Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Dormir já rende mais que trabalhar na Venezuela

Diante do caos em que o país vive, dificilmente uma mudança político-econômica ocorrerá

Há quatro meses sem trabalho, o pedreiro Juan Rudá, de 53 anos, chega pontualmente às 6 horas e senta-se em uma mureta diante do edifício em construção no bairro Las Mercedes, em Caracas. Vai embora às 14 horas, sem o emprego que esperava. Esta é sua rotina diária desde fevereiro, mesmo sabendo que hoje no país é mais rentável dormir que trabalhar, em função do achatamento do salário mínimo.

Rudá luta para conquistar o que em muitos países é considerado trabalho escravo. A vaga que ambiciona paga 41 mil bolívares por dia, o equivalente a US$ 0,05, pela cotação da moeda americana no mercado negro, que hoje regula a economia do país. Só em comida e passagens para chegar até o lugar da obra, seu gasto supera isso. Trabalhar deixou tecnicamente de ser rentável. E não só para ele.

“Esta é uma realidade tanto no setor público quanto no privado, nos trabalhos de menor remuneração. É uma consequência não só da hiperinflação, mas de uma depressão econômica violenta. O PIB do país caiu pela metade em quatro anos”, afirma o economista Omar Zambrano, da Universidade Central da Venezuela.

Não há condições, segundo o especialista, de uma reversão nesta tendência sem uma mudança de política econômica.

O presidente Nicolás Maduro tentará a reeleição no domingo. Seu principal rival é o ex-chavista Henri Falcón, que pretende dolarizar a economia, medida da qual Zambrano discorda.

“Brasil, Peru e Bolívia conseguiram sair desse processo de hiperinflação sem abrir mão da moeda. Mas sem uma troca na presidência, certamente não haverá mudança”, opina o economista. Uma das hipóteses estudadas por acadêmicos locais é a adoção de um plano semelhante ao Real, com indexação inicial da moeda local à americana.

Não há dado confiável sobre o desemprego na Venezuela. A medição costumava ser feita com base em pesquisas residenciais abandonadas há três anos, segundo Zambrano. De acordo com o economista, mesmo que os levantamentos fossem retomados, haveria distorção porque boa parte dos consultados, ao contrário de Rudá, não busca colocação no mercado.

O pedreiro reconhece que já não busca emprego pelo dinheiro, mas “para manter a autoestima e o respeito dos cinco filhos”.

Rudá deve votar em Maduro. O operário atribui a pressões externas e internas a má situação econômica – o FMI prevê inflação de 13.800% para este ano. E culpa os “bachaqueros”, apelido dado aos atravessadores que revendem artigos escassos, “que compram um pacote de farinha por 50 mil bolívares (US$ o,o6) e o revendem a 900 mil (US$ 1,1)”. Ele e a família vivem de subsídios do governo.

O desabastecimento do qual Rudá reclama explica em parte por que ele está desempregado. Os sacos de cimento tornaram-se raros no mercado depois do fechamento das maiores fabricantes.

“Máfias das redes de cimento revendem o saco por preço 5 vezes maior que o original. A construção, por isso, caiu pela metade em quatro anos. Muitos trabalhadores se tornaram ‘bachaqueros’, mais rentável que qualquer profissão formal hoje”, diz Adalberto Martínez, diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Construção.

A revenda de produtos subsidiados e a pirataria não são tão afetadas pelo processo inflacionário. A camelô Elisa Santana, de 57 anos, diz que nem pensa em buscar trabalho formal.

“Com um salário mínimo eu só compraria um refrigerante. Prefiro vender meus DVDs”, diz ela, que comercializa filmes em cartaz nos cinemas por US$ 0,30 (6 vezes o que Rudá pretende ganhar por dia).

O pedreiro diz que não entra neste ramo por questões “de consciência”.

A reportagem o viu parado diante da obra de Las Mercedes durante cinco horas, das 8 horas às 13 horas de terça-feira. Já com a certeza de que receberia outro “não”, ele justificou a teimosia.

“O que vou dizer em casa para minha mulher se voltar mais cedo?”

Protestos Venezuela

Maduro tentará sua reeleição no domingo contra o ex-chavista Falcón

COMENTÁRIOS (8)

