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ANTES DO CHECK-IN » Preços em Confins levantam voo

Gastos com alimentação no aeroporto são muito maiores na comparação com restaurantes de outros locais. Valores dos aluguéis são justificativa para pão de queijo custar até R$ 4,10

Quem frequenta o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, sabe o quão salgado é o preço da alimentação. Lanchar um pão de queijo com um refrigerante, que custam até R$ 4,10 e R$ 5,30, respectivamente, representa uma despesa de R$ 9,40.

Mas a explicação, segundo lojistas, está no alto custo do aluguel cobrado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Levantamento feito pelo Estado de Minas mostra que o metro quadrado de uma lanchonete no terminal pode ser até 24 vezes mais alto que o de uma loja frontal em um bairro de luxo de Belo Horizonte. Quando o imóvel considerado é um casa comercial em um bairro classificado como popular, pelo mesmo valor seria possível alugar um espaço 94 vezes maior.

O comparativo considera quatro licitações feitas pela Infraero neste ano para compor o rol de 12 empreendimentos de alimentação e os valores pedidos por imobiliárias, segundo pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG). A licitação com valores mais exorbitantes refere-se ao espaço de 67,36 metros quadrados para a instalação de uma rede de sanduíche fast food. Pela área, a Infraero vai receber R$ 76 mil durante 84 meses (tempo do contrato assinado em abril). Ou seja, o aluguel do metro quadrado sai a R$ 1.128,26.

Na outra ponta, na locação de uma loja de frente em um bairro de luxo de BH (área e tipo de imóvel mais caros entre os pesquisados pelo Ipead-UFMG) o metro quadrado sai por R$ 45,92. Considerando a mesma área proposta pela Infraero, o aluguel sairia por R$ 3.093 ao mês. Mas, se a preferência for por alugar um imóvel em um bairro popular, é possível achar casas comerciais com o metro quadrado de R$ 11,94. Repetindo a comparação, desta vez o valor mensal da locação sairia por R$ 804,27.

ANALISANDO O ‘CASO’ DO PÃO DE QUEIJO – E SÓ ELE
O preço de custo do pão de queijo DE QUALIDADE é de R$ 0,18 (dezoito centavos) por unidade (congelado), R$ 9,00 por quilo. Se a qualidade for deixada de lado, cai para R$ 0,10 (dez centavos), R$ 5,00 por quilo.
Explicando a questão da qualidade: para baratear o custo muitas fábricas usam na receita fécula de mandioca, essência de queijo (e não o próprio queijo) e ovos de casca mole (rejeitados pelo mercado e adquiridos a preços mais baixos). Na padaria aqui perto, sai por R$ 1,50 cada um, já pronto.

A explicação, segundo o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso, é que “a velocidade de vendas é absurdamente maior”, devido ao grande fluxo de passageiros e também ao fato de que é quase certo o consumo de boa parte deles, uma vez que são obrigados a chegar com certa antecedência para o voo e a maioria dos terminais são distantes das regiões centrais. É o caso de Confins – terminal mais distante do Centro entre os principais aeroportos do país.

A consequência: à espera de um voo, a professora Ana Paula Montandon de Oliveira não teve escolha e foi obrigada a pagar R$ 20 por uma lata de suco e um croissant recheado com presunto. “É três vezes mais caro que em qualquer lugar. O passageiro sai de casa mais cedo para voar; no avião, a empresa cobra pela comida e ainda é ruim”, diz.

DESEQUILÍBRIO

Segundo a Alshop, que representa lojas como Lacoste e Pizza Hut, até o ano passado a loja do McDonald’s no aeroporto de Guarulhos era a que mais vendia do país. Mesmo assim, acaba que o custo de operação faz com que a receita líquida seja bem menos interessante que as de shoppings. Tanto que em nome dos lojistas a associação já tentou negociar com a Infraero a redução dos custos. “O valor é definido de acordo com o interesse do passageiro naquela loja, mas a Infraero acaba se tornando um ‘importante sócio’ do negócio”, reclama Ildefonso, que classifica o investimento como “brutalmente desfavorável”.

