Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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VITTORIO MEDIOLI

Cinco camarões e 1.500 watts

Os deuses têm suas regras, e feliz é o humilde que as respeita

Existem pessoas que subestimam a importância do alimento, desperdiçando-o, assim, sem dor. Como troco, estou convencido, não receberão no momento de maior necessidade os cuidados que a natureza dispensa aos probos e aos respeitosos da fome alheia. Pagam-se nesta terra os pecados da indiferença, e, quando não acontece já nesta vida, será nas próximas.

Num mundo onde existem bilhões de seres humanos e de animais que padecem sem o mínimo de alimento, as forças ocultas da justiça desta terra não perdoam. De várias formas, os deuses cobram pelo descaso com o sofrimento, mesmo pelo mais distante e, aparentemente, sem importância. Existe uma nuvem cheia de méritos e pecados que flutua sobre todos e precipita acertando os indiferentes.

Ao entrar num monastério zen, se ensina: “quem desperdiça um único grão de arroz não ascenderá ao reino do céu”. Depois disso, o aluno é instruído a lavar sua vasilha e beber da água que usou para a tarefa, só assim terá certeza de que nenhum grão ou fracção se perdeu.

Ignaro dessas advertências, há quem deixe o prato quase cheio, achando celeradamente que isso distingue os ricos dos pobres. Encontrei ao longo da vida casos que me restaram impressos na memória e me levaram a aguardar as consequências cármicas.

A deusa hindu mostra a palma de uma mão virada para baixo e a da outra para cima, indicando que os cuidados com o ínfimo devem ser iguais àqueles com o mais elevado. Tanto na terra como no céu, devem se estender as preocupações humanas.

Bem por isso existem detalhes que marcam as pessoas condenadas a enfrentar, quase inexplicavelmente para os distraídos, um destino cruel.

Reparei, ao chegar ao Brasil em 1976, que as formas de viver, de economizar e de tratar os alimentos eram bem diferentes das maneiras do continente de onde eu vinha.

Na primeira vez em que almocei num restaurante em Belo Horizonte com um casal abastado, observei com estranheza seu comportamento. O casal pediu de aperitivo um uísque sour (destilado com gelo, alta dose de sal, açúcar e suco de limão). O marido ficou num filé malpassado, e ela, com meio frango grelhado. Desse, tirou um pequeno pedaço e deixou o resto com o contorno de batatas assadas no prato. O garçom era tratado com descaso e falta de atenção.

Passadas duas décadas, reencontrei casualmente a esposa, trajada sem requinte e maquiagem alguma, que me disse estar passando por dificuldades sem condições de cuidar dos filhos. O marido, alcoólatra, tinha sumido, deixando a família na miséria.

Não faz muito tempo que ouvi as lamentações de uma pessoa: “Fiz tudo certo, não merecia que minha família fosse ferida dessa forma…”. Embora sofrer faça parte da evolução, e bem por isso as adversidades devam ser recebidas da mesma forma que as vitórias, essa senhora um dia me perturbou deixando na minha memória um episódio que permanece vívido. Num banquete às custas do erário público, ao ser servida por um garçom, para o qual não dava um olhar, sentada à frente do apático marido, permitiu que este colocasse no prato dela, pausadamente, cinco camarões gigantes até que não coubesse mais nada. Choquei-me. Camarão é colesterol puro da pior espécie, e aquela dose poderia intoxicá-la. Embevecida da atmosfera de glamour, só cortou a ponta de um camarão, mandando para o lixo o resto.

Passaram-se alguns anos, e a senhora nem sequer consegue sair de casa.

Dalai Lama, por sua vez, esteve pela primeira vez no Brasil e visitou o Congresso Nacional. Da primeira fila, observei seus movimentos e semblantes sempre sorridentes. O garçom lhe ofereceu um copo d’água. Ele agradeceu profusamente, perguntou ao garçom se ele mesmo gostaria de aproveitar daquela água, tanto à direita como a esquerda ofereceu compartilhar seu copo e, depois de todas as desistências, sorveu parte do líquido sagrado.

