Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Fiscalização dos ciclomotores em BH não é feita por falta de regulamentação

Necessidade de registro do veículo e habilitação para o piloto é prevista pela legislação

Cinquentinhas

O doce cheiro da oportunidade ou, mais que isso, o cheiro do oportunismo! O que mais senão esse fator para explicar a profusão das “cinquentinhas”, sobretudo fora da região central de Belo Horizonte? Crendo na lenda urbana de que não é preciso ter 18 anos, habilitação e nem sequer documento para pilotar essas “motinhas”, garotões de diversos bairros da cidade juntam uma graninha e ficam “motorizados”. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) define os ciclomotores, nome oficial das “cinquentinhas”, como veículos de duas ou três rodas, providos de motor a combustão interna cuja cilindrada não exceda 50cm³ e a velocidade máxima não passe dos 50km/h. 


REGISTRO
 Mas o assunto é mesmo confuso. Para começo de conversa, o inciso XVII do artigo 24 do CTB estipula que cabe ao município registrar e licenciar os ciclomotores, inclusive as funções de fiscalizar, autuar e aplicar penalidades. Isso causa estranheza, principalmente porque é o estado, por meio dos departamentos estaduais de Trânsito (Detrans), que faz o registro e licenciamento dos demais veículos.Outro fator que contribui para o desconhecimento a respeito do assunto é que, de acordo com a BHTrans, órgão municipal de trânsito, Belo Horizonte não realiza o registro e o licenciamento dos ciclomotores porque essa questão ainda não está regulamentada no município. E esta é a mesma realidade da maioria dos municípios do país. 

Segundo o Detran-MG, se o proprietário de um ciclomotor quiser, por vontade própria, pode registrar e licenciar seu veículo no órgão estadual. Mas, a partir disso, quando o veículo ganhar placas e documentos, ele estará apto a levar multas e terá que pagar os mesmos impostos e taxas de um veículo comum, como o IPVA, por exemplo. 

HABILITAÇÃO Dando fim a todas as lendas urbanas a respeito dos ciclomotores, é importante ficar claro que, sim, é necessário ser habilitado para pilotar uma “cinquentinha”. Para conduzir um ciclomotor é necessário pleitear no Detran uma Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC), cujos processos para obtenção são os mesmo para se obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) da categoria A (para motos). Ou seja, para que se esforçar para ter uma ACC, cuja aplicação é bem mais restrita, se com o mesmo “trabalho” você pode se habilitar na categoria A, que não só lhe permite pilotar um ciclomotor como também toda sorte de motocicletas? De acordo com o Detran-MG, no passado o órgão já emitiu muitas ACCs, mas ultimamente não existe demanda.

NA PRÁTICA Esse cenário é um pouco diferente. De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), ao abordar ciclomotores os agentes exigem a habilitação, mas o registro do veículo não está sendo exigido porque a Prefeitura de Belo Horizonte não realiza o serviço.

Mesmo assim, o Sindicato dos Trabalhadores Autônomos Motociclistas de Minas Gerais moveu uma ação contra o estado para que a PM e o Detran não multem ou apreendam os ciclomotores sem o registro. De acordo com Petrus Tancredo Naves, da Botelho e Castro Advogados, o argumento usado foi justamente o fato de o município não emitir o documento. Apesar de o estado ter entrado com diversos recursos, o pedido foi acatado por antecipação de tutela e se encontra válido, porém apenas para os sindicalizados.
A reportagem foi até uma concessionária da Dafra para saber como são feitas as vendas de um ciclomotor. Queríamos saber se o vendedor não estaria se aproveitando das lendas a respeito desses veículos para facilitar suas vendas. Porém, o atendente forneceu informações corretas, explicando inclusive que o veículo não pode circular em rodovias (veja as principais regras abaixo). 

MERCADO
 A fim de saber se realmente o mercado dos ciclomotores está mesmo “bombando”, consultamos a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), que afirmou ser muito difícil mensurar a evolução desses veículos na frota nacional, uma vez que não é emplacado.

ATENÇÃO ÀS REGRAS

Além de ter que usar capacete e vestimenta adequada, como qualquer outro motociclista, os condutores de ciclomotor devem obedecer a outras regras específicas de circulação.1) É proibida a circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas; 

2) Circular pela direita da pista de rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita ou no bordo direito da pista sempre que não houver acostamento ou faixa própria a eles destinada;

3) Quando uma via comportar duas ou mais faixas de trânsito e a da direita for destinada ao uso exclusivo de outro tipo de veículo, os ciclomotores deverão circular pela faixa adjacente à da direita.

 

Autor: helton brunhara
Eu bati de frente com um menino de 12 anos em cima dessas motinhas. acabo que chamamos o samu pois o menino machucou e minha moto foi presa, devido nao esta com o dumentação de 2013 na epoca pois os correios nao me acharam no endereço. e o menino foi embora andando na mesma motinha! | Denuncie |

Autor: silvonei luiz
é pelo visto vc pilota uma bostinha dessas né Reinaldo, isso ai é um perigo só atrapalha os carros, motos e ate mesmo pedestres, tem que começar a prender essas merdas, inclusive quem as pilota também, muita das vezes, são garotos de 14 anos. bando de bandidinhos. | Denuncie |

Autor: Reinaldo Faria-Tavares
ôh, Eugênio, a mesma pergunta eu te faço, e se um idiota atropelar alguém de bicicleta? O motorzinho dessas 50 cm3 mal mal tem a força de uma canela grossa…. | Denuncie |

Autor: Eugenio Assis
Ai eu pergunto. E se um imbecil desses (a maioria não tem responsabilidade alguma) atropelar e até mesmo matar alguém? Como fica? Quem será responsabilizado? Como? O mais incrível é esse Sindicato mequetrefe tentando impedir até mesmo o que resta de tentativa de barrar esses imbecis nessas porcarias. | Denuncie |

Autor: ROBSON ALMEIDA
Uma vergonha, alguém deve tá levando vantagem para não regulamentar a matéria

FONTE: Estado de Minas.


 

BRT/MOVE
Um lado livre e outro sufocado
Proibição de circulação de ônibus convencionais e táxis em faixa exclusiva na Avenida Antônio Carlos provoca reclamações de motoristas, transtornos e congestionamento

 

 

Novas linhas começam a operar hoje na Antônio Carlos, mas desde ontem os ônibus comuns estão proibidos no corredor exclusivo




Motoristas e passageiros do transporte coletivo que passaram ontem pela Avenida Antônio Carlos começaram a perceber o que adiantou na terça-feira o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar: “a passagem no purgatório para chegar ao paraíso”. No primeiro dia de fechamento do corredor exclusivo, que ontem recebeu os últimos ajustes para a entrada em operação do Move hoje, táxis e ônibus comuns circularam entre os carros particulares nas faixas mistas, com atraso nas viagens. E assim deve permanecer nas próximas três semanas, na avaliação do próprio dirigente da BHTrans. Houve também muitas reclamações, devido à falta de informações sobre os novos pontos de ônibus, já que muitas linhas que ainda rodavam pela busway voltaram ontem para as faixas comuns. 

