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Bichinhos de estimação conquistam clientes em Belo Horizonte

 

Grafite de Beré, no antigo endereço do Balaio de Gato, que morreu semana passada
Grafite de Beré, no antigo endereço do Balaio de Gato, que morreu semana passada
Bom amigo, protetor, “filho”… e garantia certa para a diversão no “recesso do lar”. Há casos, porém, em que as funções desempenhadas pelo animal de estimação extrapolam territórios, estendendo-se para o local de trabalho de seus felizes proprietários – são raros, mas há inclusive bichinhos que batem o ponto quase que diariamente.
Beré, Zé Branco e Dimitry foram além. Esses três “best friends forever” – dois caninos e um bichano, respectivamente – não só conquistaram a clientela como viraram cartões de visitas. “O Zé é mais conhecido do que eu”, reconhece a “dona”, Mariana Hardy.
Proprietária da agência de design que carrega seu sobrenome, Mariana conta que o dálmata virou personagem de vários produtos da Hardy (agendas, cadernos e cartões de Natal), distribuídos como material de divulgação. “É o nosso garoto-propaganda”, orgulha-se a moça. Mesmo papel desempenhado por Dimitry, um gato que, ao primeiro contato, leva os frequentadores da Cat’s Shop a confundi-lo com um cão. “Culpa” do tamanho. “É a maior raça de gato”, alerta o vendedor Giovanni Barros da Silva. Presente de uma fabricante de ração, o felino suscita uma certa idolatria. “Muita gente vai à loja só para vê-lo”, diz Giovanni.
Apesar do nome Balaio de Gato, a principal atração do bar cultural era Beré, vira-lata que latia com entusiasmo quando começavam a cantar “Parabéns para Você”. “Os clientes adoravam vê-la sentada em sua mesa”, recorda a proprietária do espaço, Luciana Alvim.
Mascote do Balaio de Gato tinha mesa cativa
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“Beré faleceu na semana passada”. Foram as primeiras palavras de Luciana Alvim à reportagem do Hoje em Dia. A proprietária do Balaio do Gato, hoje localizado no Mercado Distrital do Cruzeiro, ainda está, claro, abalada com a perda, após 17 anos de convivência estreita com a vira-latinha. “Estava velhinha demais, com um tumor no cérebro. A matéria será uma homenagem”, registra Luciana, que lembra como se fosse ontem o dia em que socorreu a cadelinha, que havia sido atropelada.
À época, Beré tinha outro dono, que, vendo a fratura resultante do acidente, resolveu que não, não iria cuidar dela. “Disse: ‘levo ao veterinário desde que fique com ela’. E ele liberou”. Mais tarde, o ex-dono admitiu, ao ser recebido com receio por Beré, que (acredite) batia na cachorra. Luciana, naturalmente, não quis mais que se reencontrassem.
O período difícil ficou para trás e Beré angariou a atenção que merecia no Balaio de Gato, quando o bar cultural ainda funcionava no Funcionários. Foi lá que ganhou, por exemplo, um grafite na área externa. “Antes, tínhamos feito um tratamento acústico, que deixou o lugar o feio”, conta. A solução para diminuir o impacto da “feiúra” foi um trabalho artístico. Convidado para dar vazão à criatividade, Ramon Marquinhos pediu sugestões e a proprietária não conseguiu pensar em outra coisa que não Beré, que teve reproduzida uma “foto 3X4” sua, postada no Facebook do bar.
“Beré estava sempre comigo. Viajamos para vários lugares”, lamenta Luciana, que não economizou no enterro da cadela. Comprou um jazigo no cemitério de animais, com direito ao nome da cadelinha gravado. “Não queria cavar um buraco qualquer e jogar seu corpo. Fechamos nossa história com chave de ouro”.
Dimitry tem papel de suma importância
Dimitry está na Cat’s Shop desde a inauguração dessa que é a primeira de Belo Horizonte dedicada exclusivamente aos felinos, em 2009. Foi um presente de uma marca de ração para a proprietária, Paula Andrade. Apesar de ficar boa parte de seu dia deitado ou preso à coleirinha, ele exerce um papel de suma importância por lá.
“O objetivo de tê-lo aqui é o de estreitar laços e mudar conceitos junto aos clientes e pessoas em geral que visitam a loja. Principalmente em se tratando de gatos, pois quem não convive ou conhece bem esses belos animais não sabe como podem ser carinhosos, divertidos e companheiros”, pondera Paula.
Segundo ela, ainda há pessoas que alimentam um certo preconceito em relação aos bichanos. “Felizmente, isso está mudando rapidamente e elas estão passando a ver, no gato, um animal independente, mas companheiro, com facilidade para aprender, e um bicho muito sensível”, assinala.
A raça de Dimitry, a maine coon, é chamada de “gatos gigantes” e figura no Guinness como a mais comprida entre os peludos. Mas o gato mineiro é pequeno se comparado a outros companheiros do estado norte-americano do Maine, onde a raça se originou.
Muito dócil, Dimitry se transformou num xodó, a ponto de um dos clientes da Cat’s Shop ter se especializado na criação do maine coon. “É um gato muito resistente, principalmente à neve, já que é bastante frio no Maine. Dificilmente fica doente e vive muito tempo”, garante o vendedor Giovanni da Silva.