Exatamente naqueles dias, num gabinete de um colega deputado, igual ao meu, encontrei, ao visitá-lo, o antebanheiro com a porta aberta e três lâmpadas de 500 watts (!) ligadas. Sinalizei em apagá-las, mas ele disse: “Pode deixar aceso”. Não insisti. No meu gabinete, igual ao dele, já tinha trocado duas lâmpadas pela menor potência disponível e exigi a supressão de uma terceira. Com isso, alcancei uma economia de 1.350 watts ao usar o banheiro por poucos minutos durante o dia. Esse senhor está atualmente atolado na Lava Jato, e sua carreira está em cinzas, que o vento ainda não levou por inteiro.

Os deuses têm suas regras, e feliz é o humilde que as respeita.

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FONTE: O Tempo.


Campanha pede medidas de redução do consumo de água para o setor econômico

Movimento lançado neste sábado em BH pede que o estado tome providências para diminuir o consumo de água agrícola e industrial

ATÉ QUE, ENFIM, ALGUÉM COMEÇA A FALAR O ÓBVIO…

Água

A estiagem é um problema de todos, mas revertê-la é responsabilidade de quem? Motivados pelos alertas em relação ao baixo nível dos reservatórios que abastecem o estado, integrantes do projeto Manuelzão e de organizações não-governamentais (ONGs) lançaram neste sábado, em Belo Horizonte, o movimento “A culpa não é do meu banho”. 

A campanha exige que o governo do estado tome providências também em relação ao setor econômico para garantir a redução do consumo de água. A população foi conclamada há pouco mais de 15 dias a economizar 30%, sob pena de entrar num racionamento severo nos próximos três meses, caso a situação dos reservatórios não mude. A mobilização, que começou nas redes sociais, cobra a mesma postura para indústrias e mineradoras.”O abastecimento humano, incluindo o comércio, é responsável por, no máximo, 20% do consumo. Os outros 80% ou mais são da área econômica, que recebe outorga para usar a água”, afirma o idealizador do movimento, o ambientalista e coordenador do Manuelzão, Apolo Heringer. Ele critica ainda o preço pago pela outorga: entre R$ 0,01 e R$ 0,02 por cada 1 mil litros. “Assim, as empresas não têm estímulo para investir em tecnologia para economizar água, porque a têm à vontade”Por meio de nota, a Copasa informou que nos municípios atendidos por ela em Minas Gerais, o volume de água (da estatal) consumido pelas indústrias equivale a 3% e que a companhia não tem instrumento legal para obrigar o setor a adotar, por exemplo, o sistema de reuso da água. “Cabe a todos, poder público, cidadãos, comércio e indústrias, se conscientizar da real necessidade de adotar medidas que visem a redução do consumo e atingir a meta de economizar 30%. Apolo rebate: “O governo do estado tem o direito sim de rever as outorgas. Não aceitamos pagar mais, porque as mineradoras não pagam nada”.

Água 2

O lançamento da campanha, que havia sido marcado para ocorrer na Casa Fiat de Cultura, está sendo feito na sede do Crea (Avenida Álvares Cabral, 1.600, Santo Agostinho).

NOTA DO EDITOR: fora o desperdício que a própria COPASA (embora admitindo) não corrige…

FONTE: Estado de Minas, Youtube e ANA.


Pimentel diz que preço da conta será usado para diminuir consumo

Governo estuda cobrar uma taxa extra na conta de quem não economizar água; valor não foi informado; leia a íntegra da entrevista ao “MGTV”

“30% é o cálculo que nós fizemos, que permite atravessar o ano sem risco de um colapso. Pode ter aqui ou ali alguma necessidade de rodízio, mas vai ser uma coisa mais suave do que seria se nós não tomarmos uma medida”, disse o governador.

Segundo ele, o governo vai comparar o consumo do mês com a média consumida pelo cliente da Copasa ao longo de todo o ano de 2014. Pimentel não detalhou as medidas aplicadas para a redução do consumo, mas destacou que tanto residências quanto contas comerciais serão atingidas.

