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O ministro do STF Celso de Mello denegou, no mérito, o MS 25.135, em que o desembargador José Wellington Medeiros de Araújo, aposentado compulsoriamente por decisão do TJ/DF, pedia a anulação do procedimento administrativo que resultou na sanção contra ele; a cassação do decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva que determinou sua aposentadoria, bem como a suspensão do processo de nomeação de outro desembargador para a vaga dele no TJ/DF, até julgamento definitivo do MS.

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O desembargador foi aposentado compulsoriamente por comportamento incompatível com a função de magistrado, depois que escutas telefônicas mostraram conversa dele com acusados de prática de grilagem de terras no Distrito Federal. Sua defesa alegou várias ilegalidades no processo administrativo que resultou na aplicação da pena. Destacaram, entre elas, a violação do direito à ampla defesa, do princípio da imparcialidade do juiz e da lei de escutas telefônicas.

Segundo os defensores do magistrado, interceptações telefônicas ilícitas divulgadas pela imprensa que teriam, na verdade, outros alvos que não ele, teriam sido usados indevidamente para instauração de sindicância contra ele, que levou à decretação de sua aposentadoria compulsória.

Eles alegaram, também, a imparcialidade da decisão do TJ/DF, argumentando que cinco dos desembargadores que participaram da sessão de julgamento do processo administrativo também integraram a comissão de sindicância instaurada para apurar as infrações.

Decisão

O ministro Celso de Mello decidiu a questão no mérito, com base no artigo 205, caput, do Regimento Interno do STF (na redação dada pela Emenda Regimental 28/ 09) que delegou expressa competência ao relator para, monocraticamente, denegar ou conceder ordem em MS, quando a matéria nele versada constituir objeto de jurisprudência consolidada da Suprema Corte. Entre casos precedentes, ele citou os MSs 27.649 e 27.962, relatados, respectivamente, pelos ministros Cezar Peluso (aposentado) e por ele próprio.

Em sua decisão, ele se apoiou nos argumentos apresentados pelo MPF nos autos, que se manifestou pelo indeferimento dos pedidos. O MPF observou que, em todos os momentos do processo administrativo instaurado contra o desembargador, foi-lhe assegurado o direito à ampla defesa.

Considerou válida, também, a prova obtida por meio de interceptação telefônica em processo de outra seara. Segundo o MPF, a prova obtida por interceptação telefônica, assim como as notícias divulgadas pela imprensa, constituem a “noticia criminis” que orientou o Tribunal de Justiça a deflagrar o procedimento administrativo. Portanto, não houve nulidade na determinação de abertura do processo administrativo.

Imparcialidade

O MPF refutou, também, a alegação de imparcialidade da decisão de aposentar compulsoriamente o magistrado. Segundo ele, na decisão do processo administrativo disciplinar no âmbito de um tribunal, não haverá membros que, ao mesmo tempo, não estejam jungidos ao julgamento do magistrado e possam analisar, em uma comissão de sindicância, seus atos. Portanto, há diferença desse procedimento em relação àquele no MP, em que a decisão deve ser proferida pelo Conselho Superior do órgão que fará a proposição para o procurador-geral aviar ação civil.

Conforme o MPF, é inviável no Judiciário, por razões de hierarquia e competência, a composição da comissão de sindicância por membros que não fossem desembargadores do próprio TJ/DF. Além disso, observa, o artigo 93, inciso VIII, da CF/88, impõe a votação de dois terços do Tribunal para a aposentadoria do magistrado por interesse público, pressupondo que a deliberação será exercida por todos os membros da respectiva corte, até porque a exigência é de fração dos votos do Tribunal, e não dos votos dos membros presentes.

Por fim, segundo o MPF, não é possível o exame, em sede de mandado de segurança, das razões que lastrearam o convencimento do órgão responsável pela imposição da pena ao magistrado. Ele cita, nesse sentido, precedente do próprio STF (RMS 24.533).

Prova emprestada

Ao endossar o parecer do MPF, o ministro Celso de Mello disse não ver ilegalidade na utilização de prova emprestada (de outra investigação, que estava em curso por interceptação telefônica) e que a validade constitucional dela tem sido reconhecida pelo STF, desde que os elementos probatórios assim coligidos tenham respeitado, como sucedeu no caso, a exigência fundada da garantia constitucional do contraditório. Entre outros precedentes, ele citou o HC 67.707, a Petição 3.683 e o RHC 106.398.

Por fim, o ministro Celso de Mello assinalou que, no MS, é preciso que a pretensão jurídica deduzida pela parte impetrante seja demonstrada mediante produção de provas documentais pré-constituídas, aptas a evidenciar a alegada ofensa a direito líquido e certo supostamente titularizado pelo autor do MS. Daí não ser possível a reabertura, neste MS, da discussão acerca das razões de fato e das provas que levaram à pena imposta ao desembargador.

FONTE: Migalhas.


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Após 5 anos da sentença, o presidente do STJ, Felix Fischer, determinou que a pena dada ao desembargador Federal paulista do TRF da 3ª região, Paulo Theotônio Costa, seja executada. Afastado desde 2003, ele é acusado de beneficiar a si mesmo, ao garantir de maneira fraudulenta que o Banco Bamerindus recebesse R$ 150 milhões do Banco Econômico.

Em 2008, época em que foi julgado, a Corte Especial decidiu que o réu perdesse o cargo e cumprisse 3 anos de prisão em regime aberto. No início de fevereiro, o MP solicitou que a condenação fosse cumprida, devido a ocorrência do julgamento no STF referente ao último recurso pendente do processo.

Contudo, o acórdão ainda não havia sido publicado ou comunicado ao STJ, o que impediu que tal solicitação fosse atendida. A execução da pena só tornou-se possível na última semana, quando o STF remeteu sua decisão ao STJ.

LEIA MAIS (decisão do STF foi em setembro/2011)  –  O STF (Supremo Tribunal Federal) negou habeas corpus ao ex-desembargador Paulo Theotonio Costa, afastado do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS), e manteve sua condenação por corrupção passiva a três anos de reclusão, em regime aberto, além de perda do cargo.

A decisão foi tomada por unanimidade, na terça-feira, pela Segunda Turma do STF.

Theotonio Costa pretendia anular a condenação no Superior Tribunal de Justiça em 2008 e voltar ao TRF-3.

Ele foi acusado de manipular a distribuição de processo no tribunal, em 1996, e de aceitar dinheiro para proferir decisão favorável ao grupo Bamerindus, que recebeu crédito antecipado de R$ 150 milhões do banco Econômico, na época sob liquidação.

Um advogado conhecido do juiz, foi acusado de atuar como “testa de ferro” do magistrado no processo, tendo recebido R$ 1,5 milhão do Bamerindus, a título de “assessoria jurídica”.

Posteriormente, o advogado fez dois “empréstimos”, no total aproximado de R$ 1 milhão, a duas construtoras do magistrado, em Campo Grande (MS).

Theotonio Costa alegou ao STF que não proferiu decisão favorável ao Bamerindus e apontou a suposta existência de provas ilícitas.

Reportagem publicada pela Folha em 1999 revelou que o magistrado era proprietário de conjunto residencial, com sete edifícios, e de uma fazenda, MS, além de possuir outros imóveis em São Paulo.

FONTES: Migalhas, Folha e UOL.



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