Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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O ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza teve frustrado o plano de voltar aos gramados para defender um clube do futebol profissional, mesmo cumprindo pena de 22 anos e três meses pelo sequestro e morte da ex-amante Eliza Samudio, em junho de 2010. O Tribunal de Justiça publicou ontem decisão do juiz Famblo Santos Costa, de Francisco Sá, que nega o pedido de trabalho externo para Bruno, que foi transferido em 20 de junho para a penitenciária da cidade do Norte de Minas, numa manobra de seus ex-advogados, que diziam que ele voltaria a treinar e a jogar futebol pelo Montes Claros Futebol Clube no Módulo II do Campeonato Mineiro. Os defensores do ex-jogador na época, Francisco Simim e Tiago Lenoir, destituídos no começo do mês passado, que a transferência de Bruno para Francisco Sá seria o caminho mais fácil para a ressocialização. Simim chegou a sugerir que o ex-atleta poderia jogar a Copa do Mundo defendendo a Seleção Brasileira. A família de Bruno Fernandes estuda, agora, a contratação de outro defensor, cujo o foco passa a ser a anulação do julgamento em que ele foi condenado, em março de 2013, pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza, que continua desaparecido, e sequestro e cárcere privado do filho da vítima, do qual ele seria o pai biológico. Outras cinco pessoas foram sentenciadas pelo crime.

Na decisão de Santos Costa, justificou que a unidade prisional de Francisco Sá recebe em custódia presos de alta periculosidade, o que resulta no empenho de um maior reforço da guarda em atividades internas e externas de presos, o que já inviabiliza benefício de trabalho fora do presídio para qualquer interno. 

Uma fonte da penitenciária, que pediu anonimato, contou que na unidade, apesar do comportamento exemplar, Bruno não estaria tendo as oportunidades de estudar e trabalhar como ocorria na Segurança Máxima de Contagem, na Grande BH, o que contribuía para a remição de pena. Em Francisco Sá não há sistema de trabalho externo e, de acordo com o magistrado, o deferimento do pedido de benefício para o ex-jogador iria violar o protocolo de segurança da unidade. O Ministério Público também votou pelo indeferimento.

Na análise dos autos, o juiz constatou que ao apresentar o pedido, com base em assinatura de contrato de Bruno Fernandes como o Montes Claros houve irregularidade porque o detento ainda estava na Segurança Máxima de Contagem. Além do fato de que os advogados não anexaram no pedido documentos que comprovassem vinculo contratual do ex-goleiro com qualquer equipe ou empresa. Com isso, Bruno vai continuar no regime disciplinar diferenciado (RDD), aplicado nos casos de integrantes de facções criminosas.

FONTE: Estado de Minas.


Goleiro Bruno será transferido para penitenciária no Norte de Minas
A mudança está publicada no Diário Oficial de Minas Gerais.
A defesa do goleiro estava tentando, desde janeiro deste ano, mudar o ex-atleta de unidade

 

 (Reprodução )

O goleiro Bruno Fernandes de Souza, condenado a 22 anos e três meses de prisão pela morte da ex-amante Eliza Samúdio, será transferido da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para a Penitenciária Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais. A mudança está publicada na edição desta terça-feira do Diário Oficial de Minas Gerais. Eliza foi morta quatro anos atrás, no dia 10 de juno de 2010. 

De acordo com Tiago Lenoir, um dos advogados de Bruno, o pedido de transferência foi feito diretamente à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Lenoir explicou que o órgão tem 20 dias para mudar o detento de unidade prisional a partir da publicação da decisão no Minas Gerais. 

Conforme divulgou a Seds, a transferência foi autorizada pela subsecretaria visando atender ao pedido da defesa do ex-goleiro, que queria ficar perto da esposa, que mora em Montes Claros. Entretanto, a unidade prisional de Montes Claros é um presídio e, por isso, não deve receber presos condenados. entretanto, Bruno será encaminhado para a Penitenciária de Francisco Sá, que fica na mesma região, a 55 km de Montes Claros.

O ex-goleiro ficará em uma cela individual de seis metros quadrados. No local há uma cama de alvenaria, um colchão, um vaso sanitário, uma pia com torneira e um chuveiro. Tiodas as celas da penitenciária são desse mesmom padrão. Bruno, assim como os demais presos, receberá alimentação balanceada definida por nutricionistas. Atualmente, há 323 detentos no loca, que temc apacidade para 300 presos.

O advogado Tiago Lenoir contou ainda que vai solicitar ao juiz da Comarca de Francisco Sá autorização para que o cliente dele trabalhe fora da prisão, mas ainda não sabe quando.

A defesa de Bruno estava tentando mudar o goleiro de unidade desde o início do ano. Em janeiro, os advogados quiseram levá-lo para a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Nova Lima, na Grande BH, e, depois, para a penitenciária de Montes Claros, o que foi negado pelo juiz da Vara de Execuções Penais da cidade.

Na decisão, o magistrado alegou que o presídio regional não teria como receber o detento por conta da superlotação. Os defensores pediram uma permuta, com um preso do município sendo transferido para a Nelson Hungria para que o ex-atleta fosse levado para lá.

A possibilidade da transferência do ex-atleta para uma instituição penal no Norte do estado surgiu depois que ele assinou um contrato com o Montes Claros Futebol Clube, em 28 de fevereiro. Após a assinatura do vínculo com o time, um movimento feminista de Montes Claros iniciou um protesto contra a possível transferência do ex-atleta para a cidade. Alguns cartazes do jogador foram colados nas paredes e postes com a frase “As mulheres dizem não a Bruno no Mocão!”.


Marixa - Condenação

A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues durante a leitura da sentença do julgamento do ex-goleiro Bruno Fernandes

S E N T E N Ç A

Autos n°: 0079.10.035.624-9
Autor: Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Réus: Bruno Fernandes das Dores de Souza e Dayanne Rodrigues do Carmo Souza

Vistos, etc.

