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“Trago” X “Trazido”. Entenda a diferença!

Denyse Lage Fonseca

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Observe:

1. Eu havia trago os livros para os alunos fazerem a pesquisa.

2. Eu havia trazido os livros para os alunos fazerem a pesquisa.

LIVROS

 

E aí? Qual das duas formas foi empregada corretamente? “Trago” ou “Trazido”? Bom, para a indicação do particípio do verbo “trazer”, devemos utilizar a forma regular “trazido”. Portanto: “Eu havia trazido os livros para os alunos fazerem a pesquisa.”. Denomina-se “particípio regular”, a forma verbal terminada em “ado” ou “ido”. No entanto, é importante destacar que há verbos que admitem dois particípios, como por exemplo, o verbo “salvar”:

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“Eu havia salvo o trabalho no meu computador.”

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(“salvo” = forma irregular)

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“Eu havia salvado o trabalho no meu computador.”

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(“salvado” = forma regular, pois termina em “ado”.)

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Mas, e o verbo “trago”?

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“Trago” é a forma do presente do indicativo (modo que exprime uma certeza) dos verbos “trazer” e “tragar”. Veja:

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“Eu trago o lanche todo dia.”

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(tempo presente – “trazer”)

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“Eu trago a fumaça gerada por aquele polo industrial.”

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(tempo presente – “tragar”)

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Em suma, temos:

“Trazido” = particípio do verbo “trazer”

“Trago” =   presente do indicativo dos verbos “trazer” e “tragar”.

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FONTE: Estado de Minas.


POR HORA ou POR ORA?

EU COMPUTO?

DESDE AS 10?


Vamos observar o uso de duas expressões que têm o mesmo som, a mesma pronúncia, mas significados distintos e pequenas diferenças na escrita.


Qual é o certo: POR HORA (com H) ou POR ORA (sem H)?

Esse é mais um daqueles casos em que a resposta é… depende. Sim, depende do que você quer dizer.
HORA (com H) é aquele período, contado no relógio, de 60 minutos. Ao usar a expressão POR HORA, com H, é preciso ter como referência esse intervalo de tempo.

Veja o exemplo:
“O metrô transporta mais de cem mil passageiros POR HORA.”
(Ou seja, a cada 60 minutos, cem mil passageiros utilizam esse meio de transporte.)

Já a palavra ORA (sem H) significa “agora”, “neste momento”. A expressão POR ORA, sem H, é usada no lugar de POR ENQUANTO ou NESTE MOMENTO.

Confira:
“POR ORA, o metrô funciona normalmente.”
(Ou seja, NESTE MOMENTO, nenhuma anormalidade interrompeu o funcionamento do metrô.)

Por ora (sem H), é só.

DESDE AS 10h ou DESDE ÀS 10h?

A dúvida agora é o uso do acento grave indicador de crase.

Qual é a forma correta: DESDE AS (sem acento) 10h ou DESDE ÀS (com acento de crase) 10h?

O correto é DESDE AS 10h, SEM ACENTO indicador de crase. E sabe por quê?

Porque nunca há crase após a preposição DESDE.

Para que exista crase, é preciso haver a preposição A + outro A, geralmente o artigo feminino A (ou AS). Ora, DESDE já é uma preposição, portanto não pode haver outra logo depois. Na expressão DESDE AS 10h, o que vem depois de

DESDE é apenas o artigo feminino.

Quer uma prova? Vamos trocar AS 10h por uma expressão masculina: O MÊS PASSADO.

Você diria “DESDE AO MÊS PASSADO”? Horrível, não é? AO seria a junção da preposição A com o artigo masculino O, referente a MÊS. Você certamente diria DESDE “O” MÊS PASSADO.

Portanto, como não há preposição, não há crase.

Eu COMPUTO, tu COMPUTAS, ele COMPUTA?

A dúvida agora é o uso de um verbo muito estranho, que causa dúvida, e até perplexidade em muita gente.

Afinal, você sabe conjugar o verbo COMPUTAR? Será que sua conjugação segue, por exemplo, a do verbo LUTAR (eu LUTO, tu LUTAS, ele LUTA)?

Poderia ser, não é? Mas não é.

Segundo a gramática tradicional, o verbo COMPUTAR é considerado defectivo, ou seja, não deve ser conjugado em algumas de suas pessoas. No presente do indicativo, só apresenta plural: nós COMPUTAMOS, vós COMPUTAIS, eles COMPUTAM.

Já o pretérito e o futuro são regulares.