“O consumidor vai saber qual é a média dele. Vai ser informada na conta. E se ele está acima ou abaixo, é só ele ver o que foi medido no hidrômetro. Se tiver acima, ele vai ter que pagar mais caro e vai ter que reduzir”, explicou Pimentel.

Ele também destacou que, caso não seja a feita a redução do consumo, o sistema de abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte pode entrar em colapso entre julho e agosto. As primeiras obras visam aumentar a capacidade de captação de água e têm previsão de conclusão em novembro deste ano, quando começa a nova temporada de chuva.

Recém-eleito, ele destacou que a situação da empresa e dos reservatórios poderia ser outra, já que medidas preventivas já poderiam estar sendo tomadas desde meados do ano passado, quando as fontes de abastecimento começaram a indicar quedas.

Questionado sobre a taxa de desperdício, Pimentel não perdeu a oportunidade para novamente indicar problemas na gestão anterior e alegar que a Copasa, que era considerada uma empresa com nível de excelência, atualmente apresentar uma taxa de desperdício de 40%. Ele prometeu que a empresa “dará o exemplo” para os consumidores, melhorando o serviço e reduzindo o tempo de espera para reparos das redes danificadas.

Leia a íntegra da entrevista de Pimentel ao “MGTV”:

“Explicar primeiro para quem nos vê a necessidade tão grande de economia. É que nós temos que atravessar o ano. Nós vamos tomar outras medidas e por isso fui a Brasília e conversei com a presidente para pedir ajuda do governo federal.

Nós vamos fazer obras que vão reforçar a capacidade de captação de água tanto nos sistema Paraopeba como no Rio das Velhas. Isso vai nos permitir, se tudo correr bem, chegar em novembro com essas obras já em operação e, aí, a nova estação de chuvas, que começa no final deste ano, poderá encher mais os reservatórios.

O problema é que até lá não tem saída a não ser economizar água. E tem que economizar muito. 30% é o cálculo que nós fizemos, que permite atravessar o ano sem risco de um colapso. Pode ter aqui ou ali alguma necessidade de rodízio, mas vai ser uma coisa mais suave do que seria se nós não tomarmos uma medida.

Como nós não fizemos isso antes, poderia ter sido feito no ano passado, isso que estamos fazendo hoje, deveria ter sido feito em meados do ano passado, quando a coisa já estava se agravando. Não foi feito. Temos que fazer agora.

Nós vamos pedir a colaboração da população de um lado. Eu tenho certeza que todos vão colaborar, mas vamos incentivá-la de uma forma mais expressiva, criando uma sobretaxa no sistema.

Ou seja, aquele consumidor que gastar mais do que a média do ano passado e média é inferior do que ele está gastando hoje, com toda certeza, porque hoje, o nível de consumo está muito alto, quem gastar acima da média, vai ter uma conta de alta maior. Vai ter uma conta de água mais cara.

Vamos medir na conta. Vai ser transparente. O consumidor vai saber qual é a média dele. Vai ser informada na conta. E se ele está acima ou abaixo, é só ele ver o que foi medido no hidrômetro. Se tiver acima, ele vai ter que pagar mais caro e vai ter que reduzir. Quanto ele vai ter que reduzir? Da média para baixo, nós queremos os 30% do que está sendo gasto hoje. Se isso for conseguido, eu acho que a gente consegue atravessar sem ter que nem fazer rodízio e também se racionar.

Entrevistadora: Qual é o prazo para isso acontecer?

O que o diretor da Copasa, como vocês viram na matéria, falou é que se nada mudar, até julho, no máximo, agosto, nós entramos e colapso. Isso significa que vai faltar água mesmo. Nada mudar é o que? O consumo continuar nesse ritmo, nós conseguirmos aumentar em nada a captação, isso a gente provavelmente não consiga, e não chover nada.

Bom, alguma coisa vai chover. Nós estamos prevendo um nível de chuva abaixo das médias históricas, mas alguma chuva haverá e o consumo tem que cair. Caindo o consumo e chovendo um pouco, nós podemos atravessar de agora até setembro e outubro sem maiores riscos. Aí, em novembro, se Deus quiser e tudo ocorrer bem, nós vamos estar com obra que eu mencionei pronta.