Dois pontos de ônibus da Antônio Carlos, na altura do Bairro São Francisco, Região da Pampulha, concentraram muitos passageiros perdidos, que precisaram da ajuda de outros usuários para encontrar os locais corretos. O marceneiro Daniel Pereira da Cruz, de 56, foi para o ponto em frente à concessionária Forlan, perto do cruzamento com a Avenida Major Delfino de Paula, onde a linha 2210C (Piratininga Via Rio Branco) deveria parar. “Ele passou direto, nem os motoristas estão sabendo direito. Desse jeito, o trabalhador fica na mão”, afirmou. 

BRT AC

O supervisor de almoxarifado Eder Luiz Dias, de 44, esperava a linha 2211B (Planalto) na busway, quando percebeu algo errado. “Não vi movimento nenhum e estranhei. Como o outro ponto estava lotado, imaginei que seria ali, mas não vi circular nenhum tipo de informação sobre mudança nos pontos”, diz.

Ontem, apesar de o trânsito ainda não ter apresentado filas quilométricas, o fechamento da pista exclusiva significou a entrada de 191 ônibus dividindo espaço com os carros no horário de pico. O vendedor Júlio Cesar Evangelista, de 43, é morador do Bairro Colégio Batista, Nordeste, e gasta, de carro, normalmente cinco minutos de casa até a loja em que trabalha, no Bairro São Francisco, Pampulha: “Está bem agarrado. Gastei 25 minutos por conta dessas mudanças”.

Segundo ele, alguns funcionários da empresa de galvanização que usam ônibus para trabalhar se atrasaram ainda mais. “Gente que mora em Venda Nova e precisava estar aqui às 8h, chegou às 9h30”, completa. O auxiliar administrativo Maicon Ribeiro, 28, sai normalmente às 7h40 do Bairro Betânia, Oeste de BH, para chegar ao serviço, no Bairro Jaraguá, Pampulha, pouco antes das 9h. “Cheguei às 9h35. Se for continuar assim, vou precisar pegar o ônibus mais cedo”, lembrou. 

Na primeira fase do Move na Antônio Carlos, 40 mil passageiros serão beneficiados com a entrada em operação de três novas linhas troncais. A frota de 50 novos ônibus articulados e padroon sai da Estação Pampulha em direção ao Centro, à Lagoinha e aos hospitais. Mas 85 mil motoristas serão prejudicados ao dividir espaço com os ônibus e táxis. A expectativa da BHTrans é de que a situação melhore em três semanas, com a mudança gradativa do sistema atual para o Move e a substituição de linhas e extinção de outras. 

SINALIZAÇÃO e orientação  A BHTrans informou  que a retirada das linhas convencionais do corredor exclusivo, entre o Viaduto São Francisco e a barragem da Pampulha, vai minimizar os impactos do primeiro dia de operação do Move, além de finalizar a preparação da via com reforço de operações como limpeza e sinalização. 

Ainda segundo a BHTrans, os pontos de embarque e desembarque na pista exclusiva foram sinalizados com a informação “desativado” e com a indicação do novo local na pista mista. “Os novos pontos da pista externa foram implantados com a indicação das linhas. Alguns ainda não estão com a sinalização definitiva, mas contam com a provisória com todas as informações”, explica a nota. A empresa acrescentou que agentes da empresa estão orientado usuários no novos locais de embarque e desembarque e em todos os pontos desativados.

“É importante lembrar que é natural que exista um período de adaptação, especialmente nos primeiros dias de alterações. Com o início da operação da primeira fase do Move na Antônio Carlos e a transformação de linhas expressas em alimentadoras, oito linhas deixarão de circular na pista mista da avenida”, justificou a empresa.

FONTE: Estado de Minas.


Como a maioria dos internautas, já fiz compras e pagamentos via Internet. Não sou um comprador voraz, mas o número de vezes que recorri a este expediente é significativo. O meio que uso para efetuar o pagamento é o PayPal. Ou, quando o vendedor é confiável, pago diretamente com cartão de crédito. Como até hoje nunca tive qualquer problema, continuo agindo assim e não dou muita atenção a formas de pagamento alternativas.

De uns tempos para cá tenho ouvido falar em “Bitcoin”. Como “coin” em inglês significa moeda e o termo “bit” é usado comumente para indicar algo relativo a computadores, imaginei que se tratasse de uma nova forma de pagamento virtual na qual não entrasse dinheiro ou algo parecido. E como o assunto não me despertava interesse, simplesmente o deixei de lado.

A questão é que, embora o tamanho de minha ignorância seja infinito (quanto mais aprendo mais me dou conta de sua enormidade), não me agrada desconhecer seja lá o que for. Então aproveitei que um artigo sobre o Bitcoin me caiu nas mãos e resolvi dar uma olhada. E vocês não fazem ideia de como fiquei surpreso com o que descobri.

Ora, considerando que, conforme presumo, cada vez se falará mais em Bitcoin, resolvi dividir com vocês este conhecimento recém adquirido. Então, mãos à obra. Começando pelo princípio, como convém.

GPC20140102Logo do Bitcoin

O que é Bitcoin?

Bitcoin não é mais uma das formas disponíveis de pagamento virtual. Sequer é uma “forma de pagamento”. Bitcoin é uma moeda.

Uma moeda virtual, naturalmente, mas uma moeda – e neste contexto o termo “moeda” não é usado na mesma acepção de “peça de metal de formato circular… etc”. Mas, é empregada quando se diz que o real, o dólar americano, o yuan, o peso, são moedas. Simplificando: Bitcoin é aquilo que costumamos chamar de “dinheiro”, “bufunfa”, “caraminguá” ou qualquer outra das mais de cem designações listadas no Houaiss.

Portanto Bitcoin é grana – pelo menos para quem transaciona com ele – e está se tornando cada vez mais popular. Então é possível, por exemplo, converter para Bitcoins quantias expressas em dólares americanos desde que conhecida sua cotação. Para ilustrar: ontem, primeiro de janeiro de 2014, a cotação do bitcoin (cujo símbolo é BTC) abriu a 1 BTC = US$ 757,58 e oscilou entre um mínimo de 1 BTC = US$ 750,53 e um máximo de 1 BTC = US$ 774,26.

E quem determina esta variação?

Ninguém. A flutuação da cotação do Bitcoin obedece rigorosamente a lei da oferta e da procura. Certas instituições (as “Bitcoin Exchanges” que, de certa maneira, funcionam como bancos virtuais; voltaremos a falar nelas mais tarde) calculam esta cotação e a divulgam ao longo do tempo. Quer saber o valor exato agora, ou seja, no momento em que está lendo estas linhas mal traçadas? Pois interrompa a leitura e visite o sítio de uma destas instituições, por exemplo a CoinDesk, e veja você mesmo (a boa técnica e o bom senso não recomendam que um autor sugira ao leitor interromper a leitura de seu texto, mas neste caso tenho certeza de que você voltará).

Mas, afinal, o que é uma moeda? O que é dinheiro?

Dinheiro é algo que pode ser trocado por bens, serviços, divisas estrangeiras (que por sua vez também são “dinheiro”), usado como pagamento nas diversas transações financeiras e é amplamente aceito, ao menos pelos que a usam.