Se a forma “ele computa” não é aceitável, podemos usar “ele está computando” ou substituir por uma frase equivalente: ele calcula, ou ele programa (computadores).

FONTE: G1.


Thais Nicoleti

verbo ser

O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito da oração. Certo? Sim, mas nem sempre.

O comportamento do verbo “ser”, em algumas circunstâncias, desafia esse princípio de concordância. É o que ocorre, por exemplo, na seguinte passagem, extraída de um texto da Folha que noticiava o capotamento de um ônibus:

A maioria dos passageiros eram turistas. Fotos e vídeos publicados na internet mostram que grande parte dos passageiros eram jovens.

O sujeito da primeira oração do período é a expressão “a maioria dos passageiros”. Vale lembrar que o sujeito representado por um partitivo (no caso, “maioria”) seguido de plural admite duas formas de concordância: com o núcleo (“maioria”) ou com o especificador (“passageiros”), sendo esta última chamada de concordância atrativa.

Poderíamos, portanto, dizer que a maioria dos passageiros sofreu graves ferimentos ou que a maioria dos passageiros sofreram graves ferimentos. Isso é reconhecido pela tradição, como se pode aferir em qualquer gramática, mesmo que a muita gente pareça estranho dizer que a maioria das pessoas “fizeram” alguma coisa.

Em alguns casos, no entanto, nada haverá de estranho nesse tipo de concordância. Uma frase como “a maioria dos homens eram idosos” parece bem mais natural que “a maioria dos homens era idosa”. O mesmo vale para “um terço das mulheres estavam grávidas”, mais natural que “um terço das mulheres estava grávido”. O falante poderá optar pela construção que achar melhor, mas aquela que segue estritamente a regra de concordância com o núcleo do sujeito é artificial.

Nessas construções, temos verbos de ligação (“ser”, “estar”) seguidos de predicativos (“idoso/s”, “grávido/as”). Essa circunstância geralmente leva à opção pela concordância atrativa.

No trecho da reportagem mencionado acima, há convergência de duas situações: o sujeito representado por partitivo (“maioria”, “grande parte”) e o emprego do verbo “ser”.

Até aqui falamos sobre a primeira delas. Vamos, agora, tratar da segunda, isto é, das particularidades do verbo “ser” quanto à concordância.

Na “Moderna Gramática Portuguesa”, de Evanildo Bechara, por exemplo, lemos o seguinte:

Nas orações ditas equativas em que com “ser” se exprime a definição ou a identidade, o verbo, posto entre dois substantivos de números diferentes, concorda em geral com aquele que estiver no plural.

Isso é o que enunciam, de modo geral, as gramáticas tradicionais. Nenhuma novidade, portanto.

Nas frases “a maioria dos passageiros eram turistas” e “grande parte dos passageiros eram jovens”, o predicativo é representado por um substantivo (“turistas” e “jovens”, este usado no sentido de “pessoas jovens”).

Ignorando o especificador dos partitivos (“dos passageiros”) e considerando apenas o núcleo dos sujeitos, teremos o verbo “ser” entre substantivos de números diferentes (maioria/ turistas; grande parte/jovens). Que diz a gramática tradicional? O verbo “ser” concorda, em geral, com o plural. Assim: “a maioria eram turistas”; “grande parte eram jovens”.

O que se poderia criticar na passagem que nos serviu para exemplificar esse interessante caso de concordância é a repetição da expressão “dos passageiros”, facilmente substituível por “deles”. A concordância, porém, está em consonância com a norma culta.

 

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FONTE: UOL.


cinto

Não se entende o porquê dos passageiros no banco traseiro do automóvel não utilizarem os cintos de segurança. No banco da frente, a adesão ao dispositivo de segurança é bem maior.

Pesquisas indicam que os motivos para não usar os cintos traseiros são os mais variados:

1 – “A legislação só obriga o uso do cinto nos bancos dianteiros”.

Errado: a lei é muito clara e diz que todos os ocupantes do automóvel devem afivelar o cinto. Além dos mais, usar o dispositivo não é para cumprir a lei, mas por uma questão de segurança.

2 – “Sentado no banco traseiro eu estou protegido pelo encosto do banco dianteiro”.

Errado: com o automóvel em elevada velocidade, no momento do impacto frontal o passageiro do banco traseiro, pela inércia, é arremetido contra o dianteiro com peso de toneladas. Além disso, nem sempre o impacto é frontal e pode ser lateral ou o carro capotar. Nesta situação, são altas as possibilidades de o passageiro ser cuspido do carro com graves consequências.

