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Resultados positivos no Ideb vêm de ideias simples, que levam aluno a gostar das aulas

Escolas estaduais de Minas, uma delas pela terceira vez consecutiva, estão em primeiro lugar no Ideb e revelam o segredo do bom desempenho

 

O pequeno Denys, da Escola Estadual Duque de Caxias, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, no dia de aprender a ler as horas: liberdade para interpretar as lições<br /><br /><br />
 (Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
O pequeno Denys, da Escola Estadual Duque de Caxias, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, no dia de aprender a ler as horas: liberdade para interpretar as lições

Direção e professores da Escola Estadual Duque de Caxias, no Bairro Santa Helena, na Região do Barreiro, conjugam diariamente quatro verbos que garantem o bom desempenho dos alunos: planejar, monitorar, avaliar e corrigir. Foi com esse direcionamento que a escola alcançou, pela terceira vez consecutiva, o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais (1º ao 5º ano), em Belo Horizonte. Obteve 7,9, nota superior aos 7,7 de 2011 e aos 7,5 conquistados em 2009.

A nota divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), com base em dados do ano passado, está acima da média na rede estadual de Minas, que foi de 6,2 para essa faixa de ensino, e é ainda superior ao Ideb da rede particular, 7,6. Mas qual é a fórmula do sucesso da Duque de Caxias e de outras instituições mineiras que ocupam lugar de destaque no levantamento? A diretora Maria Eliza Mendes de Almeida Resende, há 14 anos no cargo, garante: “Não há segredo, apenas defendemos o direito de o estudante aprender, o que é dever da escola”.

O dia de ontem foi de muitas atividades e também de alegria para educadores, funcionários e estudantes da unidade. Na sala dos professores, havia o recado sobre o resultado de Ideb. “Estamos realmente muito felizes, pois o nosso objetivo é fazer o aluno aprender. Esse é o princípio básico e trabalhamos com vários projetos. Se há algum problema, o resolvemos com intervenções pedagógicas na hora certa. Todos os projetos obedecem a um diagnóstico contínuo, dentro de um planejamento bem feito e avaliação permanente. Temos uma filosofia de trabalho bem definida”, diz a diretora.

Logo na entrada da escola está a frase do educador Paulo Freire: “Só desperta paixão de aprender quem tem paixão de ensinar”. Maria Eliza se orgulha de levar adiante o lema e explica que a espinha dorsal da escola está no projeto de leitura para os 560 alunos na faixa etária de 6 a 10 anos. “Articulamos as diversas disciplinas com projetos de leitura. O estudante precisa gostar de ler para entender e interpretar.” Maria Eliza destacando ainda a participação das famílias dos alunos.

Na aula da professora Marise de Oliveira Rodrigues, meninos e meninas estudam a história da Branca de Neve, enquanto aprendem a ler as horas. O jeito bem criativo de ensinar está numa maçã e num relógio. “É preciso haver encantamento e as aulas precisam ser atrativas”, diz Maria Eliza. Ingrid Mel Silva, de 8 anos, conta que gosta muito de ler e tem entre suas histórias preferidas A pequena sereia. Também na primeira fila, Denis Lopes de Carvalho faz coro às palavras da colega e, como toda criança, avisa que adora a hora do recreio.

Em BH, outra escola estadual alcançou o primeiro lugar do Ideb pela atuação nos anos finais (6º ao 9º ano). Com nota 6,2, a Escola Estadual Pedro II, no Bairro Santa Efigênia, superou a média da rede de educação mineira (4,7) e se manteve acima da média das unidades estaduais no Brasil, que tiveram nota 4. Para o diretor Tiago Dias, o sucesso é resultado de uma soma de ações. “Trabalhamos com o aluno de forma personalizada. Desse modo, ele recebe atenção especializada e é atendido, pontualmente, naquele conteúdo em que apresenta deficiência. Temos um forte trabalho de intervenção pedagógica”, afirma.

Como a Pedro II funciona em tempo integral, os estudantes têm atividades complementares no contraturno escolar, como música, artes cênicas, aulas de espanhol, educação patrimonial e reforço, que, segundo o diretor, fazem diferença no aprendizado. Todas essas iniciativas, de acordo com Tiago, superam uma grande dificuldade da instituição, que é o caráter heterogêneo das turmas. “Por estar localizada na Região Central, a Pedro II recebe alunos de todas as classes sociais, das mais diversas regiões da cidade e também de municípios vizinhos. Ainda assim, conseguimos alcançar um equilíbrio.”