Por exemplo: na Roma antiga os legionários eram remunerados com certas quantidades de sal – daí a origem do termo “salário” – e este sal era trocado por bens e serviços. Ou seja: sal era dinheiro. A mim não parece que o sal seja a moeda ideal. Eu, pelo menos, dificilmente aceitaria como moeda corrente qualquer coisa que fosse solúvel em água. Mas no tempo em que o exército romano conquistou a Europa o sal era raro, difícil de obter e extremamente útil, daí o seu grande valor. Além disso, cumpria outras condições que uma boa moeda deve satisfazer: era facilmente reconhecível, difícil de falsificar, transferível entre pessoas, transportável, divisível e fungível.

sal

Vou lhe poupar a consulta ao dicionário porque eu mesmo acabei de ser forçado a fazê-lo e não vale a pena duplicar esforços. Do Houaiss: Fungível (adj) – passível de ser substituído por outra coisa de mesma espécie, qualidade, quantidade e valor.

E o bitcoin também atende a todas elas.

Mas não é só isto. Acumular moedas é um meio de armazenar riquezas (vide o famoso cofre do Tio Patinhas), já que podem ser trocadas a qualquer tempo por praticamente qualquer coisa ou serviço (consta que o Sr. Olacyr de Moraes, cavalheiro de certa idade, largas posses e extremo bom gosto que costuma ser visto cercado por jovens deslumbrantes que com ele demonstram grande intimidade, ao ser indagado por um destes jornalistas “provocativos” se achava que aquelas belas meninas gostavam realmente dele, respondeu: “Não sei, nunca perguntei”; e acrescentou: “Quando vou a um bom restaurante e como uma picanha que me agrada, não pergunto se a vaca gostava de mim”; não garanto ser isto verdade, o Sr. Olacyr demonstra uma elegância que o impediria de recorrer a esta imagem tão crua, mas sendo ou não verdade ilustra bem o que eu quis dizer com o “praticamente qualquer coisa ou serviço” lá de cima).

Para ser usada com o objetivo de acumular riqueza, a moeda deve cumprir outras tantas condições: deve ter um suprimento estável, ser durável, fácil de ser protegida dos amigos do alheio e manter um valor estável.

Também estas condições são cumpridas pelo Bitcoin, com exceção talvez da última; mas, afinal, as cotações das demais moedas “oficiais” também podem oscilar (voltaremos a este ponto) e nem por isso entesourá-las deixa de ser um meio de armazenar riquezas.

Finalmente, há ainda algumas características apresentadas pelo chamado “dinheiro vivo”: pertence a quem o porta (está no seu bolso? Então é seu), não mantém qualquer tipo de registro sobre a identidade do proprietário, é fácil de armazenar anonimamente, porém difícil ou impossível de repor em caso de perda ou furto. Todas elas também apresentadas pelo Bitcoin.

Portanto, até agora todas as condições apresentadas como necessárias para que algo seja usado como moeda foram atendidas não apenas pelo Bitcoin quanto por todas as demais moedas oficiais dos diferentes países.

Logo, respondendo à pergunta lá de cima: o Bitcoin é uma moeda, já que atende a todas as condições que devem ser cumpridas pelas demais moedas oficiais.

Não obstante tudo isto, o Bitcoin apresenta algumas características adicionais que lhe conferem algumas vantagens significativas sobre as demais moedas. Todas decorrentes do fato de ser o Bitcoin uma criptomoeda (aportuguesamento do inglês “criptocurrency”).

Primeiro vamos ver o que vem a ser uma criptomoeda, depois quais são as consequências de seu uso.

Uma criptomoeda é um instrumento de troca, ao portador (que não identifica o dono) criado com base em criptografia digital.

E como entender os conceitos de criptografia e criptografia digital é essencial para que se compreenda como todo o sistema Bitcoin funciona, vamos deixar isso para a próxima coluna.

Até lá.

B. Piropo

Bitcoin: a mineração de moedas

Como vimos acima, o bitcoin é uma criptomoeda (um instrumento de troca, ao portador criado com base em criptografia digital) que atende a todas as condições que devem ser cumpridas pelas moedas oficiais, emitidas pelos diversos países. Mas, ao contrário das moedas nacionais, não é emitida por qualquer autoridade monetária de nenhum país.

Então quem emite o bitcoin? Quem controla sua circulação?

A resposta mais curta seria “ninguém”. Que, embora verdadeira, daria uma falsa impressão sobre a complexidade e segurança do sistema. Então vamos tentar explicar melhor.

GPC20140123_1Figura 1: Símbolo do Bitcoin.

Os bitcoins não são “emitidos” na acepção clássica do termo: impressos e postos no mercado por um governo que controla sua circulação. O processo pelo qual os bitcoins entram no mercado é mais parecido com o que ocorre com o ouro que, por sinal, também pode ser usado como moeda. Pois tanto o ouro quanto os bitcoins são obtidos por “mineração” (“mining”).

Já veremos como se pode “minerar” bitcoins. Antes, porém, para que a explicação faça sentido, é preciso examinar as razões que fazem com que o ouro possa ser usado como moeda. A primeira delas é o fato de ser raro. Extremamente raro. O que previne que subitamente o mercado financeiro seja inundado de ouro, causando caos e derrubando a cotação do metal.

Imagine o que ocorreria se, por acaso, alguém descobrisse uma jazida de ouro tão próxima a superfície que fosse muito fácil extrair o metal e tão grande que seu suprimento fosse praticamente inesgotável. E que seu proprietário começasse a explorá-la minerando grandes quantidades de ouro e vendendo toda sua produção assim que o metal fosse extraído. A primeira ideia que se tem é que esta pessoa se tornaria muito, muito rica. Mas na verdade, ocorreria justamente o oposto: a incontrolável abundância de ouro no mercado que isto iria provocar faria com que o ouro valesse tanto ou menos que qualquer outro metal e aquele cavalheiro, assim como milhares de outros proprietários de grandes quantidades de ouro, se veriam com um monte de metal amarelo, pesado e mole nas mãos, valendo pouco ou quase nada, sem saber o que fazer com ele.

Logo, o que mantém a cotação do ouro elevadas é sua escassez. É claro que esta cotação oscila de acordo com os humores do mercado, mas sempre em uma elevada faixa de valores. Algo parecido ocorre com os bitcoins: a quantidade existente no mercado é rigorosamente controlada para evitar que sua cotação desabe.

O que nos leva ao segundo ponto. Note que no parágrafo acima eu mencionei que a jazida deveria ser não apenas grande, mas que a extração do metal fosse fácil. Porque se esta mesma e abundante jazida fosse quase inacessível e exigisse grande esforço e despesas para dela extrair o ouro, o valor do metal continuaria alto, já não por sua escassez, pois sabemos que a jazida seria praticamente inesgotável, mas pelo custo de sua extração. Pois se para conseguir um grama de ouro fosse necessário gastar, digamos, R$ 93,70 (a cotação oficial do metal no dia de hoje), não teria sentido vendê-lo por menos do que isso. Por exemplo: todos nós temos acesso a um suprimento abundante e quase inesgotável de ouro: a água do mar que, em pouco mais de oito bilhões de metros cúbicos contém um quilograma de ouro que pode ser extraído. O problema é que o custo desta extração é muito mais elevado que o preço pelo qual o ouro pode ser vendido nas cotações atuais. Portanto ele fica no mar. Ao menos até que alguém descubra uma forma simples e barata de extrai-lo de lá.