Bruno Fernandes das Dores de Souza e Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, qualificados nos autos, foram regularmente processados nesta Comarca e, ao final, pronunciados como incursos, o primeiro nas sanções do art. 121, § 2°, incisos I, III e IV, art. 148, § 1º, IV, em relação à vítima Bruno Samúdio e art. 211, todos do Código Penal e a segunda, como incursa nas sanções do art. 148, § 1º, IV, em relação à vítima Bruno Samúdio.
Nesta data foi realizado o julgamento pelo Tribunal do Júri, oportunidade em que os Senhores Jurados, ao votarem a primeira série de quesitos em relação ao réu Bruno Fernandes das Dores de Souza, no tocante ao crime de homicídio, por 04 (quatro) votos reconheceram a materialidade do fato e a autoria. Por 04 (quatro) votos a 01(um) foi afastada a tese de participação de crime menos grave e negado o quesito absolutório. Por 04 (quatro) votos a 03(três) afastada a tese de participação de menor importância. Por 04 (quatro) votos a 01(um) foi reconhecida a qualificadora do motivo torpe.

Por 04 (quatro) votos foram reconhecidas as qualificadoras do emprego da asfixia e do recurso que dificultou a defesa da vítima.

Proposta a segunda série de quesitos, ainda em relação ao réu Bruno Fernandes das Dores de Souza, quanto ao crime previsto no art.148, § 1º, IV, do CPB, contra a vítima Bruno Samúdio, por 04 (quatro) votos a 03 (três) reconheceram a materialidade do crime de sequestro. Por 04 (quatro) votos a 02 (dois), foi negado o quesito absolutório. Por 04 (quatro) votos foi reconhecida a qualificadora prevista no inciso IV, do § 1º, do art. 148 do CPB.

Na terceira e última série de quesitos, quanto ao crime de ocultação de cadáver, por 04 (quatro) votos reconheceram a materialidade. Por 04(quatro) votos contra 01 (um) voto foi reconhecida a autoria, sendo por 04(quatro) votos a 02 (dois) negado o quesito absolutório.

Ao votarem os quesitos em relação à ré Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, no tocante ao crime do art.148, § 1º, IV, do CP contra a vítima Bruno Samúdio, por 04 (quatro) votos reconheceram a materialidade. Por 04(quatro) votos contra 01 (um) voto foi reconhecida a autoria, sendo por 04(quatro) votos a 03 (três) foi afirmado o quesito absolutório.

Assim exposto e considerando a vontade soberana do Júri, declaro o réu Bruno Fernandes das Dores de Souza incurso nas sanções do art. 121, § 2°, I, III e IV, art.148, § 1º, IV, e art. 211, todos do CPB. Absolvo a ré Dayanne Rodrigues do Carmo Souza do crime previsto no art.148, § 1º, IV, do CP. Passo à dosimetria da pena.
Réu Bruno Fernandes das Dores de Souza, pelos crimes do art. 121, 2°, I, III e IV, do CP e art. 148, § 1º, IV, do CP, art. 211 do CPB:

Culpabilidade. A culpabilidade dos crimes é intensa e altamente reprovável. O crime contra a vida praticado nestes autos tomou grande repercussão não só pelo fato de ter entre seus réus um jogador de futebol famoso, mas também por toda a trama que o cerca e pela incógnita deixada pelos executores sobre onde estariam escondidos os restos mortais da vítima. Embora para esta indagação não se tenha uma resposta, certamente pela eficiência dos envolvidos, a sociedade de Contagem que em outro julgamento já tinha reconhecido o assassinato da vítima, hoje reconheceu o envolvimento do mandante na trama diabólica.

A investida do réu contra a vítima não foi a primeira vez, mas certamente foi a última. Ficou cristalino o interesse do réu em suprimir a vida de Elisa Samúdio. Agiu sempre de forma dissimulada da sua real intenção.

Assim Elisa foi sequestrada no Rio de Janeiro e trazida cativa para o sítio em Esmeraldas, onde ficou por quase uma semana esperando a operacionalização de sua morte. O desenrolar do crime de homicídio conta com detalhes sórdidos e demonstração de absoluta impiedade. A culpabilidade é pelos mesmos motivos, igualmente acentuada em relação ao crime de sequestro tendo como vítima a criança Bruno Samúdio, sendo igualmente intensa e reprovável em relação ao crime de ocultação de cadáver. O réu Bruno Fernandes acreditou que consumindo com o corpo, a impunidade seria certa.

Conforme se infere das folhas de Antecedentes Criminais de f. 9.519/9.523, 9.724/9.727 e 9.638 bem como Certidões de Antecedentes Criminais de f. 9.524/9.525, 9.686, 9.667, 9.654/9.655, 9.8361, 13.106/13.110, 9.653 e 15.228 o réu embora tecnicamente primário já conta com condenação criminal, de modo que não pode ser tido como de bons antecedentes.

A circunstância atinente à conduta social não lhe favorece, eis que há informações nos autos de que tinha envolvimento com o tráfico de drogas (f. 15865/15870). A conduta social é igualmente desfavorável considerando o comprovado envolvimento do réu Bruno Fernandes na face obscura do mundo do futebol. No tocante à personalidade tal circunstância, igualmente não favorece ao acusado, uma vez que demonstrou ser pessoa fria, violenta e dissimulada.

Sua personalidade é desvirtuada e foge dos padrões mínimos de normalidade. O réu tem incutido na sua personalidade uma total subversão dos valores. Os motivos do crime de homicídio já foram apreciados para efeito de reconhecimento da qualificadora do motivo torpe.

Os motivos dos crimes de sequestro da vítima Bruno Samúdio e do crime de ocultação de cadáver, não serão interpretados desfavoravelmente, tendo em vista que a motivação exsurgida, no caso em apreço, foi inerente aos tipos penais. As circunstâncias não o favorecem uma vez que a vítima foi atraída para o Rio de Janeiro, onde permaneceu hospedada em hotel, às expensas do réu, até o momento de seu sequestro no dia 04.06.2010, quando foi agredida e rendida com a concorrência do corréu Luiz Henrique Ferreira Romão e do então adolescente Jorge Luiz.