Mas falta tanto tempo para novembro? O racionamento, como seria?

Nós ainda não temos um modelo de racionamento porque estamos concentrando nesses primeiros dias agora. Temos que saber que chegamos agora ao governo e estamos enfrentando essa dificuldade. Estamos concentrando nessa campanha que a imprensa nos ajuda muito, de redução de consumo. Pedindo para os cidadãos que diminuam o consumo de água e consuma de maneira racional. Agora, o modelo de racionamento, nós vamos discutir com a sociedade. Vamos fazer tudo de forma muito transparente.

Você não pode racionar água de um hospital. Você não pode racionar água de um presídio e de um escola. Agora nas residências e nos prédios comerciais, você pode racionar e deve racionar se for necessário. A regra vamos discutir primeiro com todo mundo.

O governo federal vai ajudar como? Você fala em obras. Como seria?

Com dinheiro. Porque não verdade esse problema, o problema da água, no nosso caso aqui, ele é inteiramente estadual. A captação é toda feita dentro do Estado. Os rios todos que nós captamos são estaduais.

Como seriam essas obras?

Nós temos na região metropolitana, dois pontos básicos de captação: o rio das Velhas e o Rio Paraopeba. O rio Paraopeba abastece três reservatórios basicamente. Isso que vocês mostraram na matéria. O que está pior é o Serra Azul, e tem o Rio Manso e Várzea das Flores. Nós vamos aumentar a captação no Rio Paraopeba expressivamente de quatro a cinco metros cúbicos por segundo, com essa obra que vamos fazer. Já temos um contrato que permite fazer a obra. Isso vai acelerar. A gente precisa de alguns licenciamentos ambientais adicionais. Vamos acelerar esse processo. Vamos mudar um pouquinho o escopo do contrato. E fazer essa captação do Paraopeba, jogando no reservatório do Manso. É que hoje a rede é interligada. Ou seja, se você joga no Manso, depois, você pode transferir para os outros reservatórios, inclusive para o Rio das Velhas, que não tem reservatórios, mas caixas d’agua.

Então, isso resolve de médio prazo o problema de captação. Depois disso, vamos fazer uma obra maior, que é criar um outro sistema para, aí, dar segurança à população da região metropolitana, que poderíamos chegar até 2050 sem grandes problemas.

O outro sistema seria captar água em outro ponto, provavelmente naquela região da Serra do Cipó. Taquaraçu, Jaboticatubas, por ali. Isso, nós estamos estudando, mas vai demorar de três a quatro anos, para o sistema estar pronto e funcionando. Tem que fazer projeto ainda. O emergencial é esse que eu falei e acredito que até o fim do ano vai estar em atividade.

… mostrada matéria de desperdício da Copasa…

O que você tem a dizer para as pessoas? A Copasa tem que dar o exemplo. Pode ser mostrar mais eficiente?

Pode não. Ela tem que dar o exemplo. A verdade é que herdamos uma situação muito ruim. A Copasa, ao longo dos anos, ela já foi uma empresa de excelência, mas ela foi perdendo essa eficiência, essa capacidade de responder prontamente aos chamados. O índice de vazamento é assustador. Quer dizer: 40% da água que a gente bombeia para as residências, não chega nas residências. Ela vai se perdendo nas redes de distribuição. Isso é um índice espantoso. Eu fico estarrecido de, em 12 anos, dos governos anteriores isso não ter sido sequer atacado. Não foi corrigido. A rede é antiga e tem que ser substituída. O tempo de resposta, como disse esse cidadão, é muito lento. Não é possível você fazer esse comunicado e só no dia seguinte, no meio do dia, aparecer alguém para atender.

Hoje já tem 40 equipes da Copasa vistoriando a cidade e de prontidão para reduzir esse tipo de chamada. Nós vamos reduzir o tempo de espera. Isso tudo vamos tomar providência. Peço um pouco de paciência também do cidadão e da cidadã da região metropolitana porque estamos chegando agora. A situação não é boa. Estamos fazendo todo esforço. Eu criei uma força tarefa no governo voltada para essa questão. Estou dedicando a isso todo o tempo possível. Vai melhorar. Mas precisamos que o cidadão economize 30% de seu consumo para que atravessemos o ano sem maiores problemas.