 

FONTE: Hoje Em Dia.


Casais disputam na Justiça quem fica com a “guarda” do animal

 

Disputa animal na Vara de Família
Em guarda compartilhada, Syd fica 4 meses na casa de carolina e outros 4 na casa de Guilherme
Ao fim de quatro anos de relacionamento, a fotógrafa Carolina Salgado e o engenheiro de automação Guilherme Carvalho quase foram à Justiça para definir com quem ficaria a guarda do gato Syd. Eles, porém, decidiram que o melhor para ambos e para o bichinho de estimação seria dividir as responsabilidades. A partir da orientação de um advogado, ficou acordado que cada um cuidaria de Syd em períodos intercalados de quatro meses.
Mas nem sempre fins de romances terminam em um simples aperto de mãos. Nos últimos anos, reivindicações de tutela de cães e gatos têm movimentado a Vara de Família, que bate o martelo sobre as guardas compartilhada ou unilateral dos animais.
Mesmo sem legislação específica, em muitas ações, as partes chegam a exigir pensão para custear despesas relacionadas – de ração a viagens.
A Justiça tem optado pela divisão de responsabilidades, melhor condição financeira ou ainda a quem comprovar ser o dono legítimo do bicho. “O Código Civil Brasileiro trata apenas da questão de maus-tratos aos animais. Sobre guarda unilateral ou compartilhada, fica a critério do entendimento e da sensibilidade de cada juiz”, explica o especialista em direito de família Nacib Rachib Silva.
Nos processos, explica ele, a jurisprudência leva em consideração a afetividade de cada um dos donos. “Dependendo da situação, o afastamento definitivo pode até comprometer a estrutura psicológica das partes. Por isso a necessidade de tratar o assunto ponderando os dois lados, além do benefício do animal”, analisa Silva.
Às vezes, a decisão sobre a tutela foge da alçada da Vara de Família, como foi o caso da cadela Mimi, da raça labrador, hoje sob os cuidados da dentista Fayanne Machado. O cão foi tratado como um objeto e entrou na partilha de bens dos proprietários, em processo julgado na Vara Cível.
“Mimi foi um presente dos nossos padrinhos de casamento. Com a separação, o meu ex-marido quis levá-la, mas eu não deixei. Acabei ficando com a responsabilidade pelos cuidados dela”, conta. Antes de ter a guarda definida, a dentista participou de várias audiências nos tribunais. “Foram meses desgastantes. Até a Mimi ficou triste e sentiu essa disputa. Não imaginava que seria tão cansativo e sofrido”.
A guarda compartilhada apresenta-se como a melhor saída. Para o gato Syd, a divisão das atenções parece vantajosa. “Quando é minha vez, adapto minha rotina de trabalho para ficar mais tempo em casa com ele. É a forma que encontrei para poder dar carinho e atenção”, afirma o engenheiro Guilherme Carvalho. As despesas com veterinário, remédios e alimentação também fazem parte dessa partilha. “Assim, conseguimos ficar presentes na vida do Syd de maneira igualitária. Acredito que ele consegue sentir todo o carinho que temos por ele”, conclui a fotógrafa Carolina Salgado.
Primeiro caso foi julgado há dez anos
Com o fim do casamento, a funcionária pública Helenice Machado Mendes, de 55 anos, recorreu à Justiça para ter direito de cuidar, juntamente com o ex-marido, das cadelas Bela e Hortência. “Era um desejo nosso continuarmos essa convivência, e decidimos deixar isso formalizado. Seria doloroso tanto para nós quanto para as cadelinhas, a separação”.