Foi levada para a casa do acusado Bruno Fernandes, no Recreio dos Bandeirantes/RJ e de lá foi trazida para Minas Gerais, onde ficou igualmente cativa, juntamente com seu bebê e permaneceram sucumbidos até o dia em que Elisa foi levada para as mãos de seus executores. Tais circunstâncias demonstram a firme disposição para a prática do homicídio que teve a sua execução meticulosamente arquitetada. As circunstâncias do sequestro do bebê, são pelos mesmos fundamentos desfavoráveis.

Também não lhe favorecem as circunstâncias da ocultação de cadáver. A supressão de um corpo humano é a derradeira violência que se faz com a matéria, num ato de desprezo e vilipêndio. As conseqüências do homicídio foram graves, eis que a vítima deixou órfã uma criança de apenas quatro meses de vida. As consequências quanto ao crime de seqüestro da criança são igualmente desfavoráveis, eis que, no primeiro dia do crime ficou, inclusive privada da companhia de sua mãe que tinha sido agredida na cabeça.

Foi, ainda, privada de sua liberdade do decorrer dos dias seguintes e depois da execução de sua mãe, passou pelas mãos de diversas pessoas igualmente estranhas. As circunstâncias do crime de ocultação de cadáver, não serão interpretadas em seu desfavor, uma vez que não foram reveladas. No tocante ao comportamento das vítimas, não constam nos autos provas de que tenha havido por parte delas qualquer contribuição. Registro que o fato de a vítima Elisa estar cobrando o reconhecimento do filho e respectiva pensão não eram motivos para serem alvos de tão bárbaros delitos.
Com tal diagnóstico, na 1ª. fase, em relação ao crime do art. 121, 2°, I, III e IV, do CPB com preponderância das circunstâncias desfavoráveis e reconhecidas as qualificadoras do motivo torpe, do emprego de asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, fixo a pena base em 20 (vinte) anos de reclusão.

Na 2ª fase, registro que durante todo o processo o réu negou qualquer envolvimento no crime, inclusive por ocasião do seu interrogatório ocorrido na data de ontem. Naquele depoimento, prestou esclarecimentos, identificando o executor do homicídio. Hoje, o réu, pediu para ser novamente ouvido, oportunidade em que reconheceu que sabia que a vítima Elisa Samúdio iria morrer. Não quis mais responder às perguntas. Data vênia, mas essa lacônica confissão não merece a mesma redução concedida ao corréu Luiz Henrique Ferreira Romão, no julgamento passado como quer a defesa.
Naquela ocasião consignei que a admissão do réu Luiz Henrique de que realmente tinha levado Elisa Samúdio para ser executada, ao afirmar que a levou ao encontro com a morte, colocou uma pá de cal na discussão criada desde o início pela defesa dos acusados que sempre afirmou que Elisa estava viva.
Dessarte, dou à confissão do réu Bruno Fernandes hoje no Plenário valoração que permite a redução pela atenuante em 03 (três) anos, ficando, pois, fixada em 17 (dezessete) anos de reclusão.
Reconheço a agravante do art. 62, I, CPB, eis que sustentado no Plenário pela acusação que o réu agiu na qualidade de mandante da execução da vítima, fato este comprovado nos autos pela prova oral, mormente pela delação do corréu Luiz Henrique às f. 15898/15.909, de modo que majoro a pena de 06 (seis meses). A pena final, portanto, perfaz 17 (dezessete) anos e 06 (seis) meses de reclusão. Na 3º fase, registro que não há causas especiais de oscilação. A pena será cumprida em regime inicialmente fechado.
No tocante ao crime do art. 148, § 1º, IV, do CP, já analisadas as circunstâncias judiciais, na sua maioria desfavoráveis, na 1ª. fase, fixo a pena base em 3 (três) anos de reclusão. Na 2ª fase, registro que não há atenuantes, havendo a agravante do art. 61, II, “e”, do CPB, eis que o crime foi praticado contra descendente, motivo pelo qual, majoro a pena de 03(três) meses. Na 3ª fase, não há causas especiais de oscilação, motivo pelo qual, fica a reprimenda, concretizada em 3 (três) anos e 3 (três) meses de reclusão. A pena será cumprida em regime aberto.
No tocante ao crime do art. 211 do CP, já analisadas as circunstâncias judiciais, na sua maioria desfavoráveis, na 1ª. fase, fixo a pena base em 1 (um) ano e 06 meses de reclusão. Na 2ª fase, registro que não há atenuantes ou agravantes. Na 3ª fase, não há causas especiais de oscilação, motivo pelo qual, fica a reprimenda, concretizada em 1 (um) ano e 6 (seis) meses de reclusão. A pena será cumprida em regime aberto.
Ficam, pois, as penas totalizadas em 22 (vinte e dois) anos e 03 (três) meses de reclusão, nos termos do art. 69 do CPB.
Custas pelo réu Bruno Fernandes.
O réu foi preso por prisão preventiva mantida por ocasião da pronúncia. Nesta oportunidade, diante do resultado do julgamento, persistem os requisitos da custódia cautelar. Ademais, não se pode perder de vista a gravidade concreta dos delitos, indicada pelo “modus operandi” com que os crimes foram perpetrados, como no caso em que, além da violência praticada contra Elisa Samúdio, há ainda, a perversidade com a qual foi destruído e ocultado o seu cadáver, impedindo, inclusive um sepultamento digno para que fosse minimamente homenageada por seus familiares e amigos.

Indiscutível se torna registrar, que os crimes descritos nestes autos, causam extremo temor no seio da sociedade, não podendo o Poder Judiciário fechar os olhos a esta realidade, de modo que a paz social deve ser preservada, ainda que, para tal, seja sacrificada algumas garantias asseguradas constitucionalmente, dentre elas, a liberdade individual.
Não há, ainda, como deixar de falar da natureza de um dos delitos em análise, qual seja, homicídio triplamente qualificado, considerado hediondo, a teor do artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.072/90, crime doloso, punido com pena de reclusão, dotado, pois, de maior censurabilidade jurídico-penal.
Por todo o exposto, o réu não poderá recorrer em liberdade.
Transitada em julgado:
1 – Comunique-se a condenação ao TRE para atendimento ao art. 15, III, da CF/88 e aos Órgãos de identificação criminal nos termos do art. 809 do Código de Processo Penal.
2 – Encaminhe-se Guia de Execução à VEC.