No interior, duas escolas estaduais tiveram nota ainda maior do que as unidades de BH. A Professor Modesto, em Patos de Minas (Alto Paranaíba), e Antero Magalhães e Aguiar, em Santa Rosa do Serro, estão empatadas com 8,2. “A educação em tempo integral faz toda a diferença. Fora do horário normal das aulas, todos os funcionários se envolvem naqueles pontos em que os alunos têm maior dificuldade”, diz o diretor da Antero Magalhães e Aguiar, Walisson de Souza. A unidade funciona desde 2007 em um prédio antigo, sem sala de informática e quadra de esportes. “Estamos felizes. A pontuação mostra que o trabalho dá bom resultado mesmo sem a melhor infraestrutura.”

CAMPEÃO As notas do Ideb 2013 mostram que Minas vai bem no ensino fundamental. Com os resultados, a rede estadual se consolidou em primeiro lugar no ranking nacional, tanto nos anos iniciais (1º ao 5º ano) quanto nos finais (6º ao 9º ano). Para as primeiras séries, esta é a terceira vez que o estado se destaca como campeão no país. Já o ensino médio ainda é o grande desafio. Entre as 27 unidades da federação, 23 não atingiram a meta estabelecida pelo MEC. Com o índice de 3,6, Minas ficou 0,4 ponto abaixo da meta de 4 pontos determinada pelo órgão e, na média nacional, o índice de 3,4 do Brasil se manteve igual ao de 2011, também inferior ao previsto para 2013, que era de 3,6.

Saiba mais

Como é feita a Avaliação

Feito a cada dois anos, o Ideb é um instrumento usado pelo Ministério da Educação desde 2005 para medir a qualidade do ensino no Brasil. O índice é calculado a partir da combinação do desempenho dos alunos no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e rendimento escolar (taxa de aprovação). O fator desempenho é medido com base nas notas dos alunos na Prova Brasil, nas disciplinas língua portuguesa e matemática, aplicadas para todos os alunos do ensino fundamental no país. No ensino médio, a análise é feita por amostragem estatística. Em 2013, 75 mil estudantes foram avaliados nas provas do Saeb, nas redes pública e privada do país. Já os dados que indicam as taxas de aprovação são obtidos por meio do Censo Escolar.

Desafios que a rede tem de superar

Enquanto algumas unidades de ensino celebram bons resultados, outras têm missões desafiadoras para melhorar a aprendizagem. Em BH, as escolas Municipal Oswaldo Cruz e Estadual Professor Ricardo de Souza Cruz foram as piores colocadas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A primeira, com nota 2,2, ocupa o último lugar no ranking dos anos iniciais do nível fundamental (1º ao 5º ano), ao passo que a estadual alcançou 2,4 nos anos finais (6º ao 9º ano).

Diretora da Oswaldo Cruz, Jaqueline Correa atribui a má classificação ao perfil heterogêneo das turmas recém-chegadas à escola. “Este é o segundo ano que atendemos alunos nos anos iniciais. É um público que veio de diversas escolas da região e com características socioculturais variadas.” Apesar disso, ela diz ter ficado surpresa com o resultado: “Não imaginei que a nota fosse tão abaixo da média. Mas isso confirma o déficit na aprendizagem, que precisa de prazo para ser trabalhado”.

No ensino socioeducativo, a Escola Estadual Jovem Protagonista, que atende 380 alunos na faixa etária de 15 a 20 anos, sendo 90% do sexo masculino, obteve o pior resultado da capital (nota 1,1) entre os anos finais do ensino fundamental. A diretora da instituição que atende a sete centros socioeducacionais, Cláudia Alves, diz que a escola tem características diferentes das demais, pois educa jovens que aguardam sentença, num prazo de 45 dias, ou cumprem, por até três anos, as determinações judiciais.

“Mesmo assim, temos resultados de aprendizagem acima do esperado. Nosso desafio é duplo: ensinar e reatar os laços que os internos perderam com a escola, em média de cinco anos”, disse Cláudia, que se mostra triste com a avaliação.