3 – “O automóvel é dotado de air bags laterais e do tipo cortina, que me protegem”.

Errado: air bag nenhum, em local nenhum do automóvel, protege sozinho o ocupante. Aliás, sua sigla em inglês é “SRS”, iniciais de Sistema Suplementar de Restrição, ou seja, a bolsa inflável apenas ajuda o cinto de segurança a manter a pessoa em seu lugar. Jamais substitui o cinto, considerado o melhor dispositivo de segurança já inventado até hoje.

4 – “Sem o cinto me segurando, eu tenho mais chances de escapar no caso de um incêndio ou de o carro mergulhar na água”.

Errado: se o carro bateu antes de pegar fogo ou mergulhar na lagoa, o passageiro protegido pelo cinto tem mais chances de continuar lúcido, se desvencilhar do cinto, abrir a porta e escapar. Se estiver solto dentro do automóvel, pode bater a cabeça contra uma parte metálica e ficar desacordado.

Estatísticas feitas na Europa apontam que 1/3 dos passageiros no banco traseiro não afivelam os cintos e 25% dos motoristas não insistem para que os passageiros de trás o utilizem. Talvez por não perceberem que eles mesmos vão receber – no momento de um impacto frontal – o corpo de quem está atrás com peso de toneladas. E que seu destino é o hospital ou o cemitério.

 

FONTE: Hoje Em Dia.


Caetano Veloso dá bronca em sua equipe por ‘erro idiota’ de crase; veja

Cantor deu ‘aula de português’ aos responsáveis por suas redes sociais.
Post de 11 de junho tinha a expressão ‘homenagem à Bituca’.


Caetano Veloso dá bronca em equipe de redes sociais (Foto: Reprodução/Facebook)Caetano Veloso dá bronca em equipe de redes sociais

A produção de Caetano Veloso publicou nesta terça-feira (23), no Facebook, um vídeo no qual ele dá uma bronca na equipe que cuida de suas redes sociais. Motivo: mau uso da crase. “Um erro chato, eu não gosto desse erro. Acho idiota”, diz ele após explicar por que o acento não deveria ter sido usado na construção “homenagem a Bituca”. O equívoco estava na legenda de uma foto publicada no Facebook em 11 de junho.

Clique aqui para assistir à bronca de Caetano Veloso.

O “Bituca” em questão é Milton Nascimento. A imagem do post mostra justamente um encontro de Milton e Caetano durante um show da banda Dônica. Um dos integrantes é filho de Caetano.

“Até os linguistas estimulam [o uso equivocado da crase], dizendo que não deve ligar para crase, que deve deixar… Nada! Nada de deixar. Tem que saber português e trabalhar bem a língua portuguesa no Brasil! Tem que ter responsabilidade!”, finaliza ele.

A pessoa que está filmando, então, responde: “Sim, senhor. Vamos tentar melhorar, prometo. A produção falhou”.

Homenagem a Caetano

Não sei o porquê da polêmica em torno da bronca de Caetano Veloso em sua equipe, que escreveu “homenagem à Bituca” na página do cantor em uma rede social. Trata-se de um caso indiscutível de mau uso do acento indicativo da crase.

Crase significa fusão. Na língua falada é a fusão da preposição “a” mais outro “a”, que geralmente é o artigo definido feminino.

Na língua escrita, para indicar a existência dos dois “aa”, usamos o acento grave indicativo da crase: “homenagem à música brasileira”.

Quem faz homenagem sempre faz homenagem “a” alguma coisa ou “a” alguém. A preposição é uma exigência do substantivo “homenagem”. Chamamos a isso de regência.

O segundo “a” é o artigo definido que antecede o substantivo, também feminino, “música”. É como se falássemos “homenagem a a música brasileira”.

Por que no caso do “Bituca” a crase é impossível?

Simples: Bituca é Milton Nascimento, é masculino. É impossível haver artigo feminino antes do Bituca. Se houvesse, seria o artigo masculino “o”. Nesse caso, seria “homenagem ao Bituca”.

É interessante lembrar que o uso dos artigos definidos diante dos antropônimos (nomes próprios de pessoas) é facultativo. Há regiões (países, estados, cidades) que gostam dos artigos e outras não: “casa do Paulo” ou “casa de Paulo”; “livro da Maria” ou “livro de Maria”. Isso pode ser um simples regionalismo.