Então o que faz com que o ouro possa ser usado como moeda é a combinação de dois fatores: sua escassez e o custo de mineração.

Pois bem, com o bitcoin ocorre exatamente o mesmo.

Como eu disse antes, ele não é emitido, é obtido por um processo denominado “mineração”. Mas como se pode minerar uma moeda virtual?

Para minerar bitcoins é necessário um computador poderoso dotado do software adequado e ligado em rede a um conjunto de outros computadores pertencentes a outros proprietários ou organizações. Esta rede, cujos nós, além dos dedicados à mineração, são formados por computadores de instituições que negociam com a moeda virtual, controla todo o processo através do mesmo software usado para mineração (logo isto ficará mais claro; mas desde já convém notar que esta rede não tem um nó “central” que controla o processo; pelo contrário, é uma rede tipo par-a-par, ou “peer-to-peer”, o que garante a não existência de uma “autoridade” ou “governança” que controle o processo de emissão e o valor da cotação).

E em que consiste exatamente a “mineração” de bitcoins?

Bem, como vimos acima, o que faz com que os bitcoins tenham valor e possam ser usados como moeda de troca é sua escassez e a dificuldade em obtê-los. A escassez é controlada pelo software instalado em todos os nós da rede, que controlam a cadência com que os bitcoins são minerados (veremos como mais adiante). A dificuldade é criada pelo próprio processo de mineração. Ou seja: para que os bitcoins tenham valor, a forma de obtê-los (ou “minerá-los”) deve não somente ter um nível de dificuldade elevado como também custar algum dinheiro. E o mecanismo divisado pelo idealizador de todo o sistema bitcoin, que se apresenta com o nome suposto de Satoshi Nakamoto, é extremamente engenhoso (quem se interessar por detalhes pode consultar o documento original que criou o sistema).

Então, pergunto: qual é a atividade mais trabalhosa que se pode executar com um computador? Talvez cada um de nós tenha uma ideia diferente, mas todos concordarão que “quebrar” um código de encriptação moderno, criado por um algoritmo de última geração com chave “forte”, se não é a mais difícil é uma das mais difíceis.

Pois bem, é esta a tarefa proposta aos mineradores de bitcoins: de tempos em tempos, em intervalos controlados pelo software que administra o sistema e que está distribuído por todos os nós, é emitido um “hash” (sequência de bits gerada pelo algoritmo de criptografia) contendo um determinado valor criptografado. A dificuldade em “quebrar” este “hash” (ou seja, a partir dele encontrar o valor criptografado) é determinada pelo número de zeros contidos em seu início, portanto pode ser ajustada. Ao ser lançado um novo “hash”, todos os nós dedicados à mineração se põem imediatamente a tentar decifrá-lo.

O primeiro a conseguir recebe como recompensa um determinado número de bitcoins. Tão logo isto ocorre, aquele nó anuncia à toda a rede que quebrou o código e que aqueles bitcoins lhe pertencem. Assim que esta transação estiver registrada em todos os nós da rede (o que costuma demorar dez minutos ou menos) aquele feliz minerador pode fazer uso de seus bitcoins.

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Figura 2: “Minerador” de bitcoins da Betterfly Labs.

Bem, que a mineração é trabalhosa, não resta dúvida: quebrar códigos encriptados dá um trabalho de cão (e olhe que o sistema pode facilitar o trabalho aumentando o número de zeros no início do “hash”, do contrário a tarefa seria virtualmente impossível; afinal, todo o sistema de transações financeiras via Internet depende da segurança dos algoritmos de “hash”). Falta ainda verificar a segunda condição: a mineração tem que implicar algum gasto financeiro. E, de fato, implica – um gasto que vem crescendo ao longo do tempo.

Se você se interessar por detalhes (não somente do estabelecimento do custo, mas de toda a montagem de um nó da rede e da forma pelo qual ele é operado) leia o artigo de Greg Ryder publicado no Tom’s Hardware Guide, “All About Bitcoin Mining: Road To Riches Or Fool’s Gold?”. Mas se só está interessado no custo, uma máquina desenvolvida e criada especialmente para minerar bitcoins custa de US$ 1.200 a US$ 30.000, dependendo da capacidade de processamento.

Sim, estas máquinas existem, No início os mineradores usavam estações de trabalho poderosas. Depois descobriram as facilidades oferecidas por certas placas de vídeo cujos coprocessadores gráficos podiam ser usados para acelerar o processo e apelaram para máquinas com diversas destas placas operando em conjunto. Porém, recentemente, algumas empresas (como a Butterfly Labs) começaram a lançar ASICS, ou seja, máquinas dedicadas a uma só tarefa, e esta tarefa é minerar bitcoins. A unidade mostrada na Figura 2, de última geração, tem um custo de US$ 22 mil. Portanto, se seu computador é poderoso, o sonho dos gameiros, e você pensou que poderia usá-lo nas horas de folga para minerar bitcoins, esqueça. Diante dos ASICS sua máquina, por mais poderosa que seja, não leva a menor chance.

Mas não é apenas o custo do hardware que deve ser levado em consideração. Outro componente ponderável do custo é o gasto de energia. Que, naturalmente, varia de local para local. Mas de acordo com o estudo de Ryder no artigo citado, com os custos de energia vigentes na Califórnia (onde ele vive), se a cotação do bitcoin cair abaixo de US$ 105, minerá-los na Califórnia passa a dar prejuízo (perigo que, por enquanto, está afastado: a cotação do bitcoin nesta quinta-feira (23), oscilou entre US$ 860,45 e US$ 863,95 por bitcoin; se tiver interesse em saber a cotação a qualquer momento, consulte o sítio CoinDesk).

Agora que já vimos como os bitcoins entram no mercado, vamos ver quem controla a quantidade de moedas emitidas e sua circulação, impedindo que eles inundem o mercado e, consequentemente, percam valor rapidamente.

Na semana que vem, naturalmente.

B. Piropo

(CLIQUE NAS IMAGENS SE QUISER AMPLIAR)

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Bitcoin: os Blocos e sua Cadeia

Acima, vimos como as bitcoins são emitidas: “minerando” blocos com poderosas estações de trabalho.

Mas não detalhamos o que vem a ser um bloco.

Então vamos começar pelo princípio: um bloco é um arquivo que contém um cabeçalho que o identifica e mais algumas informações genéricas sobre o ele (como por exemplo o “time-stamp”, data e hora em que foi emitido referente ao UTC) seguidas do registro das transações mais recentes efetuadas com as bitcoins e que ainda não foram registradas em outros blocos. É mais ou menos análogo a uma página individual de um grande livro que registra transações efetuadas em uma bolsa de valores.

Imediatamente após o bloco ser emitido pelo minerador que acabou de “encontrá-lo”, a única transação que ele contém é justamente a emissão de um determinado número de bitcoins que são depositadas em sua “conta” (ou atribuídos a seu “endereço bitcoin”; adiante veremos do que se trata). À medida que transações posteriores são realizadas com aquelas bitcoins, são registradas em novos blocos, de modo que cada bloco contém o registro das transações realizadas imediatamente antes de sua criação.