Para explicar os motivos da decisão ao juiz, eles tiveram de descrever, em uma carta, o que a guarda compartilhada dos cães significava para os dois. “Bela e Hortência eram nossas filhas. O amor é incondicional, e foi isso que colocamos no papel”, disse Helenice.
O caso, pioneiro em Minas, foi julgado há dez anos na Vara de Família e teve como parecer o compartilhamento da guarda e dos custos referentes aos cuidados dos animais. “Lembro do espanto do juiz como se fosse hoje, porque era algo inédito a ser tratado. Até a minha advogada ficou curiosa com o pedido. Foi uma vitória elas não serem analisadas no acordo como um objeto ou um bem, mas como membros da casa”, disse Helenice.
Hortência e Bela, que viveram 8 anos, foram acompanhadas de perto pelos donos. “Nenhuma decisão era tomada sem um consultar o outro. Quando um viajava, o outro assumia a responsabilidade sem nenhum problema. Isso fez com que elas não sentissem essa mudança de casa”, explicou a funcionária pública.
Após a morte das cadelas, as fotos e a boa relação com o ex-marido são as lembranças da divisão da guarda inusitada.
“Acredito que isso somente deu certo porque era um desejo dos dois. Apesar da separação, tínhamos uma amizade que favoreceu a criação delas”, afirma Helenice.
Bichos de estimação podem ficar agressivos
Ansiedade, falta de apetite, desânimo e até agressividade afetam bichos de estimação de proprietários em processo de separação litigiosa. “Em questões emocionais, cães e gatos vivenciam intensamente essas mudanças e percebem as mudanças no ambiente. Os que são mais próximos dos donos sofrem ainda mais”, afirma o mestre em medicina veterinária Demerson Ferreira Rocha.
Júlio Cambraia, medico veterinário da Escola de Veterinária da UFMG, explica que as mudanças no comportamento de cães e gatos durante o processo de disputa de tutela são previsíveis. “O animal pode apresentar desde prostração a agitação e agressividade”.
Cambraia alerta que o excesso de afetividade dos donos também pode prejudicar. “Muitos mimos e cuidados podem ser danosos no que se refere ao comportamento. São importantes os limites e separar o que é característico do ser humano e de um animal. Deixar que cão e gato sejam verdadeiramente animais domésticos”.
Saúde
Apesar da alteração de humor dos bichos, segundo especialistas, a mudança de casa não afeta a saúde dos animais. “Não existe nenhuma comprovação científica que correlacione essa situação de separação ou disputa de tutela ao ponto que interfira na saúde do cão ou gato. O que observamos é que alguns se tornam mais emotivos e outros ficam indiferentes”, explica Cambraia.
Projeto de lei tenta diminuir conflitos
Para tentar reduzir os conflitos sobre a guarda ou tutela dos pets, tramita desde 2010, na Câmara dos Deputados, em Brasília, o Projeto de Lei nº 7.196, que determina a guarda para quem comprovar ser legítimo proprietário do animal, por meio de documentos (cartão de vacinação, registro de pedigree) considerados válidos pelo juiz.
Na falta desse registro que comprove a propriedade do pet, a guarda seria concedida a quem demonstrar maior capacidade financeira.
A ideia é que o projeto de lei beneficie também casos de disputa de guarda de animais que envolvam irmãos, pais e filhos. Porém, especialistas em direito de família recomendam o acordo entre as partes.

FONTE: Hoje Em Dia.