Como você vai evitar que isso vire uma crise na economia do Estado?

Essa é a nossa grande preocupação. A primeira é garantir água para o consumo humano, para o consumo animal, no caso da agropecuária, aí, em seguida, esses exemplos que foram mostrados, que é de irrigação que é importantíssimo na cadeia agropecuária e o uso industrial da água. Ali tinha um bom exemplo de reaproveitamento da água de uso industrial e também de reaproveitamento de água de chuva, de água pluvial. Temos que incentivar isso.

Nós estamos muito preocupado e muito focado nisso. Amanhã mesmo eu devo estar, pela manhã, fazendo um sobrevoo pelos reservatórios e depois vou a Três Marias para ver com o presidente da Cemig o nível da represa, que está baixo. Três Marias é importante não só para a geração de energia, mas porque fornece água para vários projetos de irrigação no entorno e queremos garantir que nada disso seja interrompido.

Para que isso aconteça, preciso da colaboração de todos. Então, é uma responsabilidade do governo do Estado, sim. Mas quero dizer para todo cidadão para ajudar. Vamos economizar água na sua casa, na sua empresa, onde for possível. Vamos atravessar um ano difícil no ponto de vista do abastecimento de água. Mas vamos sair vencedores lá na frente. Vamos trabalhar com ânimo. Estamos dispostos a enfrentar a crise. Tenho certeza que a população vai nos ajudar.”
COMENTÁRIOS (4)

F.<br />FREITAS
F. FREITAS
Agora está explicado porque ainda não adotaram o racionamento, isto provocaria perda da arrecadação com o extorsivo ICMS.Com a multa resolverão o problema.
Responder 10:27 PM Jan 28, 2015
eduardo<br />mello
eduardo mello
tudo mal administrado… pagamos conta para Copasa e impostos para o Governo. Sera que o GOverno fez sua parte e investiu dinheiro em obras de emergencia como uma situacao destas? Logico que nao… O brasil e um Pais caro de viver, onde tudo e dificil e nada recebido. Esta ficando pior a cada dia. Parabens Governo por me fazer desacreditar em voce a cada dia.
Responder 10:21 PM Jan 28, 2015
Valter<br />Oliveira
Valter Oliveira
Economizar pela incompetência do governo! A conta é sempre paga pela população.
Responder 9:29 PM Jan 28, 2015
ERMÍCIO<br />FRANCISCO<br />DE<br />AQUINO
ERMÍCIO FRANCISCO DE AQUINO
E a COPASA, vai cortar 30% nos seus gastos? Pago para ver.
Responder 8:25 PM Jan 28, 2015

 

FONTE: O Tempo.


Ambulâncias paradas em pátio

Dezenove veículos do Samu deveriam integrar sistema de atendimento atrasado há quase seis meses

As ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que foram utilizadas durante a Copa do Mundo estão paradas há quase seis meses em um pátio da Prefeitura de Santa Luzia, na região metropolitana da capital, sem qualquer utilidade. Os 19 veículos estão se deteriorando, expostos ao sol e à chuva, em meio ao mato que cresce no estacionamento. Os equipamentos serviram de reforço no atendimento médico durante o Mundial e deveriam estar em atuação na Rede de Urgência e Emergência Macro Centro, que abrange 103 municípios das regiões metropolitana e Central e que não foi implantada até o fim da competição, como prometido. O caso foi denunciado pela imprensa em outubro, mas, apesar da promessa da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o problema não foi resolvido.

A rede Macro Centro é gerenciada pelo Consórcio Aliança. A previsão é que 98 ambulâncias façam o atendimento nos 103 municípios e beneficiem seis milhões de pessoas. Em outubro do ano passado, o então secretário de Estado de Saúde, José Geraldo de Oliveira, afirmou que um dos motivos para o atraso eram pendências nas negociações entre os municípios beneficiados. Tanto a gestão da SES quanto a do Consórcio Aliança passaram por mudanças, e agora os novos administradores disseram que estão analisando medidas para agilizar o funcionamento do Samu.