Uma vez criado o bloco, ele é anexado no final de uma estrutura de dados denominada cadeia de blocos. Há apenas uma cadeia (com muitas cópias, continuamente atualizadas) que vai se tornando mais longa à medida que novos blocos são anexados. Como cada bloco contém o registro das transações realizadas imediatamente antes de sua criação e, tão logo criado, é anexado no final da cadeia, esta cadeia contém o registro de TODAS as transações efetuadas com TODOS os bitcoins emitidos até então (já veremos onde o conteúdo desta cadeia é armazenado, como ter acesso a ela e quem gerencia sua criação e manutenção).

Os sucessivos blocos da cadeia são necessariamente únicos (ou seja, é impossível repetir um bloco, o que corresponderia a “gastar” duas vezes a mesma bitcoin). Esta unicidade é garantida não apenas pelo “time-stamp” mas também (o que é necessário já que dois blocos podem ser gerados no mesmo intervalo de um segundo) porque quando o bloco é criado, é gerado seu “hash” (sequência de um número fixo de bytes gerada por um algoritmo conhecido que funciona como “assinatura digital” garantindo que o conjunto de dados ao qual foi aplicada não foi alterado; veja detalhes aqui). Não somente este “hash” é incluído no cabeçalho do bloco como também o “hash” do bloco anterior, identificando sem possibilidade de erro não somente seu conteúdo como também sua posição na cadeia.

Não dá para descer a detalhes sobre a estrutura interna de cada bloco ou de seu cabeçalho, pois seríamos obrigados a discutir tecnicismos que vão além do escopo desta série de colunas. Mas quem tiver interesse pode encontrar detalhes sobre ambos os assuntos no artigo “Blocks“ e “Block hashing algorithm” da  Bitcoin Wiki, este último um sítio que congrega todas as informações – técnicas ou não – sobre o sistema Bitcoin. Mas se você tiver curiosidade em saber com que se parecem os blocos e seus registros de transações, pode acompanhar o desenvolvimento da cadeia em tempo real visitando a página inicial (em português) do sítio BlockChain, ver a lista, um a um, de cada novo bloco à medida em que é criado assim como consultar as últimas transações anexadas aos blocos. A página é dinâmica: cada novo bloco vai sendo nela exibido no momento em que é criado e você pode acompanhar a cadeia crescendo diante de seus olhos. E mais: clicando no atalho de um bloco na coluna “Altura” (que representa a posição do bloco na cadeia), pode examinar suas características. E, na página que ás contém, clicando no atalho indicado, é possível conferir todas as transações nele incluídas.

Mas onde estas informações são armazenadas? Quem as controla? Quem disciplina a formação da cadeia?

Começando por último: ninguém. E esta é justamente a beleza do conceito: não existe uma pessoa ou entidade central que congregue e controle todas estas informações e procedimentos, tanto no que toca à emissão das bitcoins quanto às transações realizadas com elas e a organização da cadeia de blocos.

Vou tentar explicar isto de uma forma simplificada, mas mesmo que fique difícil de entender, fique certo de uma coisa: o método funciona e garante a segurança do sistema.

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Página de “download” do cliente Bitcoin

Então vamos lá: em uma das colunas desta série eu mencionei que, se você deseja minerar bitcoins, precisa se integrar à rede Bitcoin. Esta rede não é centralizada, é do tipo par-a-par (“peer-to-peer”). Para fazer parte dela é preciso baixar e instalar o “programa cliente Bitcoin” que pode ser obtido na página correspondente de Bitcoin.Org (veja seu aspecto na Figura 1). É um software de código aberto cuja primeira versão foi desenvolvida pelo idealizador do sistema, Satoshi Nakamoto (que, como informado na primeira coluna desta série, é um nome fictício e até hoje não se sabe efetivamente de quem se trata) e teve algumas atualizações desenvolvidas por colaboradores e aprovadas pelo Bitcoin Forum, que faz parte da Bitcoin.Org.

A rede Bitcoins Já é integrada por mais de seis mil nós (situados principalmente na Europa e EUA, mas há alguns no Brasil e até nos países conflagrados do Oriente Médio) e sua distribuição pode ser vista no mapa contido nesta página.

Pois bem, o “cliente” Bitcoin é muito mais do que o nome indica. Ao ser instalado ele integra a máquina à rede Bitcoin e passa algum tempo (desde algumas horas a um par de dias, dependendo da capacidade de processamento da UCP e da rapidez do disco rígido) sincronizando-se com a dita rede. E, a partir de então, a máquina passa a integrar um nó desta rede. Isto porque o software cliente não serve apenas para minerar, mas para participar do controle do sistema (o software pode, inclusive, ser instalado em uma máquina que jamais seja utilizada para minerar, apenas para integrar a rede).

Após sincronizada, a máquina passa a integrar o conjunto de máquinas que controla a cadeia de blocos. Ela, juntamente com todas as demais, armazena uma cópia da cadeia e, cada novo bloco criado (por ela, caso esteja entre as máquinas empenhadas na mineração, ou por qualquer outra) é imediatamente distribuído a todas as demais. Estas se comunicam entre si e cada uma delas verifica se o bloco é válido ou se trata de uma tentativa de algum pilantra mal intencionado para tirar proveito indevido do sistema.

A validação do bloco é feita com facilidade e rapidez verificando-se sua “time-stamp”, comparando seu “hash” com os dos demais blocos da cadeia (lembre: cada “hash” é montado aplicando-se um algoritmo ao conteúdo do bloco e não há dois blocos com o mesmo “hash”) e garantindo que ele não contém uma transação ilegal (que usa uma bitcoin já utilizada em outra transação). Se aprovado por aquela máquina, ela informa às demais da cadeia. Quando um número suficiente de nós aprovou o bloco (um procedimento que demora cerca de dez minutos), ele é validado e definitivamente anexado ao final da cadeia que, então, passa a esperar que novo bloco seja validado e anexado, e assim por diante, de modo que a cadeia vai crescendo continuamente, contendo informações sobre TODAS as transações realizadas com CADA bitcoin. E como cada bloco foi verificado por um grande número de nós antes de ser validado, pode-se garantir que a mesma transação (ou uma nova transação com uma quantia em bitcoins que já foi usada antes em outra) jamais venha a ser repetida.

Quem desejar informações mais detalhadas sobre este procedimento de validação de bitcoins e suas transações as encontrará no documento original que propôs o sistema, assinado por Satoshi Nakamoto e em diversos artigos da Bitcoin Wiki.

Mas se não estiver disposto a “esquentar a cabeça” com detalhes, basta saber que o procedimento funciona. E, talvez a parte mais bonita: como não depende do controle de qualquer pessoa ou órgão central (como um governo, por exemplo) que controle a emissão e a circulação das moedas, mas sim da aprovação conjunta de um grande número de nós de uma rede par-a-par, é impossível interferir no procedimento para beneficiar fulano ou sicrano. É um processo que, depois de iniciado (e já foi iniciado há alguns anos) não há mais como interromper, desviar, corromper ou alterar seu curso.

Coisa de gênio.