Estudo norte-americano indica que o cérebro de mulheres é ativado de forma semelhante diante de fotografias de suas crianças e de seus cães

Cães mulheres

Eles já não são mais simples donos de cachorros. Hoje, muitos proprietários de animais de estimação preferem chamar seus xodós de “filhos”. E não é só uma questão semântica: os pets ganham guarda-roupa próprio, dormem na cama dos “pais”, ganham presente no Dia das Crianças — enfim, ocupam um espaço privilegiado na família. Curiosa com essa relação construída com os bichos domésticos, uma equipe de pesquisadores do Hospital Geral de Massachussetts, nos Estados Unidos, decidiu investigar se, além do coração, o cérebro reconhece os cachorros como filhos de verdade. “Os animais domésticos ocupam um lugar especial no coração e nas vidas de muitas pessoas, e há evidências convincentes de estudos clínicos e laboratoriais de que interagir com pets pode ser benéfico para o bem-estar físico, social e emocional dos humanos”, defende Lori Palley, pesquisadora do Centro de Medicina Comparativa do hospital e coautora do estudo. Ela lembra que a domesticação dos cães começou entre 18 mil e 32 mil anos atrás, e que a prática de dispensar cuidados paternais a eles é um comportamento comum em diferentes culturas, que provavelmente emergiu da necessidade evolutiva de tê-los como companheiros fiéis. 

De acordo com Palley, aproximadamente dois terços dos lares americanos têm animais de estimação, e mais de US$ 50 bilhões são gastos anualmente com eles. No Brasil, há um cachorro para cada seis habitantes, e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, nos últimos quatro anos, aumentou 17,6% a população de cães e gatos domésticos no país. “Na mídia, os proprietários já são chamados de ‘pais de pets’ e metade deles considera que seus animais são tão parte da família quanto qualquer outro integrante da casa”, afirma Palley, citando uma pesquisa de 2009. 

A médica revela que muitos estudos anteriores constataram que níveis de neuro-hormônios, como a oxitocina, envolvidos no processo de ligação emotiva e vínculo materno, aumentam depois da interação com os pets. “Novas tecnologias de imagem estão nos ajudando a começar a entender as bases neurobiológicas dessa relação, o que é bastante animador”, afirma. 

Coincidências Para comparar os padrões de atividade cerebral envolvidos na relação humanos-pet e aqueles suscitados pela interação mãe-filho, o estudo recrutou um grupo de mulheres com pelo menos um filho de 2 a 10 anos e um cachorro que havia entrado para a família mais de dois anos antes do estudo. A pesquisa foi dividida em duas sessões. Na primeira, as participantes receberam os cientistas em casa e completaram diversos questionários, incluindo perguntas sobre sua relação tanto com os filhos quanto com os cães. Os pets e as crianças foram fotografados na casa das voluntárias. 

Na segunda fase, as participantes foram até o Centro de Imagens Biomédicas do Hospital Geral de Massachussetts, onde se submeteram ao exame de ressonância magnética funcional. Esse teste não invasivo indica os níveis de ativação de determinadas estruturas cerebrais, detectando alterações no fluxo sanguíneo e nas taxas de oxigenação. Os cientistas mostraram uma sequência de fotografias enquanto as mulheres faziam o exame. As imagens incluíam os filhos das voluntárias e seus cachorros, alternados com retratos de crianças desconhecidas e cães pertencentes a outras pessoas. No fim, cada participante completou algumas tarefas, incluindo um teste de reconhecimento de imagem, para confirmar se ela havia prestado atenção às fotos apresentadas durante o escaneamento. As mulheres também deram notas para diversas imagens mostradas durante a sessão em relação ao nível de prazer que essas fotos haviam despertado. 

Os resultados revelaram semelhanças e diferenças na forma como importantes regiões cerebrais reagem à imagem de um filho e de um cão. Áreas previamente associadas a funções como emoção, recompensa, afiliação, processamento visual e interação social tiveram aumento de atividade quando as participantes viram tanto as crianças quanto seus pets. Porém, uma região implicada na formação do vínculo mãe-filho se ativou apenas em resposta à imagem da criança. Já o giro fusiforme, envolvido no reconhecimento facial e em outras funções de processamento visual, teve uma resposta mais expressiva quando as mulheres viam a foto de seus cachorros. 