Oportunamente, arquivem-se os autos com baixa na distribuição.
Sentença publicada em plenário e dela intimadas as partes.
Registre-se. Sala de Sessões do Tribunal do Júri.

Comarca de Contagem, 08 de março de 2013.

(a) Marixa Fabiane Lopes Rodrigues
Juíza de Direito

Leia também a íntegra da SENTENÇA DO BOLA.

FONTE: TJMG.


 

Bruno entre o promotor Henry Wagner (E) e o advogado de defesa, Lúcio Adolfo, durante julgamento em que foi condenado: batalha de recursos para mudar pena  ( Marcelo Albert/TJMG - 6/3/13 )
Bruno entre o promotor Henry Wagner (E) e o advogado de defesa, Lúcio Adolfo, durante julgamento em que foi condenado: batalha de recursos para mudar pena

 

A discussão sobre a sentença do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado no processo por desaparecimento e morte de sua ex-amante Eliza Samudio, não terminou com o julgamento no Fórum Pedro Aleixo, em Contagem. Um novo round entre acusação e defesa já está marcado para tentar mudar a pena do atleta. O promotor do caso, Henry Wagner Vasconcelos de Castro, anunciou que apresentará recurso na segunda-feira para que Bruno receba punição mais pesada que os 22 anos e três meses definidos pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. Ele defende pena entre 28 e 30 anos. Os advogados de defesa já haviam protocolado na madrugada de ontem recurso para diminuir o tempo que o goleiro ficará preso.

O promotor considerou baixa a pena estabelecida pela juíza Marixa Rodrigues. Segundo especialistas consultados pelo Estado de Minas, Bruno terá direito a passar para o regime semiaberto a partir do final de 2016. O prazo de pouco menos de quatro anos leva em conta os dois anos e nove meses que ele já cumpriu, o eventual benefício de redução da pena por trabalho e o bom comportamento. Henry Wagner calcula que o goleiro levará um pouco mais de tempo – cinco anos – até ter direito ao regime semiaberto, mas ainda assim pretende ampliar a pena. “A sentença assumiu contornos bastante maternais”, disse o promotor a uma emissora de TV. Ele reclamou do fato de a juíza ter reduzido a pena de Bruno por homicídio triplamente qualificado, de 20 anos para 17 anos. “Ele não merecia o benefício da redução porque não confessou”, considerou.

Bruno foi condenado a 17 anos e seis meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima). A pena, inicialmente de 20 anos, teve aumento de seis meses porque o goleiro foi considerado o mandante do crime, mas foi reduzida em três anos devido à confissão do jogador. A sentença inclui condenação de três anos e três meses por sequestro e cárcere privado e ainda um ano e seis meses por ocultação de cadáver, que devem ser cumpridos em regime aberto.

Volta aos campos? A possibilidade de Bruno retomar a carreira divide especialistas. A avaliação é de que o goleiro, mesmo saindo do regime fechado no fim de 2016 – quando terá 32 anos –, precisará ficar pelo menos três anos no regime semiaberto, que prevê que o detento durma na prisão todas as noites, além de passar feriados e fins de semana encarcerado. Atuar em equipes de futebol só seria possível com uma autorização especial da Justiça para que ele saísse temporariamente para viajar e jogar. “Diante de um contrato de emprego firmado e do comportamento dele, o juiz poderá conceder autorizações permitindo que ele viaje. Mas vai depender do entendimento do magistrado”, afirma o advogado criminalista Eduardo Lopes.

Pelas contas dele, o atleta deve cumprir o regime fechado em cerca de três anos e sair para o semiaberto em 2016. A liberdade de Bruno deve sair entre 2018 e 2019. “Jogar bola ou não é uma decisão que depende de Bruno. Ele precisa manter seu condicionamento físico na prisão e continuar trabalhando para sair mais rapidamente”, afirma Eduardo Lopes. Já o advogado Adilson Rocha considera difícil Bruno retomar a carreira. “Ele não terá condição física nem emocional para ser um atleta quando estiver em liberdade”, opina Rocha, presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O advogado avalia como quase impossível a volta de Bruno aos clubes de futebol no regime semiaberto. “Bruno não poderá jogar porque as regras do regime carcerário são incompatíveis com a profissão dele, que exige tempo disponível para viagens, treinos, concentração e jogos que podem ocorrer à noite ou aos fins de semana”, disse.

Enquanto acusação e defesa continuam a disputa sobre a pena, Bruno manterá a rotina anterior ao julgamento no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), ele permanecerá em uma cela individual de seis metros quadrados com cama de alvenaria e banheiro, que tem chuveiro, pia e vaso sanitário. Além disso, cada preso tem direito a um kit com cobertor, colchão, uniforme e material para higiene pessoal. O goleiro tem à disposição uma televisão de 14 polegadas e um rádio, presentes de familiares permitidos pelo regulamento da penitenciária. Ele recebe visitas que se alternam entre íntimas e sociais, a cada 15 dias. O goleiro trabalha na lavanderia da unidade prisional, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 15h. Bruno está nessa função há dois meses por vontade própria e não recebe salário, apenas o benefício de redução do tempo que ficará preso.

Enquanto isso…

…Boa à espera

O Boa, que disputa o Campeonato Mineiro e a Segunda Divisão do Brasileiro, mantém interesse na contratação do goleiro Bruno. Na quarta-feira, o Tribunal de Justiça negou pedido de habeas corpus, baseado na oferta de trabalho do clube de Varginha. Para preparadores físicos, a idade na chegada ao regime semiaberto (32 anos) dificultaria o retorno dele aos gramados e exigiria uma carga de treinamentos severa. (Bruno Freitas)

FONTE: Estado de Minas.

Goleiro é interrogado na tarde desta quarta-feira

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Após uma breve interrupção, o interrogatório do goleiro Bruno foi retomado no meio da tarde desta quarta-feira no Fórum de Contagem, na Grande BH. Pela primeira vez desde o início das investigações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, o réu confessou que sua ex-amante está morta. Segundo o réu, Macarrão foi o mandante do crime e agiu por conta própria, sem que ele tivesse conhecimento.