Mas vamos pensar um pouco: se há milhares de nós minerando bitcoins e emitindo novas moedas, como se pode impedir que um número excessivo de bitcoins no mercado gere um processo inflacionário que fará com que a moeda perca o valor? (valor este que, incidentalmente, hoje está oscilando entre US$ 816,06 e US$ 838,72 e vem se mantendo estável neste patamar há algumas semanas).

Bem, isto veremos na próxima coluna. Até lá.

B. Piropo

Bitcoin: uma moeda imune à inflação

Acima, examinamos o engenhoso sistema de “cadeia de blocos” que garante a segurança do sistema Bitcoin, impedindo que a mesma moeda seja gasta duas vezes pela mesma pessoa em duas transações diferentes. Mas o sistema Bitcoin é tão engenhoso que apresenta alguns aspectos interessantíssimos que ainda não foram abordados.

Vamos começar com o risco de inflação. Com tantos “nós” da rede minerando ao mesmo tempo e continuamente gerando novos blocos, não haverá o perigo de um excesso de bitcoins em circulação derrubar a cotação? (Que, incidentalmente, hoje oscilou entre US$ 783,04 e US$ 820,87).

A resposta curta e grossa é: definitivamente não!

Porém o mais interessante é descobrir COMO a proteção contra a inflação foi garantida.

Mas, antes, a resposta a uma pergunta que sempre esteve implícita em todas as colunas anteriores mas não foi taxativamente respondida em nenhuma delas: se ninguém, pessoa ou instituição, controla a emissão e circulação de bitcoins, como o sistema é controlado?

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Moeda virtual bitcoin é imune à inflação

Ora, vimos na coluna anterior que para conectar uma máquina à rede Bitcoin é necessário nela instalar um software de código aberto denominado BItcoin-Qt que pode ser obtido gratuitamente na Internet e, após instalado, sincronizado com todos os demais nós da rede. E que este software não apenas permite que o responsável pelo novo nó passe a minerar moedas como também pelo armazenamento e atualização da cadeia de blocos.

A rede é grande e dinâmica, mas você pode ter uma ideia da distribuição de seus nós em todo o mundo no mapa exibido aqui (aguarde com paciência que os nós vão surgindo aos poucos à medida que são localizados).

Pois bem: a função deste software não se limita àquelas duas tarefas. Na realidade é ele que controla todo o sistema através de regras acordadas pela comunidade Bitcoin e a ele incorporadas. O conjunto destas regras denomina-se “Protocolo Bitcoin”, seu conteúdo é público e ele regula praticamente tudo no sistema, o que inclui detalhes sobre a emissão de novas moedas. E como estas regras estão “embutidas” em um software que roda ao mesmo tempo em cada uma das máquinas que compõem a rede Bitcoin, jamais poderão ser alteradas seja lá por quem for.

Então vejamos como ele garante que o sistema seja imune à inflação.

Para começar, o número total de bitcoins foi absoluta e incondicionalmente limitado a exatamente 21 milhões de unidades. Depois de emitida esta quantidade de moedas, o próprio software se encarregará de impedir a emissão de qualquer unidade adicional (mas, ainda assim, os “mineradores” não deverão abandonar a rede: novos blocos continuarão a ser gerados e anexados à cadeia para registrar novas transações e seus mineradores serão remunerados com uma pequena comissão sobre as transações neles contidas).

Depois, o ritmo com que novos blocos são minerados é regulado por um conjunto de regras, que não apenas impede que sejam emitidos um grande número deles, em um curto intervalo de tempo, como também reduz paulatinamente a quantidade de bitcoins contida em cada bloco ao longo dos anos.

Destrinchemos.

Como se pode regular o ritmo em que novos blocos são emitidos? Simples: ajustando a dificuldade do código de encriptação a ser decifrado pelo algoritmo de mineração. E, por difícil que pareça, isto pode ser feito com relativa precisão. A regra de geração de blocos estabelece que cada novo bloco seja gerado a cada dez minutos (nas últimas 24 horas as estatísticas mostram que a média foi de cerca de 9 minutos, portanto o a dificuldade deve ser ligeiramente aumentada para compensar e isto será feito automaticamente pelo software).

Ora, neste ritmo serão gerados 144 blocos por dia ou 56.560 blocos por ano. Portanto, a cada quatro anos, são gerados em média 210 mil blocos.

Por que destacar quatro anos? Por que neste período o número de bitcoins emitidas cai pela metade. O que é fácil de regular: basta reduzir à metade o número de bitcoins contidos em cada novo bloco.

Detalhando: a emissão iniciou-se em janeiro de 2009, com cada novo bloco contendo 50 bitcoins. Daí até novembro de 2012 (cerca de quatro anos) foram emitidas exatamente 10.498.889,80231183 moedas (não estranhe as oito casas decimais, já voltaremos a falar delas), ou seja, quase exatamente as 10.5 milhões esperadas.

A partir de então, cada bloco passou a remunerar seu minerador com 25 bitcoins, quantidade vigente até hoje. No final de 2016 este total será mais uma vez reduzido à metade (12,5 bitcoins por novo bloco) e assim sucessivamente a cada quatro anos. Hoje existem precisamente 12.323.675 bitcoins em circulação. Veja a evolução da emissão ao longo do tempo na página “Total de Bitcoins em Circulação” (pare o ponteiro do mouse sobre a linha do gráfico para ver o número correspondente).

Ora, como podemos calcular exatamente quantas bitcoins serão emitidas ano a ano, e sabemos não apenas quando a emissão começou como também o total a ser emitido (21 milhões de bitcoins), fica fácil calcular quando a última bitcoin será emitida: no ano da graça de 2040. A partir daí a emissão cessará completamente.

Fato que, por sua vez, levanta algumas questões.

Para começar: 21 milhões de bitcoins serão suficientes para realizar todas as transações esperadas?

Bom, isto depende de quão divisível seja a moeda. Por exemplo: a maioria das moedas do mundo são divisíveis por cem e o menor valor usado em uma transação seria o centavo. Se isto se aplicasse ao bitcoin que, como vimos, hoje vale cerca de US$ 800, o menor valor que se poderia “gastar” em bitcoins seria US$ 8 (oito dólares americanos) ou aproximadamente vinte reais. Nada poderia “custar” menos do que isso, pois não haveria como pagar.

Esta é a razão daquele número aparentemente exagerado de casas decimais do total de bitcoins emitidas. Uma bitcoin é divisível por cem milhões. Portanto, mesmo que um dia sua cotação atinja o equivalente hoje a um milhão de dólares americanos, ainda se poderiam efetuar transações pelo equivalente hoje a um centavo de dólar (0.00000001 BTC, ou um centésimo milionésimo de bitcoin; as sub unidades são, em valor decrescente: e 0,01 BTC = 1 centibitcoin, 0,001 BTC = 1 milibitcoin e 0,000001 BTC = 1 microbitcoin)

Na verdade, o sistema Bitcoin é deflacionário por natureza. Isto porque, segundo as regras, não é possível “reemitir” uma moeda perdida ou destruída (o que me faz crer que se você tiver uma carteira Bitcoin no disco rígido de seu computador, tenho certeza que não se esquecerá de fazer cópias de segurança) e portanto, como as perdas são inevitáveis por mais cuidado que se tome, o total em circulação jamais atingirá os 21 milhões a serem emitidos.