“Embora seja um pequeno estudo que pode não se aplicar a outras pessoas, o resultado sugere que há um circuito cerebral comum importante para a criação e a manutenção de ligação emocional, ativado quando as mães veem imagens tanto de suas crianças quanto de seus cachorros”, conta o psiquiatra Luke Stoeckel, coautor do trabalho. Os pesquisadores observam que mais estudos são necessários para replicar a descoberta, principalmente aumentando a amostra e incluindo outras populações, como mulheres sem filhos e homens. “Combinar estudos de ressonância com testes adicionais de comportamento e psicologia também nos ajudará a obter evidências que suportem o que observamos”, acredita Lori Palley.

Amor incondicional Na casa da comerciante Ana Paula Breder, 29 anos, o pug Hulk, 8 meses, é o caçulinha da família. O cão foi presente do marido de Ana, que estava muito triste com a perda de Yuri, um yorkshire que morreu de leishmaniose no início do ano. “Eu estava muito triste e só chorando. Foi muito difícil, pois não queria mais um cãozinho, até que esse gordinho ganhou meu coração e o dos meus filhos”, conta. Bagunceiro e sempre aprontando, Hulk faz a alegria das crianças da casa, Matheus, 5 anos, e João Lucas, 1. “O Hulk é um filho para nós, superprotegido e muito amado. Ele, com toda certeza, é um membro da minha família”, diz Ana Paula. 

Para a estudante de fisioterapia Erika Mercier, 41 anos, o west terrier Drake, 9, é como um filho. Tanto que ela não considera sacrificante fazer coisas como passar o réveillon debaixo da cama com o cãozinho, que tem medo de fogos, deixar de ir a algumas festas para ficar com ele, oferecer água filtrada e frutas cortadas… “Todo dia, ouço alguma crítica: ‘Deixa de ser boba, é só um cachorro, não é gente’. Eu falo: ‘Para mim, é um filho peludo de quatro patas’”, conta. 

A comerciante Ana Paula também sofre críticas pelo fato de o pug Hulk conviver diretamente com os “irmãos”, principalmente com o bebê. “Dizem que ele vai passar doenças, mas nem ligo, pois meus filhos o amam e são correspondidos. Ele tem acesso total aos meus filhos: eles brincam, dormem e fazem tudo juntos. Com toda certeza, o Hulk está no meu coração. Ele trouxe a luz e a alegria que faltavam. Nós não saberíamos viver sem ele hoje. É um amor incondicional ao gordinho”, derrete-se a “mãe” coruja, que até uma conta no Instagram fez para o pug. 

“Para famílias com filhos pequenos, os pets podem ser parte de um sistema de suporte social e fornecer oportunidades para educar as crianças”, observa a veterinária Lynette A. Hart, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Davis e autora de diversos livros sobre a relação entre humanos e animais domésticos. Depois de mais de quatro décadas de investigações nessa área, ela constatou que, ao contrário do que dizem os estereótipos, pessoas sozinhas e solitárias não são as que mais adotam os pets nem as que relatam maior vínculo afetivo com os bichos. “Pode parecer paradoxal, mas isso é mais comum em famílias com filhos. Há uma forte relação entre ter animais com a coesão, o vínculo emocional e o respeito mútuo familiares. Ter uma relação próxima com seu pet pode ser um indicador da saúde das relações da família”, afirma.

FONTE: Estado de Minas.


Eles se mordem de ciúmes

Psicóloga demonstra em experimento inédito algo que os donos há muito tempo sabem na prática: os cachorros não gostam de dividir seus “humanos” com outros animais

 

Eric Brochado Monteiro entre Laika (E) e Nescau: os cães são bons companheiros, mas se tornam rivais quando disputam a atenção do dono  (Ed Alves/CB/D.A Press)
Eric Brochado Monteiro entre Laika (E) e Nescau: os cães são bons companheiros, mas se tornam rivais quando disputam a atenção do dono

 

Pode começar com um rosnado, seguido por fortes latidos. Se a estratégia não funcionar, provavelmente ele vai arranhar o dono e balançar o rabinho. E, se ainda assim não receber a atenção que deseja, é hora de apelar: orelhas caídas, olhar pidão e aquele chorinho que mata qualquer um de pena. Quem convive com cachorros sabe que eles são possessivos e detestam dividir “seus humanos” com outros. Agora, um artigo publicado na revista Plos One comprova: o melhor amigo do homem também é capaz de sentir ciúme.