Enquanto o serviço não entra em operação, as ambulâncias continuam ociosas, o que pode colocar em risco a durabilidade dos equipamentos. Entre eles estão balões de oxigênio e desfibriladores. Juntos, os 19 veículos valem R$ 2,4 milhões.

“Tudo que fica parado, sem uso, vai se deteriorando. Eu não sei se esses equipamentos foram remanejados para ambulâncias que já estão em operação, mas isso seria uma opção para evitar esse problema”, afirmou a professora do curso de gestão da saúde da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Marília Alves.

Enquanto as ambulâncias não rodam, quem sofre é a população. Moradora de Sete Lagoas, uma das cidades que integram o consórcio, a secretária Cristiane Soares, 23, já precisou do serviço de emergência, mas não foi atendida. “A gente paga imposto para ter um serviço que não existe”, lamentou.

Questionada sobre a data para o início da Rede Macro Centro e sobre a existência de outro local para guardar as ambulâncias, a SES não se manifestou até o fechamento desta edição.

Promessa
Governo.
Na campanha eleitoral, Fernando Pimentel (PT) – governador eleito – fez duras críticas à gestão passada sobre o não funcionamento do Samu e disse que sanaria o problema.

FONTE: O Tempo.


Ambulâncias nunca foram usadas e são devolvidas saqueadas
Ambulâncias nunca foram usadas e são devolvidas saqueadas
Alguns equipamentos desaparecidos foram encontrados na Central de Regulação da Prefeitura de Passos

VARGINHA – Depois de três anos estacionadas no pátio da Prefeitura de Passos, quatro ambulâncias que deveriam operar no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram recolhidas por funcionários da Secretaria de Estado de Saúde (SES). O município perdeu o prazo para instalar o serviço e os veículos retornaram a Belo Horizonte sem nunca terem atendido um paciente sequer.

O Samu deveria ter sido implantado no mesmo ano em que foram entregues as ambulâncias, em 2010. Em Varginha, seis veículos foram devolvidos em abril, pelos motivos.

Nas duas cidades, as ambulâncias deveriam entrar em operação por meio da implantação de um sistema regional, com o serviço funcionando também em outras cidades do Sul de Minas. Como o projeto não saiu do papel, as prefeituras alegam que não teriam como arcar com os custos sozinhas, e tudo ficou parado.

De acordo com o secretário de Administração de Passos, Gilberto Lopes Cançado, se o município fosse bancar os custos do Samu sozinho, a despesa mensal seria de R$ 600 mil. “O valor é inviável para Passos arcar”, disse.

Sumiço

Sem uso, as ambulâncias ficaram paradas num pátio e tiveram vários equipamentos e peças retirados.

Diante disso, a Secretaria de Administração de Passos, no início do ano, instaurou processo administrativo para apurar o sumiço. Alguns aparelhos para atendimento de pacientes, como desfibriladores, foram encontrados onde funcionava um centro odontológico da cidade, e oxímetros estavam na Central de Regulação.

Outros equipamentos, como macas, ferramentas e estepes das ambulâncias continuam desaparecidos. O relatório do trabalho elabor.ado pela comissão será encaminhado para a Polícia Civil.

Varginha deveria sediar a central do Samu na região, mas, como não implantou o serviço, também teve as ambulâncias levadas, em abril. Nem o prédio onde funcionaria a Central do Samu recebeu, ainda, as adequações necessárias.

Outra fase dos serviços será a seleção e treinamento de mais de 600 funcionários, entre médicos, enfermeiros e técnicos, além de motoristas e pessoal administrativo. Com o andamento dos trabalhos, a expectativa é a de que 26 ambulâncias sejam novamente enviadas à região até o final do ano.