E há lugares em que a presença do artigo caracteriza intimidade, que a pessoa é da família ou um amigo muito próximo.

Assim sendo, se Bituca fosse mulher, a crase seria facultativa, pois poderia ou não haver o artigo feminino.
Como no caso em questão Bituca é homem, portanto substantivo masculino, a única dúvida que poderia haver é a homenagem seria “a Bituca” ou “ao Bituca”.

Crase… Impossível.

Um abraço ao Caetano ou a Caetano (sem crase).

 

FONTE: Sérgio Nogueira, via G1.


Gramas

Recado
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“O esperanto me parece admirável precisamente porque não foi adiante ou, pelo menos, não alcançou os fins a que se destinava.”
. Genolino Amado

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Adeus, passarelas
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Gisele Bündchen escolheu a São Paulo Fashion Week pra dar adeus às passarelas. Depois de 20 anos de carreira, não deixou por menos. Cercada de flashes e sob entusiasmados aplaaaaaaaaaausos, a bela desfilou com o charme de sempre. Na plateia, o maridão e os medalhões da moda brasileira.
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A imprensa, claro, noticiou a despedida da modelo mais bem-sucedida do mundo. Mas… encontrou o verbo despedir no meio do caminho. Trata-se da regência. Gisele despede as passarelas ou se despede das passarelas? No duro, no duro, ambas estão corretas. Qual a mais adequada?
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Despedir tem regências pra dar e vender. Escolher uma ou outra depende do recado que se quer dar. Transitivo direto, o trissílabo pode significar fazer sair ou dispensar os serviços: Despediu o filho da sala pra evitar que ele batesse com a língua nos dentes. Despedimos os empregados domésticos porque, com a crise, o dinheiro ficou curto.
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Convenhamos. Não é o caso de Gisele. A ação da top model tem a acepção de apartar-se. Aí, o verbo é pronominal e exige a preposição de: Gisele se despediu das passarelas. Eu me despeço dos amigos sempre que eles partem. Não raras vezes, precisamos nos despedir das pessoas que amamos.
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55 anos
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Viva! Na terça, Brasília completa 55 anos. A cidade se prepara pra festa. Esportistas, músicos, pintores, poetas, cronistas & cia. talentosa querem se exibir pra homenagear a capital que os abraça sem discriminação. Todos têm uma dúvida. Como escrever o ordinal 55º? É fácil, fácil. Cinquenta só tem uma forma. Grafa-se com q. O ordinal vai atrás: quinquagésimo quinto. Assim – sem hífen e sem dar vez ao cardinal.
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Escritores e escritores
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“Tanto luta e pena o bom escritor quanto o péssimo, quanto o medíocre. Quer dizer, o artista inferior dá à sua obra as mesmas horas de trabalho, o mesmo idealismo, os mesmos sacrifícios, os mesmos sonhos que dá à sua o bom artista, o grande artista. Talvez o primeiro dê até mais sacrifício, mais realismo, pois que o bom tem o seu prêmio em aplausos, e o outro trabalha à toa. Só recebe em paga a indiferença ou o esquecimento.” (Rachel de Queiroz)
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É guerra

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A palavra da moda? É terceirizar. Ela está na boca de patrões e empregados. Uns a veem como inimiga das conquistas trabalhistas desde que o Brasil é Brasil. Outros a consideram a salvação da pátria. Moderniza a legislação, amplia o número de empregos e torna competitivos os produtos verde-amarelos.
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Enquanto a discussão corre solta e os protestos paralisam o país, vale a questão. Por que terceirizar se escreve com z? A resposta é pra lá de simples. Não existe o sufixo -isar. Só existe -izar. Ops! Você pode se lembrar de montões de palavras terminadas em -isar. É o caso de frisar, pesquisar, analisar, encamisar. E daí?
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Sagrada família
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Na língua, uma regra vem à frente de todas. Trata-se do respeito à família. “Tal pai, tal filho”, diz ela. Em bom português: se a palavra primitiva se escreve com determinada letra, as derivadas a mantêm: luxo (luxento, luxuoso, luxúria, luxuriante), cheio (encher, enchente), casa (casinha, casebre, casona, casarão), luz (luzente, luzeiro, reluzente, luzir), pesquisa (pesquisar, pesquisador, pesquisado), análise (analisar, analisado), friso (frisar, frisado, frisador, frisante).
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Meio órfão
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Há palavras que não têm s no radical. Pra formar verbos terminados em -izar, só há um jeito. Recorrer ao sufixo escrito com z. É o caso de terceiro (terceirizar), civil (civilizar), normal (normalizar), canal (canalizar), global (globalizar), polo (polarizar), fiscal (fiscalizar), mínimo (minimizar), máximo (maximizar).
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Leitor pergunta
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A música de Dorival Caymmi diz: “O pescador tem dois amor, um bem na terra, um bem no mar”. É dois amor ou dois amores? 
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. Vera Godoi, Belo Horizonte
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Pra nós, mortais, Vera, a concordância exige o plural (dois amores). Mas Caymmi é artista. Tem licença poética. Pode pisar a gramática sem cerimônia. Conhece a licença de Drummond? “Cacilda Becker morreram”, escreveu o poeta quando a grande atriz partiu desta pra melhor.