Paulo<br />Sampaio
Paulo
Sampaio
O sujo falando do mal lavado. Brasil no fundo do poço.
Responder – 0 – 0 – Denunciar – 1 hora atrás
Marcelo<br />Sampaio
Marcelo Sampaio
PCdoB e PT PSOL PSTB PCO são partidos COMUNUSOCIALIATAS que sonham fazer isso com o BRASIL transformar nosso país em uma GRANDE CUBA ou VENEZUELA. Caso soltem o Lula e ele ganhe as eleições com as URNAS ELETRÔNICAS FRAUDADAS,o país vai dar uma guinada ao COMUNISMO estaremos perdidos caso não tenha uma intervenção militar ou guerra Civil
Responder – 2 – 2 – Denunciar – 7 horas atrás
Marcos<br />Nunes<br />Nunes
Marcos Nunes Nunes
Os esquerdopatas daqui deveriam se mudar pra esses países comunistas e parar de encher o saco com essa conversa de socialismo,que só serve pra atravancar o crescimento do país.
Responder – 3 – 0 – Denunciar – 11:27 PM May 18, 2018
Pedro<br />Oliveira
Pedro Oliveira
País “socialista” bom é os EUA. Lá um Juiz ganha apenas 5 vezes o que um policial ganha que, por sua vez, ganha apenas 50% a mais que uma faxineira. Um caixa do Walmart compra 3 Iphones com um mês de salário. Um lavador de parto ganha US$ 8,00/hora e no final do mês pode ganhar US$ 2000,00 trabalhando 10 hora/dia. Depois de 8 meses pode compara um Corolla. O problema do Brasil é que copiamos apenas a parte ruim de tudo. Por que não copiamos os bons salários do EUA?
Responder – 26 – 1 – Denunciar – 5:53 PM May 18, 2018
Geral<br />Dino
Geral Dino
Como todo socialismo/comunismo na prática, isso é o que acontece. Olhem a cara redondinha, corada do Maduro e seus comparsas da elite. Todos comendo bem, vivendo bem. O resto da população brigando pelo lixo. E ainda tem alienado que defende esse sistema dos infernos. São todos iguais sim, na miséria.
Responder – 38 – 0 – Denunciar – 4:17 PM May 18, 2018
Henrique<br />Gregório<br />Rinco<br />de<br />Oliveira
Henrique Gregório Rinco de Oliveira
O infeliz não tem trabalho, não tem perspectiva de futuro e ainda vai votar no maldito comunista que o colocou nesta situação, pois a família vive do subsidio do governo, era o que o (des)governo petista queria para o Brasil, e por sorte nossa não conseguiu, o pior e quando se pede algum comunista para citar algum país aonde o comunismo deu certo, citam países nórdicos, que para desespero e desconhecimento dos comunistas modinha tem os maiores índices de liberdade econômica do mundo.
Responder – 36 – 2 – Denunciar – 3:33 PM May 18, 2018
Fabão
Fabão
Mais alguns mandatos do PT e nos transformaríamos em uma grande Venezuela.
Responder – 40 – 4 – Denunciar – 3:00 PM May 18, 2018
CELSO
CELSO
Socialismo de pobre, era isso que QUERIAM para o Brasil.
Responder – 43 – 3 – Denunciar – 2:57 PM May 18, 2018

FONTE: O Tempo.


Uma nação de refugiados

Com o agravamento da crise na Venezuela, cidadãos de lá encontram no Brasil uma esperança para reconstruir a vida. De janeiro a julho, 7,8 mil pessoas entraram com pedido de refúgio

 

Alexandra Perez e o marido, Edim Mendonza, conseguiram vagas para as filhas em escolas da 
rede pública  (Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press)

Alexandra Perez e o marido, Edim Mendonza, conseguiram vagas para as filhas em escolas da rede pública

Brasília – A grave crise econômica, política e social, aliadas à repressão das forças do presidente Nicolás Maduro, obrigam milhares de pessoas a deixarem a Venezuela. Além da criminalidade crescente, a falta de comida em supermercados cria uma realidade difícil de ser superada. Para os venezuelanos que atravessam a fronteira, o Brasil se torna a esperança de um futuro melhor, mais livre e com melhor qualidade de vida. De janeiro a julho deste ano, 7,8 mil cidadãos daquele país entraram com pedidos de refúgio no Brasil. Ano passado, o número de solicitações com o mesmo intuito, foi de 3,3 mil em todos os estados. Esses números, fazem da nossa nação a escolha número um dos venezuelanos entre os países da América Latina.

Qualquer emigrante que venha de uma nação que faça fronteira com o Brasil pode solicitar visto de residência temporária no país – que vale por dois anos – podendo ser renovada após este período. No entanto, como fogem de uma situação de crise, e até perseguição política, os povos da Venezuela podem ser enquadrados na condição de refugiados, o que concede residência permanente, caso o processo seja aprovado pela Secretaria Nacional de Justiça, ou pela Polícia Federal. O requerimento pode ser realizado assim que ocorre a entrada em território nacional, por via terrestre. O Brasil tem em andamento 12.960 solicitações deste tipo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que registra 18 mil pedidos em tramitação.

PASSAGEM PRIORITÁRIA Por fazer fronteira com a Venezuela, o estado de Roraima é porta de entrada dos emigrantes. Somente a Superintendência da Polícia Federal nesta unidade da federação recebeu neste ano 6.438 pedidos de refúgio. No entanto, após entrar no país, os refugiados seguem para diversos estados, como São Paulo e Distrito Federal. Eles vão em busca de vagas no mercado de trabalho, oportunidades de estudo e local de moradia.

