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Viagem em ônibus clássico reúne admiradores de coletivos em BH

Ônibus modelo 1976 é restaurado para 65 viagens pelo Brasil. Emoção de passageiros e busólogos marca primeiro trecho entre São Paulo e Belo Horizonte

Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul

Na Rodoviária de Belo Horizonte, um grupo com quase 30 pessoas aguardava ansiosamente a chegada de uma estrela. Ao apontar na área de desembarque, muitas fotos, correria e ovação. A recepção, digna de novas contratações do futebol, não era para algum músico ou esportista: o motivo é a chegada do clássico ônibus Flecha Azul, recém-reformado na capital mineira, que mobilizou dezenas de “busólogos”, fãs desses veículos.

O ônibus CMA prefixo 7455 modelo 1976/ano 1999, foi totalmente restaurado pela Viação Cometa para realizar 65 derradeiras viagens pelo Sudeste e Sul do Brasil. Na primeira etapa, entre São Paulo e Belo Horizonte, o coletivo teve um atraso de 1h45. Mas nada de problemas mecânicos ou engarrafamentos: cada uma das três paradas levou pelo menos o dobro do tempo, devido ao assédio para fotos do veículo.

Anderson viajou caracterizado de motorista da Cometa, com direito à quepe (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Anderson viajou caracterizado de motorista da Cometa, com direito à quepe

A grande maioria dos passageiros rumo a capital mineira foi composta de fãs de ônibus. “Apenas uns três ou cinco não sabiam e levaram um susto ao chegar no terminal. Mas mesmo assim elogiaram, ao saber que o ônibus tinha ar-condicionado e rede WiFi”, revelou um dos viajantes.

Um dos passageiros chamou atenção por viajar com uniforme retrô idêntico ao do motorista: camisa azul com gravata, pin com o cometa Halley, jaqueta original da empresa dos anos 70 no estilo aviador, óculos escuros e o charmoso quepe. Anderson Torquatro, de 30 anos, possui uma empresa de ônibus e já foi motorista da Cometa. Morador de Contagem, foi até São Paulo apenas para voltar na primeira viagem do Flecha Azul e foi recebido pela mulher Ana Maria e os filhos Vinícius, de nove anos, e Marcos, com quatro.

Fábio Henrique de Paula Flaviano ganhou uma miniatura do ônibus (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Fábio Henrique de Paula Flaviano ganhou uma miniatura do ônibus

“Não dá para explicar. É muito emocionante. Eu relembro a época da infância e juventude. Vivia na garagem da empresa e todos me conheciam. Aprendi bastante e nossa família vive em função do ramo do ônibus”, revela ao mostrar uma foto com uma réplica de 1,20m do “Dinossauro”, um dos apelidos do CMA. Anderson vai fazer outras duas viagens no Flecha Azul. Para 12 de outubro já comprou passagem para todos os quatro da família passearem no ônibus.

Felicidade também para o jovem vigilante Fábio Henrique de Paula Flaviano de 21 anos. A exemplo de Anderson, foi quinta-feira para São Paulo apenas para viajar no CMA. “Nunca tinha andado no ônibus e foi sensacional; suspensão macia e confortável. A recepçaõ foi ótima”, diz. Viajante da poltrona 31, Fábio foi o sortudo que ganhou uma miniatura do ônibus, logo no começo da viagem. Haverá um sorteio entre os passageiros em cada uma das 65 viagens.

Ernesto posa orgulhoso ao volante do ônibus: motorista treinado para contar história do veículo (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Ernesto posa orgulhoso ao volante do ônibus: motorista treinado para contar história do veículo

Motorista superstar

Apenas dois condutores foram selecionados para dirigir o último Flecha Azul. Eles receberam treinamento para contar a história do ônibus e da empresa e atender dúvidas dos passageiros. Marcos Paixão Ernesto, de 37 anos, conduziu a viagem inaugural. Com quase 20 anos de estrada e 11 de casa, afirma que prefere o velho modelo aos outros da companhia. “Ele tem mais estabilidade e é bem seguro. Faço uma curva e os passageiros nem sentem muito”, elogia.

Ernesto revela ficou ansioso com a primeira viagem: “dá um frio na barriga e não via a hora da viagem chegar. Fizemos uma boa viagem, motor, freios e suspensão estão 0 km. Temos mesmo que celebrar esse ônibus que atrai tanta gente”, conta. Com uniforme antigo, o motorista chamou atenção e posou para fotos com vários passageiros e funcionários da rodoviária. “Já estamos acostumados; vivemos isso desde o início da reforma do carro”.

Admiradores seguiram o carro até a garagem da empresa, em Contagem (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Admiradores seguiram o carro até a garagem da empresa, em Contagem

Um funcionário da companhia fez questão de viajar no primeiro trecho das últimas 65 rotas. O coordenador de operações Fabiano Cândido de Souza, de 60 anos, relembrou o começo da carreira na empresa, 35 anos atrás. “É uma viagem no tempo. Esse ônibus tem tantos fãs, que temos mesmo que preservar essa história”, diz.