Chorando muito, o jogador relatou os últimos momentos da ex-amante em seu sítio, antes de ser levada para a morte. Segundo Bruno, Eliza já havia recebido os R$ 30 mil acordados entre eles dias antes no Rio de Janeiro, e seria levada por Macarrão e por Jorge Luiz Rosa para um ponto de táxi, junto com o seu filho, Bruninho.

Mais tarde, Macarrão e Jorge voltaram ao sítio sem Eliza, mas com a criança. Segundo Bruno, Macarrão aparentava tranquilidade, enquanto seu primo estava muito nervoso. Foi então que o goleiro perguntou à dupla: “Pelo amor de Deus, o que vocês fizeram com ela?”. O amigo teria sido direto em sua resposta: “Eu resolvi o problema que tanto te atormentava”.

Bruno, então, teria perguntado ao primo o que havia acontecido. Jorge contou que ele, Macarrão, Eliza e Bruninho foram até a região da Pampulha e que o amigo teria feito uma ligação através de um orelhão. Minutos depois, eles passaram a seguir uma motocicleta até uma casa em Vespasiano. Chegando ao local, Eliza foi entregue a um homem conhecido como “Neném”, que a estrangulou e a esquartejou. Em seguida, os restos mortais teriam sido jogados para os cães do assassino.

Ainda de acordo com o jogador, Macarrão contou a ele que contratou o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, para matar Eliza. O réu voltou a ser questionado pela juíza sobre seu envolvimento no crime. “Não mandei matar, mas aceitei”, admitiu.

Bruno também disse que Macarrão contratou o Bola para ajudar na execução do crime. 17:00

Após o fato consumado, segundo Bruno, ele ficou sabendo, e concordou em esconder a história. 17:01

A versão que Bruno está admitindo aproxima-se muito do que aponta o inquérito policial, inclusive o fato de que partes do corpo de Eliza teria servido de alimento para cães. Mas ele nega peremptoriamente ter ordenado a morte ou ter sabido do planejamento dela. 17:06

O promotor continua fazendo perguntas para Bruno, mas ele não deve responder nenhuma sob orientação de seus advogados. 17:09

O assistente de acusação, Cidnei Karpinski, comentou as declarações de Bruno fora do Fórum. “Ele tenta se isentar da culpa. Ele sequer assumiu esta responsabilidade. Têm contradições nas respostas. Assinou sua sentença no grau máximo. Ele não confessou absolutamente nada”, informa o repórter Pedro Triginelli. 17:13

O promotor pergunta para Bruno por que o goleiro ligou para o caseiro do sítio, Elenílson [réu no processo], na noite em que estava no Rio com Eliza. “Quero saber se o senhor estava combinando o sítio para servir de cativeiro de Eliza”. 17:14

O advogado Lúcio Adolfo intervém e chama a pergunta de “molecagem” e diz que o promotor “por acaso, passou no concurso e se tornou promotor”. 17:14

O promotor Henry Castro pede que seja assegurado pela juíza o respeito no julgamento. 17:15

Julgamento interrompido, Bruno é retirado do plenário. 17:25

Torcedor mostra cartaz em frente ao fórum:

Bruno

Agora o advogado Lúcio Adolfo pergunta a Bruno por que o advogado Ércio Quaresma saiu da defesa do goleiro. Bruno responde que Quaresma precisava fazer um tratamento. 17:39

Bruno, pela primeira vez, implicou Bola na morte de Eliza. Até agora, ele era citado apenas como “Neném” pelo menor Jorge, que disse à polícia ter presenciado a execução da jovem. No interrogatório, Bruno afirma que Macarrão contou a ele que contratou Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, para matar Eliza. 18:04

(Mais informações em instantes)