Um grupo de quatro refugiados venezuelanos encontrou em uma churrascaria tradicional de Brasília a oportunidade de deixar para trás a fome, a falta de recursos financeiros e as cenas de violência que viram em sua terra natal. O garçom Johanny Gonzales, de 25 anos, foi o primeiro do grupo a chegar na capital. Ele resolveu deixar a Venezuela quando começou a faltar mantimentos na cidade onde morava. “Percebi que não dava mais para ficar lá quando começou a faltar coisas básicas, como papel higiênico e carnes. Um amigo que mora em Águas Lindas me ajudou com a passagem. Encontrei uma vida melhor, e tenho dinheiro para comprar comida, adquirir minhas coisas”, afirma.

O garçom Johanny Gonzales e outros venezuelanos comemoram emprego em churrascaria no Brasil (Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press)
O garçom Johanny Gonzales e outros venezuelanos comemoram emprego em churrascaria no Brasil
SAUDADE DOS PARENTES Johanny lamenta pelos familiares que ainda estão no país vizinho, mas comemora o fato de agora poder ajudar a família. “Minha irmã ainda está lá e a situação é cada vez pior. Mas daqui eu posso enviar ajuda financeira. O Brasil é um país maravilhoso, aqui temos muitas oportunidades. As pessoas são muito acolhedoras. Pretendo voltar a Venezuela como turista, mas vou me casar e viver aqui”, completou ele, que está no Brasil há dois anos. O amigo dele, Jacinto Maza, 27, veio ao Brasil junto com a esposa logo em seguida, após saber das possibilidades para construir uma nova vida. “A crise lá atingiu o país inteiro. Então eu e minha esposa resolvemos ir para Brasília. Desta forma podemos construir nossa vida de novo e mandar ajuda para os que lá ficaram”, conta.

Grande parte dos migrantes brasileiros que chegam da Venezuela tem boa formação profissional. Isso facilita a contração por uma empresa em território nacional. De acordo com dados fornecidos pelos próprios refugiados ao chegarem no Brasil pela região Norte, 17% são estudantes, que pretendem continuar se capacitando no Brasil. Na lista das profissões mais exercidas por eles, a profissão de engenheiro aparece em primeiro lugar, representando 6% do grupo. Os médicos são 4%, seguidos por professores, que somam 3%.

Nas últimas semanas, a crise na Venezuela ganhou novos capítulos, que jogam um destino do país em um caminho cada vez mais incerto. Em uma votação duvidosa, onde o presidente Nicolás Maduro é acusado de inflar os números do pleito com 1 milhão de votos inexistentes, foi eleita a Assembleia Nacional Constituinte. A entidade tem como atribuição criar uma nova constituição, substituindo o texto de 1999. Entre os integrantes da assembleia, está a mulher e o filho de Maduro.

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FONTE: Estado de Minas.


A atual falta de compromisso dos estudantes de Direito com os estudos

O advogado Paulo Silas Taporosky Filho publicou um texto muito interessante no site Empório do Direito tratando da forma como o estudantes de Direito hoje constroem o próprio conhecimento.

Segue o interessante texto e, depois, algumas considerações sobre ele.

Poucos querem aprender direito!

O que me levou a escrever o que segue foi uma postagem realizada em uma página de humor jurídico no Facebook. O que era para se tratar apenas de uma piada, pelo menos aparentemente (e assim espero), evidenciou um problema gritante que permeia o ensino jurídico: o total descompromisso de alguns estudantes. É o direito sendo levado nas coxas.

O problema vem sendo denunciado de maneira contumaz por nomes como Lenio Streck, Alexandre Morais da Rosa e André Karan Trindade, cujos autores demonstram toda a problemática existente no ensino jurídico. Professores mal preparados, cursinhos preparatórios que ensinam apenas decoreba e “macetes infalíveis” para passar em concursos, além ainda de faculdades que não passam muito longe disso, estão entre as causas do caos que vem se alastrando na academia. No entanto, para além de tais aspectos que contribuem para o declínio da coisa, temos também como fator responsável parte daqueles que deveriam querer aprender, mas optam pelo conforto epistêmico. Ali, onde tudo é mais fácil, onde se obtém o “conteúdo” mastigado por meio de resumos, onde os manuais facilitados são puramente objetivos (irrefletidos), é que residem os alunos preguiçosos, os quais não estão preocupados em aprender, mas meramente em decorar o suficiente para passar na prova – e posteriormente no concurso.

Quanto à postagem em questão, assim dizia a imagem: “QUEM GOSTA DE ESTUDAR DETALHADAMENTE É ALUNO DE MEDICINA… ALUNO DE DIREITO GOSTA MESMO É DE RESUMÃO DA INTERNET”. A frase é de causar um reboliço no estômago. Particularmente, achei a piada de mau gosto. No entanto, sou forçado a reconhecer que a postagem apenas traduz a realidade de grande parte dos estudantes de direito. Os comentários realizados na postagem corroboram para com tal análise. Dentre os diversos, dos quais poucos se salvavam pela irresignação com o conteúdo ali exposto, eis alguns dos mais escabrosos:

“Depois que descobri o passei direto, com um mundo de resumos a minha disposição, estudar jamais kkkk”