O que leva a outra questão: um sistema deflacionário é desejável?

Dia desses eu li em algum lugar que, em algum país civilizado cujo nome não recordo, o ministro das finanças estava preocupado porque a inflação no ano de 2013 chegou a pouco mais de um por cento, um valor demasiadamente pequeno.

Demasiadamente PEQUENO???

Quem viveu, como eu, tempos em que o Brasil enfrentava uma inflação de 40% a.m. (por extenso, para que os que nasceram depois de 1984 não pensem que é erro de digitação: uma desvalorização monetária de quarenta por cento ao MÊS), não consegue entender bem o conceito de “inflação demasiadamente pequena”. Mas os economistas explicam.

Se uma moeda nacional (destas emitidas pelos governos) mantiver seu valor estável ano após ano, sem qualquer desvalorização (inflação zero), alguns indivíduos que ganham mais do que o que é preciso para prover suas necessidades tenderão a guardar o excedente. Simplesmente guardar, em casa, debaixo do colchão ou seja lá onde desejarem.

Tudo bem, dirão alguns, afinal o dinheiro é deles e eles podem fazer o que bem entenderem com sua bufunfa. Mas não é bem assim. Porque se uma parcela grande da população fizer isto, o total de moeda em circulação se reduz. E, isto sim, tem consequências desastrosas para a economia do país. Então, para as autoridades monetárias de qualquer país, o ideal não é eliminar a inflação mas mantê-la controlada em pouco mais de 2% ao ano. Assim os discípulos do Tio Patinhas perceberão que, entesourando dinheiro, estarão guardando algo que perde o valor ao longo do tempo, o que os estimulará a aplicar esta grana em alguma coisa – ações, fundos ou seja lá o que for – de modo que ela continue em circulação.

E para o sistema Bitcoin há algum prejuízo? Não. Pois não estando submetido a qualquer autoridade monetária, não sendo emitido por qualquer governo nem integrando a economia de país algum, não faz diferença que o total em circulação diminua. Basta que as transações continuem a serem feitas de forma a permitir estabelecer sua cotação.

Bem, por hoje chega.

E se você já está cansado de bitcoins (se você não está, eu estou), alegre-se: estamos muito perto do final da série. Só falta discutir algumas bruscas oscilações da cotação da moeda, a opinião dos economistas sobe ela, onde ela é aceita e coisas que tais.

Até lá.

B. Piropo

B. Piropo

B. Piropo

B. Piropo é engenheiro por profissão, professor por prazer e colunista de informática por paixão. Escreve sobre computadores desde 1991. Publica colunas nos jornais Estado de Minas e Correio Brasiliense, no sítio ForumPCs e mantém o Sítio do Piropo em www.bpiropo.com.br.
FONTE: Techtudo e Estado de Minas.

Avenida Silviano Brandão terá trecho de ‘mão inglesa’

Mudança será entre Rua Capuraque e Avenida Cristiano Machado
Linhas 62 e 66 vão ter pontos alterados.

O trânsito na Avenida Silviano Brandão, na Região Leste de Belo Horizonte, será alterado a partir desta quinta-feira (9). Segundo a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), o trecho entre a Rua Capuraque e a Avenida Cristiano Machado passa a ter circulação de mão inglesa.

Ainda de acordo com a empresa, a mudança visa melhorar a futura circulação do BRT. As linhas de ônibus 62 e 66 vão ter pontos alterados. Haverá informação no local.

Por causa da mudança, os motoristas devem ficar atentos com os trajetos. Veja no mapa como vão ficar as circulações pelas vias. Outras informações no site da BHTrans.

Mapa Avenida Silviano Brandão (Foto: Divulgação / BHTrans)

FONTE: G1.


Trânsito será alterado na Pampulha para show do “Black Sabbath”

Show deve reunir cerca de 20 mil pessoas em Belo Horizonte
 Show do Black Sabbath altera trânsito na região da Pampulha

Mudanças começam a valer já nesta segunda-feira (14)

O show do Black Sabbath, que acontece nesta terça-feira (15), no Mineirão, vai causar mudanças no trânsito da região, segundo a BHTrans. Para o evento, que deve reunir cerca de 20 mil pessoas, será interditado o cruzamento das avenidas Cel Oscar Paschoal com av. Antônio Abrahão Caram a partir de 1h de terça-feira. Além disso, a partir das 19h de hoje (14), serão implantadas reservas de áreas no entorno do estádio para garantir a fluidez no tráfego.

Faixas de tecido serão afixadas para orientação aos condutores. Agentes da Unidade Integrada de Trânsito (BHTrans, Polícia Militar e Guarda Municipal) irão operar o tráfego na região. Para a segurança de todos, a empresa orienta os motoristas a redobrarem a atenção e respeitarem a sinalização implantada durante a operação e os agentes de trânsito.

Estacionamento

O entorno do Mineirão terá área de estacionamento para o público. As pistas externas das avenidas Abraão Caram, Cel. Oscar Paschoal, Carlos Luz e C estarão disponíveis para estacionamento, porém alguns trechos serão reservados para vagas para ônibus, vans, pontos de táxi e veículos de imprensa.  Não será possível estacionar nas pistas internas que são dedicadas ao acesso/saída do estacionamento do estádio. Desta maneira, os torcedores devem ficar atentos e respeitar a sinalização de trânsito.

Transporte coletivo
Veja a relação de linhas que passam próximo ao Mineirão:

– 2004 (Bandeirantes /Pilar via Olhos D’água);
– 5401 (São Luiz /Dom Cabral);
– 64 (Estação Venda Nova /Santo Agostinho via Carlos Luz );
– Circulares 503 e 504 (Santa Rosa /Aparecida /São Luís);
– Suplementares 51 e 52 (Circular Pampulha), 53 (Confisco /Pampulha /São Gabriel), 54 A e 54 B (Dom Bosco /Shopping Del Rey );

Desvio

Em virtude do evento, as linhas S51 (Circular Pampulha) e 2004 (Bandeirantes/Olhos D’Água) farão o seguinte desvio, a partir das 7h de terça-feira (15), até às 2h de quarta-feira (16): Av. Otacílio Negrão de Lima, Av. Alfredo Camarate, Av. Pres. Carlos Luz (retorno Praça da USIMINAS), Av. Pres. Carlos Luz, Av. Abraão Caram (a direita).

Motoristas que costumam passar pela região do Estádio Mineirão, na Pampulha, em BH, precisam ficar atentos para as mudanças no trânsito nesta terça-feira (15). As alterações são por causa do show da banda “Black Sabbath”.

De acordo com a BHTrans, empresa que gerencia o tráfego na capital mineira, a partir das 19 horas desta segunda-feira (14), será proibido estacionar no entorno do estádio, onde serão implantadas reserva de áreas.

Para facilitar o acesso ao estacionamento, a avenida Cel. Oscar Paschoal será interditada no cruzamento com a avenida Abrahão Caram, a partir das 15 horas de terça.

Quem utiliza o transporte coletivo também deve verificar mudanças em desvios das linhas S51 (Circular Pampulha) e 2004 (Bandeirantes/Olhos D’Água), entre às 7 horas de terça e 2 horas de quarta (16).