No caso das redes internacionais de fast food, a explicação para a alta de vendas se dá também pelo fato de que elas são obrigadas a manter os preços vigentes em outras lojas. Por outro lado há os lojistas que criam empresas para operar somente nos aeroportos e colocam preços altos para cobrir os custos operacionais. O resultado é que muitos preferem comer sanduíches e pizzas em detrimento de outros alimentos.

Na tentativa de acirrar a concorrência entre os estabelecimentos, e por consequência reduzir os preços de alimentos, a Infraero criou no ano passado um formato de lanchonete popular. As sete primeiras já operam nos aeroportos de Curitiba e Londrina (PR), Recife (PE), Porto Alegre (RS), Natal (RN), Congonhas (SP), Salvador (BA) e Santos Dumont (RJ).

A gerente comercial e de logística de cargas da Superintendência Regional do Sudeste da Infraero, Eliana Marcia dos Santos Abreu, afirma que os valores usados nas licitações são baseados no mercado, considerando o volume de pessoas que circula diariamente no aeroporto. “Por dia, passam 30 mil pessoas por ali. Não dá para comparar com loja de bairro.” Ela diz que os parâmetros são os shoppings, onde, segundo ela, a média de valor para locação varia de R$ 180 a R$ 200 por metro quadrado, levando em conta o fluxo de 35 mil pessoas/dia. Mesmo com movimento menor, a Infraero adota em seus editais a média de R$ 288 – 44% superior à média citada como base. “É bem pé no chão. O mercado que dita a regra”, diz Eliana.

Mas desde o início do ano duas licitações terminaram desertas – de uma cafeteria e do restaurante “popular”. Depois de conversas com o “mercado”, novos editais devem ser publicados ainda este ano com valores novos, menores que os anteriores. Segundo a Infraero, são casos isolados. Como argumento é citado o ágio obtido em uma confeitaria. A pedida inicial era de R$ 12 mil pelo espaço, mas os interessados assinaram contrato pagando R$ 52 mil – 333% a mais.

Por dentro as contas

Por se tratar de um aeroporto com baixo fluxo de voos internacionais, a receita não tarifária (valor que exclui as taxas cobradas de companhias aéreas e passageiros) de Confins fica abaixo da média mundial. Em 2012, 32,6% do faturamento veio de receitas como aluguéis, estacionamento, lojas francas e propagandas, entre outros, totalizando R$ 56,5 milhões, segundo o estudo de concessão disponibilizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em contrapartida, a compensação pode ser sentida no setor de alimentos e bebidas.

A média de gasto por passageiro é de US$ 3,42, superior à média mundial de US$ 3,31, segundo a empresa de consultoria norte-americana LeighFisher. No Galeão, onde a frequência de voos para outros países é bem maior, a média é menos que a metade – US$ 1,57.

A categoria alimentos e bebidas é a quarta com maior faturamento em Confins, atrás dos rendimentos com o estacionamento (31,1%), aluguéis (13,9%) e tarifas de combustível (10,7%). No ano passado, o setor rendeu R$ 5,8 milhões à Infraero – o montante não considera o valor pago por bancas de revista, farmácias, tabacarias e outros empreendimentos incluídos na categoria aluguéis. A concessão das operações à iniciativa privada deve aumentar essa participação, com crescimento da gama de serviços.

Diz o texto do relatório de avaliação econômico-financeira disponibilizado pela agência reguladora: “Consideramos que o novo operador do aeroporto desenvolverá concessões de restaurante adicionais e melhorará a variedade de serviços disponíveis nas áreas de embarque”.

A perspectiva traçada estabelece que em 2043 (último ano do contrato de concessão) a receita gerada por alimentos e bebidas será de R$ 67,2 milhões.

Para isso, a Anac cita três fatores a serem considerados: expansão do terminal, o que representa mais áreas disponíveis para locação; implementação de plano abrangente de alimentos e bebidas, e melhoria da seleção de inquilinos e práticas de contratação. A projeção é de certa forma modesta. De 2008 até o ano passado, a receita variou 866%, enquanto em três décadas a expectativa é de 1.058%.

FONTE: Estado de Minas.