“vou ler não que tem resumo na internet. Vou copiar não que tem resumo do e-mail”

“kkkkkkkkkkkkkkkkk, tão eu…”

“ler doutrina é para os fracos.. a gente gosta mesmo é de vídeo aula kkkkkkkkk”

“”livro grande de letra pequena” ai esse professor de civil é iludido”

“Vivendo de sinopses e códigos comentados hahahahahaha”

“Já inicio a busca com “resumo de…””

“Estudar Direito é: chegar um dia antes da prova e procurar vídeos no Prova Final do Youtube”

“noix gosta mesmo é de uma doutrina esquematizada, umas vídeos aulas, um resumo massas”

“Pura verdade. Eu adoro um resumão, resuminho até mesmo um resumo kkkkkk”

E por aí vai… Escabroso. Assustador. Indigesto. Faltam-me palavras. Manifestar-se publicamente que não se estuda como deveria, que está se levando o curso nas coxas, que finge que aprende, pior, demonstrando orgulho por tal modo de (não) agir, é tão ignóbil quanto aqueles indivíduos que publicam fotos se gabando do crime que praticaram.

O curso de direito, atualmente bastante saturado, está cheio de “alunos” assim. Busca-se muitas vezes apenas o status de “Estudante de Direito” (com E e D maiúsculos). A pose é necessária para sustentar o próprio Ego. Fabiano Oldoni publicou há pouco em sua página no Facebook: “Não basta tirar foto ao lado do jurista famoso, é preciso ler suas obras”. Corretíssimo! O tipo de estudante de direito preguiçoso quer apenas o glamour de receber curtidas dos amigos na foto que tirou ao lado do jurista famoso, mas não quer aprender sobre o que sustentam ou como se posicionam os autores que “admira”. Pura busca por status, mas também mero engodo.

Estudar direito não é fácil. Pelo menos para aqueles que de fato estudam. Aos que se enganam e logram terceiros fingindo que estudam, resta o pesar. Tal cenário caótico há de mudar. A esperança é a última que morre.

Fonte: Empório do Direito

Mais de uma vez escrevi que estudar dói, e dói porque demanda tempo e concentração. Dói porque há muito o que se estudar, em especial no universo jurídico, onde a densidade dos conteúdos é grande.

Isso gerou um campo propício para esquemas e estudos facilitados, métodos revolucionários de aprendizagem que NÃO entregam o prometido, tudo em busca da otimização do tempo, o mais precioso e caro artigo de luxo no universo dos estudos.

Estudar toma tempo. E muito!

É verdade que os modelos de provas aplicados hoje em dia facilitam o surgimento de aulas e doutrinas direcionados para objetivos específicios, como o Exame de Ordem e certos concursos públicos. E é natural que seja assim, pois o estudante que atingir seu objetivo primário com eficiência. Jamais recomendaria a leitura de um Curso de Direito Civil para quem está estudando essa disciplina para a OAB. A equação conteúdo x tempo nunca fecharia, e o candidato negligenciaria as demais disciplinas.

A reprovação seria praticamente certa.

Um bom aluno da faculdade, dizem, não precisaria estudar para a OAB. Entretanto, as estatísticas da prova dizem o contrário: todos precisam estudar, e precisam pois a OAB tem características próprias, construída para atender a demanda de praticamente 120 mil candidatos a cada edição: é uma prova de massa.

E sendo prova de massa precisa ter caracteríticas específicas, como a padronização da correção das provas, por exemplo.

E é prova de massa porque nós hoje temos 1.306 faculdades de Direito espalhadas pelo país, formando a cada ano aproximadamente 100 mil novos bacharéis.

A conta não fecha!

E o modelo de estudo direcionado para a OAB e para os concursos terminou por, assim dizer, contaminar o estudo jurídico. O que é grave!

O mercado – destino final de todos – pouco se importa com essas nunaces, pois ele, o mercado, tem lógica própria, e uma lógica completamente desprovida de sentimentos: ele segrega e ponto final. Quem não diferencia é inexoravelmente condenado a receber remunerações ínfimas.

Sim! O jovem advogado hoje é uma commoditie. Como ele existem centenas de milhares de outros iguais, com uma base de conhecimentos aproximada, fruto do sistema de apendizado denunciado pelo Dr. Paulo Silas Taporosky Filho.

Estudar muito, e dar densidade ao próprio conhecimento, é a forma mais evidente – e eficiente – de fugir do lugar comum.

Repetindo: o mercado não está nem aí para ninguém. Ou se diferencia, e estuda muito para isto, com material e doutrina de qualidade, ou vai amargar o que há de pior no universo profissional, incluindo aí o desemprego.

FONTE: Blog Exame de Ordem.