FONTE: Hoje Em Dia


Obra do BRT em novo capítulo de desperdício de dinheiro público

Mais um trecho de concreto do corredor central da via precisa ser destruído para abrigar estação do sistema de ônibus em implantação em BH. Faixas de tráfego são interditadas

Pavimento é novamente quebrado diante do IAPI, no Bairro São Cristóvão. Outras intervenções do tipo serão necessárias para construir terminais (Euler Júnior/EM/D.A PRESS)
Pavimento é novamente quebrado diante do IAPI, no Bairro São Cristóvão. Outras intervenções do tipo serão necessárias para construir terminais

Depois de quebrar o concreto que pavimentava o corredor central da Avenida Antônio Carlos na altura do número 3.590, no Bairro São Francisco, Região da Pampulha, a empreiteira responsável pela construção das estações do transporte rápido por ônibus (BRT, na sigla em inglês) está destruindo um trecho de cerca de 150 metros da mesma pista exclusiva para coletivos em frente ao Conjunto IAPI, no Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de BH. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, a demolição é uma das que estavam previstas entre a Lagoinha e o Viaduto São Francisco para instalação de nove estações de passageiros do BRT.

Com mais uma demolição para as adaptações necessárias aos novos terminais, o trânsito precisou ser reduzido tanto no sentido Centro quanto em direção aos bairros. As duas faixas exclusivas para o transporte público em cada sentido diminuíram para uma, mas não houve grandes retenções de tráfego, em virtude do fluxo menor no corredor de ônibus. Na manhã de ontem, apenas dois funcionários trabalhavam no local. Um operava a máquina britadeira e o outro observava o serviço.

O que mais intriga a população e especialistas da área de engenharia é o fato de as obras se multiplicarem na Avenida Antônio Carlos, o que dá a sensação de que as intervenções nunca acabam. A duplicação da via, por meio de uma parceria entre os governos estadual e municipal, começou a ser entregue em 2007, antes da definição do BRT como aposta da cidade para a Copa do Mundo de 2014.

Inicialmente, a prefeitura entregou o alargamento entre os bairros São Francisco (Pampulha) e Aparecida (Noroeste), mas o trecho entre o Aparecida, começando pela Rua dos Operários, e o Complexo da Lagoinha, onde está a área que passou por intervenção ontem, só foi finalizado em 2011. Para engenheiros, não seriam necessárias duas obras no mesmo local, caso houvesse melhor planejamento.

Memória – Gastos extras

No início de maio, o Estado de Minas mostrou que a empreiteira contratada pela Prefeitura de BH para obras do BRT precisou quebrar o concreto do corredor central da Antônio Carlos na altura do Bairro São Francisco (foto) – trecho que antes era de asfalto e que já havia sido destruído para a pavimentação com concreto. Não foi o primeiro revés nas obras do novo sistema de transporte: dias antes, uma estação inteira na Avenida Cristiano Machado havia sido demolida. A justificativa foi de que se tratava de um “protótipo”. Ao lado de outras construções que tiveram de ser refeitas, como ocorreu na Avenida Santos Dumont, no Centro da capital, esse tipo de intervenção despertou críticas de especialistas em engenharia, devido aos gastos extras e aos atrasos no cronograma.

FONTE: Estado de Minas.


Prevista para ser concluída há quatro décadas. A União não consegue sequer comprador para terreno de 50 hectares na RMBH

Ícone das obras abandonadas, a Ferrovia do Aço fincou as raízes do desperdício no trecho entre Nova Lima, Belo Horizonte e Sabará, com túneis e pilares de viadutos construídos na década de 1970 e que nunca foram utilizados. Como a promessa era de que a linha seria concluída em menos de três anos, ela foi apelidada de Ferrovia dos Mil Dias. Ninguém quis ficar com a herança do governo militar. Em dois leilões para vender parte do terreno com as obras inacabadas nenhum comprador fez oferta. O Estado de Minas publica desde ontem reportagens sobre pontes, viadutos e estradas abandonadas que prejudicam os moradores de seu entorno e ilustram o desdém com que o dinheiro público é tratado.