De acordo com a secretária de Estado da Educação, Ana Lúcia Gazzola, várias razões podem explicar os abismos de aprendizado entre escolas de uma mesma rede. Segundo ela, como o sistema público de ensino é democrático, recebe alunos heterogêneos e uma rede também diversificada, com unidades na sede do município, nos distritos, na zona rural, em comunidades indígenas e assentamentos, entre outros locais. Ainda segundo Ana Lúcia, nem sempre o ambiente familiar, no sistema público, reforça o significado e o valor da escola e, assim, não se envolve na vida do aluno dentro da instituição.

Outro desafio, que vem sendo vencido, de acordo com a secretária, é a distorção idade série, com alunos fora da faixa etária para a classe escolar. “Temos programas específicos para atuar nessas dificuldades. O PIP (Programa de Intervenção Pedagógica) é um deles, com atuação direta nas dificuldades dos estudantes. Também temos investimentos em infraestrutura e um trabalho permanente de capacitação para todos os educadores da rede”, afirma.

FONTE: Estado de Minas.

Nova fórmula para levar à mesa

Pirâmide alimentar é redesenhada com o objetivo de melhorar a qualidade da dieta dos brasileiros. Nutrólogo mineiro, Enio Cardillo Vieira questiona valor dado ao feijão, que deveria estar na base

Nutrólogo Enio Cardillo alerta para consumo excessivo de batata e carne  (Beto Novaes/EM/D.A Press )
Nutrólogo Enio Cardillo alerta para consumo excessivo de batata e carne

Arroz, feijão, carne e salada. O prato presente na mesa de milhões de brasileiros é alardeado por especialistas há anos como uma combinação das mais saudáveis à mesa. Mas esse cardápio tem mudado, e para pior. A população está obesa, ainda que não seja responsabilidade só do que se consome (incluem-se aí o sedentarismo, o estilo de vida, o hábito alimentar e a atividade física), e o fast food assume importância indesejável.

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No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, em 2010,  dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008/2009) indicando que o peso dos brasileiros aumentou nos últimos anos, devido à alimentação inadequada.
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O excesso de peso em homens adultos saltou de 18,5% para 50,1% – ou seja, metade dos homens já estava acima do peso – e ultrapassou o excesso em mulheres, que foi de 28,7% para 48%.  Para resgatar a importância da boa alimentação e na tentativa de aproximar a informação, a pirâmide alimentar adaptada à população brasileira publicada em 1999 foi redesenhada para o modelo atual com 2.000 quilocalorias (kcal), atendendo a recomendação energética média diária para o brasileiro estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Assim, no desenho atual, os alimentos estão distribuídos em oito grupos e em quatro níveis, de acordo com o nutriente que mais se destaca na sua composição. Para cada grupo são estabelecidos valores energéticos, fixados em função da dieta e das quantidades dos alimentos, permitindo estabelecer os equivalentes em energia (kcal). Outra orientação é o planejamento das refeições conforme os grupos de alimentos. A alimentação deve ser composta por quatro a seis refeições diárias, distribuídas em três principais (café da manhã, almoço, jantar), com 15% a 35% das recomendações diárias de energia, e em até três lanches intermediários (manhã, tarde e noite), com 5% a 15% das recomendações diárias de energia.

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A pirâmide alimentar foi redesenhada com o objetivo de melhorar a qualidade da dieta dos brasileiros, já que ela é o instrumento mais usado no país para nortear qualitativa e quantitativamente o padrão alimentar da população. A pesquisadora Sonia Tucunduva Philippi, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, elaborou e publicou o primeiro trabalho sobre essa pirâmide adaptada e colaborou com o Ministério da Saúde no desenvolvimento do Guia alimentar brasileiro com os cálculos do número de porções e valor energético médio de cada uma delas, para todos os grupos alimentares e para uma dieta de 2.000 kcal. O trabalho foi apresentado no V Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada (CBNI). “A refeição é um momento de prazer e as boas escolhas alimentares devem ser levadas em conta. Não basta falar, é preciso orientar, auxiliar e levar a informação para a população.”