Tribunais regionais em todo o país ameaçam fechar as portas a partir de agosto por causa dos cortes de 30% nas despesas para manutenção e de 90% nos recursos para investimentos

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Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais: horário de funcionamento e atendimento ao público foi reduzido em uma hora

Em um país que contabiliza 11 milhões de desempregados e a tramitação de 3 milhões de novos processos judiciais a cada ano, a Justiça do Trabalho é que pede socorro. Diante do corte orçamentário de 30% nas despesas de custeio e de 90% na verba para investimentos, tribunais trabalhistas ameaçam fechar as portas a partir do mês que vem. Entidades representantes da categoria alegam que para fechar as contas dos 24 tribunais regionais do Trabalho (TRTs) no Brasil até o fim deste ano seriam necessários pelo menos mais R$ 250 milhões.

Em abril, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, já havia feito o alerta ao afirmar que os efeitos da crise econômica e política do país fariam com que a Justiça trabalhista cruzasse os braços. Segundo ele, além de cortes no orçamento que reduziram recursos para manutenção e investimentos em sistemas eletrônicos, o crescimento das demissões aumentou o número de ações em tramitação na Justiça do Trabalho.

A redução orçamentária já levou a uma série de cortes de gastos e mudanças no horário de funcionamento e atendimento ao público no Distrito Federal e em estados como Minas, Rio de Janeiro, Tocantins, Rondônia e Acre. Ainda assim, a economia gerada com as medidas não foi suficiente para evitar o prejuízo para o cidadão. O primeiro a fechar as portas, ainda este mês, pode ser o TRT da 15ª Região, sediado em Campinas, que sofreu corte de R$ 49 milhões em suas contas.

O órgão é responsável pelas ações envolvendo patrões e empregados de 599 cidades paulistas, onde vivem 11 milhões de pessoas. A jornada foi mantida, mas o horário de atendimento ao público foi antecipado para economizar energia, das 11h às 17h. Recentemente, o presidente do TRT-15, desembargador Lorival Ferreira dos Santos, afirmou que há o risco de  pane no sistema e “reza todos os dias” para evitar a paralisação. Ainda não se sabe se as orações surtirão o efeito esperado.

No mês que vem, tribunais de São Paulo e Acre ameaçam parar. Maior do país, o tribunal paulista teve que se adaptar ao corte de R$ 95 milhões. A duração do expediente foi mantida, mas o órgão renegociou contratos, reduziu o uso de ar-condicionado e elevadores e cortou investimentos. Documento administrativo foi encaminhado à direção do TRT com um diagnóstico da grave situação financeira do órgão. Nele, a orientação para parar de funcionar a partir de 1º de agosto.

A informação não foi confirmada pela assessoria de imprensa do TRT-SP. Em carta aberta divulgada na sexta-feira, a presidente do órgão, Silvia Regina Pondé Galvão Devonald, disse que a “hipótese só se efetivará se não conseguirmos vencer a crise orçamentária”. “Quero tranquilizar a população e a Ordem dos Advogados do Brasil, garantindo-lhes que o desempenho de nosso dever constitucional é desejo único e sempre será priorizado.”

VALOR DA BOLSA Durante um ato público em defesa da valorização da Justiça laboral em 17 de junho, o presidente do TRT do Acre, desembargador Francisco Cruz, deixou claro que o funcionamento do órgão está comprometido com a redução do orçamento. Algumas medidas de economia estão sendo tomadas, como a alteração do horário de funcionamento, que passou a ser de 7h30 às 14h30 para reduzir  consumo de energia. A situação não está  diferente em Pernambuco e no Pará.

A direção do TRT do Pará já anunciou que os recursos acabarão em setembro, apesar de ter adotado medidas como a redução do número de estagiários, diminuição do valor da bolsa e encerramento do expediente às 16h. Também foi paralisada a construção de um prédio que sediaria todas as varas do trabalho de Belém, além da Escola Judiciário. Durante um ato em 24 de maio, a direção do TRT pernambucano alertou para a crise financeira com o corte de R$ 17 milhões, e o risco de parar as atividades em setembro.

No Paraná e no Rio Grande do Norte, as últimas audiências e julgamentos do ano podem ocorrer em outubro. O Orçamento para custeio da Justiça do Trabalho paranaense era de R$ 68,6 milhões, mas o valor foi reduzido em R$ 8,4 milhões. Há três semanas, o TRT potiguar anunciou que há o risco de fechar as portas em outubro.

Saiba mais

Crédito extraordinário

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, no último dia 6, a possibilidade de edição de uma medida provisória pelo governo federal para realocar recursos para a Justiça do Trabalho. O parecer do TUC foi apresentado em uma consulta formulada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meireles. Os créditos virão dos depósitos judiciais feitos com convênios bancários e da renda arrecadada em concursos públicos.

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FONTE: Estado de Minas.


Nove anos de história chegam ao fim.

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A chef Samira Lyrio anunciou esta semana oencerramento das atividades do seu restaurante, o Flores , que funcionou numa pequena e simpática casa na Serra até sábado passado. Com o tempo, ela se especializou em servir exclusivamente um menu individual de três etapas (entrada, prato principal e sobremesa) por semana, cobrando preço fixo – terminou em R$ 72. Ela ainda não sabe o que fará, mas não pensa em largar a profissão.