Os ônibus seguirão pela Av. Otacílio Negrão de Lima, depois passarão pela Alfredo Camarate, Pres. Carlos Luz (retorno na Praça da Usiminas), voltando à  Pres. Carlos Luz e, então, continuando a rota pela Abraão Caram (à direita).

FONTE: Hoje Em Dia/Santa Luzia Net.


Trânsito no entorno do Mineirão é alterado para show de Beyoncé

Mudanças valem entre terça-feira (10) e quinta-feira (12).
Estacionamento do estádio tem 2.640 vagas e vai custar R$ 50.

Uma operação de trânsito altera, a partir das 0h desta terça-feira (10) a circulação de veículos no entorno do Mineirão. De acordo com a Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), a mudança será mantida até às 2h da próxima quinta-feira (12), por causa do show da cantora Beyoncé.

Ainda segundo a BHTrans, as ruas no entorno do estádio passam a operar em mão-única, no sentido anti-horário e o ponto de embarque e desembarque da linha 64 (Estação Venda Nova/ Santo Agostinho via Carlos Luz) será deslocado 100 metros para frente. Vans e ônibus de caravanas terão trechos reservados para estacionamento nas avenidas Abraão Caram, Coronel Oscar Paschoal, Carlos Luz e “C.

A empresa responsável pelo gerenciamento do trânsito na capital acrescenta que agentes informarão sobre a lotação do estacionamento interno do Mineirão, aberto a partir das 16h. O local conta com 2.640 vagas e vai custar R$ 50. Nas vias que cercam a arena, as pistas externas das avenidas Abraão Caram, Coronel Oscar Paschoal, Carlos Luz e C permitem estacionamento. Porém, alguns trechos serão reservados para pontos de táxi, ônibus e vans de caravanas. Não será possível estacionar nas pistas internas.

Faixas e agentes da Unidade Integrada de Trânsito (BHTRANS, Polícia Militar e Guarda Municipal) auxiliam o tráfego na região.

Mapa (Foto: Divulgação / BHTrans)

Linhas de ônibus
A assessoria do evento informa que os portões serão abertos às 17h30 e que 10 linhas de ônibus dão acesso ao local da apresentação. São elas a 2004 (Bandeirantes / Pilar via Olhos D’água); 5401 (São Luiz / Dom Cabral); 64 (Estação Venda Nova / Santo Agostinho via Carlos Luz); Circulares 503 e 504 (Santa Rosa / Aparecida / São Luís); Suplementares 51 e 52 (Circular Pampulha), 53 (Confisco / Pampulha / São Gabriel), 54 A e 54 B (Dom Bosco / Shopping Del Rey). Para o público que optar por ir de carro, o estacionamento do estádio estará disponível pelo valor de R$ 50, a partir das 15h30.

Show de Beyoncé tem horário alterado em Belo Horizonte

Evento será realizado uma hora antes, às 20h30.
Diva apresenta a turnê “The Mrs. Carter Show”, no Mineirão.

Do G1 MG

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Próximo show de Beyoncé no Brasil será em Belo Horizonte (Foto: Divulgação)Próximo show de Beyoncé no Brasil será em Belo
Horizonte (Foto: Divulgação)

O show da cantora norte-americana Beyoncé, que ocorre nesta quarta-feira (10), no Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte, teve o horário alterado. Segundo a assessoria do evento, o horário foi antecipado em uma hora, passando para 20h30 para maior conforto do público, uma vez que o evento é realizado no meio da semana. Ainda de acordo com a assessoria, os portões serão abertos às 17h30.

Uma megaestrutura está sendo montada no estádio. A estrela pop vai cantar e dançar os grandes sucessos em dois palcos, interligados por uma passarela de 15 metros.

Beyoncé se apresenta com a turnê “The Mrs. Carter Show” e conta com apoio da banda Suga Mama e coreografia de Frank Gatson. No repertório, estão sucessos como “Run the Worlds (Girls)”, “End of Time”, “If I Were a Boy”, “Diva”, “Naughty Girl”, “Love on Top”, “Irreplaceable”, “Crazy in Love”, “Singles Ladies” e “Halo”, dentre outros da carreira da diva, que já vendeu mais de 118 milhões de discos e coleciona 17 prêmios Grammy.

Além da capital mineira, em setembro, a norte-americana fará shows em Brasília, Fortaleza e São Paulo. Ela também será a atração principal de um dos dias do Rock in Rio 2013, onde se apresenta nesta sexta-feira (13).

Ainda há ingressos disponíveis. Mais informações pelo site da Livepass.

As entradas também podem ser compradas na bilheteria do Mineirão, que fica na Avenida Antônio Abrahão Caram, 1.001, na Região da Pampulha. O horário de venda é das 10h às 18h, nesta terça-feira e quarta. Outros pontos de venda são o estande exclusivo NET Festival no Shopping Cidade (piso São Paulo), o BH Outlet, as lojas Chilli Beans e o Shopping Metropolitan Betim.

FONTE: G1.


 ah-zul

As empresas EMS S/A e Legrand Pharma conseguiram garantir o direito de continuar a fabricar e vender o medicamento para impotência “Ah-azul”. A decisão é da 3ª turma do STJ, ao negar recurso do Laboratório Pfizer Ltda. e da Pfizer Products INC, fabricantes do “Viagra”, que pediam a retirada do “Ah-zul” de circulação.

As recorrentes ajuizaram ação inibitória, cumulada com perdas e danos, objetivando impedir a comercialização do produto “Ah-zul”, com qualquer referência à cor azul ou ao formato de diamante. A ação também buscou impedir as rés de usarem a marca nominativa “Viagra” em seus materiais publicitários, e obrigá-las a alterarem as marcas e a vestimenta do produto, de modo a evitar confusão ou falsa associação com o medicamento “Viagra”.

O juiz de primeiro grau antecipou os efeitos da tutela, determinando a retirada de circulação, no prazo de 30 dias, de todos e quaisquer produtos que contivessem a marca, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil.

Essa decisão foi impugnada por agravo de instrumento das recorridas para suspender a restrição de comercialização dos produtos, afirmando inexistir “em cognição sumária, prova inequívoca que convença da verossimilhança das alegações deduzidas na inicial”.

O TJ/SP deu provimento ao agravo, ao julgar que “a embalagem de ambos não é semelhante, enquanto a cor do comprimido em nada influenciará nessa decisão, pois não é possível visualizar qualquer dos medicamentos sem antes abrir a embalagem, o que só é possível após a compra”.

Ainda defendendo a possível confusão entre os produtos, a Pfizer recorreu ao STJ sustentando violação ao artigo 195, inciso III, da lei 9.279/96, que trata da propriedade industrial.

A ministra relatora Nancy Andrighi negou provimento ao recurso, defendendo que “sem a manifestação de um perito de confiança do juízo, não haveria como aferir a plausibilidade das assertivas contidas na inicial”.

“Somente com o desenvolvimento da fase instrutória, após a apresentação de estudos especializados, realizados por profissionais da área, é que será possível afirmar se a conduta das recorridas é ou não admissível no meio publicitário, bem como se há bases concretas para se presumir a confusão dos produtos, aí considerada a totalidade dos consumidores”, concluiu a ministra.

FONTE: Migalhas.



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