Essa é uma característica que muitos atribuem apenas ao Homo sapiens. Contudo, nos últimos tempos, os cientistas estão descobrindo em outras espécies – não apenas nas domesticadas – uma complexidade emocional muito maior do que se imaginava. “Eles podem sofrer de muitas emoções que pensávamos serem experimentadas apenas por primatas”, afirma Paul Morris, psicólogo da Universidade de Portsmouth, especialista no estudo de sentimentos animais. De acordo com ele, de forma geral, bichos domésticos sentem ciúmes dos donos. Mas, nos cachorros, isso parece mais exacerbado. “Eles também têm raiva, ansiedade, orgulho e vergonha”, revela Morris. Em dois estudos feitos com 907 pessoas, o psicólogo disse que 81% consideram seus cãezinhos ciumentos.

Agora, a psicóloga Christine Harris, professora da Universidade da Califórnia em San Diego, fez experimentos diretamente com cachorros. Até onde ela sabe, esta é a primeira vez que os animais protagonizam pesquisas sobre ciúmes. Usando um método que geralmente é aplicado em crianças pequenas, Harris confirmou que os cães se sentem frustrados quando os humanos dão atenção a outros animais. Assim como os bebês, o melhor amigo do homem não se importa se os donos estão entretidos com objetos, mas ficam enciumados na presença de um semelhante ou de um boneco parecido com ele.

O experimento foi realizado com 36 cães de raças pequenas, como dachshund, maltês, shih-tzu e pug. Eles foram filmados enquanto seus donos interagiam com três diferentes objetos: um cão de pelúcia, uma lanterna em forma de abóbora e um livro. No primeiro caso, os humanos foram instruídos a se relacionar com o boneco, que latia, choramingava e balançava o rabinho quando um botão no topo da cabeça era acionado. Os participantes deviam apertar o dispositivo uma vez e brincar com o cachorro, como se ele fosse real. Ao mesmo tempo, tinham de ignorar completamente o peludo de verdade. Com a lanterna de abóbora, a tarefa era igual. Já com o livro, eles deveriam ler em voz alta, como se estivessem contando a história para uma criança.

Christine Harris com Samwise, uma de suas três border collies que inspiraram o estudo sobre ciúmes canino (Steve Harris/DIvulgação)
Christine Harris com Samwise, uma de suas três border collies que inspiraram o estudo sobre ciúmes canino

Reação Ao assistir, posteriormente, aos vídeos, os pesquisadores analisaram o comportamento do cachorro, levando em consideração a agressividade, a busca por atenção e o interesse no que o humano fazia. O resultado não deixou dúvida: em 78% dos casos, os cachorros tocaram ou empurraram o dono quando esse interagia com o animal de brinquedo. Quando eram usados a lanterna e o livro, o percentual foi bem menor: 42% e 22%, respectivamente. Cerca de 30% dos cães tentaram se colocar entre os humanos e o bicho de mentira, sendo que isso ocorreu apenas com 1% dos peludos no caso dos outros objetos. 

“É de se supor que os cachorros acreditaram que o cão de brinquedo era real. Acreditamos que sim. Até porque 86% deles cheiraram a região anal do brinquedo, e isso nós sabemos que é uma forma de cumprimento entre os animais. Então, podemos dizer que os cachorros exibiram um comportamento de ciúmes em relação ao falso rival, da mesma forma que vemos acontecer com crianças em testes do tipo”, afirma Christine Harris. Em nota, a coautora do estudo, a psicóloga Caroline Prouvost, observa que os animais não apenas demonstraram os ciúmes como tentaram quebrar a conexão entre o dono e o “concorrente”. “Obviamente, são experiências subjetivas e não podemos falar pelos cachorros, mas realmente parece que eles estavam motivados a proteger uma importante relação social”, disse. 