Vale lembrar que o isso acontece pouco depois da preocupante onda de fechamentosrecente, atigindo casas importantes como Atlantico , Ficus e Oak , todas em Lourdes. Olhando um pouco mais para trás, verificamos outras baixas, incluindo Copa, Pletora, Matusalém, Casa de Música, Perfetta, Don Pasquale e Leblon .
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“Acho que até demorei a fechar. Fiquei chateada, mas se até gente com aporte financeiro maior que o meu não deu conta, imagine o meu caso. O movimento zerou durante a semana e o que já era fraco deixou de existir . Mesmo assim, foram anos felizes, em que fiz o que gosto de fazer”, lamenta Samira.
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Paralelamente, Mauro Bernardes , que era chef do Ficus, não descarta a possibilidade de reabrir seu lendário (e memorável) Aurora . “Ainda estou decidindo como será, mas lá na Pampulha, onde o Aurora funcionava, já está tudo montado. Também estou estudando propostas de sociedade e pode ser que eu reabra o restaurante em outro local. Acredito que, mesmo assim, essa é a hora. Vejo o momento atual como oportunidade”, diz ele. Já o imóvel do Ficus , será ocupado pelo Benvindo até o mês que vem.
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Tomaz Gomide , que comandava o Atlantico, agora ficou com o L’Entrecôte e o Gomide e garante estar, acima de tudo, aliviado: “O movimento estava caindo, mas foi mais uma questão de falta de energia para focar . Não dá para brincar de ter quatro ou cinco restaurantes. É preciso pegar um, trabalhar direito e ter tempo para viver também”. Por esse motivo, continua ele, apostará suas fichas no Gomide , que completará uma década ano que vem e passará por reforma e reformulação de cardápio em breve. China , o chef, continua.

Ah, o Atlantico dará lugar a uma casa especializada em carnes. Mais um espetinho ?

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FONTE: Estado de Minas.


Farmácia Popular será limitada
Proposta orçamentária enviada ao Congresso prevê repasse zero para rede credenciada em 2016

Somente unidades próprias do programa Farmácia Popular receberão recursos no próximo ano

Farmácia

Brasília. O aperto nas contas públicas do governo federal vai atingir em cheio um dos programas prediletos da classe média na área de saúde, o Aqui Tem Farmácia Popular. A proposta orçamentária para 2016 encaminhada para o Congresso prevê repasse zero para a ação, que neste ano receberá R$ 578 milhões.

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Criado em 2006, o programa permite a compra em farmácias credenciadas pelo governo de medicamentos para rinite, colesterol, doença de Parkinson, glaucoma, osteoporose, anticoncepcionais e fraldas geriátricas. Os descontos chegam a 90%.

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Com a redução dos recursos a zero, na prática, essa política deixa de existir. Pela proposta encaminhada ao Congresso, ficam mantidos o braço do programa chamado de Saúde Não Tem Preço (em que o paciente não precisa pagar na farmácia remédios para diabetes, hipertensão e asma) e as unidades próprias do Farmácia Popular.

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Em Belo Horizonte, por exemplo, os cidadãos não terão mais onde comprar medicamentos subsidiados pelo governo a partir do ano que vem, já que a capital mineira não possui nenhuma unidade própria do programa, apenas a rede “Aqui Tem”, que deixará de existir.

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Ao todo, o Farmácia Popular conta com 34.514 estabelecimentos em 4.393 municípios, sendo 532 da rede própria e 33.982 da rede credenciada. Com o corte orçamentário, o número de postos de venda próprios deve cair em 2016 para 460 em todo o país. “Foi uma medida necessária”, justifica a secretária executiva do Ministério da Saúde, Ana Paula Menezes.

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A primeira versão do Orçamento enviada ao Congresso reservava para a Saúde R$ 104 bilhões. “Não era a quantia dos sonhos, mas, pelo menos, a gente não estava morrendo afogado”, afirma a secretária. A nova versão retira da área R$ 3,8 bilhões. A proposta também enterra um acerto que havia sido feito no próprio governo para que o montante reservado a emendas parlamentares fosse incorporado ao cálculo desse mínimo que o governo federal tem de desembolsar.

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Pela Constituição, tanto municípios e Estados quanto União têm de reservar uma fatia mínima do orçamento para gastos com saúde. Para o cálculo do piso federal, a regra usada até este ano era: o equivalente ao que foi desembolsado no ano anterior, acrescida a variação do Produto Interno Bruto (PIB). Com a mudança, o governo federal tem de reservar para o setor o equivalente a 13,5% das receitas correntes líquidas. Se fosse aplicada a regra anterior, o mínimo para saúde neste ano seria de R$ 103,7 bilhões. Com a nova regra, o piso passa para R$ 100,2 bilhões.