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REGIONAL VALORIZADO

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Sonia Philippi explica que nessa mudança a preocupação foi destacar os alimentos integrais e regionais. A proposta é que sejam mais  aproveitados. “Como o hábito regional não muda rapidamente, o esforço é resgatar o bom hábito alimentar. É preciso valorizá-lo a todo momento e, por isso, é interessante torná-lo mais próximo. Então, valoriza-se, por exemplo, as frutas do Nordeste, ou o maior consumo de leite, iogurte e queijo nas regiões que têm problema de cálcio entre seus habitantes. Ou sugere-se o consumo dos doces de Minas em menor quantidade”, explica.

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Na nova pirâmide podem-se valorizar alimentos como iogurte, leite e queijo, ricos na culinária mineira e fonte de cálcio. Segundo o Ministério da Saúde, o brasileiro deve ingerir diariamente três porções de lácteos ao dia para obter a recomendação diária desse nutriente. Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas mostram que, na faixa de 10 a 19 anos, 13,8% dos mineiros tinham o índice de massa corporal (IMC) acima do recomendado. Em 2012, eram 15,1%. No Brasil, de acordo com o último Vigitel – pesquisa do Ministério da Saúde feita por inquérito telefônico –, 21,7% dos meninos e 19% das meninas estavam acima do peso em 2008/2009.

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“Quanto mais capim comemos, melhor”

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Com experiência de sobra, o nutrólogo mineiro Enio Cardillo Vieira usa com seus pacientes a pirâmide alimentar do laboratório americano Mayo, um dos mais respeitados do mundo. Em relação à brasileira redesenhada, ele destaca a inversão do carboidrato (arroz, pão, massa, batata, mandioca) com as frutas e hortaliças (legumes e verduras). “Quanto mais capim comemos, melhor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda cinco porções de uma combinação de frutas e hortaliças. E é importante saber que uma porção é um punho cerrado ou uma mão cheia. Uma laranja, uma maçã, uma mão cheia de couve. O que não se deve é abusar do produto animal. Mas a pirâmide brasileira está correta, não tem grande novidade, a não ser nos detalhes”, diz.

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Com o carboidrato na base da pirâmide brasileira, Cardillo lembra que é preciso ter cuidado com o consumo da batata. “Ela tem o índice glicêmico elevado porque a absorção da glicose é mais rápida que qualquer outro alimento. É contraindicada para quem tem diabetes. Walter Willett, da Universidade de Harvard, desenvolveu um estudo provando que grande parte da obesidade na população é pelo consumo em excesso da batata”, aponta.

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O médico gosta da ideia de regionalização, mas faz uma ressalva: “É importante e lúcido incentivar o consumo de cupuaçu e graviola no Amazonas ou do feijão-de-corda no Nordeste. Mas não se pode perder o óbvio de vista, que o espírito da pirâmide é atender o ser humano, que é um só”.

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Em acordo está o perigo da gordura, que precisa ser consumida cada vez menos. Ela é o maior vilão da alimentação. “Os alimentos que mais contribuem com as calorias são carboidratos, carnes e laticínios, além dos doces e do óleo. A gordura é a mais calórica, tem 9 calorias por grama. Deve ser evitada. É epidemiológica por acarretar alto índice de obesidade”, alerta Cardillo.

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SUBSIDIAR

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Apesar de achar a pirâmide alimentar brasileira sensata, o nutrólogo discorda de um ponto importante. “O feijão no terceiro andar tinha de estar na base. Cereais como arroz, centeio e trigo têm deficiência de aminoácido essencial ao organismo e que precisa ser obtido da dieta. As leguminosas, como feijão, ervilha, lentilha, são ricas em lisina. Portanto, arroz com feijão é a complementação perfeita, um ajuda o outro”.

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Ele reforça que essa combinação, consagrada no Brasil, tem sua versão espalhada pelo mundo. “No México e na América Central é o milho com feijão. Na África, lentilha mais o sorgo. Em determinados países árabes, o trigo mais o grão de bico. No extremo Oriente, o arroz se junta à soja. Essa mistura é das mais saudáveis. Inclusive, o professor Dutra Oliveira, um pesquisador em nutrição, médico e professor aposentado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, autoridade máxima em nutrição no Brasil, propôs ao governo brasileiro subsidiar o arroz e o feijão. Os produtos ficariam mais baratos e o povo mais nutrido. Mas ninguém se interessou”, lamenta Cardillo.

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FONTES: Estado de Minas e Dieta e Saúde.



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