19:55A juíza questiona quem a imprensa dizia que tinha assassinado sua mulher, se seria ele mesmo. “Era, dizia que eu tinha assassinado minha mulher. Comecei a vivenciar tudo aquilo de novo”, disse Bruno.
19:55O jurado pergunta quando e como Bruno soube que Dayanne foi presa. “Eu tava acompanhando na televisão e eu recebi a notícia que havia matado, naquela época, que a minha esposa tinha sido assassinada. E não consegui contato com a Dayanne”, diz Bruno. “Me desesperei. Mais uma vez me desesperei”.
19:51O jurado pergunta como Macarrão voltou do Rio de Janeiro depois que deixou o BMW e tirou o dinheiro [prometido a Eliza, que esperava no sítio de Esmeraldas]. “De avião”, diz Bruno.
19:50Outro jurado pergunta se Bruno conversou com Fernanda sobre a morte de Eliza e se Macarrão teria comentado algo com a Fernanda. Ele diz que acredita que Macarrão não comentou com ela sobre o que pretendia fazer.
19:50Depois que Bruno recebeu a notícia de que Eliza estava morta, o jurado questiona com quem Bruninho ficou. “Pedi a Dayanne”, diz Bruno.
19:49O jurado pergunta por que Bruno deu uma entrevista falando que esperava Eliza aparecer se já sabia que ela estava morta. “Me sentia acuado, me sentia perseguido. Já tinha começado as investigações. Na época o meu advogado falou para eu não falar com a imprensa. Então uma hora eu tive que falar alguma coisa. Se olhar a entrevista eu estava muito abatido”, disse.
19:46O jurado pergunta por que Fernanda estava na casa do goleiro no Rio de Janeiro com Bruninho no colo. “Ela disse que estava ali para ajudar a pedido do Macarrão”, responde Bruno.
19:45Bruno diz ainda que Macarrão discutia com a Eliza e a xingava. “Eu podia ter impedido isso”, afirma.
19:43A juíza pergunta onde Bruno foi omisso antes de Eliza morrer. “Não passava pela minha cabeça o que estava acontecendo. Depois que aconteceu eu parei para pensar no que estava acontecendo”, diz o goleiro. “Não, eu fui omisso”, diz Bruno, negando ter sido “permissivo” após pergunta da juíza.
19:40O jurado pergunta se Dayanne soube da morte da Eliza no mesmo dia em que Bruno. “Ela ficou assustada com tudo o que estava acontecendo, mas em momento algum ela soube daquela situação. Eu falei para ela só: ‘fica com a criança para mim’. Ela perguntou o que eu estava acontecendo, mas eu quis protegê-la”, respondeu.
19:39O juíza pergunta o motivo dessa mudança de nome. “Pelo fato da criança… para eu poder ficar com a criança, poder protegê-la. E sabia que mais cedo ou mais tarde as investigações iam chegar na criança e eu tentei… é… não tenho como explicar para a senhora… eu tentei…”. A juíza completa: “despistar?” Bruno diz que sim: “É, despistar”.
19:37O jurado pergunta por que Bruno mudou o nome da criança. “Passado aquele dia do fato, eu pedi para que chamassem a criança de Rian”, admite Bruno. “Pedi para que mudasse o nome da criança”. “Rian Iuri”, completa o goleiro. No inquérito policial, testemunhas disseram que o filho de Eliza passou a ser chamado de Rian Iuri.
19:36O jurado pergunta o que Bruno iria fazer com Bruninho depois que Eliza foi morta. “Eu pensei na criança. Eu não queria que acontecesse com ela o que aconteceu comigo. Eu fui criado pela minha avó. Então naquele momento eu pensei em fazer alguma coisa pela criança”, disse Bruno.
19:35″Eu vi que ela [Eliza] era uma mãe que cuidava muito bem da criança”, diz Bruno.
19:34O jurado pergunta porque Bruno deixou que Eliza ficasse no sítio se ele não tinha contato com ela, nem diálogo. “Nós não conversávamos, ou talvez eu não tivesse tipo essa oportunidade de viver no mesmo lugar. Então nessa oportunidade eu pude conhecer um pouco mais sobre a pessoa Eliza. A pessoa que eu falo, excelência, como mãe”, diz o goleiro.
19:34Outro jurado pergunta por que Bruno não procurou um laboratório de DNA para fazer a coleta do sangue da criança no hotel ou própria residência. “Faltou tempo”, diz Bruno. Em seguida, a juíza reforça que a pergunta é por que ele não procurou um local perto. “Talvez por desconhecimento”, diz o goleiro. As perguntas se referem a exame que poderia ter sido feito para comprovar a paternidade do filho de Eliza. O exame foi feito meses depois da morte da jovem.
19:32O jurado pergunta por que Bruno foi a Minas Gerais usando carro. “Excelência, nas minhas folgas eu sempre viajava de carro. Sempre precisava do carro aqui em Belo Horizonte”.
19:30Outro jurado pergunta em que momento Dayanne foi para o sítio. Bruno diz que Dayanne esteve no sítio de quinta para sexta-feira. “Mais para a parte da tarde”, diz o goleiro. “Ela, minhas filhas e a Célia”. A juíza pergunta se Dayanne permaneceu no sítio, e Bruno responde que sim.
19:29A juíza pergunta “medo de quem”. Bruno diz que era de Macarrão e de outras pessoas que no dia estavam envolvidas no crime.
19:29O primeiro jurado pergunta por que Bruno não denunciou Macarrão. “Eu não fiz essa denúncia por medo de acontecer alguma coisa com minhas filhas, até mesmo comigo. E pelo fato de conhecer ele há muito tempo”, afirmou o goleiro.
19:27Os jurados não podem fazer perguntas diretamente a Bruno. Eles devem escrever em um papel, que é lido pela juíza Marixa Fabiane, informa a repórter Rosanne D’Agostino.
19:27Bruno entra novamente no plenário. Ele diz que aceita falar aos jurados.
19:23A juíza pede que Bruno seja novamente trazido ao plenário para que responda a perguntas dos jurados.
20:09A juíza pergunta se Bruno já ameaçou Eliza. “Nós discutimos no carro. Ela me deu tapa e eu revidei”, afirmou.
20:09O jurado pergunta sobre as denúncias de Eliza de que Bruno a agrediu e teria apontado uma arma para sua cabeça. “Arma na cabeça, não, excelência”, diz Bruno.
20:08Bruno afirma que Eliza permaneceu em sua casa no Rio de Janeiro porque conversaram sobre a quantia que ela viria a receber em Minas Gerais.
20:08Bruno disse que não pode responder por Macarrão, mas que acredita que naquele momento ele não deveria querer retirar Eliza do caminho do goleiro.
20:06O jurado pergunta se, mesmo depois que Jorge bateu na Eliza e a machucou, e Bruno a tratou e pos curativo, se o goleiro acha que Macarrão ainda queria tirá-la de seu caminho, mesmo vendo os cuidados que teve com ela. “O cuidado que eu estava tendo, acredito eu que naquele momento ali, não”, afirmou.
20:05Em frente ao fórum, o assistente de acusação José Arteiro falou sobre o interrogatório do goleiro Bruno. “A única coisa que ele fez foi derrubar o Bola”, afirmou. O advogado disse ainda estar confiante na condenação e não acreditar em redução de pena em relação ao goleiro. Mais cedo, o advogado do goleiro disse acreditar em uma pena diminuída para o goleiro.
20:03O jurado pergunta se as pessoas que estavam no sítio não perguntaram o que estavam queimando. “Era normal queimar as coisas no sítio”, diz Bruno. “Acho que elas [Célia, Dayanne] nem viram isso”.
20:03O jurado pergunta se a queima dos pertences de Eliza ocorreu no mesmo dia em que ela foi morta. Bruno diz que sim.
20:02O jurado pergunta se, depois que Macarrão confessou que matou Eliza, o convívio foi o mesmo. “Continuam amigos, irmãos?”, questiona. “No início eu tive um pouco de medo e nossa relação hoje, eu perdoo por tudo, mas ele vai cuidar da família dele e eu vou cuidar da minha família”.
20:01A juíza pergunta se Bruno pediu para Macarrão atender ao telefone quando Dayanne ligou da delegacia. “Só se eu estava longe do telefone”. Bruno diz que não pediu para Macarrão atender seu celular.
20:00A juíza perguntou se não foi Dayanne quem ligou e ele não atendeu. “Ou estava fazendo alguma coisa de trabalho. Eu não deixo de atender ela”, disse o goleiro.
20:26Resumo do interrogatório de Bruno:
– Pela 1ª vez, Bruno admite que Eliza está morta
– Ele diz que não mandou, mas “aceitou” a morte e se sente culpado
– Diz que Macarrão contratou o ex-policial Bola para matar jovem
– Diz que Jorge contou que Eliza foi esganada, esquartejada e jogada para cães
– Não respondeu a nenhuma pergunta do promotor e da defesa de Bola

