panela com jiló recheado com bacon, angu mole e queijo de minas e cebolinha (R$ 21,50, para duas pessoas), sendo este uma das criações que mais ajudaram a erguer a fama da casa. Fora galinhada, canjiquinha com costelinha, dobradinha e por aí vai.

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Talvez por ser uma verdadeira coleção de autênticos clássicos de boteco, o cardápio é levado como lembrança por alguns clientes que vêm de longe. “O bar atrai muita gente de fora, incluindo Rio e São Paulo. Até gringo que vem por conta dessas empresas na Cidade Industrial e Contagem aparece aqui. Gente da Itália, Estados Unidos, Inglaterra. Eles pedem para vir”, conta Zezé. Nem ele nem seus funcionários dominam uma segunda língua, mas todo mundo se entende.
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CORRESPONDÊNCIA No extremo oposto da cidade, a 21 quilômetros dali, o Silvio’s Bar é referência não apenas no Bairro Esplanada, mas em boa parte da Região Leste. Foi aberto em 1972 por Maria da Piedade Gonçalves e seu marido, Silvio, que morreu sete anos atrás. As banquetas ao redor do balcão comprido são os lugares mais disputados e também a marca registrada da casa, famosa pelo feijão-tropeiro (R$ 33, para duas ou três pessoas), servido com pedaços de linguiça caseira e torresmo à pururuca.
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Também chamam a atenção petiscos criados por Maria, como a batata 3 em 1 (R$ 27,50, para três pessoas), servida com molho à bolonhesa e parmesão ralado à parte para que o freguês consiga “empaná-la” na mesa, passando os chips primeiro em um, depois no outro. “Eu não tinha experiência de cozinhar para tanta gente, mas, com o conhecimento de casa, não foi tão complicado. Bastou aumentar as quantidades”, conta ela, que executa cardápio com cerca de 50 petiscos. Cervejas (garrafa de 600ml) a partir de R$ 6,50.
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Maria acredita que sua empreitada tenha encorajado outras pessoas a abrir bares na região e está certa de que a concorrência é boa para o comércio e para o público. A opinião é compartilhada por Célio Stropp Fantini Júnior, um dos sócios do Bar do Veio, no Caiçara, a quase 10 quilômetros de distância do Silvio’s: “Moro perto do meu bar e vejo muita correspondência chegar ao meu prédio dando a casa como referência. Acho ótimo. Tem lugar para todo mundo, tem público para tudo e as pessoas vão cada hora a um lugar”.
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O bar iniciou suas atividades em 1986 com cardápio enxuto, mas já com um dos pratos que, até hoje, fazem mais sucesso por ali, o peito de frango recheado com bacon, presunto e queijo (R$ 45, para duas pessoas). As opções de tira-gosto aumentaram com a ampliação da casa (hoje, são 200 lugares), abrindo espaço para receitas mais criativas, como o enroladinho de lombo com bacon e cenoura ao molho de cansanção (R$ 21,90, para duas pessoas), aposta da casa para a edição deste ano do concurso Botecar. Os chopes começam a R$ 5.
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COXINHA A nove quilômetros dali, no Bairro da Graça, está aquele que, nos últimos anos, se consolidou como um dos melhores locais da cidade para se comer coxinha. Simplesmente batizada de Leo Coxinha, a casa mudou de dono há dois anos, mas foi mantida inalterada a receita que Leo e a mãe, Dona Nem, começaram a desenvolver nos anos 1970, quando ainda vendiam o salgado só para a vizinhança, praticamente de porta em porta. “As salgadeiras são as mesmas, só mudamos os garçons”, diz o proprietário, João Mendes Ribeiro.
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Não existe mística em torno da coxinha de lá, qualquer um consegue saber como é feita. A produção é diária, os salgados são mantidos resfriados (e não congelados) e fritos na hora. “A massa é tradicional, mas tem um ponto específico, que envolve o tempo de batê-la e fritá-la”, explica Ribeiro. Entre as coxinhas disponíveis, estão as de frango (R$ 3,50), frango com requeijao (R$ 4), carne seca com requeijão (R$ 5), camarão com requeijão (R$ 5) e uma bem curiosa, que leva exclusivamente requeijão no recheio (R$ 3,50).
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“Recebemos gente de todos os bairros e algumas pessoas levam a coxinha congelada para outras cidades”, conta ele. A casa também serve outros salgados, como bolinho de mandioca, empada, tortinhas e quibe. Para acompanhar a cerveja (a partir de R$ 7, garrafa de 600ml), há, ainda, porções de petiscos, como mandioca com torresmo (R$ 18, para três pessoas), caldos (a partir de R$ 8) e mexido (R$ 11, para duas pessoas).
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ONDE IR
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>> Baltazar

Rua Oriente, 571, Serra. (31) 3221-7361. Aberto de segunda a sexta, das 17h à 1h; sábado e feriado, 12h à 1h; domingo, 
das 12h às 18h.
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>> Bar do Careca, o Pescador
Rua Gastão da Costa Pinheiro, 210, 
Jardim Guanabara. (31) 3434-6448 e 
(31) 9251-0369. Aberto de segunda a sexta, das 18h à 0h; sábado, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 18h.
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>> Bar do Veio
Rua Itaguaí, 406, Caiçara. (31) 3415-8455. Aberto terça e quarta, das 17h às 23h; quinta e sexta, das 17h à 0h; sábado, das 11h à 0h; domingo e feriado, das 11h às 19h.
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>> Bar do Zezé
Rua Pinheiro Chagas, 406, Barreiro. 
(31) 3384-2444. Aberto de segunda a sexta, das 17h à 0h; sábado, das 12h às 21h.
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>> Leo Coxinha
Rua Jussara, 150, Bairro da Graça. 
(31) 3309-9440. Aberto de segunda a sábado, das 11h às 14h e das 16h às 23h40.
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>> Nino Pizzaria
Rua Coronel José Benjamin, 824, Padre Eustáquio. (31) 3464-8085. Aberto de segunda a quinta, das 11h às 14h30 e das 17h à 0h; sexta a domingo, das 11h à 0h.
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>> Silvio’s Bar
Rua Begônia, 199, Esplanada. 
(31) 3318-3273. Aberto de segunda a sexta, das 17h à 0h; sábado, das 12h à 0h.

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FONTE:  Estado de Minas.



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