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Como funciona o programa
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Em Minas
. O Estado possui 43 unidades da Farmácia Popular e 5.714 drogarias e farmácias credenciadas no Aqui Tem Farmácia Popular.
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Diferença. Na rede própria são oferecidos 112 itens, desde medicamentos a preservativos masculinos. Já o Aqui Tem Farmácia Popular oferece 32 itens. Tanto na rede própria quanto nas credenciadas, os produtos têm desconto de até 90%. O valor é subsidiado pelo Ministério da Saúde.
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Como comprar. O programa não exige credenciamento, apenas receita médica dentro do prazo de validade e um documento com foto e número de CPF para a venda a preços reduzidos.
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Gratuitos. Antidiabéticos, anti-hipertensivos e antiasmáticos são entregues gratuitamente via programa Saúde Não Tem Preço.

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Reformas
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Propostas
. A Fundação Perseu Abramo defende criar bandas da meta fiscal e prazos mais amplos para seu cumprimento, bem com retirar os investimentos do cálculo da meta de superávit primário.
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Inflação. Prega inflação calculada pelo núcleo de preços.
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Juros. O documento pede a redução da taxa básica de juros (Selic) e a reforma tributária.
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Crescimento. Os especialistas propõem o fortalecimento do mercado interno, investimentos em infraestrutura e recuperação da capacidade de investimento da Petrobras.

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Documento contra o ajuste fiscal
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São Paulo
. Com a presença de lideranças petistas, movimentos sociais, economistas e cientistas políticos, a Fundação Perseu Abramo, centro de estudos criado e mantido pelo PT, lançou nesta segunda um documento em que tece duras críticas e prega mudanças na política econômica do governo Dilma Rousseff.
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Intitulada “Por um Brasil Justo e Democrático”, a publicação é dividida em dois volumes, nos quais há críticas ao ajuste fiscal e propostas de mudanças “imediatas”, como a redução de juros, estabelecimento de bandas na meta fiscal, mudanças no cálculo da inflação e regulação do mercado cambial.
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Segundo os idealizadores, a elaboração se deu a partir de debates com mais de cem especialistas de diversas áreas, como economistas, cientistas políticos, urbanistas, educadores e sanitaristas. Eles produziram artigos que serviram de base para consolidar a publicação.
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A fundação pondera que, por ter o caráter colaborativo, os resultados são “preliminares e incompletos”. “Trata-se, portanto, de um documento em construção”, afirma. O objetivo é “suscitar debates, críticas e novas contribuições capazes de suprir lacunas e aperfeiçoar subsídios apresentados”.
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O documento ressalta que o debate deve ser marcado pela defesa da democracia. “A iniciativa é um convite para o debate amplo, plural, suprapartidário pela defesa da democracia (…) e pela mudança imediata dos rumos da política econômica”.

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Pressão
Mudança.
O senador Lindberg Farias (PT-RJ) afirmou que o documento tem o objetivo de aumentar a pressão sobre o governo Dilma Rousseff para mudança da política econômica atual.

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Levy faz apelo a ‘primeiro passo’
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Brasília.
  Com a sessão do Congresso Nacional para votar os vetos restantes da presidente Dilma Rousseff marcada para esta quarta, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez um novo apelo nesta segunda para que deputados e senadores mantenham as decisões tomadas pelo Palácio do Planalto em relação às pautas-bomba.
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Levy mantém-se convicto do que chama de “missão” a que se propôs no ano passado: a busca da estabilidade econômica e de um novo ciclo de desenvolvimento no Brasil. Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, o ministro afirma que o primeiro passo para recuperar o crescimento é garantir os vetos da presidente. Entre eles, o mais controverso é o que barra o projeto de lei que concede aumento ao Judiciário de até 78,56%.
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“Com o fiscal em ordem, é fácil recuperar a demanda – o mais difícil é garantir as condições para a oferta responder mais à frente”, afirmou Joaquim Levy.
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CPMF. Outra aposta do ministro é na criação da nova CPMF, encaminhada ao Congresso sob a forma de Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O texto do governo prevê alíquota de 0,2% sobre movimentações financeiras, com a arrecadação destinada ao custeio da Previdência Social, e não como receita extra para o caixa do governo.
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Nesta segunda, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que o ajuste fiscal não ocorrerá se o governo estiver contando com a recriação da CPMF para reequilibrar as contas. Isso porque, segundo Cunha, é “pouco provável” que a PEC seja aprovada no Congresso.

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Stédile critica alta de juros e corte de gasto
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Brasília.
Aliado histórico do PT, o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, criticou a alta de juros e os cortes orçamentários que fundamentam o ajuste fiscal do governo.
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Stédile disse que, ao permitir a elevação da taxa de juros, “o governo piora a situação das contas públicas”, já que cresce o custo da dívida “e achata o poder de compra das famílias”. O líder do MST disse que o governo “erra ao cortar gastos sociais” para equilibrar as contas públicas.

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FONTE: O Tempo.