Ferrovia

O trecho do que deveria ser a Ferrovia do Aço à venda é um terreno de quase 50 hectares, considerado não operacional pela extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), na antiga Fazenda Marzagão, que pertence à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), negociado pela Caixa Econômica Federal (CEF). Já foram abertas duas concorrências públicas: a primeira em maio de 2011 e a segunda em junho do ano passado. Nenhuma proposta foi apresentada e o imóvel ficou disponível na modalidade venda direta, sem concorrência pública. Nesse caso, também não houve interessado. A CEF reavaliou a área e o preço atual é R$ 21,9 milhões. Em breve, será lançada uma nova concorrência pública. Para tentar se livrar da “herança maldita”, o governo federal possibilita o parcelamento em até 60 vezes, com taxa de juros de 10% ao ano.

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A Ferrovia do Aço foi uma das obras faraônicas que o governo militar empreendeu na década de 1970. Além dela, o regime construiu outras obras suntuosas, como a Ponte Rio-Niterói, a Rodovia Transamazônica e a usina hidrelétrica de Itaipu. O obra serviria para escoar o minério de Minas para Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, apenas o trecho entre Itabirito e Volta Redonda (RJ) foi construído. O percurso entre Minas e São Paulo não foi iniciado. Entre Itabirito e a capital mineira ficaram os trechos abandonados. Quando a ferrovia foi planejada, o país vivia o período que ficou conhecido como milagre econômico, com a economia crescendo a taxas superiores a 10% ao ano.

O valor de toda a ferrovia é estimado em US$ 1,8 bilhão (R$ 3,5 bilhões). Os pilares dos viadutos inacabados podem ser vistos por quem vai de Belo Horizonte a Sabará seguindo pela Avenida dos Andradas, na Região Leste, antes de chegar ao Bairro General Carneiro.

Anel Leste

Enquanto o governo federal tenta vender parte das obras abandonadas, está com a Prefeitura de Belo Horizonte um projeto para usar os túneis e estruturas na construção de um anel ferroviário, que ligaria a Região Sul de Belo Horizonte à Região Leste, conectando a saída para o Rio de Janeiro da BR-040 com a saída para Vitória na BR-262. O deputado estadual Paulo Lamac (PT), que coordena a Frente Parlamentar de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, já levou seus colegas deputados para visitar os locais e garante que o projeto está com o poder municipal. O autor do texto é o arquiteto e urbanista Radamés Teixeira.

“O projeto inclui uma grande estação ao lado dos motéis na saída para o Rio. Ali teríamos um grande estacionamento, incentivando aqueles que têm carros a usarem um transporte coletivo rápido e eficiente. Um ramal iria até a Região Leste de BH, utilizando o espólio da Ferrovia do Aço e parte da malha ferroviária abandonada que vai até a região da Mina de Águas Claras. Outro ramal poderia, inclusive, chegar até o Barreiro, já que há toda uma estrutura de trilhos também”, explicou o deputado Paulo Lamac.

Ele não acredita que a venda do terreno possa impedir os planos da construção do Anel Leste, como é chamado o projeto. “Poderia ser interessante para conseguir um parceiro e fazer uma parceria público-privada (PPP)”, explica. O deputado reforça que tão importante quanto os túneis e esqueletos dos viadutos é a preparação do terreno, que está concluída há décadas. Por enquanto, o Anel está só no papel.

Economês/português

Milagre Econômico

O regime militar brasileiro conseguiu sobrevida graças às condições econômicas da época. Entre 1968 e 1973, o Produto Interno Bruto (PIB) crescia cerca de 10% ao ano. Setores como a construção civil e a indústria atingiam índices ainda mais elevados. O milagre começou a ruir em 1974, com a crise mundial do petróleo. Como os militares que comandavam o país abusaram dos empréstimos internacionais para financiar as obras faraônicas, a dívida externa explodiu. Seguiu-se então um período de inflação elevadíssima, que só foi terminar em 1994, no fim do governo Itamar Franco, quando foi instituído o Plano Real. Apesar do crescimento da economia, não houve justiça social, o que aumentou ainda mais a desigualdade da sociedade brasileira.

FONTE: Estado de Minas.


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