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FONTE: Estado de Minas.

 


“Não me envergonha confessar não saber o que ignoro.” Cícero

 

Caixa-preta, pra que te quero?

Que triste! Avião da Germanwings caiu nos Alpes franceses. Morreram 150 pessoas. Entre elas, turminha de adolescentes que faziam intercâmbio. O que provocou a tragédia? 

Há hipóteses. Fala-se em ato terrorista. Mas a certeza só virá com as completas revelações da caixa-preta. Caixa-preta? É só o nome. Ela é laranja. A cor viva torna-a mais visível.
Hífen
Por falar em laranja…
A reforma ortográfica fez artes na língua. Uma delas: cassou o hífen de palavras compostas de três vocábulos ou mais ligados por preposição, conjunção, pronome. É o caso de pé de moleque, mula sem cabeça, dor de cotovelo, tomara que caia, mão de obra, testa de ferro. É o caso também do triozinho de cores: cor de laranja, cor de gelo, cor de marfim. Exceção? Só uma. É cor-de-rosa. A cor preferida de menininhas e meninonas mantém o tracinho. Por quê? A lei que tratou da reforma ortográfica a citou como exceção. Citou também água-de-colônia e pé-de-meia (poupança).

Sem generalização
Na língua nem todos são iguais perante a lei. Existem os mais iguais. A reforma ortográfica poupou as composições de seres dos reinos animal e vegetal: joão-de-barro, bicho-de-pé, cana-de-açúcar, pimenta-do-reino, castanha-do-pará.

O segundão
“Como? Será?”, perguntam gregos, romanos, goianos e baianos. “Investigador diz que copiloto teria deliberadamente assumido controle do avião e provocado a queda.” Ao divulgar a notícia, pintou a dúvida. Como escrever copiloto? Com hífen? Sem hífen? Procura daqui, pesquisa dali, eureca! O prefixo co- tem alergia ao tracinho. Com ele é tudo colado: coordenação, coerdeiro, coautor. E, claro, copiloto.

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Tempos modernos
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As siglas são gente da casa. Curtinhas, combinam com o tempo moderno. Estamos sempre apressados. Daí a regra de ouro “menor é melhor”. Mas nem tudo são flores. Volta e meia, pintam dúvidas sobre a grafia das pequenas. Adauto Ferreira quer jogar luz sobre as incertezas. Pediu ajuda à coluna. Leitor manda, não pede.

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Escrevem-se todas as letras grandonas em duas ocasiões.

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1. se a sigla tiver até três letras: PM (Polícia Militar), PR (Presidência da República), UTI (unidade de terapia intensiva), PIB (Produto Interno Bruto), ONU (Organização das Nações Unidas), TAM (Transportes Aéreos de Marília)
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2. se as letras forem pronunciadas uma a uma: INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), FNDE  (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). No mais, só a inicial é maiúscula: Detran (Departamento de Trânsito), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Cedoc (centro de documentação).
Crase
Leitor pergunta
Ajude-me numa velha dúvida: “Ensino a distância” tem crase?
Pedro Jorge Hatem Filho, Belo Horizonte
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Crase, Pedro, é como aliança no anular esquerdo. Indica casamento. No caso, de dois aa. Em geral, de preposição e artigo. Ora, para que haja união, os dois pares precisam estar presentes. É aí que mora a questão. Distância, na locução a distância, não tem artigo.
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Duvida? Na traseira de ônibus e caminhões aparece o aviso “mantenha distância” – assim, sem artigo. Quando for indicado o tamanho da distância, cessa tudo o que a musa antiga canta. O artigo diz presente. A crase também. .
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Compare: Siga o carro a distância. Siga o carro à distância de 50m. Logo, ensino a distância.
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FONTE: Estado de Minas.


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