Dólar sobe a R$ 4,05 e bate recorde

Cotação comercial da moeda norte-americana frente ao real atinge o maior valor da história e reflete o nervosismo dos investidores com a situação política e econômica do país

Real

O dólar atingiu ontem o maior preço da história ao encerrar o dia cotado a R$ 4,054, uma alta de 1,83%. É a maior cotação nos 21 anos do Plano Real – antes, o pico ocorreu em 10 de outubro de 2002, quando a moeda dos EUA, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições presidenciais, fechou a R$ 3,99. A crise política que assola o país e as ameaças à execução do ajuste fiscal – com a possibilidade de derrubada de vetos pelo Congresso Nacional que aumentam as despesas públicas – levaram os investidores a buscar proteção na divisa norte-americana. A falta de previsibilidade em relação à economia brasileira também levou a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) a encerrar o pregão em queda de 0,7%, aos 46.264 pontos.
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A cotação do dólar turismo chegou a R$ 4,270. Nem mesmo as intervenções do Banco Central estão freando a disparada da moeda dos Estados Unidos frente o real. Ontem, o BC não fez intervenções extras no mercado. Na segunda-feira, a autoridade monetária havia promovido leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de até US$ 3 bilhões, que contiveram a alta do dólar por apenas quatro minutos.

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No mercado, os analistas temem que a possível elevação de gastos do Executivo tenha como consequência o rebaixamento da nota de crédito do país por mais uma agência de classificação de risco. Caso isso ocorra, haverá uma fuga de capitais para mercados maduros, e a moeda estrangeira encarecerá ainda mais. Os brasileiros sentirão no bolso essa alta do dólar na hora de viajar para outros países ou até mesmo quando forem à padaria comprar um pão. O trigo, matéria-prima para fazer o pão francês, subirá, em média, 5% e isso será repassado aos consumidores.
Em meio às incertezas políticas, o real já desvalorizou 52,6% em relação ao dólar desde o início do ano. Essa depreciação só é menor do que a do rublo, moeda oficial da Rússia, que já perdeu mais de 60% do valor ante a divisa norte-americana. Sem a certeza de que o país conseguirá executar os ajustes para equilibrar as contas públicas, os agentes econômicos preferem comprar a moeda estrangeira para se proteger do que investir diretamente no Brasil.

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Dados do Banco Central comprovam que não há falta de dólares no país. De janeiro a agosto, o fluxo cambial é positivo em US$ 11,2 bilhões e nos primeiros 18 dias de setembro, de US$ 383 milhões. O gerente de Câmbio da Fair Corretora, Mário Batistel, explicou que há oferta da moeda norte-americana na economia brasileira, mas as incertezas em relação ao futuro levam os investidores a desconfiar dá capacidade do governo de ajustar as contas públicas para tornar o país atrativo para receber investimentos.

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“O preço do dólar está totalmente atrelado ao cenário de crise política. Sem previsibilidade para os próximos meses, os investidores montam posições em dólar para se proteger de qualquer problema maior. Nesse ambiente, o mercado toma uma posição defensiva. Todos temem que ocorra uma ruptura maior, que levará o país para o buraco”, comentou. Os investidores agora vão na direção oposta à que o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, pregava em outubro do ano passado. “Vai quebrar a cara quem apostar na alta do dólar”, disse ele quando a cotação comercial da moeda dos EUA estava em R$ 2,43.
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Efeitos Na opinião do sócio da Rosenberg Partners Marcos Mollica, além da crise política, o mercado questiona a capacidade do governo de executar as medidas anunciadas para equilibrar as contas públicas. Conforme ele, poucos cortes de despesas foram anunciados e o ajuste passa pelo aumento de receitas por meio do aumento de tributos. “Há uma preocupação com a falta de âncora fiscal”, disse. Para Mollica, o encarecimento do dólar aumentará as pressões inflacionárias nos próximos meses.

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Na opinião dele, se nos últimos meses os repasses da alta da divisa norte-americana para os preços foram moderados em meio à recessão econômica, a tendência é de que aumentem daqui para frente. “Se o dólar permanecer nesse patamar, os empresários terão que reajustar os valores de mercadorias e serviços. E o BC será obrigado a aumentar juros, porque há um efeito carregamento para o próximo ano”, destacou. O economista-chefe da GO Associados, Alexandre Andrade, afirmou que a tendência é de que o dólar termine o ano próximo de R$ 4 e que em 2016 ultrapasse esse patamar em virtude da crise política.

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Análise da notícia – Injeção direta na taxa de inflação

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Marcílio de Moraes
Mais do que encarecer as viagens ao exterior, a disparada do dólar vai pesar no bolso de todos os brasileiros. É uma injeção direta na taxa de inflação do país no curto prazo, capaz de anular a desaceleração provocada pela redução dos preços dos alimentos. Com a economia desaquecida, o repasse da alta da moeda dos Estados Unidos para os preços internos não será imediato, mas será inevitável. Do trigo importado aos componentes eletrônicos para os mais diversos aparelhos, passando pela gasolina, o Brasil ampliou nos últimos anos o grau de inserção dos importados na sua economia e o preço a ser pago virá agora. Com forte influência da crise política e sem sinais claros de que ela se dissipará, o dólar seguirá sua trajetória de alta. Já há quem aposte que ele chegue a R$ 4,50. Benéfica para as exportações, uma cotação nesse patamar vai ser danosa para a grande parte da sociedade brasileira.

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FONTE: Estado de Minas.



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