Recepção calorosa

O engenheiro civil Bernardo Elian, de 32 anos, estava com passagem comprada para a segunda viagem do Flecha Azul, de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Mas mesmo com a diversão garantida, não se conteve e foi com o pai, o representante comercial Renato Passos, de 59, ver a chegada do ônibus no dia anterior na Rodoviária. “Sou busólogo e acompanhei a reforma do ônibus pelas redes sociais. Estava esperando por essa oportunidade ha´um ano. O Flecha Azul ficou maravilhoso”, elogia.

A paixão por ônibus é tamanha, que pai e filho não resistiram e acompanharam de carro o ônibus da Rodoviária de Belo Horizonte até a garagem da empresa, na Cidade Industrial, em Contagem, mesmo com os reclames da esposa de Bernardo. Lá, mais fotos e conversa com funcionários. “Isso me fez voltar 28 anos no tempo. Nossa diversão nos domingos era pegar o ônibus de manhã até o Rio de Janeiro, passar algumas horas lá e voltar no ônibus as 17h. Não estávamos interessados na cidade; a viagem era o mais importante”, relembra Renato. Fã da empresa desde pequeno e sempre presente na garagem, o engenheiro chegou até a ganhar uma tarjeta da Cometa, como se fosse funcionário. O amuleto é guardado com carinho em foto no celular.

 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)

Quem também não se conteve e foi receber o coletivo foi o enfermeiro Samuel Pena, de 40 anos. O busólogo era um dos mais emocionados e a toda hora perguntava se já era hora do ônibus chegar à capital, mesmo com passagem garantida para a próxima viagem. Isso faz parte da minha vida. Antes mesmo de criarem clubes de fãs de ônibus, sempre acompanhei notícias das empresas e dos veículos”, diz. Samuel conta que quando os antigos ônibus estavam em operação, sempre conversa com outros passageiros que reclamavam do veículo. “Pedia para eles perceberem o diferencial de poder viajar num ônibus repleto de história”, afirma.
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Até mesmo funcionários de empresas concorrentes foram conhecer a novidade. Auxiliares e motoristas de outras companhias tiraram fotos e perguntaram ao condutor do Flecha Azul detalhes do veículo. Carregadores, funcionários da Rodoviária gravavam vídeos no celular de recordação.

 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)

Pelo menos vinte pessoas seguiram da Rodoviária até a garagem da Cometa. Um animado grupo de jovens na faixa dos vinte e poucos não cansava de tirar fotos e observar cada detalhe do veículo. Ao final da breve viagem, cada um apertou a mão do motorista em agradecimento. “A volta do ônibus foi uma excelente notícia. Todas as outras empresas deveriam fazer isso e preservar a história dos veículos”, recomenda o contador Leandro Melo, de 26 anos.

Interessados em viajar no ônibus podem comprar passagem no hotsite dos 65 anos da empresa.

 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Preço da passagem é o mesmo de uma viagem em ônibus executivo (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Preço da passagem é o mesmo de uma viagem em ônibus executivo
 (Thiago Ventura/EM/D.A Press)
Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul (Thiago Ventura/EM/D.A Press)

Fãs de ônibus tomaram conta da Rodoviária para ver a chegada do Flecha Azul

FONTE: Estado de Minas.


Galo forte vencedor

Libertadores

Tinha de ser sofrido. Com muitas doses de drama e mais de duas horas de emoção, o Atlético conquistou nas primeiras horas de hoje o maior título da sua história: o da Copa Libertadores de 2013, ao vencer o Olimpia por 4 a 3 nos pênaltis, depois de devolver no tempo regulamentar o placar de 2 a 0 da derrota em Assunção e de 0 a 0 na prorrogação. Os gols do alívio só saíram no segundo tempo, com Jô (artilheiro da competição) a 1min e Leonardo Silva aos 42min. Nos pênaltis, o Galo converteu suas quatro cobranças, enquanto Victor defendeu a primeira dos paraguaios e viu a quarta carimbar o alto da trave. Fim da longa espera e início de uma madrugada que Belo Horizonte e inúmeras cidades mineiras não esquecerão tão cedo.
“Campeão da América!” Preso na garganta havia mais de 40 anos, o grito atleticano enfim tomou conta do Mineirão: quase 60 mil pessoas testemunharam a conquista inédita da Libertadores. Mas não seria uma façanha do Galo se não fosse dramática, sofrida, de testar corações e nervos. No início e no fim do segundo tempo, os gols de Jô e Leonardo Silva fizeram a massa delirar, mas a vitória por 2 a 0 no Olimpia não era o suficiente. O Galo precisava de mais: sem gols na prorrogação, teve que decidir nos pênaltis. E quando São Victor, com as asas de pássaro da célebre oração de Roberto Drummond, defendeu a primeira cobrança, estava aberto o caminho do desafogo, que calou os paraguaios e incendiou BH. Agora, o time de Cuca segue rumo ao Mundial Interclubes, em dezembro, no Marrocos, em busca do título de melhor do planeta. Enquanto isso, o torcedor festeja a realização do sonho. Sim, atleticano, você pode gritar. O seu grito não é apenas uma comemoração: é um grito de libertação.
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FONTE: Estado de Minas.


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