“Brigas” Para o estudante de publicidade Eric Brochado Monteiro, 25 anos, a constatação científica não chega a ser uma novidade. Dono de dois cachorros, uma mestiça de cane corso com labrador e um labrador, ele sabe o que é ser alvo de ciúmes do melhor amigo. Laika, 3 anos, era a rainha do lar até a chegada de Nescau, 1 ano. Embora tenham virado bons companheiros, os dois peludos disputam os carinhos da família do rapaz, que se diverte com a ciumeira dos bichos. “Se a gente faz carinho nela, ele fica chamando. Quando damos atenção para ele, a Laika esquenta e vai com a pata na cabeça dele, dando um caldo mesmo, para abaixar o Nescau”, comenta. Nem os amigos de Eric escapam da disputa entre os dois. “O pessoal não sabe em quem fazer carinho”, conta. De acordo com o estudante, para Laika, Nescau não é o único rival em relação aos sentimentos do dono: “Quando tem mulher aqui em casa, ela fica louca”.

A psicóloga Christine Harris diz que se costuma pensar que o ciúme é um sentimento 100% humano porque as pessoas o associam a relacionamentos sexuais ou românticos. “Mas nosso resultado desafia essa ideia, mostrando que animais também se estressam quando um rival ganha a atenção de quem eles amam”, diz. Para ela, essa pode ser uma característica que emergiu para assegurar os laços sociais criados entre humanos e cachorros há pelo menos 15 mil anos, quando a domesticação de lobos deu início a essa grande história de amizade.

FONTE: Estado de Minas.

Sob a proteção da lei
Pressionados pela opinião pública, políticos investem em projetos que asseguram o bem-estar dos bichos. Na Câmara de BH, 11 iniciativas ampliam os direitos animais

 

 

 Marina, o labrador Tunico e a cadela Olívia, amor baseado no respeito aos direitos dos animais, causa pela qual a veterinária luta (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Marina, o labrador Tunico e a cadela Olívia, amor baseado no respeito aos direitos dos animais, causa pela qual a veterinária luta

Aos animais, no mínimo, a dignidade. A Constituição Brasileira de 1988 colaborou com a natureza ao reconhecer que os bichos são dotados de sensibilidade e impor aos cidadãos o dever de respeitar a vida, a liberdade corporal e a integridade física dos animais. Assim, ficam expressamente proibidas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica ou os submetam à crueldade. Dez anos depois, a Lei Federal nº 9.605/98 estabeleceu penas de prisão para quem maltrata os bichos. Nas três esferas do poder público, em atenção à demanda social, políticos das mais diversas siglas partidárias propõem normas de proteção e defesa dos bichos – só na Câmara Municipal de Belo Horizonte são 11 os projetos de lei pela causa animal, que vão do fim das carroças à criação de hospital veterinário público 24 horas. Entretanto, defensores e especialistas se unem em coro, dizendo que a lei é pouco. O que vale é a prática da presença ética e responsável.

Falta muito para que os bichos conquistem a dignidade sonhada por tantos. “O mundo seria maravilhoso se não precisássemos dessas tais leis para vivermos de forma harmoniosa e respeitosa, e mesmo regido por elas, o homem, ainda assim é capaz de destruir, matar, desrespeitar, entre tantas outras reticências noticiadas e vividas no nosso cotidiano”, diz Marina França Pellegrino, “desde sempre”, defensora da causa animal. Para a médica veterinária, a proteção e a defesa dos animais “via lei” são uma grande conquista no Brasil. Contudo, Marina entende que o melhor seria não haver a obrigação do que deveria ser natural. “Não adianta a lei se não aprendemos a amar e, acima de tudo, a respeitar os animais”, considera.

Casada com Carlos Augusto Gontijo Pellegrino, também médico veterinário, Marina tem em casa o labrador Tunico e a shih tzu Olivia, ambos tratados como sujeitos da família. Recentemente, o casal fez de tudo, sem poupar recursos, para salvar a yorkshire Mel, com problemas de saúde, “irmãs de coração” de Tunico e Olivia. Não teve jeito. Marina não segura as lágrimas ao relembrar as alegrias da pequena travessa e os tempos difíceis de idas e vindas nos melhores hospitais veterinários da cidade. “Era o mínimo que podíamos fazer por ela. Vivenciamos com esses bichinhos o verdadeiro amor. Amor que não pede ou espera nada em troca”, emociona-se.