20:22Hoje ele não foi goleiro. Não ficou na defensiva. Hoje ele foi covarde. Vamos inocentar Marcos Aparecido [Bola] no julgamento dele. Hoje ele foi acusado. O prejuízo foi enorme, mas vamos reverter o quadro quando ele for julgado”

, advogado de Marcos Aparecido, o BolaFernando Magalhães

20:14A juíza encerra a sessão, que deve ser retomada nesta quinta-feira (7) às 9h com os debates entre acusação e defesa, informa a repórter Rosanne D’Agostino.

FONTE: Itatiaia, G1 e internet.


Bruno e a ex-mulher Dayanne serão julgados por cárcere e morte.
Previsão é que julgamento dure cinco dias na cidade de Contagem (MG).

O segundo júri popular do caso Eliza Samudio começa às 9h desta segunda-feira (4) no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem (MG). Enfrentam o banco dos réus o goleiro Bruno Fernandes e a ex-mulher Dayanne Rodrigues. O julgamento deve durar uma semana.

O júri popular, composto por sete pessoas, é presidido pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. Bruno e Dayanne são julgados pelo cárcere privado e morte da ex-namorada do ex-atleta do Flamengo. (Entenda as acusações)

O goleiro, a ex-mulher e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o executor de Eliza, seriam julgados em novembro, mas o júri acabou desmembrado. Naquela data, foram condenados Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de Bruno, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro.

Bruno e Macarrão estão na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Bruno deve ser escoltado até o fórum em esquema de segurança da Superintendência de Administração Prisional (Suapi) e levado de volta à unidade prisional ao fim das sessões. Dayanne responde ao processo em liberdade.

Entenda como funciona um júri popular:

A escolha dos jurados

Os réus serão julgados por um grupo de sete pessoas, formado por cidadãos maiores de 18 anos residentes em Contagem (MG), sem antecedente criminal ou parentesco com os acusados. Eles são sorteados um a um ao início da sessão entre 25 pessoas previamente escaladas. A juíza Marixa pediu também que suplentes estejam à disposição. Este grupo é diferente do que foi usado para a seleção do júri de Macarrão e Fernanda.

A defesa de cada réu, e em seguida a acusação, podem recusar três jurados sem justificativa na medida em que vão sendo sorteados, até formar o Conselho de Sentença. Os sete jurados ficam confinados até o final do julgamento e não podem conversar entre si sobre o caso.

Oitiva das testemunhas

Sorteado o Conselho, tem início a sessão com o depoimento das testemunhas, que promete ser a fase mais longa do júri.

São 15 ao todo – cinco de acusação, que são ouvidas primeiro, e 10 arroladas pela defesa (cinco para cada réu). Não há limite de tempo para as oitivas. Cada testemunha é questionada pelo juiz, pelo promotor e pelos advogados de todos os réus. Os jurados também podem fazer perguntas por escrito, que são lidas pelo juiz.

Interrogatório dos réus

Encerrada a fase de testemunhas, começa o interrogatório dos dois réus, que têm o direito de permanecer em silêncio. Nesse caso, o silêncio não significa confissão. Também não é permitido que os réus fiquem algemados, exceto se comprovada a necessidade.

Desde 2008, não é obrigatória a presença do réu ao próprio julgamento. Não está definida a ordem em que cada um será ouvido.

Debates de defesa e acusação

Terminada a chamada fase de instrução, ou seja, em que provas são apresentadas, começam os debates, em que acusação e defesa apresentam seus argumentos para tentar convencer os jurados de que os réus são culpados ou inocentes.

Primeiro a falar, o promotor terá duas horas e meia para apresentar os argumentos do Ministério Público no caso. Em seguida, os advogados terão duas horas e meia cada. Se o MP pedir a réplica, de duas horas, cada defesa poderá fazer a tréplica, também de duas horas.

Sala secreta

Terminados os debates, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz com “sim” e “não”. Eles decidirão se os réus cometeram o crime, se podem ser considerados culpados e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. Eles podem permanecer na sala secreta o tempo que acharem necessário.

A juíza deve explicar todos os quesitos e tirar todas as dúvidas. No novo procedimento do júri, os votos dos jurados não são todos contados, para sua própria proteção. Assim, se quatro jurados votarem pela absolvição, é encerrada a contagem, e não se sabe o que os demais votaram, e vice-versa.

De posse do veredicto (a decisão final dos jurados) a juíza dosa a pena com base no Código Penal, se houver condenação. Se houver absolvição, o réu deixa o tribunal livre. A sentença é lida a todos os presentes no Tribunal do Júri, e a sessão é encerrada.

FONTE: G1.


Um terceiro agente é investigado por envolvimento na morte de eliza samUdio, a pedido do ministério público, que desconfia também que bola tenha PLANEJADO matá-la em santos

 

O envolvimento de um terceiro policial civil na morte de Eliza Samudio está sendo investigado pela polícia, a pedido do Ministério Público. O novo suspeito, o agente Gilson Costa, é corréu no processo do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, sobre o desaparecimento e morte de duas pessoas em Esmeraldas, na Grande BH, há cinco anos. Os dois atuaram juntos no extinto Grupamento de Respostas Especiais (GRE) e mantiveram, segundo a promotoria, “inúmeros contatos telefônicos” durante o período em que a ex-amante do goleiro Bruno Fernandes esteve em Minas Gerais, inclusive no dia da morte dela.