Em alta, tomate ganha companhia da vagem, da beterraba e da cebola, que sobem 55,7%, 49,7% e 26% em um mês no atacado

 O vilão-mor é o tomate, cujo preço variou 17,2% na comparação entre fevereiro e março e 139,18% no acumulado de 12 meses, representando principal peso para a cesta básica
O vilão-mor é o tomate, cujo preço variou 17,2% na comparação entre fevereiro e março e 139,18% no acumulado de 12 meses, representando principal peso para a cesta básica

No ano em que a inflação impõe rigorosas dúvidas quanto aos rumos do índice, o dragão senta à mesa de almoço e desafia o governo federal a tirá-lo de lá. Incentivado por problemas climáticos, ele vê os custos de importantes produtos hortigranjeiros dispararem em ritmo acelerado. O vilão-mor é o tomate, cujo preço variou 17,2% na comparação entre fevereiro e março e 139,18% no acumulado de 12 meses, representando principal peso para a cesta básica do belo-horizontino, que, no mês passado, variou 3,35% no varejo, segundo informou ontem o Departamento Intersidical de Estudos e Estatísticas Socioeconomicas (Dieese). No atacado, o preço do tomate subiu 26,4% em um mês. Mas ele não está sozinho. Na lista de vilões do custo de vida entram vagem, beterraba e cebola, que, respectivamente, subiram 55,7%, 49,7% e 26% em apenas um mês no atacado, segundo números da Ceasa Minas.

Nos últimos meses, o entreposto de Contagem tem abastecido de forma contínua o varejo de outros estados (São Paulo, Distrito Federal e Bahia) para suprir as perdas com os danos causados pela chuva. Com isso, o volume ofertado pelos produtores mineiros têm sido insuficiente para abastecer as mesas do estado, o que força a elevação de preços. No mês passado, o tomate, por exemplo, teve queda de 15% da oferta na comparação com o mesmo mês do ano passado. Com isso, o produto ganhou “fama” até mesmo nas redes sociais, onde é comparado a itens de luxo e visto como moeda de troca para compra de carros e joias.

“O período é crítico para esse tipo de hortaliça. O clima tem contribuído bastante”, afirma o coordenador do Setor de Informação de Mercado da Ceasa Minas, Ricardo Martins. Devido ao movimento, o preço dos hortigranjeiros na unidade de Contagem está 40,8% acima do valor de comercialização em março de 2012. E o pior: “São produtos importantes e muito consumidos. O barulho feito é maior”, reitera Martins. A expectativa dele é de que a partir do mês que vem os preços iniciem trajetória de queda, com início da estiagem.

As fortes variações fazem com que consumidores se assustem ao ir às compras. No Mercado Central, produtos que compõem a saladinha de todo dia passam a valer o mesmo que carnes nobres, confirmando as altas registradas no atacado. O quilo do alho é achado por R$ 19,90, assim como o dos pimentões amarelo e vermelho. O quilo da vagem custa R$ 16,90, enquanto o do tomate caqui, R$ 14. A solução é “rebolar” para conseguir substituir. “Está um horror. Tem que tentar trocar. Com família grande, não dá para aguentar. O problema é de quem é vegetariano ou tem colesterol alto, como eu”, relata a aposentada Geralda Carvalho, cautelosa sobre quantos tomates levar.

Inflação O item teve a principal variação no mês passado entre os 13 produtos da cesta básica, o que contribuiu para que BH tivesse a quarta maior alta entre as 18 capitais pesquisadas, com aumento de 3,35% em março e de 24,16% em 12 meses. O crescimento desses itens vai pesar no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve ser divulgado amanhã.

No varejo, a consequência tem sido prejuízos e queda nas vendas. Com as chuvas, os produtos têm vindo com qualidade ruim e parte das caixas adquiridas no atacado são descartadas de imediato. “As vendas de alguns produtos diminuíram 40% nos últimos dois meses. As pessoas olham e deixam de levar”, afirma a supervisora da loja Legumes Adriano, do Mercado Central, Rosilane Martins. A estratégia encontrada por ela para atrair a freguesia é em vez de apresentar o preço do quilo se restringir ao valor de bandejas de 250 gramas, como no caso das bandejas de vagem.

FONTE: Estado de Minas.


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