A doutora vê com a alegria o movimento crescente de ativistas, que tem mobilizado políticos de partidos diversos pela causa. Marina, contudo, cobra das autoridades mais recursos para abrigos e atenção à necessidade urgente de um hospital veterinário público. “Muitas famílias carentes gostariam de oferecer aos seus bichinhos um atendimento adequado e não têm condição. Falta, ainda, a valorização do médico veterinário. Muitos profissionais abandonam a área por falta de suporte técnico e financeiro.” Marina também espera da justiça maior rigor contra maus-tratos e abusos de qualquer natureza. “Assusta a quantidade de animais abandonados . E os cavalos, que são forçados a trabalhar exaustivamente?”, denuncia.

SUPORTE DA UFMG Marina elogia o suporte da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aos cavalos, mulas e burros dos carroceiros e o atendimento do Hospital Veterinário do câmpus da Pampulha. Entende que a oferta, porém, “é insuficiente” para a necessidade dos cidadãos. Duas das demandas listadas pela doutora estão na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O Projeto de Lei nº 832/2013, de autoria do vereador Adriano Ventura (PT), cria o Programa BH de Bem com os Animais e propõe a redução gradativa do número de veículos de tração animal. Já o Projeto de Lei nº 0041/2013, de autoria do vereador Leo Burguês de Castro (PTdoB) “autoriza o poder executivo a criar o pronto-socorro veterinário gratuito 24 horas”.

Esperançosa com o encaminhamento dos assuntos, Marina França diz que gostaria de ver, além dos projetos de lei, medidas efetivas contra a venda de animais e investimento do poder público em campanha vacinal para leishmaniose. “Acho um absurdo o comércio de animais no Mercado Central.São urgentes, também, medidas contra a leishmaniose. BH é uma zona endêmica. Mesmo que as vacinas não garantam 100% de proteção, uma campanha do governo poderia diminuir muito a incidência”, ressalta.

Legislação em vigor em BH
» Lei nº 6.223, 
de 5 de agosto de 1992
Dispõe sobre a criação e a manutenção de animais exóticos e alienígenas de alta periculosidade em residências e sítios.

» Lei nº 6.313,
de 11 de janeiro de 1993
Estabelece normas para abate de animais destinados ao consumo e dá outras providências.

» Lei nº 7.452, 
de 9 de março de 1998
Estabelece normas sanitárias para abatedouros, criatórios comerciais de animais, micro e pequenas indústrias de embutidos e dá outras providências.

» Lei nº 9.830, 
de 21 de janeiro de 2010
Dispõe sobre a manutenção, utilização e apresentação de animais em circos ou espetáculos e atividades e dá outras providências.

» Lei nº 10.148, 
de 24 de março de 2011
Institui a política de estímulo à adoção de animais domésticos e dá outras providências.


Lei federal
No Brasil, os maus-tratos aos animais são crime previsto no artigo 32 da Lei Federal nº 9.605, chamada Lei de Crimes Ambientais. Para o infrator, a lei imputa multa ou pena de três meses a um ano de prisão. As denúncias podem (e devem) ser feitas em qualquer um dos seguintes órgãos competentes: Delegacia do Meio Ambiente, Ibama, Polícia Florestal, Ministério Público, Promotoria de Justiça do Meio Ambiente ou até mesmo na Corregedoria da Polícia Civil.

Declaração Universal dos Direitos dos Animais

» 1 – Todos os animais têm o mesmo direito à vida

» 2 – Todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem

» 3 – Nenhum animal deve ser maltratado

» 4 – Todos os animais selvagens têm o direito de viver livres no seu hábitat

» 5 – O animal que o homem escolher para companheiro não deve ser abandonado nunca

» 6 – Nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor

» 7 – Todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida

» 8 – A poluição e a destruição do meio ambiente são considerados crimes contra os animais

» 9 – Os diretos dos animais devem ser defendidos por lei

» 10 – O homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais

FONTE: Estado de MInas.



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