Às vésperas do julgamento de Bruno, marcado para segunda-feira, o documento sigiloso assinado pelo promotor Henry Wagner Vasconcelos – ao qual o Estado de Minas teve acesso – inclui ainda informações de que Bola teria estado em Santos, no litoral paulista, dois meses antes do desaparecimento de Eliza, de tocaia à modelo. Outro policial investigado no caso é José Lauriano de Assis Filho, o Zezé. O promotor informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda reúne provas para denunciá-lo.

O relatório do promotor foi entregue à juíza do Tribunal do Júri de Contagem, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, solicitando o complemento das investigações e quebra do sigilo telefônico e bancário dos três policiais, entre abril e julho de 2010. O inquérito anterior, que resultou na denúncia de oito réus e na decretação de medida socioeducativa para Jorge Luiz Rosa, primo do goleiro, não incluiu a quebra do sigilo bancário de Bruno e de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e, por isso, o promotor também fez esse pedido.

Segundo o delegado Wagner Pinto, do Departamento Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) de Belo Horizonte, as novas investigações estão em curso e os suspeitos não foram ouvidos ainda. Ele confirma, no entanto, que Bola, Zezé e Gilson (investigado ainda pela Corregedoria da Polícia Civil) conversaram no período em questão.

O documento assinado pelo promotor cita ainda as “reiteradas informações” que chegaram ao Ministério Público, de que Bola teria estado em Santos, dois meses antes de Eliza desaparecer. Com medo das ameaças de Bruno, a moça vivia escondida na casa de uma amiga com seu filho, Bruninho, e dizia a amigos, por mensagens de bate-papo na internet, que evitava dizer onde estava. Pessoas próximas ao goleiro tentaram descobrir o endereço, mas Eliza sempre se negava a passar. Segundo o promotor, Bola estaria armado e até teria sido detido por porte ilegal de arma. No entanto, ele alerta que não há registro formal da prisão do ex-policial, porque um advogado atuante em Minas Gerais, a pedido de Macarrão, teria providenciado o suborno de agentes paulistas.

Ainda que não tenha sido apontado por Macarrão, já condenado, nem pelo primo de Bruno, na entrevista que concedeu no domingo ao Fantástico, da Rede Globo, Bola pode estar ainda mais complicado por essas relações. Ele e Gilson Costa respondem pelo desaparecimento, tortura e morte de Marildo Dias de Moura e Paulo César Fernandes, no interior do centro de treinamento do GRE, em 2008. Assim como o corpo de Eliza, os restos mortais das duas vítimas nunca foram encontrados.

DEFESA Segundo a advogada de Gilson, Rita Virgínia das Graças Andrade, o processo da comarca de Esmeraldas ainda está na fase de depoimentos, mas ela garante que o policial é inocente porque estava em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, na época desse crime. Segundo a advogada, Gilson e Bola só mantiveram relacionamento profissional e não são amigos. Ela afirma que seu cliente nem estava em BH quando Eliza foi trazida a Minas.

Bola e Zezé foram da mesma turma na Polícia Civil. Foi Zezé, inclusive, quem apresentou Bola a Bruno e Macarrão. O argumento alegado, porém, é de que o filho de Bola sonhava ser jogador de futebol. O rastreamento das ligações dos suspeitos mostra, entretanto, que Zezé falou 53 vezes por celular com Macarrão, Bola e com o primo de Bruno, que era menor na época do crime, nos dias em que Eliza foi mantida no sítio. Apenas entre Zezé e Macarrão foram 37 ligações em cinco dias. Segundo as investigações, Zezé e Bola se falaram no dia da morte de Eliza e se encontraram pouco tempo depois do assassinato dela.

O policial aposentado também conversou 18 vezes com o caseiro do sítio de Esmeraldas, Elenilson Vitor da Silva, entre 5 e 10 de junho de 2010, período em que Eliza e o filho estavam no local. No processo consta que Zezé ligou para a delegacia no dia em que ex-mulher de Bruno Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, detida, foi acusada de sequestrar o bebê. Naquela data, foi ele quem mandou uma mensagem para o celular de Macarrão, informando-o sobre a movimentação da polícia em busca do menino. Zezé e os advogados de Bola não foram encontrados para comentar o caso.

DENÚNCIA A suspeita do Ministério Público é confirmada pelo assistente de acusação do caso Bruno, José Arteiro. “Já existiam suspeitas sobre a presença de Bola e dois policiais em Santos para executar Eliza. Os três teriam sido presos e um advogado mineiro intermediou o pagamento de propina para libertação deles”, disse. “Tão logo Bruno seja condenado, acredito que os outros dois policiais serão denunciados”, completou.

 

 

QUEM É QUEM

 

 (EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS %u2013 5/10/12)

 

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola

Ex-policial civil, acusado de matar e ocultar o corpo de Eliza Samudio. Ele foi absolvido, em novembro, da acusação de ter assassinado um carcereiro em 2000, em Contagem, mas responde a um processo pelo desaparecimento, tortura e morte de duas pessoas no centro de treinamento do Grupo de Respostas Especiais (GRE), em Esmeraldas.

José Lauriano de Assis Filho, o Zezé

Policial aposentado que foi da turma de Bola no curso para a Polícia Civil. Rastreamento telefônico mostra que ele conversou 37 vezes com Macarrão, 15 minutos antes de Eliza ter sido trazida do Rio e nos dias em que permaneceu no sítio. Zezé também falou com Bola momentos antes e depois do crime e o recebeu na delegacia do Bairro Floramar, levantando a suspeita da polícia de que possa ter ajudado a ocultar o cadáver.

Gilson Costa

Policial civil da ativa. Ele e Bola trabalharam juntos no GRE e são réus no processo na comarca de Esmeralda, que apura o desaparecimento, tortura e morte de duas pessoas em 2008. Os corpos nunca foram encontrados. Por esse crime, Gilson também é investigado pela corregedoria. Mas no período em que Eliza esteve em Minas, segundo a promotoria, ele conversou diversas vezes por telefone, em momentos cruciais, com os policiais envolvidos.

FONTE: Estado de Minas.



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